sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

João Carvalho Ghira



Devo ter conhecido o Engº Ghira no IVV lá pelo meio dos anos 90. Sempre positivo, bem disposto, conciliador. Fez uma longa e brilhante carreira no sector ao qual se dedicava por verdadeira paixão, mais do que por cumprimento de obrigações. Foi presidente do IVV, da CVR Lisboa, da ANDOVI.

Ontem deixou-nos.

Cito um texto muito bom que a AMPV - Associação dos Municípios Portugueses do Vinho publicou a propósito de uma homenagem que lhe fez muit recentemente.


"uma enorme referência no setor do vinho, que percorreu um longo e marcante percurso nesta área, tendo contribuído para uma maior qualidade e afirmação dos vinhos nacionais". Do seu percurso profissional destacam-se os cargos de presidente do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) e presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) da Estremadura e de Lisboa.
Nasceu no Cartaxo e é oriundo de uma família com forte ligação à agricultura. Frequentou os estudos superiores no Instituto Superior de Agronomia e em 1972 iniciou funções na Estação Vitivinícola Nacional, em Dois Portos, Torres Vedras, na altura Centro Nacional de Estudos Vitivinícolas. Prestou assessoria técnica em diversos gabinetes de membros do Governo e desempenhou os cargos de presidente do Instituto da Vinha e do Vinho e da CVR de Lisboa.
Entre as suas obras editadas, destaca-se “Vinhos da Estremadura”, da coleção enciclopédia dos vinhos de Portugal. É considerado "um dos grandes responsáveis pela evolução qualitativa do vinho português""

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Exportações até Outubro

Após um início de ano menos famoso, as exportações evoluíram muito bem e parece-me já claro que fecharmos o ano com números muito bons.

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O quadro tem a informação detalhada, mas aqui ficam algumas ideias que sobressaem:

  • no geral bem, estamos com crescimentos de 8% em volume e valor, embora isto implique que não estamos a aumentar em preços médios;
  • recuperamos finalmente muito bem nos EUA, após um início de ano muito hesitante; fracote porém em preços médios; pelo acompanhamento que fazemos, não está a verificar-se uma baixa de preços; o que se passa é que quem cresce são os vinhos mais competitivos, as marcas grandes, e o crescimento dos segmentos de valor é bastante curto;
  • bem, muito bem na França;
  • excelente no Brasil, andamos há vários anos a crescer de forma muito robusta;
  • fraca a Polónia.

Estou convencido que os dados finais do ano não hão de divergir muito disto. Fecha-se um ano muito bom em volume mas não tão confortável em preços médios, cujo crescimento é o objectivo de todos, produtores e CVR.

Para 2019 vamos ter novidades...

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Francisco Toscano Rico na CVR Lisboa




A eleição do Engº Francisco Toscano Rico, - por unanimidade - para presidir à CVR Lisboa encerra um animado período de renovação da equipa das instituições no sector, que nos trouxe alterações no IVV, no IVDP, na CVRBI e agora na CVRL.

Devo dizer que é uma excelente escolha. Conheci o Francisco quando estava no GPP mas, mais proximamente, quando esteve no IVV. Trabalhei de perto com ele em vários assuntos, sobretudo na renovação da lei 212/2004 e no dossier Alvarinho.

É um gestor muito metódico, conhecedor da política comunitária, com capacidade de diálogo e visão estratégica. Creio que nunca esteve no sector privado mas rapidamente se adaptará, nomeadamente à liberdade de gestão e a avaliação por objectivos que este encerra.

Foram semanas de mudança mas sei que o sector fica mais forte.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Os stocks pós vindima

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Divulguei há dias o resultado da vindima e aqui fica o mapa de stocks a  30 de Novembro já com a vindima adicionada às existências. Tanto falatório na vindima e afinal tudo é tão simples: as vendas estão robustas, a produção foi baixa, logo o stock desce.

No branco estamos com uma existência próxima dos 96 milhões de litros. É inferior à do ano passado mas folgada para o ano comercial que nos espera. Houve quem criticasse o controlo que fizemos a partir de Maio do ano passado mas mal. O stock vinha alto e era preciso manter rigor. Defendo que o mesmo deve ocorrer este ano.

Onde está este vinho? o segundo mapa ajuda-nos a perceber.



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Está fundamentalmente nas adegas e sociedades comerciais engarrafadoras. Na produção muito pouco. Também algum nos designados "produtores-engarrafadores" ou seja as "quintas".

Isto sucede porque cada vez mais os produtores, e bem, entregam as suas uvas, ao invés de fazerem vinho em casa. O mercado de "vinho na produção" tem vindo a diminuir e hoje, bem vistas as coisas, é insignificante: recorde que os 3,9 M litros de branco estão repartidos por quase dez mil produtores, cada um com um pequeno stock.

Temos pois tudo pronto para o ano de 2019. Há condições para respondermos à procura, talvez cm uma ligeiro ganho de valor.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Vinho + álcool + impostos



Escrevo esta página desde 2008. Procuro, naturalmente, ser credível no que escrevo. Nomeadamente evito andar a berrar "há lobo" sem motivo.

Em 2011 escrevi um artigo sobre a previsível aplicação ao vinho do Imposto sobre o Álcool no futuro. O artigo pode ser lido aqui. Não ocorreu até hoje, felizmente, Em 2016 voltei a escrever sobre o assunto, num artigo que pode ser lido aqui e que está no top de leituras de sempre deste blog com cerca de 2900 visitas porque foi partilhado em vários fóruns ligados ao fisco. Felizmente não aconteceu.

Não aconteceu mas, obviamente vai acontecer, é fatal como o destino

Recentemente, a Viniportugal promoveu um interessantíssimo debate sobre as questões do vinho e saúde em Coimbra, integrado no forum anual Wines of Portugal e um dos oradores mais marcantes foi o Dr. Manuel Cardoso, responsável pelo SICAD - Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências. Importa esclarecer que o vinho, como todas as bebidas alcoólicas são consideradas uma droga lícita e portanto sob atenção e intervenção prática desta entidade.

A intervenção do Dr Manuel Cardoso impressionou-me por três motivos. Em primeiro lugar pelos números dos efeitos do álcool no nosso país. Em segundo pela visão que tem de álcool e seu malefícios sem distinção do produto de origem. É o vinho ? as cervejas, os destilados ? para o orador é tudo álcool e igualmente tratado. Em terceiro, pela resposta que deu a uma pergunta que lhe coloquei: confirmou que o seu departamento do Ministério da Saúde está a estudar duas vias alternativas para reduzir o consumo de vinho: a imposição do Imposto sobre o Alcool ( IABA ) ou a imposição de um preço mínimo de venda, à semelhança aliás do que recentemente foi aplicado na Irlanda e na Escócia ( 5,00€ ).

Não carece de explicar porque é que a aplicação de qualquer destas propostas seria um desastre.

Esta perseguição do vinho leva-me ao assunto conexo: a defesa do consumo com moderação. Cada vez mais, nas minhas intervenções em público sublinho de forma mais dura a necessidade absoluta de o sector combater o abuso no consumo. De promover o vinho como um produto de cultura, com imenso para descobrir e por isso incompatível com o abuso.

Porém, não estou nada convencido que o sector dos vinhos esteja sensível para com esta questão. A forma como vejo ser tolerado o abuso em eventos promovidos por quem mais responsabilidade deveria ter é um bom exemplo.

Não se avizinham dias fáceis no que a este assunto diz respeito.

Nota: veja o powerpoint do orador do SICAD aqui.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Douro Verde: um problema sem solução ?

Foto: 1000 Curvas Fb 20/10

A designação "Douro Verde" tem sido usada para identificar a região que é simultâneamente parte dos Vinhos Verdes mas ribeirinha ao Douro, sobretudo o concelho de Baião. Aquilo a que antigamente se chamava a "zona de transição."

O uso do nome do rio na produção  turística foi ( creio ) lançado pela associação Dolmén e  faz todo o sentido. Desde logo porque Douro é uma marca forte e sobretudo fortíssima na vertente turística. Depois porque concelhos como Cinfães, Castelo de Paiva, Baião e Resende não são ribeirinhos ao Sado ou ao Zêzere. São ribeirinhos ao Douro. E é preciso fazer um esforço enorme para não se reparar que o rio está ali.

Não surpreende pois que tenha surgido a designação Douro Verde. Uma pesquisa no site no Instituto Nacional da propriedade industrial revela várias marcas incluindo "Douro Verde" das quais destaco a 473036 "Douro Verde Paisagens Milenares" registada em nome da Dolmen e "Douro Verde Vintners" ( registo em apreciação ).

Curiosamente nenhuma é simplesmente "Douro Verde". Das pesquisas que fiz, a marca "Douro Verde" não se encontra registada no INPI apenas nesta expressão mais simples. Na internet, o endereço douroverde.com abre a página da firma Transdouro, um operador turístico e o endereço douroverde.pt está registado, com titular confidencial mas não leva a página alguma. Sou capaz de adivinhar quem o registou...

O problema do "Douro Verde" não é porém o da promoção turística mas sim o dos vinhos. É que os produtores de vinhos daquela região pretendem usar a expressão na sua rotulagem e publicidade e estão impedidos por lei. Bem sabemos que o rio é assim que se chama, mas "Douro" é também a designação de uma DO. Ora, seja a legislação comunitária, seja a nacional proíbem expressamente o uso da designação de uma DO, neste caso Douro, em produtos que não cumpram o caderno de especificação dessa DO.

Temos portanto que os produtores de vinho nestes Concelhos pretendem usar a expressão Douro Verde e muitos estão já a usa-la na promoção turística das suas propriedades mas não a podem usar nos rótulos dos vinhos e sua publicidade.

Estou em crer que, sendo estas as balizas da questão, a solução está mesmo aqui. Douro Verde é assunto que alimentará dezenas de conversas de copo na mão mas que se resumirá sempre nisto: uma questão sem solução. E portanto está resolvida.

sábado, 1 de dezembro de 2018

A propósito do Rodolfo

Foto: FB RBQ

Rodolfo Baldaia de Queirós acaba de ser eleito para presidir à região vitivinícola da Beira Interior. Conheço o Rodolfo e o seu trabalho - sou parcial já sei - mas não hesito em afirmar que dificilmente se poderia ter feito melhor escolha. O Rodolfo tem um profundo conhecimento da Região que abraçou na vida pessoal e profissional, é um profissional sólido e dedicado e tem a necessária imparcialidade para dirigir o processo de certificação com credibilidade. Sucede aliás a um presidente admirável, João Carvalho ( Quinta dos Termos ), com visão e sentido de serviço e a quem a região muito deve. Porém a região tem de crescer e ganha agora velocidade. A Beira Interior é uma região com vinhos interessantíssimos mas com um reconhecimento do mercado que tem ainda imenso para se afirmar.

Quando entrei para este mundo das regiões demarcadas, nos anos 90, a maior parte das CVR's era dirigida por quadros do Ministério da Agricultura ou profissionais de proximidade ao poder político. Isto não é uma crítica ao seu trabalho, pois todos eles deram o seu melhor e vários foram grandes presidentes. Apenas refiro a origem das nomeações. Gente como Tomás Correia, Virgílio Dantas, Carvalho Ghira, Marcílio Gomes dos Santos, Clara Roque do Vale, Monteiro Simões foram essenciais para que as regiões dessem os primeiros passos, muitas delas em instalações do IVV.

Eram raras as excepções, uma delas a CVRVV. Eu fui "nomeado" ( na altura era assim ) representante do Estado pelo então Secretário de Estado Luís Medeiros Vieira ( sim, é o mesmo hoje ) no âmbito de um acordo celebrado entre as cooperativas e o comércio da Região que garantiu três presidências, as do Engº Gaspar Castro Pacheco, Dr José Emílio Pedreira Moreira e a minha. Independentemente das simpatias políticas de cada um, o que se passou é que a Região garantiu alguma autonomia na proposta de um nome que o governo da altura aceitaria.

Acabados os representantes do Estado em 2004 as regiões foram oscilando, primeiro no modelo de eleger produtores de referência, evoluindo recentemente, para a eleição de gestores profissionais, O Alentejo levou esta orientação mais longe: já fez duas escolhas por um processo de recrutamento típico do sector privado e o nome final foi votado em Conselho Geral.

Esta é, claramente, a tendência que se reforça a cada dia. Bem vistas as coisas, hoje mais de metade das CVR's são geridas por profissionais que não estão ligados a empresas e que respondem por objectivos de gestão. Incluo a CVR Dão que, apesar de ter uma Comissão Executiva de empresários, passou a ter um director geral profissional com poderes significativos.

Há uns tempos, escrevia por aí um produtor que os presidentes de CVR's deveriam ser pessoas que saibam podar. Talvez. A mim nunca me pediram que podasse, o que faria com gosto. O que me parece essencial em quem dirige uma entidade que faz certificação, promoção e fomento é que saiba fazer isto mesmo. Que tenha uma visão estratégica da região, que se relacione com quem pode apoiar a região, que facilite o debate interprofissipnal que perceba o contexto da UE que esteja atento aos problemas fiscais, ao dossier álcool, à evolução da técnica e que escute os mercados e os produtores. Diria que isso é mais urgente do que podar. Por último, as normas de certificação a que as CVR's se submetem são hoje taxativas: se o presidente de uma CVR for ele mesmo um produtor, está legalmente impedido de dirigir o  processo de certificação. Assunto pois esclarecido.

O Rodolfo corresponde exactamente ao perfil de um quadro muito bem formado e cuja objectividade de gestão está assegurada. Tem tudo para ter sucesso.

Curioso ou significativo é que, no ano em que entrei para o sector, o Presidente do IVDP ( à data IVP ) era um académico de prestígio da UTAD, Fermando Bianchi de Aguiar. Esta semana a nomeação do novo presidente do IVDP recaiu num colega com o mesmo perfil.

Algumas palavras, já que de memórias se trata, para recordar  nome de Gente Grande com quem tive o gosto de conviver e que não voltaremos a ver.

Armando Pimentel , que dirigiu o IVP em condições de saúde muito exigentes e com quem tive o gosto de, em Paris, fazer uma representação dos vinhos Portugueses junto dos colegas da UE.

Álvaro Marques de Figueiredo, histórico presidente da CVR Dão, líder de pulso que ia connosco a Lisboa reclamar com o então Ministro Arlindo Marques da Cunha, já não sei a que propósito. O Álvaro Figueiredo trazia sempre consigo um enorme molho de chaves ( deviam ser a de casa dele, calculo ) mas quando as discussões eram difíceis, punha-as em cima da mexa e exclamava "deixo já aqui as chaves da CVR". Geralmente corria bem. Nunca o vi regressar sem as chaves !

Virgílio Dantas, homem delicioso mas dotado de um feitio impossível, era natural da nossa região, de Lanhelas-Caminha, mas viveu sempre em Lisboa. Presidiu à CVR Cartaxo, que deu origem à hoje CVRTejo. Quadro do IVV ( e antes da Junta Nacional do Vinho ) era licenciado em Direito e Engenharia Agronómica. Foi absolutamente essencial no dossier vinho da adesão de Portugal à UE. Era meticuloso ao limite, o que levava à exasperação dos colegas. Um bem disposto porém. Tenho boa memória dele.

Tomás Correia. Convivi pouco com ele. Julgo que presidiu à então CVR Alenquer, Arruda e Torres, mesmo numa altura em que eu me iniciava na ANDOVI.

Marcílio Gomes dos Santos era assessor do Secretário de Estado da Agricultura e Presidente da CVR Península de Setúbal. Convivi pouco com ele porque a CVRPS não era membro da ANDOVI. Lembro um homem muito sereno, conhecedor dos dossiers.

Nelson Heitor, também presidente da CVRPS e por muitos recordado como o homem do PROAGRI, um programa essencial de apoio aos agricultores nos anos 90. Casado com uma Monçanense ( se a memória não me falha ) era apreciador de Verde tinto !

O Rodolfo, que motivou este artigo, não conviveu com nenhum destes Homens. É de um novo tempo e ainda bem.

Preparem-se, os vinhos da Beira Interior vão dar que falar !

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Vinho Verde: exportações a Setembro



Com base no mapa do INE/Intrastat, aqui fica a análise das exportações e expedições até Setembro, comparadas com igual período do ano passado:


  • temos registadas exportações para 102 países;
  • núm. 1 os EUA com 11M€ ( estável )
  • núm. 2 Alemanha com 10,8M€ ( + 3% )
  • núm. 3 França com5,2M€ ( + 13% )
  • núm. 4 Brasil com 4,6M€ ( + 48% )
  • núm. 5 Canadá com3,5M€ ( + 15% )
No geral, chegamos a Setembro com 53 milhões de euros, um aumento de 10% face a igual período de 2017.

Curiosidade, o nosso mercado 102, o último é o Benin com... 1 litro. O preço médio anda nos 2,3 €/litro, aumenta muito ligeiramente desde 2017.

Esta semana temos duas dezenas de produtores no Brasil a participar no Vinho Verde Wine Fest Rio e São Paulo.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Bernardo Gouveia preside ao IVV


Já se falava do nome há algum tempo, já se comentava que constava da lista de selecção que o Governo tinha em cima da mesa e a Revista de Vinhos acaba de confirmar a sua nomeação para a presidência do IVV, Instituto da Vinha e do Vinho.

Bernardo Gouveia não é um desconhecido no sector. Recentemente presidia à CVR Lisboa, tendo trabalhado em várias empresas do sector, como a Companhia das Quintas, a Bacalhoa, a Adega Cooperativa do Redondo. Foi ainda dirigente da ANCEVE.

Quando for empossado, Bernardo Gouveia sucederá a um dos presidentes mais marcantes do IVV, Frederico Falcão, unanimemente reconhecido como um dos melhores mandatos que o sector ali viu exercidos. Sucederá ainda à presidência em substituição de Francisco Toscano Rico ( Vice Presidente ) um profissional sólido e valorizado pelo sector.

No dia em que entrar na lindíssima sede do IVV, sita à Rua Mouzinho da Silveira em Lisboa, Bernardo Gouveia encontrará muitos dossiers pousados em cima da mesa:

  • a REFORMA DA LEI QUADRO do sector, um diploma cuja renovação se arrasta há anos e cujo texto final se encontra já no Governo. O sector está exausto de discussões infindáveis sobre este assunto, que se arrastaram por demasiado tempo e não produziram fruto algum. E porém a reforma é necessária e urgente;
  • a NEGOCIAÇÃO EM BRUXELAS, sendo que neste quadro comunitário o sector esgotou as verbas do programa vitis antes do tempo. É essencial não só garantir apoios mas, em paralelo, assegurar que estes são bem geridos;
  • combater a FUGA ÁS TAXAS no vinho de mesa, um mal genético do sistema de pagamento por guia que foi introduzindo sem que se montasse um eficaz sistema de controlo. As auditorias que o IVV vai fazendo invariavelmente identificam situações de fuga.
  • avançar no CONTROLO INFORMÁTICO, nomeadamente impondo o cadastro nacional da vinha para todas as regiões de certificação e sendo consequente. Como é possível que haja produtores sem cadastro que façam DCP ou recebam apoios ?! como é possível que haja produtores com um cadastro ínfimo que declaram produções gigantescas ?!
  • dialogar com CVR's e VINIPORTUGAL, entendendo umas e outras como partes essenciais de uma equipa comum que deve trabalhar de forma harmónica;
  • valorizar o CONSELHO CONSULTIVO, órgão que reúne todas as associações do sector e que não só tem competência técnica mas é o apoio essencial para o sucesso do exercício do mandato.
  • valorizar a comissão da marca WINES OF PORTUGAL que reúne Viniportugal e CVR's e que coordena as acções das várias entidades em torno do objectivo comum.

E finalmente fazer o MILAGRE que é gerir uma instituição pública, onde terá de pedir licença à finanças sempre que consumir um copo de água, onde terá de preencher 624 impressos e requerimentos sempre que lhe passar pela cabeça pregar um quadro na parede do escritório e onde, nunca esquecer, de cada vez que tiver um orçamento para gerir, verá que lhe é cativada uma boa parte das verbas lá inscritas.

Não deixa de ser verdade, e isto é o que o pode animar no fim do dia, que o IVV tem uma excelente equipa de profissionais, é um instituto acarinhado pelo sector e aliás considerado como uma boa escola dentro da administração pública.

O sucesso do Bernardo será o nosso.

Nota: leia o artigo da Revista de Vinhos aqui:
http://www.revistadevinhos.pt/noticias/bernardo-gouvea-e-o-novo-presidente-do-ivv

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Os números da vindima

Está fechada a entrega das Declarações de Colheita e Produção, pelo que podemos já começar a analisar os números da vindima de 2018. O facto de a CVRVV receber directamente as DCP's dos produtores e de estar ligada informaticamente com o cadastro do Ministério da Agricultura, caso pioneiro a nível nacional,  dá-nos esta excelente possibilidade de conhecer os números da vindima no momento exacto em que fecham os balcões.

Antes de começar , apenas um alerta: os números podem ter ligeiras reduções, fruto das acções de controlo que estamos a realizar e têm por base o mapa de 16/11. Não incluem pois alguns retardatários, sobretudo pequenos produtores. Quer isto dizer que os números finais a apurar a 31/12 podem ter, terão decerto, pequenas diferenças.

OS GRANDES NÚMEROS

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De forma simplificada, os grandes números são estes:

  • 16.170 produtores
  • branco + mosto, 59,6M litros, uma perda de 20% face ao ano passado
  • tinto + mosto, 9,3M litros, uma perda de 30% face ao ano passado
  • rosado + mosto 3,7M litros, uma perda de 31% face ao ano passado.
  • no geral, 72,7M litros, perdemos 22% face a 2017.
Ficamos pois muitíssimo perto da previsão de colheita que nos indicava um resultado final ligeiramente acima de 2016. Recordo que a previsão de colheita da região é feita por inquérito a mais de 50 técnicos de produtores, sociedades comerciais e cooperativas.

Face à preocupação de alguns colegas quanto às perdas, importa aqui sublinhar o seguinte: 2017 foi uma colheita menos boa na medida em que nos deu uma quantidade excessiva. Se tivéssemos em 2018 a mesma produção, seria péssimo, estaríamos perante um problema de desvalorização da matéria prima.

A segunda e última observação. Conheço, não podendo divulgar, os dados de cada entidade. Devo dizer que a perda face a 2017 foi absolutamente transversal. Sendo que o boato é a espécie que melhor floresce na vindima, ouvi dizer que fulano e sicrano tinham aumentado a produção num ano de menos uvas. Não é verdade, Os aumentos face a 2017 foram muitíssimo esporádicos, sem significado no geral e sempre bem fundamentados por circunstâncias  que não deixavam dúvidas, por exemplo vinhas novas em produção ou alguém que nunca tinha comprado uvas e passou a comprar.  NENHUM dos operadores com significado deixou de perder 18 a 20% face a 2017. A perda é, repito, transversal. ( ver em baixo o caso de Monção ).

Vejamos agora com algum detalhe cada tipo de vinho e outros dados.

O BRANCO

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No branco + mosto banco produzimos 59,6 milhões de litros. É interessante notar que os dois segmentos são distintos: no branco tivemos uma perda inferior a 20% face ao ano passado mas no mosto branco tivemos 40%. Em 2017 tínhamos produzido uma quantidade muito grande de mosto, como forma de armazenamento de um stock excessivo e este ano o mercado corrige-se.

Seja como for, julgo que tudo aponta para um ano muito sereno. As vendas de branco em 2017 foram de 51 milhões de litros. este ano estarão uns 5% acima disso e a produção é de 59,6 milhões. Temos ainda um stock que é confortável. Podemos pois ter um bom ano de vendas com estabilidade de preços ou uma ligeira valorização o que é bom sinal para o negócio.

Duas reflexões estratégicas que me parecem importantes:

  • a primeira é que, fruto do trabalho admirável de todos, com o apoio dos programas vitis, estancamos e invertemos a fuga de vinha que decorreu na década de 2000. Conforme pode ver acima, as produções aumentam estruturalmente. Se fossemos ver mais em detalhe, concluiríamos que o que verdadeiramente aumenta é a produtividade média, porquanto a área de vinha,essa não tem aumentado; são vinhas novas, muito produtivas, com áreas médias grandes a substituir milhares de pequenas leiras que são abandonadas; e ainda há muita vinha nova que se encontra nos 4 primeiros anos de produção;
  • o segundo é que há mais uva branca estruturalmente, sim, mas ela não aparece no mercado. Isto porque hoje em dia, a ligação entre o viticultor e o seu cliente "preferencial" é muito mais elevada. Quem planta já tem uma ideia de quem será o seu cliente, a cooperativa ou uma empresa, e relaciona-se com esta ao longo do ano. A quantidade de uvas "sem dono" que estão no mercado não está pois a aumentar. Quem procura uvas tem de ter esta nova realidade presente, tem de se aproximar da produção e tem de preparar a vindima nos doze meses do ano.

O TINTO

Há menos tinto, 9,3 milhões de litros, para uma venda anual de 4 milhões no ano passado. Admito porém que não se verifique excedente. Há sempre algum tinto que segue como vinho de mesa para outras regiões/países e é o vinho que tipicamente será vendido à porta por muitos agricultores.

Ao contrário do branco, em que afirmei acima que estamos numa fase estruturalmente ascendente de produção, no tinto sucede o exacto oposto: produz-se cada vez menos e não há praticamente vinhas novas a entrar em produção.

O ROSADO

Entre vinho e mosto, produzimos 3,7 milhões de litros para uma venda anual próxima dos quatro milhões. Admito que algum tinto com pouca cor possa vir a ser classificado como rosado e assim corrigir esta escassez.

AS REGIÕES DENTRO DA REGIÃO

Monção e Melgaço foram claramente a sub-região que melhor se comportou, com perdas totais inferiores a 10% face ao ano passado. A sub-região representa cerca de 13,5% da produção de vinho da região. Em uvas representaria um pouco mais porquanto envia uva para o resto da região.

Muito bem Ponte de Lima, com uma perda muito baixa, 13% face ao ano passado.

Num próximo texto farei a comparação entre concelhos que produziram uvas e concelhos que produziram vinho para analisarmos os trânsitos de uvas.

EM CONCLUSÃO

Foto: rádio Alto Minho


Já sabíamos que as uvas de 2018 são de excelente qualidade. O preço manteve-se, em alguns casos subiu um tudo nada. A produção foi média, um pouco ais curta do que 2017.

Na primeira semana de Dezembro publico os stocks já com a nova vindima incorporada.

Julgo que foi uma vindima que nos dá excelentes condições de encarar com muita confiança o ano que que perspectiva. Assim a economia ajuda ( não estou tão confiante ) e podemos ter um belíssimo resultado.

Bons vinhos e boas vendas !

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Vendas a Outubro

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Dentro de dias publicaremos os dados da vindima 2018. Não vou, por isso, indicar vindima ou stocks mas apenas as vendas, neste texto.

O branco comporta-se muito bem. Vamos fechar o ano com bons resultados, recuperando assim de um primeiro trimestre que não foi famoso.


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No tinto e rosado, mantemos a tendência de sempre. Já o escrevi e repito: o que faz com que não tenhamos um "lago" de tinto é que por um lado estamos a usar essa matéria prima para rosado e por outro a produção de tinto está a descer. Não nos admiremos se um dia nos faltarem estas uvas.

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Optimos dados mais uma vez nos vinhos de casta, E optimos em toda a linha. É aqui que se está a forjar o crescimento de valor da região. No final do ano faremos constas mas, é já claro, a quota dos vinhos de casta no total da região cresce, o que é muito bom.