sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Vendas até Setembro

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A análise das vendas acumuladas a Setembro, não revela novidades face às tendências que tínhamos identificado nos meses anteriores.

O branco cresce ligeiramente. O gráfico é generoso mas o aumento real é de 1,3%. Neste mapa só analisamos a origem, não o destino, mas sabemos por comparação com os mapas de exportação publicados em outros artigos que este crescimento é suportado na exportação.


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Nos vinhos cor, agrava-se a queda do tinto mas o crescimento do rosado já não é tão pronunciado. Dois apontamentos:
  • temos de alterar a oferta e a forma como comunicamos o tinto; escreverei sobre isso em breve;
  • um dia destes vamos pagar as uvas de tinto ( quanto mais não seja, para o rosé ), mais caras do que as de branco. Já escrevi sobre isto num dos textos anteriores e cada vez mais me convenço disso. Até porque quase não há novas vinhas de tinto, o que nos indica que a queda de produção se vai manter.
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Os segmentos de castas continuam a crescer de forma admirável. Já escrevi antes:a valorização da região não se fará pela valorização do Vinho Verde genérico mas sim pela valorização de segmentos acima deste como sejam as castas e, numa segunda fase as sub-regiões.

Nesta valorização, é com particular agrado que vejo a forma como a sub-região de Monção e Melgaço se está a comportar. Face a tanta gente que anunciou o fim do mundo quando o acordo Alvarinho foi assinado, o sucesso de vendas da região prova exactamente o oposto. Monção e Melgaço estão a construir o estatuto que nenhum outra sub-região em Portugal tem ou terá no futuro próximo. E isso é optimo.

Hoje com o JN: turismo no Vinho Verde !


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Pequenos métodos que ajudam



Os produtores de vinho estão naturalmente pressionados com o trabalho e, como qualquer pessoa, fazem escolhas de prioridade. A produção de vinhos de qualidade a preço competitivo e a sua colocação no mercado de forma valorizada são geralmente o que fica na frente.

Depois há os trabalhos "chatos", as papeladas, aquelas coisas que parece que só existem para atrapalhar.

Ora, o vinho é um produto alimentar e algumas dessas tarefas que parecem perda de tempo, passaram a ser centrais ao negócio. Questões como a rastreabilidade do produto e a certificação de qualidade nas empresas passaram a ser essenciais para quem vende para a distribuição moderna e sobretudo para a exportação.

No que diz respeito ao relacionamento com a CVR, alguns apontamentos que muito podem facilitar a vida do operador:

  • mantenha um registo de stocks rigoroso e actualizado; faça verificações periódicas e contabilize as perdas de transfegas, engarrafamentos e outras operações;
  • quando levanta selos de garantia, recorde que estes são numerados e, através desse número, rastreados ao boletim de análise e lote correspondente. Colocar selos de um lote noutro é hoje detectado muito facilmente com um smartphone e é bem provável que um cliente seu o detecte;
  • a aprovação de rótulos não tem custo específico, está incluída no custo da taxa de certificação; não deixe para a última hora, vendo-se obrigado a suportar com isso um custo desnecessário
  • e leia as circulares da CVR. Não enviadas todas as sextas-feiras de manhã. Leia !



quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Terminada a vindima, inscrever a produção !


Como é habitual todos os anos, está a acabar a vindima e chega a altura de declarar a produção e inscreve-la para certificação ou DO ou IG.

Breves lembranças aos produtores da nossa região:

  • se é viticultor, pode fazer a DCP directamente em casa com a palavra chave que lhe foi enviada; tendo dificuldade pode, pode exemplo, pedir a quem lhe faz habitualmente a declaração de IRS para que lhe faça a DCP; após preenchimento dos campos recebe uma referência Multibanco para que liquide o custo;
  • se é engarrafador, deve fazer a sua DCP com o/a gestor de conta no Porto. Para evitar filas marque com antecedência.

FAÇA A DCP EM OUTUBRO !
NOVEMBRO = FILA DE ESPERA

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Dimensão e rentabilidade no vinho

A associação norte americana de economistas do vinho publica estudos e imagens com muito interesse. Aqui um gráfico que nos mostra a rentabilidade por hectare e tamanho das empresas/adegas na UE. A fonte é o Ministério da Agricultura Alemão.

Na Bulgária as explorações são enormes e pouco rentáveis; no Luxemburgo o oposto. Portugal aparece pequeno e pouco rentável...



quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Vindima: já se lavam alguns cestos

A chuva que chegou não é muita mas anuncia o fim da vindima. Ainda há algum tinto para receber, muito pouco branco e Espadeiro no vale do Sousa. Podemos por isso fazer um primeiro balanço.

Foto: Adega de Monção


QUALIDADE

Em toda a região as uvas estão optimas, estado sanitário impecável, excelentes maturações. Dizia há dias um produtor de referência que este será o grande ano do Loureiro. Vamos a ver. Certo é que os enólogos têm matéria prima muito boa para valorizar.

PREÇOS

A CVRVV não acompanha preços e portanto esta é a minha apreciação pessoal e empírica resultante das muitas conversas que fui tendo ao longo da vindima. Parece-me claro que há uma ligeira valorização um pouco por toda a região. É precisamente isso o que se pretende. Já o escrevi aqui e repito: é um erro querer que os preços variem muito conforme as produções são altas ou baixa. No ano passado tivemos uma grande produção e os preços não desceram; este ano temos uma produção mais curta e os preço sobem um pouco.

AS QUANTIDADES - BRANCO

Vamos ficar entre a produção de 2016 e a de 2017. Tenho visto algum desapontamento por a vindima ter perdas face a 2017. É um erro. Se este ano tivéssemos a mesma produção do no passado, estaríamos confrontados com uma enorme desvalorização da uva e do granel e até com um problem ade armazenamento do vinho. Não esquecer aquilo que vivemos em 2003: vinho em excesso é um problema e o sector cooperativo é o primeiro a sofrer, afundado que fica com um stock de que não necessita.

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A média de produção de branco, num horizonte de 5 anos é de 57 milhões de litros; a média de venda é de aproximadamente 51 milhões de litros. Este ano ficaremos nos 59/60, um optimo número portanto.

Quase diria que, em quantidade é a vindima ideal. Temos vinho, temos stock mas não temos um desafogo tal que desvalorize o produto.

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Por fim importa distinguir o caso específico de Monção e Melgaço. Aqui a produção foi muito próxima da de 2017. Este ano estaremos uns 8 a 9% abaixo de 2017.

AS QUANTIDADES - TINTO

O tinto vai ter um mau resultado. Previa-se uma quebra de 30% face ao ano passado e será isso pelo menos. O contexto do tinto tem de ser visto de forma diferente do banco: não é um problema deste ano. No branco, temos muita vinha nova que vai entrar em produção nos próximos anos. A curva descendente de produção dos anos 90 e do início de 2000 já foi claramente invertida. Podemos ter anos melhores ou piores mas, como se vê no gráfico acima, a produção de branco aumenta estruturalmente.

Entrega de uva tinta 2018/2016 - Clique na imagem para aumentar


No tinto ocorre o oposto. Este ano a produção é curta mas nada nos indica que seja muito boa nos próximos anos por dois factores: o tinto é sobretudo produzido por viticultores mais pequenos possivelmente mais velhos; não há reconversão significativa para tinto. Ou seja, enquanto no branco já se fez a inversão da tendência de perda de capacidade produtiva, no tinto ainda estamos em plano descendente. E isto quando o rosado precisa de matéria prima.

Ainda havemos de pagar as uvas tintas mais caras do que a branca...

A SAÍDA DE UVAS PARA ESPANHA

Sempre houve alguma circulação de uvas para a Espanha e, em especial para a Galiza. Este ano mais, de forma mais organizada e algumas alvo de apreensão pelo que ganharam visibilidade.

Esclareça-se desde já que a venda de uvas para Espanha é inteiramente legal. O viticultor emite um documento de trânsito e vende-as para onde entender. Certo é que, ao emitir o documento, a CVRVV reduz o seu potencial de produção na proporção exacta da quantidade que vender.

A nossa acção de controlo, bem como a da ASAE incidem pois muito fortemente sobre a regularidade dos trânsitos. Foram precisamente estas irregularidades que deram origem a várias apreensões de cargas num total de 50 toneladas.

Não esquecer porém que a saída de uvas para Espanha não pode ser só analisada à luz da legalidade, Tem de o ser também à luz do mercado. Quando se pagam valores muito altos ( chega-me a informação de 70 cêntimos /kg ), isto tem de fazer a região perceber que a concorrência não está só no ponto de venda mas também no abastecimento. A região tem de ser competitiva a remunerar as uvas. E não só. É cada vez mais premente a necessidade de as adegas e compradores estabelecerem uma relação sólida e próxima com os respectivos viticultores, trocando informação e apoio ao longo do ano, alinhando estratégias e não apenas no habitual contacto em Julho e Outubro.

NOTA POSTERIOR: um produtor contactou-me indicando a saída para Espanha de uva de muito fraca qualidade e com preço de 45 a 55 cêntimos/quilograma.


Mosto de Arinto, na Casa de Oleiros. Foto: Manuela Camizão

sábado, 29 de setembro de 2018

O exemplo de França

A França é, no vinho, exemplo de muita coisa. E, como é natural é exemplo de algumas práticas ou realidades muito boas e outras nem tanto. Porque trabalho no vinho há quase duas décadas, já me habituei porém às ideias feitas de que tudo em França é maravilhoso.

A este propósito, dois gráficos muito interessantes publicados pela Associação Americana de Economistas do Vinho, relativos ao número de produtores Franceses. Mudanças de fundo estão em curso com uma redução fortíssima, seja do número de produtores, seja ainda do número de "amadores" do vinho, que produzem para consumo próprio.

Em França, como por cá, os mais pequenos lutam com dificuldades enormes.






quarta-feira, 26 de setembro de 2018

As calorias na rotulagem: é para hoje.


Há coisas que não lembram ao diabo. Estava aqui a preparar um artigo sobre calorias e lembrava-me que escrevi um outro há alguns anos. Fui pesquisar e é verdade: há exactamente dez anos e poucos dias escrevi um artigo a indicar que a obrigatoriedade de mencionar as calorias na rotulagem estava a entrar em vigor nos EUA e viria para a Europa.

Pois, chegou.

A regulamentação da rotulagem está a ser discutida em Bruxelas e vai mudar muito em breve. A ideia é passar a dar mais informação ao consumidor naquilo que à segurança diz respeito: calorias, alergéneos, componentes. Pela informação que recolhi, podemos ter diferentes modalidades: alguma informação ficará no rótulo ( como texto ou símbolo ) e outra poderá ou deverá ser colocada no site do produtor. Certo é que os rótulos passarão a ter mais informação e, este aumento, será feito muito possivelmente através da introdução das calorias.

Mantenho o que escrevi há dez anos, o consumidor vai dar-se conta do conteúdo calórico de alguns vinhos e não vai ser bonito.

Este processo foi debatido no Conselho Consultivo do IVV porquanto este Instituto acompanha em Bruxelas as negociações do dossier.

Aqui ficam algumas leituras complementares:

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Em vindima: apontamentos

Foto: Adega de Monção
Breves apontamentos:


  • ninguém se queixa do estado sanitário. Temos realmente uvas lindas a chegar às adegas um pouco por toda a região. Podemos estar perante um ano de grandes vinhos;
  • calendário: esta semana a região está toda a vindimar. Diria que até à primeira semana de Outubro vamos estar em pleno e logo veremos;
  • quantidade: claramente menos que 2017 como se previa. Talvez próxima da vindima de 2016. Julgo que no fim desta semana já poderemos fazer uma avaliação mais robusta; quem afirmava que as uvas iam sobrar tem de refazer as contas;
  • Boa vindima !

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Exportações Junho

Breve análise do mapa de exportações acumuladas a Junho, comparadas com igual período do ano anterior. A fonte é o INE/Intrastat. Como é habitual, note que estes mapas parcelares são bastante rigorosos quanto aos volumes mas menos quanto aos valores, dado que é geralmente corrigido ao longo do tempo.

Com esta advertência, aqui ficam algumas ideias:


  • exportamos para 112 mercados que é, da memória que tenho, a maior lista de sempre;
  • as vendas aumentam 5% em valor e 4% em volume
  • optimos resultados no Brasil, Reino Unido, Canadá, Suécia, Espanha, Dinamarca
  • menos bom em Alemanha e EUA, Polónia. Sobretudo os dois primeiros a merecer especial atenção porque são os nossos maiores mercados. Ou seja estamos a diversificar, o que é optimo mas a perder nestes locais de referência onde temos um imenso potencial de crescimento.
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