sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Feliz ano novo !



Esta semana não escrevo. Uns dias de descanso. Volto dia 2.

Aproveite e recupere forças. Com a família e os amigos. 2009 vai ser um ano difícil e teremos de estar a 150%. Pelo menos !

Obrigado pela paciência com que tem lido estes textos e aceite os sinceros votos de um feliz ano novo !

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mondovino !


Jonathan Nassiter foi o realizador e produtor do filme Mondovino, feito em sete locais diferentes, em três continentes. Entrevistado há dias pelo Público, diz-nos que gosta dos nossos vinhos. Acha que temos vinhos com personalidade própria enquanto os restantes se esforçam por fazer vinhos tão iguais quanto possível. Nós também achamos.

É bom saber.

Visite o site do Mondovino aqui.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Nova Direcção na DRAPN

António Vieira Ramalho, jurista de 51 anos, é o novo Director Regional de Agricultura e Pescas do Norte. Ao seu lado, o Engº António Graça, ex-Vice Presidente do IVDP.

É importante que a DRAPN tenha bons gestores e estabilidade de gestão que lhe permitam afirmar-se na defesa da região. Conheço pessoalmente as pessoas em causa e, sinceramente, deposito neles muita confiança e expectativa. São ambos experientes nestas funções e têm um sentido prático.

É também importante que a DRAPN saiba contar com gestores da área da antiga DRAEDM e da antiga DRATM, atenuando assim as dificuldades naturais do processo de fusão.

Em sentido contrário, começo a perceber que as instalações da DRAPN no Porto podem sair da esfera do Ministério da Agricultura e passar para outras áreas do Estado. Respeito, e porém não me parece brilhante.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Vendas e stocks em Novembro


Já com a produção integrada nas contas correntes, temos em stock menos vinho do que no ano passado pela mesma altura. Menos branco e menos tinto. E porém, não viveremos um ano de especial escassez pois que o mercado também não será fácil ao longo do ano.

As vendas, a crescer desde 2000, retrocederam desde o início do primeiro semestre e esta retracção manteve-se até agora.

Estamos a perder mercado sobretudo no branco, a nossa principal bandeira. O regional continua sem grandes novidades.

Curiosamente, na semana passada, a Nielsen revelou uma excelente notícia: o Vinho Verde acaba de atingir a maior quota de mercado de sempre em Portugal: 19,8%. Ora, se nós ganhamos quota num clima de contenção do mercado, então, o que estarão as restantes regiões a vender ?

Porém, não nos deixemos abater por estes números e analisemos melhor as vendas no tal segmento, de branco, em que perdemos mercado. No gráfico da direita pode analisar as vendas de vinho branco, percebendo-se que onde estamos a perder verdadeiramente vendas é nos segmentos de menor valor, o garrafão e a garrafa de 1 litro. No último ano perdemos aproximadamente 8 milhões de litros de vendas ,dos quais 5 milhões nos vasilhmes de garrafão e litro. Note que no período de um ano, as vendas de garrafa de litro caíram 50% e as de garrafão mais de 60% !

Uma reflexão: quando chegará o momento de os agentes da região se sentirem confortáveis com o fim da venda desde DOC em garrafão?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Perfil dos Vinhos

Aproveitando a deslocação ao nosso país do responsável da Wine Intelligence, Brian Howard, tivemos uma conversa para aprofundar alguns pontos do excelente estudo que esta empresa fez para a nossa região no ano passado.

Um dos pontos versou os perfis dos vinhos brancos disponíveis no mercado mundial e como se deve posicionar o nosso Vinho Verde.

Em resposta o Brian enviou uma nova apresentação, bem organizada, que foca muitos pontos, dos quais retiro duas imagens para a sua análise.

Da primeira, uma observação sobretudo para os produtores de Monção e Melgaço. Vejam o que sucedeu com o Pinot Grigio. E que está aliás a suceder mundialmente aos Albariños Galegos.

Da segunda, duas observações. Desde logo o problema do álcool. Continuo a ouvir produtores manifestarem orgulho nas maturações que conseguem e que lhes oferecem vinhos com muito álcool. Mas é isto que o cliente quer ? não estaremos a ir no caminho errado ? veja o que diz o texto "12,5% e, com frequência, bastante menos".

E a este respeito recordo a recente prova feita pela Revista de Vinhos que confrontou os Alvarinhos do Vinho Verde com os Albariños das Rias Baixas. Os vencedores ? foram os vinhos com menos álcool, que foram todos no topo da tabela !

Um segundo ponto quanto aos vinhos de nicho que, obviamente, têm dificuldade em se inserir nestes trabalhos. Nas muitas reuniões que tivemos com a equipa da Wine Intelligence, eles mencionavam ( e ficou no trabalho final ) a necessidade de a região dispor de vinhos-bandeira que sirvam de "farol" de imagem e preço. E porém, quando citavam exemplos, do mundo andávamos sempre na casa das 50 a 100 mil garrafas mínimo. É que para ter um farol, convém que ele dê alguma luz !

Vamos a ver se o Vitis nos ajuda a ter mais uva de qualidade e assim mais vinhos de qualidade em boas quantidades !

domingo, 7 de dezembro de 2008

O vinho mais caro da historia


Ainda não encontrei a edição Portuguesa, pelo que li a edição Brasileira da Zahar. Avidamente .Como num túnel, sem parar do início até ao final.

Em 1985, a casa Christie's de Londres leiloou uma garrafa de Chateaux Lafite Bordéus pela admirável soma de 156.000 USD. O leilão foi muito disputado e o comprador foi nada menos que um filho do famoso empresário Marcom Forbes. Supostamente a garrafa teria sido propriedade de Thomas Jefferson um dos "pais fundadores" dos Estados Unidos e teria ficado dois séculos esquecida numa sala emparedada no subsolo de Paris. Mas seria mesmo assim ? Não conto mais ! É uma parte da história do vinho, mas também da cultura, da paixão e da cobiça. Recomendo vivamente.

Logo que saia por cá, tento avisar. Entretanto, aqui ficam os links:

- da Zahar no Brasil
- do autor.
- da Wook ( Porto Editora ) que vende a edição inglesa por € 17,49

Ou então passe numa Bertrand ou FNAC e encomende qualquer das edições.

O livro não tem nenhuma referência à nossa região. Porém várias ao Porto, ao Madeira e uma muito curiosa ao Lancer's !

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

É um mundo de vinho

Quando faço apresentações ou conferências sobre a nossa região, procuro sempre sublinhar que o vinho não é uma ferramenta para matar a sede. Para isso há imensa água !

É importante falar da ligação do vinho à nossa cultura, à história, ao lazer, aos momentos de alegria e à nossa paixão de viver. E o Vinho Verde é o vinho ideal para este fim.

A imagem ao lado, foi feita com o telemóvel há dias no Terreiro do Paço. É a "sala do marquês", sita ao primeiro andar do Ministério da Agricultura. Naquela sala, hoje usada para apresentações públicas e reuniões de grupos alargados, despachava o Marques de Pombal. É um local cheio de história que só podemos imaginar , uma vez que as paredes não falam.

Ali se despacharam os assuntos do reino, quando este ocupava os cinco continentes. Ali mesmo se assistiu à fuga do Rei e da Corte para o Brasil e semanas depois à entrada dos Franceses. Ali mesmo se deu o Regicídio em 1908. Naquele sala ou ao lado foi assinado o Decreto que instituiu o Vinho Verde em 1908. Ali se deve ter discutido tanta coisa inconfessável durante o Estado Novo. E foi em frente aquelas janelas que decorreu o 25 de Abril, com o Capitão Salgueiro Maia a correr de um lado para o outro. Como é que se chamava o barco que fundeou ao largo do Terreiro do Paço e ameaçou disparar sobre a praça ? não me lembro...

E que stress terá passado por ali na negociação da adesão à Comunidade Europeia em 86 ! Momento para recordar o Engº Virgílio Dantas e toda a equipa que no Ministério, no IVV ( então Junta Nacional do Vinho ) e na CVRVV viveu esse momento histórico.

Em 2001 voltou a fazer-se história neste local quando em 26 de Novembro, milhares de produtores, associações e comerciantes se manifestaram contra a lei da alcoolemia. Um pequeno passo que ( coincidência ou não ) antecedeu a queda do governo.

E tudo isto dentro ou frente a esta sala com um lindo tecto em que estão pintadas as armas de um Portugal imperial que já não existe, agora escorado por uma sólida estrutura de madeira. Simbólico ?

Bom fim de semana !


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Vinho de mesa com indicação de casta/ano de colheita

Encontra-se em fase avançada a regulamentação para este tipo de vinhos, pelo que já podemos ter como certas algumas ideias.

De que se trata ? para quando ?
Até hoje, a indicação da casta ou do ano de colheita na rotulagem era exclusiva dos DOC's ou IG's. A partir da campanha 2009/2010, será possível rotular vinhos de mesa com estas duas indicações. E, porque se trata de vinhos de mesa, podem naturalmente ser lotados de vários pontos do país. Por exemlo pode fazer-se um lote com touriga nacional de vários pontos e vende-lo como "Marca X, touriga Nacional 2008". Não pode apenas é haver lote com vinhos de fora do país ou da UE.

Porque é que isto aparece ?
Tradicionalmente na UE entendia-se que a indicação de casta/ano esta exclusiva de vinhos de "topo" com DOC ou IG e sujeitos a um processo de controlo prévio. Porém, no novo mundo nada disto sucede, pelo que se abriu às empresas europeias o acesso às mesmas ferramentas de concorrência.

É pois, no meu entender uma boa noticia, uma excelente notícia.

Surgem-me porém duas preocupações muito grandes:
  • uma principal - que o uso das indicações de casta seja feito com rigor, com verdade;
  • uma complementar - que os mecanismos de controle não se transformem num pesadelo de custos e demoras.
Quanto à primeira, é evidente o valor comercial de algumas castas, Alvarinho, Touriga Nacional. Ora, importa evitar que haja abusos e que com isso se "queime" a designação de alguma casta. E o leitor duvida que, se não houver controle, começará a haver "Alvarinho" e "Touriga" a 95 centimos ?! A meu ver o sistema de controle tem de passar por dois pontos: tem de ser feito por entidades competentes e credíveis e tem de assegurar a rastreabilidade. Quais são estas entidades ? simples, são as CVR's+IVDP reconhecidas nos termos da lei quadro das regiões demarcadas ( DL 212/2004 de 17/08 ) e que cumpram os requisitos na norma 45011. Estas e nenhuma outra. Recuso fortemente que se artibua o controle destes vinhos a empresas de vão de escada. No segundo ponto, eu pessoalmente não entendo ser essencial que haja uma análise fisico-quimica/organopeltica destes vinhos ( há regiões que acham ) mas é imperativo que se assegure a rastreabilidade através da análise das contas correntes e dos DA's que as alimentaram. E mais, é necessário criar um sistema que evite que uma empresa venda mais vinho do que aquele que comprou daquela casta. Pode ser um selo, mas não é necessário, desde que a entidade de controlo tenha acesso à facturação.

Quanto à segunda, parece-me imperativo que haja um pequeno manual de procedimentos a seguir por todas as entidades encarregadas e controlar estes vinhos e que haja um valor fixo da taxa a ser praticado em todo o país.

A propósito destes vinhos, e para terminar , invoco dois exemplos que aqui são úteis:

  • o primeiro é o dos "Garrafeiras" Dão na Dinamarca. O abuso da designação garrafeira levou a que esta designação efectivamente perdesse valor e arrastasse toda a categoria consigo;
  • o segundo é o da crise financeira nacional e mundial;
  • o terceiro é a forma como são atribuídos os "Certificados de Origem" pelas Câmaras de Comércio. ( sobre isto nem comento porque estamos na internet ! )

Uso os exemplos para sublinhar isto. "Mercado" não é a ausência de leis. A sã concorrência, que torna os mercados fortes não se dá num ambiente de balda. Pelo contrário, ela floresce num ambiente de liberdade em que há regras claras e em que há "surpervisão" destas regras e sanções para quem as viola. Liberdade é uma coisa e caos é outra. Rejeito frontalmente o argumento de que se deve deixar tudo a monte porque o "mercado mais tarde saberá seleccionar". No caso dos "Garrafeiras" viu-se; no caso do sub-prime viu-se à saciedade !

Os vinhos de mesa com indicação de ano de colheita e casta são uma oportunidade fantástica e terão sucesso, assim saibamos equilibrar a necessidade e controle com a preocupação na simplicidade de procedimentos. Ambas legítimas.

A batata quente está do lado do IVV.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Pedro de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon (Conde de Azevedo)

Data nascimento: 8-4-1875
Data morte: 1944
Formado em direito, foi deputado e ministro da Agricultura. Vogal da Comissão de Inquérito Vinícola e Vitícola, criada por carta de Lei (1908), foram-lhe confiados os distritos de Braga e Viana do Castelo. Em 1914, fomenta a criação da Federação dos Sindicatos Agrícolas do Norte que apresenta ao Conselho Superior de Agricultura um projecto, da sua autoria, intitulado “Regulamento da Produção e Comércio dos Vinhos Verdes”, posteriormente reformulado e regulamentado. Foi um dos últimos proprietários do antiquíssimo Couto de Azevedo, em Barcelos, actualmente na posse da SOGRAPE, Vinhos de Portugal. Presidente da CVR Vinhos Verdes entre 1927 e 1935.

( retirado da página Porto Digital )

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O nosso IVV

Que excelente exposição encontrei ontem ao chegar ao IVV. Aproveitando a emissão de selos pelos CTT, o IVV elaborou painéis comemorativos das regiões que completam um século este ano.

Eu fui daqueles que defendeu que o IVV não deveria ser extinto, quando o Ministro perguntou ao sector o que é que queríamos. Entendo que o sector vitivinícola é muito mais eficaz e forte se tiver um Instituto Público especializado. Fico pois bem satisfeito por ver o IVV a promover as regiões centenárias !

( o cartaz relativo à nossa região tem uma ligeira gralha mas está excelente. Já pedi para vir para a CVRVV após o fim da exposição. Ficará cá exposto e poderá andar pela região )

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mais uma corrida para Lisboa - a 2ª esta semana !

( imagem do comboio foguete Porto-Lisboa que funcionou entre 1954 e 1967 com equipamento FIAT; demorava 4h30 )

Na segunda foi uma reunião com o Ministro da Agricultura, para tratar de vários assuntos. Uma excelente reunião, registo, onde fomos bem recebidos e tratamos vários assuntos com sucesso.

Um destes é problema dos direitos alfandegários que o Brasil ameaça aumentar sobre os vinhos. O Ministro anunciou o calendário de medidas que vai tomar para tentar evitar este problema e que ( não leve a mal o leitor ) não citarei aqui. Um problema no nosso relacionamento com o Brasil é que as negociações têm de se desenvolver sempre ao nível da União Europeia, ou seja ,não podemos pedir ao Brasil para criar para Portugal condições que não criaria para os restantes europeus. E por outro lado o vinho é apenas uma parte do dossier. Naturalmente que os Brasileiros querem exportar fruta, bio-combistíveis, etc etc. e também eles querem que a UE reduza as suas taxas sobre estes produtos.

Outro, o do acesso das empresas do nosso sector a uma linha de crédito com juro bonificado, irá ter boas notícias nos próximos dias.

Em quase duas horas de trabalho, muitos foram os assuntos tratados. O último destes tem a ver com uma data próxima, 7 de Dezembro, dia em que decorrerá uma festa do vinho no Terreiro do Paço.

Hoje, mais outra corrida. Desta vez para reunir com todas as CVR's e a Direcção da Viniportugal. na ausência do presidente. Vou transmitir o nosso apoio à organização mas também a nossa grande apreensão quanto a vários pontos do plano e orçamento da Viniportugal. Julgo que é da alguma imprudência a Viniportugal marcar a assembleia geral sem a devida preparação, mas logo veremos.

Por vezes vejo a região alheada destes problemas, o que me parece errado. Desde logo pelo aspecto orçamental. Quer saber em quanto é que a sua empresa contribui para o sistema ? é simples: multiplique o número de litros que vende por 2$70 e obtem o total. Dessa valor, 70% é para suportar o IVV e 30% para a Viniportugal. Fica assim a saber qual é o seu contributo exacto.

Depois por um segundo ponto, porventura mais importante. A exportação é essencial para nós. O Vinho Verde exportou em 2007, 23 milhões de euros / 11 milhões de litros. Ora, não só a promoção é importante, como é essencial que seja a promoção como nós queremos.

Neste contexto, custa-me a perceber que o presidente cessante da viniportugal ande a viajar pelo mundo num momento em que a sua presença é requerida pelas mais importantes questões estratégicas. Não terá a Viniportugal profissionais que o possam fazer ao menos nesta altura ? sem mais...

Alvarinho I

( cultivo de Alvarinho na Austrália )

Titulo este texto "Alvarinho I " porque estou a preparar um conjunto de apontamentos mais ponderados sobre esta casta.

Nos próximos anos vamos assistir ao aparecimento de Alvarinhos de todo o lado. Só quem insista em manter os olhos fechados não o percebe. Aqui na região serão cada vez mais Alvarinhos regionais. Ainda hoje me ofereceram 3 garrafas de uma nova marca e está-se a plantar muito Alvarinho. No resto do pais, serão regionais e DOC's. E não esquecer o vinho de mesa com indicação de casta que aparecerá na próxima vindima. E pelo mundo fora, é o que vê na foto em cima. Ainda há pouco tempo esteve aqui e na Galiza a equipa de viticultura de uma das maiores empresas da Nova Zelândia. Vieram conhecer a casta para a plantar.

Para defender a região, e obviamente para defender os produtores de Monção e Melgaço, temos de discutir serenamente esta questão. Será que somos competitivos ? será que temos marcas e empresas fortes no Vinho Verde Alvarinho ? como aumentar as vendas e sobretudo a exportação ?

Tenho comigo um estudo de mercado muito interessante que foi feito pela escola de negócios da Caixanova de Vigo para os nossos colegas da DO Rias Baixas e outros trabalhos. Em breve coloco aqui alguns contributos para essa reflexão serena.

Entretanto, clique na imagem para ler o artigo original e muito obrigado ao produtor que f.f. de o enviar.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Seminário: hipermercados na CAP 11 Dezembro


O auditório da CAP, sito ao Colombo em Lisboa é palco de um excelente encontro anual que congrega os compradores de vinhos principais grandes superfícies, a empresa de estudos e análises de mercado Nielsen e os produtores e comerciantes de vinhos. A reunião deste ano decorrerá no dia 11 de Dezembro à tarde.

É uma reunião muito rica. Abre a Nielsen , que faz um balanço estatístico detalhado sobre a evolução do mercado ao longo do ano, a que se segue a intervenção dos compradores, e por último vários oradores do sector. A plateia tem a oportunidade de questionar e debater com os oradores. É, que eu conheça, a única acção deste tipo no país para o nosso sector e só é pena que não decorra também na nossa região !

Inscreva-se aqui.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Arranque de vinha: resultados finais

O IVV enviou já para Bruxelas os pedidos de arranque da vinha recebidos em todo o país. É, quanto a mim, menos que o esperado. Estamos bem longe do cenário catastrófico que se previa em fase de negociação da OCM. Os valores, que ainda vão ter bastante rateio, são os seguintes:

Total nacional, 5160 hectares

Por regiões:
  • Minho, 280,23
  • Trás os Montes, 631,54
  • Beiras, 1508,66
  • Estremadura, 783,18
  • Ribatejo, 1375,28
  • Terras do Sado 130,06
  • Alentejo, 348,40
  • Algarve, 49,02

Na semana final do Vitis !

Sexta-feira acaba o prazo para se candidatar ao Vitis.

Ainda vai a tempo !

Não hesite em me contactar directamente se tiver alguma dificuldade. No caso de ter uma candidatura agrupada mas não conseguir os 25 hectares, talvez o possamos ajudar.

E no caso de se querer candidatar mas não tiver a documentação necessária, certamente a DRAPN o pode ajudar. A equipa da DRAPN está muito mobilizada para que este projecto seja um sucesso, pelo que não deixe de os contactar se precisar de informação ou apoio.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Produções 2008


Aqui estão as produções do ano. Um pouco mais do que o ano passado, embora com alterações dignas de registo. Uma importante é no mosto. Quase o dobro de 2007, neste momento já produzimos muito mais mosto do que vinho regional. Vale a pena proximamente debater esta questão do mosto sob o ponto de vista técnico. Pelo que sei, há uma corrida das empresas/cooperativas da região à compra de dessulfitadores.

O rosado aumenta, no Verde e no regional. Porém atenção ( ver texto de há alguns meses ) pois o aumento do mercado de rosado está aquém dos aumentos de produção. E note que temos 400.000 litros de mosto rosado Verde.

Finalmente, a questão que todos nos pomos é: este vinho é suficiente ?

Para simplificar, o cenário apenas do branco.

Em primeiro lugar, vamos determinar qual é o vinho que está efectivamente disponível para venda. No caso do branco temos 7.872.611 de mosto, a que acrescem não os 47.275.341 que tem em cima, mas sim 43.655.282, pois há que considerar o autoconsumo dos produtores já declarado na DCP. Em "contas de merceeiro" temos pois que o vinho branco disponível para venda é de aproximadamente 51 milhões de litros, a que ascrescem uns aprox. 15 milhoes de litros de vinho do ano passado em stock à data da vindima.

E quanto venderemos ?

A vendas de branco foram de 46M em 2005, 50M em 2006 e 55M em 2007. Este ano a curva de vendas tem vindo ao nível de 2006, ou seja um pouco abaixo da do ano passado. Quanto a 2009, da crise dependemos, e a minha opinião aqui é pouco optimista. É claro pois que o vinho disponível chega para estas vendas, mas não antecipo a evolução nos preços e qual o seu sentido.

Uma nota final. Na análise dos valores de stocks que a CVRVV divulga, tenha sempre em consideração que algum vinho se encontra na pequena produção. A pequena produção este ano são 26.000 pessoas: basta que cada uma tenha em casa uma pipa e já tem aí 13 M litros que realmente existem mas não estão no mercado pois não é fácil/económico recolher uma pipa aqui e outra ali.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Dar Sangue na CVRVV ! a 28 de Novembro

Em colaboração com o Instituto Português de Sangue vamos organizar mais uma recolha, agora no dia 28 de Novembro.

Como em acções anteriores, todos os interessados com mais de 18 anos e peso superior a 50 Kg serão considerados aptos para a respectiva dádiva. Estará presente um médico para fazer a triagem correcta acerca de quem pode ou não dar sangue, uma vez que existem outros factores a ter em consideração.

Dar sangue não custa nada e nem sequer demora muito. Inscreva-se, indicando a hora em que previsivelmente virá cá no dia 28: laraujo@vinhoverde.pt

E já agora, conheça os resultados da Colheita de Sangue realizada no dia 05 de Junho de 2008:

- Inscritos: 86
- Colheitas: 56

Para mais informações, visite também a página do Instituto Portugues de Sangue aqui onde encontrará muita informação sobre a dádiva de sangue e o destino que lhe será dado.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vendas e stocks em Outubro


Estão cá fora as vendas e stocks em Outubro. A partir de agora, as tabelas passam a estar no sitio da CVRVV também. Se tiver dificuldade em as abrir ou quiser que lhas envie, basta que me contacte por correio electrónico.

O mapa de vendas de Outubro sublinha as tendências que já se manifestavam: o branco desce um pouco, o regional também e o tinto cresce. Se a descida do branco é significativa, na casa dos 15%, o que dizer do tinto, que continua a subir ?

Procurando analisar melhor o que se está a passar com o branco elaborei um segundo quadro ( em baixo ) em que analisamos os segmentos por embalagem.

Da sua leitura torna-se agora claro que a perda de vendas no branco não é tanto no 0,75 mas sim, maciçamente no litro e garrafão. Em qualquer destes segmentos estamos a vender metade do que vendíamos em 2007. De alguma forma é um fenómeno natural. Uma DOC não é um produto adaptado a este tipo de mercado. Mas não deixa de ser preocupante saber que estamos a perder clientes de consumo diário. Há aqui um factor importante: alguns agentes de referência na região transferiram para o vinho de mesa as marcas que tinham nos segmentos mais baixos do Vinho Verde.

Duas reflexões. O aumento consistente de vendas no tinto 0,75 parece-me que deve ser encarado com cautela. Já solicitei acções de fiscalização sobre estes vinhos, não se vá dar o caso de algum branco andar a passear com selo de tinto ...

O mesmo quanto às marcas de Verde que se transferiram para o vinho de mesa. É uma transferência legítima e depende da opção comercial de cada firma. Porém, o que não aceitamos é que este vinho apareça nas prateleiras do Vinho Verde ou nas tabelas de preços e ementas designadas como Vinho Verde.

Esta transferência de marcas de Verde para mesa é genericamente uma má notícia pois naturalmente as marcas são muito do nosso património comercial. Se uma firma transfere uma marca porque a Região não foi capaz de fornecer matéria prima isto não nos deve deixar quietos. Porém, não deixo de pensar na ironia que é chegar a uma prateleira e ver uma marca que era de Verde e agora é de mesa a ser vendida a um preço superior ao dos Verdes que estão em sua volta...

Ligação aos ficheiros no sitio da CVRVV:

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A crise à nossa porta

Ouço no telejornal que Guimarães tem mais de 10.000 desempregados. O regresso de todos os Minhotos que trabalham nas obras em Espanha vai ter um efeito duro na nossa região. E quem mais vai sofrer com o abrandamento da economia é o sector privado, ao contrário da grande Lisboa, onde a economia do Estado garante alguma estabilidade.

Temos de ser mais eficazes, reduzir custos , ganhar competitividade e procurar novos mercados.

Queira Deus que me engane mas creio que vamos entrar num inverno de vários anos. Uma altura em que precisamos de ter ideias claras, boas lideranças e muita energia no trabalho.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Vinhas abandonadas ? penalizações...


A DRAPN vai começar a fiscalizar as vinhas que fizeram reconversões financiadas pelo Vitis desde 2000. As que se encontrarem abandonadas serão registadas em auto para que ao produtor seja exigida a devolução das ajudas recebidas, com a devida penalização e juros.

Uma excelente iniciativa e um bom motivo para que estes produtores optem por manter a vinha em plena produção ou, a arrendem a quem o faça.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vinho: a consumir com moderação !

Está já disponível na internet a página da campanha europeia para o fomento do consumo de vinhos com moderação.

É uma iniciativa financiada pelo nosso sector e que procura fomentar o consumo esclarecido e responsável. Encontra-a aqui.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Uma semana na estrada: primeiro balanço

Tem sido uma semana ímpar e tenho muito entusiasmo em participar nesta acção. Num esforço conjunto da DRAPN, da CVRVV e de mais de uma dezena de associações, cooperativas e caixas de crédito, fizemos uma média de 2 acções de formação/dia sobre o Vitis.

Em cada acção, uma média de 50 a 70 produtores e, motivo de satisfação, em todos os locais tivemos a confirmação de que se preparam projectos conjuntos com áreas superiores a 25 hectares e que beneficiam dos incentivos à união de produtores: uma majoração de 10% nas ajudas e uma extensão do prazo de plantio e enxertia.

Em todos os locais, muito debate e dúvidas. Pedidos de esclarecimento sobre o projecto, bastantes. Claro que muitas das questões relacionam-se com a opção de investir na vinha: vale a pena investir ? Testemunho um mau estar generalizado pelo mau pagamento que as uvas tiveram durante quase uma década.

E porém, que admirável energia têm mais de um milhar de produtores que ao longo da semana se dirigiram às acções de formação. Produtores de todas as idades.

Um pouco por todo o lado, pequenos problemas sobre legalização de vinhas. Uma dor de cabeça.

Alguns apontamentos mais ligeiros:

  • em Ponte de Lima, a primeira acção, encontramos uma sala cheia. Mais de 100 produtores;
  • em Ponte da Barca já havia uma lista de interessados feita pela Adega ( parabéns ! ). curiosamente a sessão decorreu numa escola. Já não me lembrava de estar num edifício em que toca uma campainha a cada hora. Como os anos passam...
  • em Amarante, gente até à porta e muitas perguntas; e uma fila de tractores a entregar uvas à porta !
  • na Aveleda um caso excelente - uma empresa comercial assume-se como dinamizadora da produção e prepara um projecto de reconversão seu e dos viticultores que a ela que queriam juntar:
  • em Guimarães, mais uma sala cheia e um debate quente ( apesar de um frio polar ! ). A sessão terminou com uma prova de vinhos e produtos regionais. Que luxo! A adega anunciou que tratará da elaboração das candidaturas e do fornecimento do material vegetativo, com um parceiro externo;
  • em Braga, num edifício lindo do séc, 18, uma boa reunião, curiosamente com bastantes questões sobre a rentabilidade da vinha. E pela primeira vez falou-se sobre a flavescência dourada - vários produtores terão de arrancar toda a vinha;
  • em Amares, uma reunião surpreendente. Um vitis com mais de 30 hectares já garantido, uma sala cheia e compareceu o vice presidente da Cavagri a cativar os produtores para que entreguem lá as uvas. A adega tem as contas com os sócios em dia ! E mais uma vez se falou da flavescência com preocupação;
  • em Barcelos, uma direcção da adega com energia e inicativa mas uma plateia menos entusiasta. Há trabalho a fazer ! Um produtor anunciou que vai plantar Alvarinho ( algo que ouvimos em vários locais );
  • em Vale de Cambra, uma sala cheia ( foto ). Produtores muito pequenos. Aqui o limite mínimo de 3000 metros é um problema, são pequenos produtores.
E ainda faltam mais algumas acções:

Amanha, sexta-feira pelas 09:30 em Monção e pelas 14:30 em Felgueiras com a presença do Secretário de Estado Luís Vieira.

Na próxima semana, dia 5 às 10:00 na Coop. Agrícola de Paredes, às 14:30 na Frutivinhos e às 18:00 na Sogrape-Quinta de Azevedo.

Quem me conhece sabe quanto evito viagens, reuniões e almoços. Uma semana inteira na estrada é mesmo uma excepção ! Porém este caso é verdadeiramente excepcional. É essencial que a região reconverta a vinha e ninguém se pode furtar a este esforço. Os apoios, que podem chegar aos 12.650 euros/hectare são excelentes e nada garante que se mantenham no futuro.

Colabore também e incentive os produtores a reconverter a vinha. Até 28 de Novembro !

Fotos: produtores em Vale de Cambra e novas vinhas na Aveleda.


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Mais vitis: as acções de formação ( act. 24/10 ) + ( act 28/10 )

O programa de informação quanto ao Vitis está a ser construído dia a dia. Aqui ficam as datas e locais das próximas sessões. Sublinho que estão todas ainda a ser preparadas pela DRAPN e pela CVRVV e carecem de confirmação. A participação nestas sessões é livre e não está limitada aos produtores que entregam habitualmente uvas nesse local. Escolha a que mais lhe convier e compareça no local e hora marcada. Em caso de dúvida, ligue antes para confirmar.

Segunda-feira, 27 de Outubro
  • 10:00 Adega Cooperativa de Amarante ( tel. 255 420 150 )
  • 14:30 Quinta da Aveleda ( tel. 255 718 200 )
Terça-feira, 28 de Outubro
  • 10:00 Adega Cooperativa de Guimarães ( tel. 253 570 055 )
  • 14:30 Adega Cooperativa de Braga ( tel. 253 626 281 )
Quarta-feira, 29 de Outubro
  • 10:00 Caixa de Crédito Agrícola de Amares ( 253993190 )
  • 14:30 Adega Cooperativa de Barcelos ( tel. 253 831 812 )
Quinta-feira, 30 de Outubro
  • 10:00 Adega Coop de Vale de Cambra ( 256423353 )
Sexta-feira, 31 de Outubro
  • 10:00 Adega Cooperativa de Monção ( tel. 251 652 167 )
  • 14:30 Cooperativa Agrícola de Felgueiras ( tel. 255 312 666 )
Quarta-feira, 5 de Novembro
  • 10:00 Coop. Agrícola de Paredes
  • 14:30 Frutivinhos - V. N. Famalicão
  • 18:00 Sogrape - Quinta de Azevedo
Entretanto, se quiser aprofundar os assuntos, clique aqui para aceder à página do IFAP onde encontra mais informação, bem como os impressos necessários para a candidatura.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O Vitis na estrada: a região procura investidores

Começou hoje o programa de divulgação do Vitis organizado em articulação entre a DRAPN e a CVRVV.

Equipas conjuntas das duas regiões vão correr a região durante duas semanas, fazendo acções de formação com inúmeros produtores em praticamente todos os concelhos. Começamos da melhor forma, com duas salas cheias de viticultores em Ponte de Lima e, à tarde, em Ponte da Barca.

Parabéns às Direcções das duas adegas, que reuniram tantos produtores interessados neste importante projecto.

Cada sessão inclui uma apresentação a cargo da CVRVV sobre a situação da região que transmite ao viticultor a mensagem de que a região tem uma escassez de matéria prima, pelo que o investimento na vinha será, para os proximos anos, uma excelente opção. Segue-se a segunda apresentação a cargo da DRAPN que foca em muito detalhe as regras do Vitis, os financiamentos, a documentação necessária, etc.

Nos próximos dias ficará pronto um folheto ( imagem ) que será distribuído intensamente pela região e no dia 31 de Outubro pelas 14:30 teremos uma sessão muito especial na Cooperativa Agrícola de Felgueiras: o Secretário de Estado da Agricultura, Dr. Luis Vieira.

A reconversão da vinha da nossa região - agora generosamente apoiada pelo programa Vitis em 9100 euros por hectare - é essencial para o futuro do Vinho Verde.

Caso o leitor esteja em posição de ajudar neste processo, não deixe de o fazer !

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mais uma corrida para a capital...
Os vinhos de mesa com indicação de casta


Já se tornou uma rotina tomar o Alfa das 06:47 para Lisboa às quartas-feiras. A semana passada para reunir com o IVV. Hoje com as restantes CVR's e a Viniportugal.

Um assunto que tem estado em cima da mesa é o do regime dos novos vinhos de mesa com indicação de casta e/ou ano e colheita.

Até hoje, as regras do sector impediam a indicação de casta e ano de colheita nos vinhos de mesa. Só os DOC's ou regionais poderiam ter estas indicações. A nova OCM Vitivinícola permitirá, para os vinhos da colheita 2009/2010 e seguintes, que os vinhos de mesa possam indicar casta e/ou ano de colheita. Passa pois a ser possível vender um vinho com a indicação ( por ex. ) "Touriga Nacional" juntando lotes comprados em várias regiões.

Ora, quem vai controlar este produto e evitar abusos ? Parece-me evidente que, a não haver um controle prévio eficaz, o que vamos ter é uma inflação de vinhos em que os tintos serão todos "Touriga" e os brancos todos "Alvarinho", sendo que a qualidade será proporcional ao preço. Um mau resultado para o sector e o cliente. É pois essencial que se estabeleça um bom sistema de rastreabilidade que favoreça o investidor e o cliente. E uma pergunta para si: estes vinhos devem ser objecto de uma análise físico química, ou basta verificar no manifesto que de facto correspondem à casta plantada ? e devem ser provados ? e devem ter um selo ?

Em termos estratégicos, temos de reflectir bem pois é certo que as denominações de origem mais débeis e os vinhos regionais vão ser canibalizados por esta nova categoria.

Para os produtores e comerciantes será porém uma nova forma de venda. Mais livre talvez. Certamente mais competitiva.

Sobre a fiscalização da vindima...

A vindima aproxima-se do fim. E com ela o stress da entrega ou da compra das uvas. Os preços e os stocks.

Na CVRVV esta época é sempre de grande azáfama. A fiscalização está em pleno na região e em simultâneo preparamos a recepção das DCP's. Como é habitual, é um periodo de grande interacção com os produtores, empresários e dirigentes. Muitos telefonemas, muitas reuniões.

Aqui fica pois o apontamento de algumas preocupações que nos foram chegando:

  • que volume teve a vindima ? só a 15 de Novembro conheceremos com rigor os dados provenientes da entrega das DCP's. Até lá, a impressão de cada um vale o que vale. A minha é baseada nas inúmeras opiniões que recolhi: a vindima é inferior à de 2007;
  • as brigadas vão continuar a registar a entrega de uvas até ao fim da vindima ? sim, vão. No final desta acção teremos um mapa com as entradas de uvas em cada adega e armazenista, mapa este que será confrontado com a respectiva DCP. Assim se assegura que o vinho produzido por cada entidade corresponde a uvas efectivamente recebidas. É um trabalho pesado mas que indiscutivelmente valoriza a viticultura e reforça a garantia de origem da nossa região. Esta medida é única no país e inspirada no que faz a Rioja. Reunimos com os nossos colegas daquela região há alguns meses e estudamos o sistema deles. Na Rioja, há um "vedor" ( é a expressão deles ) que trabalha para a região e está presente na entrada de cada vinificador e adega ao longo da vindima. Anota todas as entregas, tipo de produto e identificação - a Rioja contrata mais de 100 vedores/ano por um mês ! ( que orçamento !) ; a meu ver é um sistema e ficaz.
  • têm ocorrido apreensões ou a detecção de situações violadoras da lei ? Resporta afirmativa - sim - a tudo. Já foram elaborados vários autos que darão origem a processos disciplinares e/ou a participações ao Ministério Público ou à ASAE;
  • porque é que a CVRVV não divulga os resultados da fiscalização ? o plano de fiscalização da vindima está a ser executado de acordo com um programa detalhado que foi aprovado pelo Conselho Geral e é a este que apresentaremos o relatório em primeiro lugar. Por outro lado, é nossa experiência que divulgar "operações espectáculo" acaba por ter os efeitos contrários. Suponha que fazemos uma acção para detectar uma infracção e efectivamente conseguimos apreender uma grande quantidade de produto e identificar os responsáveis. Para si e para nós, trata-se de um sucesso da fiscalização; porém no dia seguinte o título dos jornais será "Mixórdia no Vinho Verde"; será pois apresentado um relatório final, muito detalhado, ao Conselho Geral, do qual retiraremos uma versão resumo para divulgação à região;
Duas últimas palavras:

O aumento do preço da uva e do vinho são o testemunho mais vivo de que a nossa região dispõe de um sistema de controlo que funciona. E acredite caro leitor que os telefonemas de protesto - pelo excesso de controle - que recebemos são a prova cabal que estamos no caminho certo.

Nos próximos meses teremos uma batalha muito mais dura. Havendo menos vinho, os preços já aumentaram. E teremos de lutar num mercado recessivo. Para quem acha que a vindima é um problema, respire fundo: a batalha mais séria vem aí !


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Vendas e stocks a 30 de Setembro


( clique na imagem para aumentar )

Aqui estão os mapas finais de Setembro. O stock, como esperado encontra-se baixo, 17 milhões de litros de branco e 9 milhões de tinto. Curiosamente, o stock de rosado quase não diminui.

As vendas mantém a tendência do mês anterior. Estamos a perder no branco, cerca de 5 milhões de litros e, curiosamente , mantemos também a tendência de crescimento no tinto.

( clique na imagem para aumentar )

Importa porém perceber onde perdemos vendas no branco. Na garrafa o,75 perdemos cerca de 700.000 litros, o que não é por ai além percentualmente. Onde descemos com mais significado foi nos segmentos de menor valor: o litro, onde descemos para metade ( 4 para 2 milhões ) e o garrafão, onde perdemos mais de metade, de 3,1 para 1,3 milhões de litros.

Estas perdas têm uma explicação. A escassez de vinho fez com que várias empresas optassem por vender mais em garrafa e reduzir as entregas em garrafão e, num caso com significado, um colega lançou o vinho de mesa en garrafão e garrafa de litro substituindo o Verde.

Estivemos hoje no IVV em Lisboa reunidos com o Presidente, Dr. Afonso Correia que, entre outros assuntos nos mencionou a sua avaliação de que a nível nacional as vendas no segundo semestre perderam força, o que o IVV avalia através da colecta da Taxa de Promoção.

Que ano !

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Investimento na Região - há novo Vitis !


Se há coisa que esta vindima nos diz é que: precisamos de vinha !

E já agora também nos diz que a uva branca não vai descer de preço tão cedo. Recordo um trabalho feito pela CVRVV há algum tempo que indica claramente que estamos a perder área de vinha estruturalmente, o que é incompatível com os aumentos de vendas que temos tido e que precisamos de manter.

Clicando aqui encontra o novo programa Vitis de apoio à reconversão da vinha. O Ministro da Agricultura, Jaime Silva, anunciou no nosso jantar de centenário que seriam aumentados os apoios para a reconversão na região. E de facto assim foi. Mais de 40% !

Outros pontos a ter em conta são a rapidez com que as candidaturas serão analisadas e as modalidades de garantia.

Em articulação com a DRAPN, que tem muito empenho neste investimento, vamos promover acções de divulgação e informação sobre o Vitis.

É urgente investir na vinha e o Vitis é o intrumento ideal para buscarmos apoio.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Vinho Verdes nos EUA


As viagens de jornalistas à região produzem sempre resultados positivos em artigos que retratam não só os vinhos mas também toda a nossa paisagem, a vivência e as gentes. Todos os anos organizados vários programas de visitas. Há dias tivemos cá Noruegueses e Franceses. Não vale a pena publicar aqui as dezenas de artigos que são o resultado a cada ano destas visitas.

Fia pois apenas um, no jornal an Francisco Chronicle. Clique aqui para o ler.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Breves !


A correr, com imenso trabalho em atraso, aqui deixo pequenos apontamentos do dia a dia:

  • vamos ter boas notícias em breve quanto ao Vitis. Recordo que o Ministro da Agricultura prometeu, por ocasião do nosso jantar de aniversário que reforçaria os apoios ao investimento na região. Temos trabalhado com o IVV e o Ministério nos últimos dias sobre este assunto. Espero não me enganar, mas poderemos finalmente ter um bom apoio. O diploma é assinado hoje;
  • muitos telefonemas sobre a vindima. Muitos. Temos de ter alguma calma e bom senso;
  • mudanças nos nossos vizinhos do Douro. O Presidente do IVDP, Engº Jorge Monteiro está demissionário. Hoje o Ministro ouve as associações, sobre a nova equipa do IVDP; e haverá em breve eleições na Casa do Douro;
  • mudanças no Ribatejo. O Engº José Gaspar ( ex- Dom teodósio, ex-Raposeira ) preside à CVRR. Uma boa escolha;
  • mudanças no Alentejo. A Dra. Dora Simões ( ex-Viniportugal, ex-Gallo ) preside à CVRA. Uma boa escolha;
  • face aos preços a que estão as uvas, não percebo como há produtores a venderem a preços tão baixos que tornam impossível a reposição. Para muito breve uma acção dura de controle destes vinhos;
  • a nossa região é capa da próxima edição da revista Wine Passion. Boa !
  • a Revista de Vinhos fez uma excelente prova Alvarinhos-Albarinos. A seguir os resultados com expectativa...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A feira de vinhos no Continente

Está em curso a feira de vinhos do continente.

Clique aqui para ver a lista completa dos Verdes disponíveis e respectivos preços.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ainda os 100 anos

Parece que anda aí pela imprensa uma azáfama enorme para ver quem é a região demarcada mais antiga.

Naturalmente, é uma "corridinha" que não nos interessa.

Mas vale a pena um par de reflexões.

Em primeiro lugar, ler a Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908 em que D Manuel II, o nosso 36º e último rei demarcou várias regiões. Clique aqui para abrir o ficheiro. É um texto delicioso, certamente a primeira lei quadro das regiões demarcadas Portuguesas ! Demarcou os Verdes, o Dão, Colares, Carcavelos e estabeleceu várias regras de produção. E quanto à nossa região, repare nos concelhos que inclui: Ovar, Estarreja e os três concelhos do "Vinho Verde de Lafões".

Depois uma reflexão sobre a questão do preço. O ambiente económico no início do séc. XX não era de abertura e livre trânsito como hoje. A demarcação correspondeu a um pedido de cada uma destas regiões porque o preço dos respectivos vinhos era demasiado baixo pela entrada de vinho de fora. Queriam pois demarcar para limitar o comércio inter-regional. Não esqueça que, durante décadas, havia limites legais ao trânsito dos vinhos em Portugal. Por exemplo, no tempo do Marquês, as tabernas do Porto estavam entregues em 85% aos vinhos da Real Companhia e só os restantes vendiam os nossos vinhos. E a CVRVV cobrou, até os anos 70, taxas sobre vinhos de mesa que eram vendidos nos "4 concelhos": Porto-Gaia-Maia-Matosinhos". Sobre estas histórias do vinho, é leitura muito interessante o livro "A Vinha e o vinho no século XX" do Professor Orlando Simões, editado pela Celta.

As vistorias de seguradora

Conforme o plano aprovado em Julho pelo Conselho Geral da CVRVV, estamos a iniciar nesta vindima um novo tipo de acção.

Está a ser feito um acompanhamento muito detalhado dos produtores que têm sistematicamente rendimentos por hectare muito elevados: entre 90% e 100% do limite legal. Sendo que o rendimento por hectare limite é de 80 hectolitros, referimo-nos aqui aos produtores que obtiveram em 2007 entre 72 e 80 hl/ha.

O universo inicial compunha-se de 1800 produtores que em 2007 declararam uma produção superior a 90% do rendimento por hectare. A todos foi dirigida uma carta e muitos foram alvo de vistorias por parte das brigadas da CVRVV.

Numa segunda fase, que decorreu nas últimas semanas, equipas da seguradora do Crédito Agrícola, vistoriaram algumas dezenas de produtores com áreas maiores. Seleccionamos 7 concelhos, que tinham maiores produções e, dentro destes, foram visitados os produtores que tinham maiores áreas, e que em 2007 tinham declarado mais de 90%.

Os peritos da seguradora visitaram as vinhas e fizeram, para cada vinha, uma estimativa de produção com base em métodos objectivos: contagem e pesagem de cachos, contagem do número de pés, castas, etc. De cada vinha elaboraram um relatório detalhado, do qual consta também a estimativa de produção.

Na sequência deste, notificamos o produtor da sua produção expectável, sendo certo que só esta será certificada como DOC.

Os resultados das vistorias feitas pela seguradora, já recebidos e processados, podem ser organizados em três grupos:

  • vinhas recentemente abandonadas. Há só dois casos. O produtor foi notificado e a DCP cancelada. Trata-se, em ambos os casos, de firmas em fase de encerramento;
  • vinhas com produções inferiores à declarada em 2007. Neste caso, o produtor é notificado que a sua produção expectável é X e só esta será aceite para VQPRD. caso entenda que terá uma produção superior, as brigadas da CVRVV assistirão à vindima para o confirmar;
  • vinhas com produção superior ao rendimento por hectare.Neste caso, nada a fazer e a lei é clara: o excedente será desclassificado. Porém o relatório da seguradora não deixa dúvidas: em várias vinhas, a produção excederá o limite legal, em uvas de excelente qualidade. A ter em conta na revisão do estatuto da região!
Ainda a propósito das produções, recordo duas acções que fizemos nas últimas semanas:

  • as brigadas da CVRVV identificaram dezenas de vinhas abandonadas e confirmamos, caso a caso, se estas se encontram canceladas na CVRVV para evitar a emissão do manifesto;
  • a DRAPN apressou a realização do cadastro vitícola numa série de produtores quem em conjunto, entendemos serem prioritários pois tinham precisamente produções muito elevadas


domingo, 21 de setembro de 2008

Vendas e stock a 31 de Agosto

( clique na imagem para aumentar )

Estão fechados os números de Agosto. Começamos pelos stocks ( imagem em cima ). O valor é o mais baixo dos último três anos . Realmente é o mais baixo, à, boca da vindima, da última década.

Algumas observações caso esteja a ler estes quadros pela primeira vez:
  • estes dados são obtidos pela soma dos saldos existentes nas respectivas contas correntes;
  • a categoria "adegas" não inclui todas as cooperativas, uma vez que algumas estão registadas como armazenistas, pelo que aparecem na categoria respectiva;
  • não esqueça que o vinho existente nos produtores individuais é também a soma das respectivas contas correntes, pelo que o stock de 2M litros significa que haverá 200 litros aqui, mais 300 ali...

( clique na imagem para aumentar )

As vendas também não nos enchem de alegria. No Verde banco estamos a perder 11% fazer ao ano passado. Já não descíamos há muitos anos. Há aqui dois efeitos conjuntos: a saída de algumas marcas baixo de gama que passaram a vender os seus vinhos como "mesa" e, naturalmente o efeito da crise nacional e externa ( inc o problema cambial com o dolar ). Sabemos pela Nielsen ( ver artigo anterior ) que em Portugal estamos a ganhar quota de mercado, pelo que as outras regiões não podem estar a ter dias fáceis.

O Verde tinto continua a surpreender mês após mês. Já vamos com um aumento de 13%. Após anos a perder mercado, em 2008 a tendência inverte-se e estamos a crescer 13%. E o aumento é no segmento de garrafa 0,75.

Quanto aos restantes produtos, a descida no regional é fácil de entender: os engarrafadores responderam ao baixo stock classificando o seu vinho como VV em alternativa a o desclassificarem para regional. E o espumante continua o seu percurso. São ainda poucos os produtores, pelo que cada negócio influencia os números gerais.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O custo da uva

O preço a que se paga a uva é determinado pelo mercado. A CVRVV não o controla nem tem de o conhecer oficialmente.

E sei.

Mas estive a reflectir sobre uns números e cheguei a isto.

1. Diz um trabalho da nossa direcção regional e agricultura que os custos de exploração da vinha são de 3.983,00 euros/ha/ano. Para uma vinha em cordão simples. Na ramada sobre para o dobro.

2. Diz o registo da CVRVV que a produção média é da 3.900kg de uvas por hectare.

A média é fácil, o produtor de Vinho Verde teria de vender as uvas a 1€ / quilo para não perder dinheiro. É claro que a realidade não é bem assim, os bons produtores tem custos inferiores a este a sobretudo têm produções muito superiores aos 3.900 kg por hectare.

Mas não esqueçamos que há milhares de micro produtores que tem produções abaixo desse limiar. São os tais que não fazem contas.

Não quero ser mal entendido. Não defendo que a uva suba para 1€ / quilo pois bem sei que um aumento deste tipo colocaria em causa a nossa sobrevivência. Mas é essencial aumentar o rendimento das vinhas através do aumento da produção por hectare.

Veja aqui um interessante estudo sobre o custo da uva na região.

O dia do centenário


Hoje a região não faz 100 anos. O que faz um século hoje é a lei que a demarcou com rigor. E daqui a um mês fará 100 anos uma outra lei que estabeleceu as regras de produção.

A região tem uma história fantástica. Espero que consigamos publicar em breve as actas de um congresso que a Universidade do Porto fez sobre a história da região. A organização foi, a meu ver, pouco ambiciosa e um congresso fantástico teve pouquíssimos assistentes.

Porém, sob a forma de livro ( e porque não algumas parte na internet ) poderemos ler episódios bem interessantes como seja a influência do Marquês de Pombal, esse pai do Douro e carrasco dos Minhotos, a quem mandou fechar todas as barras atlânticas acabando nomeadamente com a forte economia exportadora de Viana do Castelo no século XVIII. Ou as origens dos primeiros vinhos no tempo dos romanos. Ou a influência dos Beneditinos em todo o Minho no desenvolvimento dos vinhos. Ou ainda as fronteiras da região que, junto ao Douro e ao Dão, andaram para trás e para a frente a cada nova lei !

Ao longo das próximas semanas, um pouco da nossa história estará exposta em três estações do metro do Porto, e mais tarde do metro de Lisboa.

Se tiver cinco minutos para ler um pouco sobre a história da região, clique aqui.

domingo, 14 de setembro de 2008

Rendimentos por hectare


A equipa da Escola de Gestão do Porto, dirigida pelo Professor Doutor Daniel Bessa, apresentou recentemente um estudo sobre a economia da Região, por encomenda da ANCEVE financiada pelo Ministério da Agricultura.

Um dos pontos mais interessantes do trabalho é a preocupação sobre o rendimento da viticultura. Diz o estudo que o aumento da produção por hectare é um elemento essencial para a sobrevivência do empresário vitícola da região. E, por óbvia consequência, elemento essencial para a sobrevivência da região.

No sistema de informação da CVRVV há muitos dados que nos ajudam a reflectir sobre este assunto.

Primeiro os números gerais. Tendo em conta as Declarações de Colheita e Produção de 2007, estão em produção na região 23.650 hectares, explorados por 28 mil viticultores que produziram no total 93.088.990 kg de uvas. É pois uma produção média de 3.900 kg de uvas por hectare.

Os números surpreendem. Em primeiro lugar porque a Região é efectivamente muito mais pequena do que muitos pensam. E de seguida porque a produção/hectare total é baixíssima.

Só uma nota quanto às áreas. A área indicada não é o total da área inscrita no sistema informático da DRAPN e da CVRVV, mas sim a área que foi indicada como estando em produção nas DCP's.

Veja agora o gráfico seguinte.



O objectivo é determinar qual é a produtividade do nosso vinhedo. Consideramos com limite de produção por hectare o previsto na lei com a taxa de vinificação máxima, 10,666kg por hectare e dividimos as DCP's por escalões de proximidade a este valor.

Por exemplo na primeira coluna, 5900 hectares produziram 10% do rendimento legal na DCP de 2007. Ou seja, estes 5900 hectares produziram 2,8 mil toneladas de uva, quando poderiam ter produzido 62 mil toneladas.

E isto representa 1/4 da Região.

No lado direito do gráfico temos 1500 hectares. Estes são os únicos que produzem valores competitivos. Naturalmente estamos a aproveitar este trabalho para os fiscalizar. É justo dizer que, se aqui ou ali há algum caso menos agradável, na maior parte dos casos são de facto excelentes vinhas, várias aliás premiadas pela CVRVV nos concursos anuais da viticultura. A nossa região também se pode orgulhar de ter excelentes vinhas, que são aliás bons exemplos que merecem visita !

É fundamental identificar bem este fenómeno de baixa produção e intervir. A reconversão da vinha, apoiada pelo Vitis é um passo importante. Fui buscar os rendimentos por hectare de Monção e Melgaço, concelhos onde há muita vinha nova e estão bem acima dos 5.000 kg por hectare. E mesmo assim... não é grande número.

De tudo isto, retiro uma boa notícia: a área de vinha é mais que suficiente para as nossas necessidades previsíveis.

E retiro uma obrigação: temos de investir na vinha.

Dentro de dias será publicado o regime do Vitis para este ano. Aparentemente terá novidades: aprovação dos projectos mais rápida e alternativas à garantia bancária. A ver vamos.

De bicicleta pelo vale do Lima

( foto: Valimar )

Tem excelentes locais para pernoitar. Tem um centro histórico lindo, que convida à caminhada. Tem uma bela gastronomia e grandes vinhos. E, pouca gente sabe, mas de Ponte de Lima partem três ecovias, que são excelentes sugestões para fazer a pé ou de bicicleta visitando o que a nossa região tem de melhor. Aqui fica uma:

Ponte de Lima-Ponte da Barca

Da zona ribeirinha de Ponte de Lima inicie a viagem rio acima. A sinalização da Ecovia só começa aproximadamente 1 km acima e a partir daí o caminho está bem marcado, sempre ao longo da margem. São cerca de 20 kms até Ponte da Barca, com alguma subidas mas nada violento. Piso de terra em bom estado. Ao longo do percurso há bons locais para descansar e comer ( se levar farnel ) ou tomar um banho, mas cuidado com a corrente do Lima. Em Fonte Santa, a 2kms da Barca, a ecovia termina (!) e é preciso fazer o resto pela estrada. Mas já falta pouco.

Dicas:
  • a pista é longa mas não tem grandes inclinações - faz-se em duas horas;
  • o piso é terra nem sempre regular;
  • eu fiz Lima-Barca, almocei e regressei. É um bom plano, mas considere também levar almoço e comer à beira rio;
  • no inverno é alagada nas zonas que correm junto ao rio;
  • o percurso é ao longo do rio, pelo que não passa pelas vinhas
  • leve máquina fotográfica mas resista à tentação de parar a todo o tempo
( foto: Valimar )

Para abrir um ficheiro com o guia das ecovias do Lima muito bem feito pela Valimar clique aqui. Nele encontra não só este percurso , mas ainda outros caminhos para fazer a pé ou de bicicleta.

( clique à direita em "Ecovias" para conhecer mais percursos de bicicleta pelo Vinho Verde )

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Vendas no mercado nacional
1º Semestre ( Nielsen )


( clique na imagem para aumentar )

Recebemos o mapa semestral de vendas da Nielsen elaborado para a ANDOVI. A ANDOVI é uma associação nacional que agrupa todas as CVR’s e ainda os institutos públicos do Vinho do Porto e do Vinho da Madeira. Semestralmente distribui um conjunto de mapas de análise do mercado nacional elaborados pela prestigiada empresa Nielsen.

NOTA IMPORTANTE. A tabela que encontra em cima é uma das muitas que o relatório inclui. Esta refere-se às vendas em valor ( € ) na soma dos universos Nielsen ( INA +INCIM ) cobrindo mais de 8.000 pontos de venda em todo o continente. O valor refere-se ao PVP e é calculado em médias ponderadas tendo em conta o volume de vendas de cada loja. É pois um cálculo complexo. Não esqueça que os preços Nielsen, por serem PVP incluem também da restauração e neste caso conta o preço do vinho na ementa.

Vamos então ao mapa. Com uma bela surpresa: crescemos 13,88% e somos o DOC mais vendido em Portugal. Não me lembro de ver isto em nenhum dos anos anteriores. A imagem em cima é o mapa de valores, mas temos um outro com os volumes. Crescemos 17% em valor e 14% em volume, o que bate certo pois sabemos que os preços aumentaram este ano. O que me surpreende é não termos perdido quota. Atenção porém pois temos uma quota de 19,52 em volume e apenas de 17,23 em valor: estamos abaixo do preço médio do mercado que é liderado pelos nosso vizinhos do Douro. Outras observações:
  • o Douro volta a crescer em valor e volume;
  • o vinho de mesa perde. E continuará a perder. Representa 8% do valor e 13% do volume. É um vinho para o segmento de menor preço e, com a maior abertura dos mercados por aí ficará;
  • Terras do Sado mantém uma quota admirável. Mas estará em saldo ? cresce 8% em volume mas estagnou no valor;
  • o Dão, nosso parceiros centenários, crescem muito bem;
  • a Bairrada passa momentos menos fáceis. Em valor e em volume. Como sair disto ? Gosto muito da Bairrada com a qual tenho laços familiares, gosto dos seus vinhos, e era um apreciador do Pedralvites, um belíssimo branco, cuja vinha é atravessada pela A1.
Não nos deixemos porém iludir. O Vinho Verde está a aumentar as vendas em Portugal e na exportação consistentemente desde 2003. É um ciclo que se vai travar este ano com dois efeitos combinados: a menor produção/maior custo e a retracção da economia.

Seja como for são notícias animadoras, que a região bem merece.

Nota: os mapas-base para este artigo estão à disposição, embora alerte para que se trata de ficheiros Excel extensos

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Intervalo

Graças a Deus há coisas destas para nos mantermos bem dispostos.

Um órgão de counicação social bem conhecido de todos tem trocado mails e telefonemas comigo diariamente por causa de um trabalho de fundo sobre a região. Como é habitual nestes casos, estamos a ajudar com nomes, moradas, material, etc.

Há minutos, a pessoa encarregada do trabalho enviou-me a seguinte mensagem:

"Sabendo que os Vinhos Verdes se estendem até território espanhol, vimos por este meio solicitar a sua ajuda no que toca a sugestões de quintas ou o que achar pertinente na temática dos Verdes na região da Galiza."

Até parei para respirar. E sorrir.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Acompanhar a vindima: as cartas e os primeiros varejos à vinha


Talvez por falha nossa, há na região um grande desconhecimento e algumas notícias erradas quanto à fiscalização que a CVRVV faz na época da vindima.

O departamento de fiscalização da CVRVV ( chama-se "Verificação Técnica" ) está integrado no sistema de qualidade da CVRVV, pelo que opera de acordo com um planeamento anual de acções.

No caso da vindima, há um plano específico, cujas linhas mestras são apresentadas e aprovadas pelo Conselho Geral. O plano é depois detalhado. Não é um documento secreto. Encontra-o no sítio da CVRVV aqui.

A cada ano vamos integrando no programa pequenas alterações decorrentes das características da produção desse ano e das lições entretanto aprendidas.

Este ano estamos a orientar o trabalho em torno de uma nova linha. Através das listagens informáticas, identificamos os produtores que sistematicamente têm elevados rendimentos por hectare. É um universo grande, cerca de 1800 viticultores que têm rendimentos próximos do limite legal. Não temos dúvida que esta lista inclui várias situações, como seja a de excelentes viticultores que fazem de facto belas produções. Mas também inclui produtores absentistas que se habituaram a "entregar o manifesto" a alguém que lhe trata da vindima e da papelada, e inclui alguns que pura e simplesmente perderam todo o bom senso.

Estamos pois a fazer, além das acções normais, um controle específico a estes produtores. A todos foi dirigida uma carta informando que, devida a sua elevada produção iriam ser alvo de acções de controle. Vários destes vão ser visitados nos próximos dias por uma equipa de peritos externos que irá estimar a sua produção. E, naturalmente, quem tenha um rendimento expectável de X, não poderá vir a manifestar 3 vezes isso !

Somos a única região no país que faz um controle deste tipo. Importa recordar que só nós e o Douro validamos o rendimento por hectare na entrega DCP e há várias regiões que não têm sequer equipas de fiscalização. Mas, sabendo que todos os anos se exporta vinho a granel para França, que depois nunca aparece engarrafado, já ficamos com uma ideia do que se faz por essa Europa fora.

Duas ideias finais sobre a fiscalização da vindima:
  • os "cumpridores" têm de aceitar que a fiscalização lhes é favorável. Quando enviamos as 1800 cartas, recebi três reclamações duríssimas de viticultores. Os três, com boas vinhas. Porém, temos de perceber que as acções de fiscalização se têm de orientar por dados objectivos e não por uma divisão entre bons e maus. Vai pelo caminho errado quem acha que a selecção de entidades a fiscalizar deve ser feita de outro modo que não seja por regras objectivas;
  • a CVRVV não faz milagres e a região não se pode demitir da função de se autofiscalizar. Não pode descarregar tudo na CVRVV. Li citada como de Einstein uma frase que vem a propósito: "O mundo é um local perigoso, não pelos que fazem mal, mas por causa do que olham e nada fazem ".
A baixa produção deste ano, aliada a um stock baixo e a um mapa de vendas que é muito reconfortante, torna claro que não será uma vindima fácil.

Quatro palavras que são o meu sincero desejo: bom senso, e boa vindima !


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Vitis: um pedido de ajuda !

O IVV - Instituto da Vinha e do Vinho está a rever o programa Vitis, cujo documento final estará pronto nos próximos dias. Estamos a procurar inventariar os problemas de que padeceu o anterior vitis para enviar alguns contributos. Se nos puder ajudar, muito agradecemos: o que correu mal e pode ser corrigido nos próximos vitis ?

Alguns dos pontos que nos indicaram:

  • a dificuldade de os pequenos viticultores obterem garantias bancárias sobretudo por estas serem sem limite temporal;
  • o atraso com que os projectos são aprovados que faz com que os viticultores esperem longos meses por uma resposta e depois tenham de arrancar em cima da hora ou em cima da vindima seguinte.
Envie os seus contributos para o meu endereço: mpinheiro@vinhoverde.pt

Entretanto estamos em contacto com a DRAPN que está a trabalhar exactamente no mesmo sentido, tendo o Director Regional reunido com o IVV na semana passada.

Muito obrigado !

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Vinho Verde, 1876


Político, diplomata e académico no fim do século XIX, António Augusto de Aguiar dedicou bastante do seu trabalho aos vinhos e à melhoria da sua qualidade tendo em vista a exportação.

Um produtor de Vinho Verde, amigo, fez-me chegar este texto delicioso, retirado de uma conferência que AAA fez em Lisboa no ano de 1876.

"Afirmam no Porto, que não se póde beber esta peste senão de olho esquerdo fechado, pondo a boca á banda, e alçando a perna direita, como quem ao bebel-o espere os effeitos de uma pedrada.

Obriga a grande careta, em resumo, capaz de metter medo às creanças, e de fazer exclamar as amas: olha o papão, vae-te embora! E no entanto é o mais virtuoso dos vinhos, por ser o que não embriaga com tanta facilidade. Só por isso gosto d’elle. Sabe respeitar a intelligencia.

Em Londres, ao principio, tomavam o vinho verde por uma substancia purgativa, e sobretudo não podiam comprehender como se chamava verde e era roxo!

Não agradou as inglezes e n’isto está dito tudo. E todavia eu tenho predilecção pelo vinho verde. Sem que sejamos da mesma terra, acho este vinho refrigerante, ligando-se optimamente com agua quando é bom. Parece-me mais agradavel que a perdiz faisandée gabada pelo gastronomo. Menos enjoativo que o caviar dos russos, facil de confundir com o oleo de figado de bacalhau, a quem não esteja costumado a comel-o.

É menos repugnante sem duvida, que o Brie mais fino de França, cujo aroma a toda a gente repugna, quando se não exhala do queijo. Não tem bichos, nem está podre. Arranha um pouco as goellas. Sobretudo é difficil aprecial-o á primeira vez; mas outro tanto acontece com as ostras cruas e a musica de Wagner.


Para saber mais sobre o autor, consulte o documento que encontra aqui.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Red Bull Air Race na CVRVV


À semelhança do que sucedeu em 2007, os jardins da CVRVV serão um palco privilegiado para a fantástica corrida de aviões Red Bull Air Race a decorrer nos próximos dias 6 e 7 de Setembro, respectivamente sábado e domingo.

Os jardins da CVRVV estarão pois abertos nos dois dias das 11:30 às 19:00 horas, sendo que pelas 17:00 horas aproximadamente serviremos um Verde de honra.

Alertamos para a necessidade de se inscreverem antecipadamente pois no próprio dia a entrada estará encerrada a quem não se tiver entretanto inscrito.

Tome nota das seguintes instruções importantes:

  • a inscrição é gratuita para 2 pessoas por Agente Económico inscrito na CVRVV e tem o custo de 10€ para os restantes ( por 1 dia para ambos );
  • inscreva-se para mteixeira@vinhoverde.pt , tel 226077302 ( Manuel Teixeira )
  • ao longo do dia haverá serviço de água fresca e quartos de banho;
  • pelas 17:00 será servido um Verde de honra – não é uma refeição ! ;
  • pode trazer uma refeição ligeira e bebidas se pretender ( p.f. use os caixotes do lixo no local );
  • não haverá cadeiras mas terá bastante espaço para se sentar no relvado ou pode trazer a sua cadeira;
  • não será permitida a entrada de assistentes sem a inscrição já feita – em circunstância alguma !

Quanto ao acesso, tenha em conta que a Rua da Restauração e toda a zona histórica do Porto estarão encerradas ao trânsito automóvel. Uma boa solução é tomar o Metro até à estação de S Bento e caminhar até à CVRVV via clérigos.

Para saber mais informação sobre a corrida, clique aqui: http://www.redbullairrace.com

Para saber mais sobre os impedimentos de trânsito, clique aqui: http://www.cm-porto.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=cmp.stories/9898

Traga protecção solar e máquina fotográfica !

domingo, 31 de agosto de 2008

De bicicleta pelas vinhas de Famalicão


Do centro de Famalicão, perto da Estação de caminho de ferro, parte a ciclovia que ligará esta cidade à Póvoa do Varzim pelo percurso da antiga linha férrea. Neste momento está recuperado e aberto ao público o troço Famalicão-Gondifelos com numa extensão de 10,2 kms.

Por entre bosques e milheirais, aldeias típicas e quintas vinícolas, o percurso oferece um excelente meio para se desfrutar da natureza da região e para a prática desportiva, num ambiente de grande beleza e tranquilidade.

Ao longo do percurso, as pontes, viadutos e os velhos apeadeiros recordam-nos a história desta linha, a primeira de bitola estreita do país, inaugurada em 1881 e explorada à época por uma empresa privada.
( uma vinha perto de Brufe )

A via está a ser recuperada, em particular as bermas, mas percorre-se sem dificuldade e com o "extra" de atravessar paisagens variadas. Fiz o percurso num domingo de manhã e cruzei-me não só com os "profissionais" com bicicletas moderníssimas mas também com famílias completas em que o mais novo vai todo afoito na sua pequena bicicleta a liderar o grupo !

( foto C.M.Vila Nova de Famalicão )

Sugiro que estacione em Famalicão na Rua Daniel Rodrigues que fica no início do percurso. Faça então o percurso de bicicleta ( ou a pé ! ) até ao fim ( uma hora aprox. ) e regresso. Após Gondifelos, no limite do Concelho, o percurso deixa de ser transitável, pelo que o melhor é regressar. No largo da igreja de Gondifelos há um café para reabastecer.

Dicas:
  • distância: 10,2 kms
  • piso: terra e gravilha ligeira; bom para qualquer tipo de bicicleta
  • aproveite o passeio e visite um produtor de Vinho Verde. Procure aqui.
  • não recomendo fazer o percurso até à Póvoa, salvo se tiver uma bicicleta TT robusta pois após o fim de Famalicão o piso é o balastro da linha férrea
  • tendo tempo, uma boa visita é o museu ferroviário alusivo precisamente a esta linha. Procure mais informação aqui.
( clique à direita em "Ecovias" para conhecer mais percursos de bicicleta pelo Vinho Verde )