segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Acompanhar a vindima: as cartas e os primeiros varejos à vinha


Talvez por falha nossa, há na região um grande desconhecimento e algumas notícias erradas quanto à fiscalização que a CVRVV faz na época da vindima.

O departamento de fiscalização da CVRVV ( chama-se "Verificação Técnica" ) está integrado no sistema de qualidade da CVRVV, pelo que opera de acordo com um planeamento anual de acções.

No caso da vindima, há um plano específico, cujas linhas mestras são apresentadas e aprovadas pelo Conselho Geral. O plano é depois detalhado. Não é um documento secreto. Encontra-o no sítio da CVRVV aqui.

A cada ano vamos integrando no programa pequenas alterações decorrentes das características da produção desse ano e das lições entretanto aprendidas.

Este ano estamos a orientar o trabalho em torno de uma nova linha. Através das listagens informáticas, identificamos os produtores que sistematicamente têm elevados rendimentos por hectare. É um universo grande, cerca de 1800 viticultores que têm rendimentos próximos do limite legal. Não temos dúvida que esta lista inclui várias situações, como seja a de excelentes viticultores que fazem de facto belas produções. Mas também inclui produtores absentistas que se habituaram a "entregar o manifesto" a alguém que lhe trata da vindima e da papelada, e inclui alguns que pura e simplesmente perderam todo o bom senso.

Estamos pois a fazer, além das acções normais, um controle específico a estes produtores. A todos foi dirigida uma carta informando que, devida a sua elevada produção iriam ser alvo de acções de controle. Vários destes vão ser visitados nos próximos dias por uma equipa de peritos externos que irá estimar a sua produção. E, naturalmente, quem tenha um rendimento expectável de X, não poderá vir a manifestar 3 vezes isso !

Somos a única região no país que faz um controle deste tipo. Importa recordar que só nós e o Douro validamos o rendimento por hectare na entrega DCP e há várias regiões que não têm sequer equipas de fiscalização. Mas, sabendo que todos os anos se exporta vinho a granel para França, que depois nunca aparece engarrafado, já ficamos com uma ideia do que se faz por essa Europa fora.

Duas ideias finais sobre a fiscalização da vindima:
  • os "cumpridores" têm de aceitar que a fiscalização lhes é favorável. Quando enviamos as 1800 cartas, recebi três reclamações duríssimas de viticultores. Os três, com boas vinhas. Porém, temos de perceber que as acções de fiscalização se têm de orientar por dados objectivos e não por uma divisão entre bons e maus. Vai pelo caminho errado quem acha que a selecção de entidades a fiscalizar deve ser feita de outro modo que não seja por regras objectivas;
  • a CVRVV não faz milagres e a região não se pode demitir da função de se autofiscalizar. Não pode descarregar tudo na CVRVV. Li citada como de Einstein uma frase que vem a propósito: "O mundo é um local perigoso, não pelos que fazem mal, mas por causa do que olham e nada fazem ".
A baixa produção deste ano, aliada a um stock baixo e a um mapa de vendas que é muito reconfortante, torna claro que não será uma vindima fácil.

Quatro palavras que são o meu sincero desejo: bom senso, e boa vindima !


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