domingo, 14 de setembro de 2008

Rendimentos por hectare


A equipa da Escola de Gestão do Porto, dirigida pelo Professor Doutor Daniel Bessa, apresentou recentemente um estudo sobre a economia da Região, por encomenda da ANCEVE financiada pelo Ministério da Agricultura.

Um dos pontos mais interessantes do trabalho é a preocupação sobre o rendimento da viticultura. Diz o estudo que o aumento da produção por hectare é um elemento essencial para a sobrevivência do empresário vitícola da região. E, por óbvia consequência, elemento essencial para a sobrevivência da região.

No sistema de informação da CVRVV há muitos dados que nos ajudam a reflectir sobre este assunto.

Primeiro os números gerais. Tendo em conta as Declarações de Colheita e Produção de 2007, estão em produção na região 23.650 hectares, explorados por 28 mil viticultores que produziram no total 93.088.990 kg de uvas. É pois uma produção média de 3.900 kg de uvas por hectare.

Os números surpreendem. Em primeiro lugar porque a Região é efectivamente muito mais pequena do que muitos pensam. E de seguida porque a produção/hectare total é baixíssima.

Só uma nota quanto às áreas. A área indicada não é o total da área inscrita no sistema informático da DRAPN e da CVRVV, mas sim a área que foi indicada como estando em produção nas DCP's.

Veja agora o gráfico seguinte.



O objectivo é determinar qual é a produtividade do nosso vinhedo. Consideramos com limite de produção por hectare o previsto na lei com a taxa de vinificação máxima, 10,666kg por hectare e dividimos as DCP's por escalões de proximidade a este valor.

Por exemplo na primeira coluna, 5900 hectares produziram 10% do rendimento legal na DCP de 2007. Ou seja, estes 5900 hectares produziram 2,8 mil toneladas de uva, quando poderiam ter produzido 62 mil toneladas.

E isto representa 1/4 da Região.

No lado direito do gráfico temos 1500 hectares. Estes são os únicos que produzem valores competitivos. Naturalmente estamos a aproveitar este trabalho para os fiscalizar. É justo dizer que, se aqui ou ali há algum caso menos agradável, na maior parte dos casos são de facto excelentes vinhas, várias aliás premiadas pela CVRVV nos concursos anuais da viticultura. A nossa região também se pode orgulhar de ter excelentes vinhas, que são aliás bons exemplos que merecem visita !

É fundamental identificar bem este fenómeno de baixa produção e intervir. A reconversão da vinha, apoiada pelo Vitis é um passo importante. Fui buscar os rendimentos por hectare de Monção e Melgaço, concelhos onde há muita vinha nova e estão bem acima dos 5.000 kg por hectare. E mesmo assim... não é grande número.

De tudo isto, retiro uma boa notícia: a área de vinha é mais que suficiente para as nossas necessidades previsíveis.

E retiro uma obrigação: temos de investir na vinha.

Dentro de dias será publicado o regime do Vitis para este ano. Aparentemente terá novidades: aprovação dos projectos mais rápida e alternativas à garantia bancária. A ver vamos.

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