quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Mais uma corrida para a capital...
Os vinhos de mesa com indicação de casta


Já se tornou uma rotina tomar o Alfa das 06:47 para Lisboa às quartas-feiras. A semana passada para reunir com o IVV. Hoje com as restantes CVR's e a Viniportugal.

Um assunto que tem estado em cima da mesa é o do regime dos novos vinhos de mesa com indicação de casta e/ou ano e colheita.

Até hoje, as regras do sector impediam a indicação de casta e ano de colheita nos vinhos de mesa. Só os DOC's ou regionais poderiam ter estas indicações. A nova OCM Vitivinícola permitirá, para os vinhos da colheita 2009/2010 e seguintes, que os vinhos de mesa possam indicar casta e/ou ano de colheita. Passa pois a ser possível vender um vinho com a indicação ( por ex. ) "Touriga Nacional" juntando lotes comprados em várias regiões.

Ora, quem vai controlar este produto e evitar abusos ? Parece-me evidente que, a não haver um controle prévio eficaz, o que vamos ter é uma inflação de vinhos em que os tintos serão todos "Touriga" e os brancos todos "Alvarinho", sendo que a qualidade será proporcional ao preço. Um mau resultado para o sector e o cliente. É pois essencial que se estabeleça um bom sistema de rastreabilidade que favoreça o investidor e o cliente. E uma pergunta para si: estes vinhos devem ser objecto de uma análise físico química, ou basta verificar no manifesto que de facto correspondem à casta plantada ? e devem ser provados ? e devem ter um selo ?

Em termos estratégicos, temos de reflectir bem pois é certo que as denominações de origem mais débeis e os vinhos regionais vão ser canibalizados por esta nova categoria.

Para os produtores e comerciantes será porém uma nova forma de venda. Mais livre talvez. Certamente mais competitiva.

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