segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Quanto mais Vitis , menos vemos...

Enviamos ao Governo uma mensagem dura sobre o programa Vitis. Para que fique claro desde já, a CVRVV tem tido uma excelente receptividade, seja do Ministro da Agricultura, seja do Secretário de Estado Adjunto. E porém, nem por isso deixamos de fazer sentir a nossa posição quando as coisas vão menos bem. O bom relacionamento é aliás o próprio motivo pelo qual nos sentimos à vontade para o fazer.

Fruto de um trabalho conjunto da CVRVV, da DRAPN e de inúmeras adegas cooperativas e vinificadores, conseguimos incentivar centenas de viticultores para investirem na renovação dos seus vinhedos. E estes responderam da forma mais admirável: superou os 1000 hectares a área da região candidata ao Vitis.

Se não o conhece, o Vitis é um programa de apoio ao investmento extremamente importante. Financia , com valores generosos, a reconversão da vinha, dotando o produtor e a respecitiva região de vinhas mais competitivas, menos vulneráveis ao clima e capazes de responder ao gosto mais actual do cliente.

O problema é porém simples. De acordo com as regras estabelecidas pelo Estado, as candidaturas teriam de ser analisadas e ter resposta ate ao fim de Janeiro. Ora, vamos a meio de Fevereiro e... nada !

Desengane-se se pensar que o Vitis é um subsídio ao plantador de vinha. É muito mais do que isso: é ele que coloca em funcionamento centenas de postos de trabalho dedicados aos trabalhos no terreno, à produção de material vegetativo, aos postes, aos arames e a um sem número de bens e serviços. O Vitis é afinal o combustível que dá energia à economia agrária. Da região e do país.

E mais, o risco que temos é o de as candidaturas serem aprovadas tão tarde que a plantação já não se poderá fazer este ano. E depois ( foi assim em 2008 ) a mesma administração que se atrasou na aprovação das candidaturas, exige que o produtor consiga, dentro do prazo, uma garantia bancária para adiar por alguns meses a plantação.

Atrasar o Vitis causa pois um dano enorme não só na economia vitícola e na competitividade da região mas em toda a economia agrária que nos rodeia.

Sabemos bem que o Vitis não está parado por ordens nem por negligencia dos responsáveis. São problemas técnicos. É por isso mesmo que apelamos para o Governo. Que se empenhe duramente em fazer com que o programa avance.

É nestes momentos que me lembro sempre dos ciclistas a subir a Senhora da Graça, bem no coração da nossa região: não há tempo a perder, é olhar para a frente e pedalar com toda a força que tivermos.

E o Estado também tem de o fazer !

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