sexta-feira, 20 de março de 2009

Repensar a região ?

Um dos pensadores mais livres do nosso jornalismo de vinhos chama-se Aníbal Coutinho. Não só escrevendo sobre os vinhos mas também sobre a organização das regiões e a nossa estratégia vitícola, enológica e de mercado. Para que fique claro não subscrevo uma boa parte da sua tese sobre a reorganização das DO's. E porém valorizo aqui, como sempre, quem pensa pela sua cabeça, com dedicação e lealdade ao sector. Até porque muito do que diz nos deve fazer repensar a nossa realizado mesmo que não seja no sentido que o autor propõe. É o caso.

Por isso, com a autorização do autor, aqui reproduzo a introdução que publica no seu livro "TOP10 Vinhos - Portugal da editora DK Civilização",

"O Vinho Verde é um produto único no mundo. Leve, aromático, medianamente alcoólico, não deve ser confundido com outros vinhos brancos de qualidade que se produzem na região. Apesar de não se tratar de uma sub-divisão oficial, os vinhos de qualidade desta região podem ser agrupados de seguinte forma:


Vinho Verde DOC

Vinho com frescura ácida, adequada compensação doce e teor alcoólico ligeiro entre 8,5 e 11,5%, resultante de vinificação de uvas frescas ou mostos imediatamente antes do engarrafamento. Quer devido à dissolução de gás carbónico natural ou à sua inclusão antes do engarrafamento, este vinho tem uma percepção gasosa notada. Na cor branca, é um tipo de vinho único, com grandes marcas de reconhecimento mundial, um dos maiores embaixadores do vinho português. Na versão tinta, é um vinho com características organolépticas de intensa vinosidade, com um forte consumo no seio da região devido à sua associação tradicional com a gastronomia minhota.


Vinho Verde Clássico DOC (Designação não oficial)

Vinho branco ou tinto que decorre do processo clássico de fermentação de brancos ou de tintos, feito a partir de uvas frescas ou mostos das variedades recomendadas e/ou autorizadas na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, com teor alcoólico igual ou superior a 11, 5 % e inferior ou igual a 14 %. São vinhos feitos de produções com menor rendimento, que podem melhorar as suas qualidades organolépticas com fermentação e/ou estágio em recipientes de madeira. Ao contrário do Vinho Verde DOC, o nível de gás carbónico dissolvido é muito limitado.


Vinho Verde Alvarinho DOC

Denominação Oficial com as características de Vinho Verde Clássico em que a casta predominante é a Alvarinho incluída num mínimo de 85%, exclusiva da sub-região de Monção. Mais uma dezena de castas da região podem usar esta denominação varietal.


Vinho Regional Minho

Vinho produzido na região dos Vinhos Verdes mas que não cumpre os estatutos para a Denominação de Origem, nas castas, no limite superior do teor alcoólico ou noutros requisitos, mas que deve superar a prova organoléptica exigível aos vinhos DOC.


Outras DOC

A região dos vinhos verdes tem ainda legislação aprovada para a certificação de Denominação de Origem Controlada de Espumantes e Aguardentes, sendo crescente o número de produtores que aderem a estes produtos vínicos, cuja aceitação pelos consumidores também revela a mesma tendência."


Sem comentários: