quarta-feira, 20 de maio de 2009

O garrafão e o litro


A descida nas vendas não é igual em todos os tipos de vasilhame. Com frequência esquecemos que a Região vende ainda bastante vinho para consumo corrente em garrafão e em garrafa de litro. Ora estes tipos de vasilhame, destinados sobretudo a um mercado regional e de consumo dioméstico diário, não têm o mesmo comportamento que a garrafa 0,75 que hoje suporta largamente as nossas vendas.

E no caso do branco, a descida de vendas não é generalizada mas sim fortemente influenciada, como veremos, por estes vasilhames.

No gráfico de cima comparamos as vendas de Janeiro a Abril destes dois tipos de vasilhame para os dois tipos de vinho, branco e tinto.

O caso do "litro branco" é o mais notório. Em dois anos descemos de 1,7 milhões de litros para pouco mais de 600 mil. Perdemos mais de metade das vendas. Note que não se trata de uma "perda" de vendas directa. Na maior parte dos casos, as empresas que vendiam a garrafa de Vinho Verde passaram a vende-lo na categoria de vinho de mesa, frequentemente com as mesmas marcas. A baixa de venda de Vinho Verde não significa pois necessariamente uma baixa de facturação para estas empresas. O mesmo sucede no garrafão de vinho branco que perde dois terços das vendas.

Já no tinto, a evolução não é tão notória, havendo alguma estabilidade sem duvida fruto da fidelidade do mercado regional ou local.

Algumas observações:

  • estes tipos de vasilhame representam hoje muito pouco no negócio da região. Até abril, a região tinha vendido 12 milhões de liros de vinho branco. Destes, 5% foi garrafa de litro e 3,3% foi garrafão;
  • as novas regras do vinho de mesa e a enorme abertura dos mercados farão com que os vinhos DOC tenham um custo invariavelmente mais alto que os vinhos de mesa. O aumento de custo que levou vários produtores a transferirem as suas marcas para vinho e mesa como meio para não perderem vendas é pois uma questão estrutural - quem quiser estar no negócio do DOC terá ( além do preço ) que ter marcas, distribuição, etc etc;
  • o garrafão é por si um vasilhame ultrapassado. Pesado, feio, convive mal com o arrumo da casa. Está pois a ser substituído pelo bag in box que é o vasilhame com maior crescimento nos índices Nielsen. O problema é que este não se adapta com sucesso aos nossos vinhos.

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