quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vinhos sem DO/IG
com indicação de casta e ano


Este é o segundo artigo que faço sobre os vinhos sem DO/IG que, a partir da próxima vindima poderão ostentar a indicação da casta/s e do ano de colheita. Para ler o anterior, clique em "vinho de mesa" que encontra à direita em baixo na área de "etiquetas".

É curioso como este assunto tem vindo a mexer pouco as empresas e associações e porém é, no meu entender, algo que vai mudar muito as regras e equilíbrios do nosso negócio.

Em poucas palavras, por efeito da nova OCM dos vinhos a partir da próxima vindima os vinhos sem DO/IG podem ostentar na respectiva rotulagem a indicação da casta ou castas e do ano de colheita. Não está ainda definido como será feita a certificação destes vinhos, embora o regulamento comunitário a publicar em breve já aponte alguns procedimentos.

Esta nova possibilidade levanta riscos, que procurei abordar num artigo que a Revista de Vinhos teve a gentileza de publicar e que pode ler clicando aqui.

6 comentários:

mario rui disse...

Concordo inteiramente com esta visão! A ir para a frente será mais uma facada nos já debeis produtores! Pois são estes o elo mais fraco da cadeia! Reparo no consumidor um profundo desconhecimento do vinho de mesa e a sua possivel origem, que é alimentada pelos oportunistas do mercado. Exemplo disso qd digo a amigos que vinho de pressão não é VV, pareçe sinto que estou a dizer uma barbaridade. Contudo muito se têm evoluido nos ultimos anos e graças a CVRVV pois apenas uma instituição com esta dimensão têm capacidade para per si influenciar através da tão cara publicidade o consumidor. PFF CONTINUE O SEU EXCELENTE TRABALHO!

Manuel Pinheiro disse...

Concordo com a sua análise e referência ao vinho à pressão. Curiosamente, um colega fez-me a seguinte pergunta quanto a estes novos vinhos de mesa: "supõe que aparece um fulano com um vinho branco muito agradável ao consumidor, que até vende bem e que coloca Loureiro no rótulo. E porém o vinho não tem nada de Loureiro. Quando um cliente beber um Loureiro verdadeiro vai pensar o quê ?"

Tenho como certo que estes vinhos de mesa com casta vão dizimar as DO's mais fracas mas não terão grande influência no nosso VV; terão - sim - um rico enorme no caso do Alvarinho e do Loureiro.

Aqui, como em tantos casos ( preço das uvas, prazos de pagamentos, etc ) é pena que não exista um forte associativismo, quase sindical, dos produtores de uva. Mas não há. Aliás, a FEVIPOR ( Federação dos Viticultores de Portugal ) com assento no Conselho Consultivo do IVV e que é suposto defender os lavradores nada diz quanto a este assunto !

mario rui disse...

Estou com uma dúvida poderemos ter Loureiro ou Alvarinho de pressão?

Manuel Pinheiro disse...

Bela pergunta, porventura ainda ninguém tinha pensado nisso e ainda vem tornar mais lamentável esta legislação. A resposta é simples: sim !

josé pedrosa disse...

Estou de acordo que os vinhos de mesa possam ostentar na rotulagem ano de colheita e a casta, mas para tal terá que haver um controle sério e sem ambiguidades.
Devem também ser controlados os locais de engarrafamento (condições de higiene, sistemas de controle interno, rastrabilidade, contabilidade integrada com a produção) ficheiro vitícola.
Lote de vinhos de mesa da UE com vinhos de mesa nacionais a rotulagem não poderia constar o ano de colheita nem casta, somente vinho de mesa da UE.
Num momento tão controverso da economia mundial os vinhos portugueses só poderão ganhar notoriedade pela qualidade dos seus vinhos, pela seriedade dos organismos de control e seus agentes económicos

mario rui disse...

Hummm! Concordo com a teoria tal como concordo com o comunismo, mas não o queria para o meu país. Quem me vai garantir a mim consumidor a autenticidade necessária para a casta! Ou seja sabendo a mistela ou não dos vinhos de mesa, até há vinhos de mesa bons, a questão é de que vinha/ casta/ região é determinada casta. Sabendo que determinadas castas assumem nomes diferentes de região para região como se vai resolver? Mais podemos ter uma detorpação das Características das do vinho de determinada casta. Liberalmente falando o consumidor é que manda e determina a evolução dos vinhos, mas isto é cair no extremo. O ano dos vinhos vai ser por ponderação? Outra reflexão! Os vinhos importados distribuidos em Portugal são vinhos de mesa? ou Obdecem as regras de origem? isto é apenas uma dúvida...