sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O trabalho desconhecido das associações

Quando as coisas correm mais ou menos bem, ninguém precisa das associações. ANCEVE, FENADEGAS, CAP, enfim as associações do sector. Quando as coisas correm bem, ninguém se lembra delas.

Todos se lembram porém da sua associaçãozinha em anos em que o cobertor não chega para tudo. Como é este ano. As firmas começam a fazer as contas à vida e chegam à conclusão de que uma boa forma de reduzir custos é sair da associação. E lá vai uma cartinha.

Hoje recebi uma bela notícia que é um bom exemplo daquele trabalho discreto que as associações fazem, que tem custos, mas que ninguém agradece. Resume-se nisto: o governo Brasileiro recusou a proposta dos produtores daquele país para que os vinhos importados fossem sujeitos a selagem na fronteira.

Lido assim parece uma boa notícia. Dirão alguns: "ah sim, o governo brasileiro estava a pensar obrigar a selar as garrafas ?"

Digo-lhe porém o que se esconde por trás desta "boa" notícia: meses de pressões em Lisboa, em Bruxelas e Brasilia. O nosso Ministro a falar com o Ministro Brasileiro, o nosso embaixador a marcar reuniões com os decisores em Brasilia. O Engº Sócrates a levantar o assunto com o Presidente Lula da Silva. E as associações a pressionar, cartas, faxes mails, audiências. Digo as nossas, porque Portugal é o maior interessado, mas certamente foram também as francesas, as italianas, as espanholas.

Foram meses de trabalho de gabinete de que a história não rezará.

A existência de associações fortes, bem organizadas e capazmente financiadas, com presença nas regiões e em Bruxelas é essencial para a rentabilidade das empresas.

Se não acha isso, pense em avisar o seu importador no Brasil para abrir as caixas e colar um selo em cada garrafa !


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