segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Adegas cooperativas em debate


A última reunião do Conselho Gera debateu, entre outros, um assunto particularizante delicado:

deve uma marca "Adega Cooperativa de ... " ser usada apenas para vinhos elaborados nessa cooperativa ou ser permitido o seu uso para qualquer vinho de que a cooperativa seja titular, independentemente de o ter produzido ?

Na primeira opção, estamos a reforçar a imagem de genuinidade destes vinhos, a ideia de que uma cooperativa é uma associação de viticultores que em conjunto vinificam e valorizam o seu produto. Esta imagem de genuinidade, de ligação à terra é um activo importante das cooperativas que nem sempre sabemos valorizar. Lembro-.me curiosamente de umas capas de arquivo que a FENADEGAS tinha em tempos ( ainda terá ) e que diziam "Adegas Cooperativas: vinhos autênticos" . O problema desta opção é, claro está, a menor flexibilidade de gestão. num ano de fraca colheita, a adega não pode usar a sua marca "Adega" plenamente.

Na segunda opção estamos a reforçar essa flexibilidade mas reduzimos a zero a tal genuinidade. A ser aberta, permite por exemplo que uma adega que esteja fisicamente fechada adquira vinho a um terceiro, o mande engarrafar e venda, sem que este seja proveniente dos sócios ou tenha em momento algum passado pela cooperativa. Não é difícil imaginar este cenário no momento de crise de uma cooperativa e a lei permite-o ...

Claro que uma parte do problema é a escolha das marcas. E não é só um problema das cooperativas. Os nossos engarrafadores usam intensamente marcas que se encontram agarradas a um local ou a uma entidade, o que causa dificuldades logo na primeira curva. Curiosamente não é assim por exemplo no Douro. É importante que os gestores adeqúem a marca usada, ao perfil de produto que nela oferecem ao cliente. Criar uma marca muito localizada e depois querer crescer indefinidamente é a receita certa para ter problemas.

A opção do Conselho, que se encontra em processo de redacção, é no sentido e que as marcas com a designação de cooperativa devem ser usadas apenas para os vinhos produzidos por essa cooperativa e só em caso excepcional, limitado e documentado poderão ser usadas para outro vinho.

Nota: o desenho é um carvão da Adega Coop. de Ponte da Barca, muito bonito embora não 100% rigoroso. Desconheço o autor e por isso ,com pena, não o menciono.

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