quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A paciência que precisamos de ter...


Povo inventivo, os nossos amigos brasileiros devem ter ocupado uns bons finais de tarde à beira mar a pensar no assunto. E, de tanto pensar e tanto fumo fazer, saíram-se com uma ideia de mestre: vamos obrigar os vinhos europeus a apresentarem um certificado de origem imprimido na Europa e assinado à mão, para os vinhos poderem entrar no Brasil.

É de facto uma ideia linda, que não impede as exportações, mas que obriga a que cada encomenda siga com uma pastinha onde vai o certificadozinho de origem do vinho assinado à mão. E tem de ser a azul, senão vem tudo para trás.

NOTA A QUEM NEGOCEIA COM O BRASIL EM NOME DA UE: as mangas, a aguardente de cana, a picanha, as t-shirts, os aviõeszinhos da embraer, os músicos e as novelas também deveriam chegar à europa acompanhados por um certificado assinado à mão em azul.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Jornadas técnicas na EVAG

Dezenas de técnicos reuniram-se na Estação Vitivinícola Amândio Galhano em mais uma edição das jornadas técnicas. Várias apresentações sobre a evolução do ano vitivinícola antecederam a prova dos vinhos trazidos pelos enólogos e respectivo comentário.

Se não pôde ir, consulte as apresentações, clicando aqui.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Vinho: novas regras nos rótulos americanos ?


É curioso como temos todos a tendência para achar que a relva do vizinho é mais verde que a nossa. Não há reunião de "especialistas de marketing de vinhos" na Europa em que não se reclame a aplicação neste continente do sistema dito americano de grande liberdade nas regras de produção e comunicação dos vinhos. Da América diz-se que é o país onde os produtores são livres, produzem sem regras, as empresas são saudáveis e geram muita riqueza.

Obviamente não é assim, nem os americanos quereriam que fosse assim. Um dos movimentos mais curiosos dos Norte Americanos ( e dos restantes países produtores do continente ) tem sido a criação de regiões demarcadas, com as suas regras de produção e comunicação.

A este propósito, chegou-me esta semana alguma documentação muito curiosa. É que o BATF, a agência do governo federal americano responsável pela venda dos vinhos está a preparar legislação para regulamentar a utilização de termos como Estate, Farm e outros que correspondem ao nosso "Quinta". Os americanos fartaram-se de ver garrafas com a expressão "Estate vineyards" quando na prática o vinho era comprado a granel das mais diversas origens e vendido sob essa marca de quinta.

Andam pois os americanos a criar regiões demarcadas e a regrar a rotulagem das marcas de quinta.

O mercado livre não é o mercado da balda. Isso tem um nome, é o caos. O mercado livre é aquele que tem regras claras, transparentes que são para cumprir mas que são tão pouco intromissoras quanto possível.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Uma garrafa de vinho ? 600 litros de água !


Dois artigos muito interessantes sobre o vinho e o ambiente.

O primeiro, que pode ler aqui, recorda-nos de todos os recursos que usamos para fazer uma garrafa de vinho: 600 litros de água, 0,33 litros de gasóleo.

O segundo, que pode ler aqui, analisa a pegada ambiental de uma garrafa de vinho. É amigo do ambiente abrir na europa uma garrafa de vinho biológico do Chile que teve de atravessar meio mundo a queimar petróleo para chegar cá ? que alternativas temos, enviar o vinho a granel e engarrafar no destino ? Em final do texto, uma referência a algo que conhecemos no Vinho Verde: como as alterações climáticas estão a mudar os vinhos que produzimos.

Tudo isto no Ecolab, o blog do jornal El País.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O vinho e a propriedade industrial

Quando falamos do vinho, muito raramente se fala da marca enquanto património jurídico, enquanto direito de propriedade industrial que é essencial gerir continuamente. À medida que as marcas ganham visibilidade nos mercados, também aumenta a tentativa de terceiros de usar indevidamente as marcas para benefício próprio.

Contrabalançando um mercado nacional amorfo, as exportações de Vinho Verde estão muito fortes, certamente 2010 será o nosso maior ano de sempre, ultrapassando 2009 que já tinha sido muito bom. O aumento de vendas, aumentando a visibilidade da marca fora do país, significa também um crescimento das tentativas de cópia da marca.

Combater estas tentativas é o trabalho, muito desconhecido, do nosso departamento jurídico, em colaboração com o nosso agente da propriedade industrial. Anualmente tomamos dezenas de iniciativas em vários pontos do mundo neste sentido: contestamos o registo de marcas, fazemos negociações extra-judiciais e, quando não há outro remédio, recorremos aos tribunais. O que não sai barato nem é fácil, pois há países em que a protecção de uma denominação de origem europeia é a última das suas preocupações.

Dito isto, a imagem de cima é um bom exemplo. Esta marca foi lançada no mercado alemão e é uma clara cópia do Vinho Verde, desde logo pela marca "Edition Verde" mas também pelo tipo de garrafa, rótulo e título alcoométrico de 9,5%. Só a marca está protegida por nós, claro.

Por se tratar de um país da União Europeia, solicitamos a intervenção do Ministério da Agricultura, através do Instituto da Vinha e do Vinho, o qual movimentou o seu congénere alemão com o apoio do AICEP em Berlim e da REPER, a representação Portuguesa na UE em Bruxelas. E tudo isto com bom resultado: a marca foi já recusada pelas autoridades alemãs e deixou de ser comercializada.

Fim feliz. Tenho aliás uma óptima ideia para os nossos amigos alemães: bebam Vinho Verde.
É que o original é sempre melhor do que a cópia !

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vinho Verde: stocks e vendas em Novembro

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Este é o stock a 30 de Novembro, após a entrada da maioria das declarações de produção. Estamos com um stock de branco superior ao do ano passado em data igual. Como veremos adiante, as vendas de branco estão bem e sobretudo as exportações muito sólidas. Porém, o stock é mais que suficiente, o que garante um abastecimento confortável.

Merecedor de alguma reflexão é o stock de tinto.

Os valores de produção de 2010 estão neste momento praticamente finalizados e serão divulgados ao Conselho Geral agendado para 29 de Dezembro. Após essa data os colocarei aqui.
( clique na imagem para aumentar )

As vendas até Novembro. No branco estamos a recuperar da descida de 2009. É uma recuperação ancorada a 100% na exportação, pois o mercado nacional está amorfo. A nossa percentagem de exportação tem vindo a aumentar, aproxima-se dos 20%, o que significa que o crescimento na exportação se reflecte cada vez melhor nas vendas totais.

O tinto, pelo contrário, já não sei o que escreva... Vamos lançar em breve uma campanha publicitária de apoio ao tinto, vocacionada parta o mercado da região. Terá resultados, sim, estou convencido, mas não fará milagres. Há um problema vitícola a resolver: é preciso reconverter tinto para branco e equilibrar a oferta.

A propósito do tinto e das suas dificuldades na exportação, um pequeno texto que retiro do blog do Vinho Verde Tasting Club de Arlington, Virgínia e que dispensa comentários "A red Vinho Verde took some getting used-to, but once the novelty wore off, most didn’t like it. A bit tart and thin, it (...) didn’t perform at all on its own" Isto num grupo em que a pré-disposição para aceitar os nossos vinhos é enorme.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A árvore do Vinho Verde
no Natal de Mondim de Basto

A região de Basto é uma das mais bonitas e porém desconhecidas do nosso país. Mondim de Basto, Celorico, Cabeceiras e Ribeira de Pena ( ex-Ribeira de Basto ) estão acessíveis por auto-estrada e bem merecem a sua visita. É uma região linda, com óptima gastronomia e vinhos, ar puro, bons turismos de habitação e pequenos hotéis. Sem esquecer a famosa Senhora da Graça, destino de peregrinos e dos ciclistas-heróis da Volta a Portugal que a sobem com uma alma imensa.

Hoje fui a Mondim de Basto, onde a Câmara Municipal inaugurou uma árvore do Vinho Verde !

Aqui fica a prova.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Na estrada: Toro !


Reunião de trabalho com os nossos congéneres da Denominação de Origem TORO em Castilla Y Leon.

Toro é uma denominação bem diferente da nossa. Sita a leste de Bragança, no vale do Douro espanhol, é uma região de clima continental produtora sobretudo de tintos à base da casta Tinta de Toro com 78% da produção. Fazem algum branco, com Malvasia e Verdejo mas sem expressão quantitativa. Têm cerca de 6.000 hectares de vinha ( Vinho Verde temos aprox 25.000 ) e cerca de 40 adegas engarrafadoras ( no VV temos 600 ).

Investem muito na promoção da sua região e não pudemos deixar de registar que em Toro as análises de certificação dos vinhos são suportadas pelo governo regional de Castilla ( cá são pagas pelo produtor ) e que o marketing é parcialmente suportado também pelo governo regional. Cá enviamos anualmente 1 milhão de euros em taxas para Lisboa e pouco vemos de volta... ( o leitor possivelmente não sabe mas no vinho são as regiões que suportam a administração central do Ministério )

A equipa gestora da região é dinâmica, pelo que vamos preparar projectos conjuntos. Sendo uma região continental e de tintos, é um parceiro interessante para acções de promoção conjuntas com os nossos Vinhos Verdes no mercado internacional. A ver...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Estatística: exportações

Exportações de vinhos portugueses até Junho deste ano. Um bom mapa elaborado pelo Instituto da Vinha e do Vinho com base em dados do INE,

Clique aqui para abrir o mapa.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Vinho Verde: vendas em Outubro

( clique na imagem para aumentar )

As vendas até Outubro comparadas com igual período dos anos anteriores.

No branco estamos um pouco acima do ano passado, cerca de meio milhão de litros. Como verá em textos próximos, é um resultado ancorado nas exportações que estão muito fortes e beneficiam já do facto de os nossos principais mercados estarem a sair da crise. Iremos fechar 2010 como o maior ano de sempre nas exportações de Vinho Verde.

As vendas de tinto são merecedoras de muita reflexão.

O rosado está a crescer. O Vinho Verde é já nº 2 nas vendas de rosé em Portugal. À nossa frente ( inalcançável ? ) o Mateus.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Vinho Verde: stocks em Outubro


Cá estão os stocks no fim de Outubro. Já incluem os resultados dos primeiros manifestos. No que diz respeito ao branco, o aumento de disponibilidades não é especialmente preocupante, mesmo que somado com o stock de mosto branco. As vendas estão sólidas e, como se verá nas próximas semanas, houve em 2010 um aumento de produção na lavoura mas não em várias empresas e adegas de referência, pelo que não estaremos de modo nenhum numa situação de sobre oferta.

Não assim quanto ao tinto, cujas vendas não estão de modo nenhum brilhantes. É urgente fazer chegar ao viticultura a mensagem do que está a ter mercado e o que não está.

É preocupante ver como algumas realidades claras do mercado tardam em chegar ao viticultor . Todos os actores da cadeia de valor têm de fazer chegar ao primeiro elo desta cadeia aquilo que o último, o cliente, nos diz. Continuamos a ver produtores orgulhosos de obterem maturações riquíssimas, quando o mercado hoje pede claramente vinho com menos álcool. Não faz sentido pagar a uva acima de um determinado valor. O produtor tem de se vocacional para maximizar a produtividade dentro de padrões de qualidade sem ter como prioridade apenas a criação de álcool.

Por outro lado, como perceber que se continue a plantar tanto tinto quando é manifesto que temos um excedente neste segmento ? Porque não concentrar o tinto apenas nas regiões com maior potencial para estes vinhos ? E é um excedente estrutural que não se resolve com campanhas nem com produção de aguardente. Os excedentes de tinto vão ser um problema sobretudo para o sector cooperativo. A ter em conta.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Vinho Verde em época de manifestos III

Ponto da situação na recepção dos manifestos até hoje.

ESTATÍSTICA
Até hoje entraram cerca de 24.000 DCP's. Ainda entrarão mais algumas até 31/12.

QUANTO VINHO TEMOS ?
Prognósticos de facto só no fim do jogo. Mas podemos apontar em geral para uma produção algo contida, superior à de 2009, mas o aumento pode não chegar aos 10%

ÁREAS, CADASTROS, BRANCO E TINTO
Continuam a aparecer problemas de áreas que estão a ser tratados. Leia p.f. o texto colocado abaixo, na data de 27 de Outubro.

No caso dos produtores com maiores áreas, há 61 que ainda não actualizaram os respectivos cadastros. Nos casos de Resende, o número de áreas actualizadas é ainda bastante baixo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A crise Australiana


Ninguém, deve viver bem com os mal dos outros, mas será que os factores da crise Australiana podem ser os nossos factores de sucesso ? nomeadamente a relação cambial Euro/UDS ?

Leia mais aqui. Até para quebramos aquela ideia de que a Austrália é um país maravilhoso que faz vinhos perfeitos e onde os produtores andam de Porsche Panamera de casa para o emprego.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Dão renova-se


Toma hoje posse a nova Direcção da CVR Dão, Presidida pelo conhecido economista e ex- Ministro da Agricultura, Arlindo Marques da Cunha. A Direcção inclui ainda Rui Ribeiro ( comércio - Caves Arcos do Rei ) e António Mendes ( produção - Mangualde ).

Arlindo Cunha, viticultor no Dão ( marca Ladeira da Santa ) e possuidor de um currículo excelente, encontra uma região com enorme potencial e onde muito pode ser feito para tornar o vinho do Dão num criador de riqueza exportadora e postos de trabalho.

A anterior Direcção dedicou muito tempo ( hesito em usar o termo "perdeu" ) à tentativa de criar uma entidade certificadora comum com a Bairrada e a Beira Interior, a qual infelizmente se frustrou. O DOC Dão representa cerca de 4,5% de quota de mercado Nielsen em Portugal, tendo porém sólidos mercados de exportação com potencial.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dados Nielsen: retalho em Novembro



Saiu o boletim Scantrends de Novembro, bem como o índice de confiança do consumidor. Ambos recheados de informação útil mas de alguma preocupação. O consumo doméstico parecia estar a sair de um período negativo mas claramente para lá voltará nos próximos meses.

No que diz respeito às bebidas, ainda dois apontamentos: em coerência com o sucedido nos períodos anteriores, aumentam as vendas das marcas dos distribuidores e diminuem as marcas dos produtores.

Por outro lado, no que diz respeito aos canais, confirma-se a ideia de que este período de crise vai ser duríssimo para o comércio tradicional. Tendo como prioridade abastecer-se a preços competitivos, com variedade de escolha, o cliente está a reforçar as compras na distribuição moderna, sobretudo nos supermercados, em detrimento do pequeno comércio. Não se retira deste boletim, mas claramente são as redes de supermercados de desconto que estão a ganhar quota.



Já não é a primeira vez que cito aqui dados NIELSEN, que certamente custaram muito a elaborar, pelo que se justifica uma referência à Nielsen Portugal, que vale a pena conhecer clicando aqui. Para obter a versão completa do boletim Scantrends e outras publicações, consulte a Nielsen.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Consuma com moderação !



Temos esta campanha na TVI e em vários canais de tv-cabo há algumas semanas já.

Como gente do vinho, sabemos que o alcoolismo e o consumo excessivos são nosso adversários. O vinho é um produto de cultura. Importa conhece-lo e valoriza-lo.

Esta campanha agrupou uma equipa cheia de energia: além da CVRVV, a Prevenção Rodoviária Portuguesa que agarrou o desafio desde o primeiro momento, a Opal e a equipa de criativos da Quioto que fez milagres em poucos dias !

A campanha não seria porém possível sem o apoio do Instituto da Vinha e do Vinho. Este instituto gere um fundo comunitário de apoio a campanhas vocacionadas para a informação do consumidor de vinhos, formando-o para um consumo responsável e necessariamente moderado. As campanhas anteriormente realizadas nesta linha eram vocacionadas para o sector dos vinhos, formando sobretudo os próprios agentes deste sector. Esta campanha colocava pois um novo desafio: falar directamente ao cliente. E pela primeira vez uma região demarcada Portuguesa veio a público recomendar moderação no consumo de vinhos.

Sim, por que o Vinho Verde festeja o que de melhor a vida nos dá. Pela positiva e por isso com moderação !

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vinho Verde em época de manifestos II


Entraram até ontem 6581 manifestos, representando cerca de 17.000 toneladas de uva, um aumento de 12% tendo em consideração os manifestos dos mesmos produtores no ano passado. É ainda cedo para antever o final da vindima pois só nos últimos dias entram as declarações dos principais produtores, adegas e vinificadores.

O processo de recepção das declarações de Colheita e Produção deste ano tem algumas características especiais, que aproveito para recordar.

BRANCOS E TINTOS - dado que o cadastro da vinha se encontra finalmente ligado com a DRAPN e o IVV, estamos a receber informação detalhada das parcelas com indicação da cor nas castas. Há pois 7000 produtores cuja cor já está a ser controlada. À medida que o cadastro for sendo actualizado, este controle será nos próximos anos estendido a todos os viticultores. Muitos produtores viram-se obrigados a fazer a actualização dos respectivos cadastros. É importante ser tolerante pois a DRAPN está a fazer um esforço mas dificilmente consegue receber todos os produtores de imediato.

CORRECÇÃO DE ÁREAS -a determinação das áreas cadastradas para cada produtor é feita pelo Ministério da Agricultura. A CVRVV recebe o cadastro do Ministério por via informática e aplica-o aos manifestos, nomeadamente para efeito de controle do rendimento/hectare. Ora, há casos em que o produtor não concorda com a área que lhe aparece no sistema informático da CVRVV. Deve então apresentar um pedido que dará origem a um esclarecimento. Dos pedidos recebidos, detectamos duas situações:
  • produtores cuja área que está registada no sistema da CVRVV coincide com a registada na DRAPN mas que o produtor entende estar errada - neste caso, o viticultor deve dirigir-se à DRAPN para a corrigir;
  • produtores cuja área que está registada no sistema da CVRVV não coincide com a registada na DRAPN - neste caso, trata-se de um problema informático de sincronismo com o Instituto da Vinha e do Vinho e a CVRVV apresenta um pedido de correcção naquele instituto.
RENDIMENTO/HECTARE - deram entrada na CVRVV já mais de 50 pedidos de aumento do rendimento por hectare. Nos termos do Estatuto da região, o rendimento por hectare é limitado a 10.600 quilogramas de uva, sendo que pode ascender aos 13.500 quilogramas mediante regras a estabelecer pelo Conselho Geral da CVRVV. O Conselho foi convocado para analisar este assunto no dia 16 de Setembro e a opinião maioritária dos presentes ( unânime na produção ) foi no sentido de que não faria sentido aumentar já este limite, o que deveria ser feito com a devida ponderação para 2011.

RESENDE - a DRAPN está a actualizar o cadastro de Resende. É um processo célere feito por um método novo, pelo que teremos resultados em poucas semanas.

PRAZO - tendo em consideração a natural demora no atendimento dos produtores para actualização de cadastro, estamos a prolongar até 31/12 o prazo para entrega das DCP's.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Receber é sempre bom

Os painéis solares instalados na sede da Comissão de Viticultura no Porto começaram a produzir energia. Hoje chegou a primeira nota de crédito: 214,00 euros.

Já é alguma coisa.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Boa viagem Alfredo

O Alfredo Hervias y Mendizabal era um jornalista grande dos vinhos e gastronomia. Iniciou-se no Independente, colaborou com a Revista de Vinhos e recentemente estava radicado no Brasil.

Já não me lembro quando o conheci. Não esqueço porém os jantares animados, a boa disposição, a ironia inteligente e sobretudo o bom coração que tinha. Para com os amigos, para com a família. Num mundo de quezílias menores, o Alfredo semeou amizades. Esta semana, o coração levou-o.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Vinho Verde: vendas em Setembro


( Clique na imagem para aumentar )

Já merecíamos boas notícias após um ano destes ! As vendas de branco estão ligeiramente acima do ano passado na mesma data. São 617.000 litros a mais que correspondem a um aumento de 1,7% em volume. Importa reter ( ver artigos anteriores ) que este crescimento é fortemente ancorado nas exportações, que apresentam valores admiráveis, contra um mercado nacional que não cresce.

Fracas estão as vendas de tinto e claramente estamos num momento em que é preciso repensar toda a estratégia do Verde tinto. Importa também que os viticultores estudem estes números antes de plantarem novas vinhas. Claramente não há mercado para tanto Vinho Verde tinto, salvo se dermos uma volta no produto ou na comunicação.

Finalmente o rosado cresce. O Vinho Verde rosé ganha mercado num segmento, os rosés, que já de si é limitado. Nos próximos dias vou publicar um artigo sobre este vinho pois consegui estatísticas interessantes de fora.


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Vinho Verde: stocks em Setembro

Este mapa corresponde ao último stock pré-vindima. O stock é confortável, embora longe dos excedentes que tivemos no início da década. Estamos bem no branco, juntificando-se a manutenção ( em alguns casos ligeira descida ) que tivemos no preço da uva. Claramente, com este stock e a produção de 2010, podemos apontar para um ano estável em 2011. Noto que vários vinificadores irão apresentar nesta vindima valores inferiores aos do ano passado, pelo que não é de esperar que o anunciado aumento de produção se estenda a todas as empresas e adegas.

Da nossa análise preocupante sim é o stock de tinto. Ao contrário do branco, as vendas de tinto são muito regionalizadas e sazonais. Dependente pois de um mercado nacional onde não há boas notícias, o stock de tinto não cresce. Há dias dizia-me um produtor que estamos a "apanhar" agora com as ilusões de quem achava que o tinto era muito bem pago e reconverteu para tinto no início da década. É possível. E porém irónico: os Verdes tintos estão melhores que nunca, sem perderem a personalidade de vinhos únicos, mas são bebíveis, até desafiantes. Veja aqui as notas da Jancis Robinson sobre o Afros Vinhão.

Por último, o stock de mosto branco ( que se deve adicionar ao do vinho ) não representa um excedente mas sim a tendência de várias empresas da região de passarem a usar este produto como matéria prima.

No texto de amanhã coloco as vendas.

domingo, 17 de outubro de 2010

Os Vinhos Verdes e 2011: reflexão

Fiquei sem palavras quando vi uva branca em regiões nossas vizinhas a ser paga a 15, e a 17 cêntimos o quilo. às vezes a menos. Por mil dificuldades que tenhamos, o valor pago nos Vinhos Verdes, acima do dobro deste, é um conforto que nos dá a competitividade da região.

2011 apresenta-se claramente como o ano mais difícil da nossa geração. Alguns apontamentos do que se vai vendo e analisando:

1. O mercado nacional vai desvalorizar-se. Primeiro motivo, a baixa de poder de compra. Segundo, a força das grandes superfícies a esmagar os fornecedores já sem margem de manobra. São estes que vão suportar o aumento do IVA e são estes que vão ser encostados à parede para fazer promoções e descontos. De cada vez que um produtor recusar, outro se perfilará para vender mais barato. Terceiro, há regiões que estão com stocks muito elevados e dos quais se vão libertar à custa do preço. Não sendo aqui demasiado concreto, porém há outras regiões cujos tempos áureos se esfumam em stocks elevados, em investimentos calculados para crescimentos infindos e que, à falta de melhor, vão vender barato. 2011 será o ano do vinho de 1 Euro ?

2. A exportação vai ajudar-nos. Saibamos apenas ter cabeça. O Vinho Verde está num momento absolutamente ímpar nas exportações. Estamos a crescer há uma década em vários mercados e não me surpreenderia se em 2011 ou em 2012 o mais tardar, as exportações atingissem 20% das nossas vendas. Tenhamos porém juízo quanto aos preços. O Vinho Verde tem de ser "valorizado" no mercado e não "escoado" para o mercado. É importante recordar o que se passou no mercado Inglês nos anos 80. Mas claramente é a exportação que vai puxar pelas vendas nos próximos anos.

3 A redução do crédito será um problema. Ao contrário da política demagógica que se apraz em criticar os bancos, ter um sector financeiro sólido é essencial para o mercado. O crédito, o crédito facilitado e barato é uma ferramenta essencial para o empresário que gera riqueza e cria postos de trabalho. Sem crédito, teremos colegas que têm bons vinhos, boas marcas, bons clientes mas que não conseguem funcionar, do mesmo modo que um automóvel desportivo de nada serve, mesmo com o depósito cheio, se não tiver bateria ou óleo. O "aperto" do crédito será um dos problemas do ano. A ver como se resolve. Não há solução milagrosa, não.

E porém, vamos entrar em 2011 com grandes vinhos. É unânime a opinião de que esta vindima foi de óptima qualidade. Vamos a eles pois !

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Vinho Verde em época de manifestos !


Se o caro leitor não está envolvido na produção e venda de vinho, certamente esta é uma época que nunca se cruzou consigo: a época dos manifestos ! Todos os anos, após a vindima, e enquanto o vinho se prepara, os viticultores e produtores de todo o país ( de toda a Europa realmente ) fazem uma declaração de rendimento na qual inscrevem as uvas e vinhos produzidos, bem como actualizam o stock de vinhos que transportam das vindimas anteriores.

Envolvendo cerca de 25.000 produtores, o manifesto dos Vinhos Verdes ( realmente designa-se por DCP - Declaração de Colheita e Produção ) é o maior do país, uma operação inteiramente informatizada em 50 postos de recepção espalhados pela região. Os produtores ainda não podem fazer a declaração a partir das suas casas, algo que nos próximos anos farão de forma gradual.

O manifesto deste ano terá algumas novidades que trarão dores de cabeça aos postos de atendimento e aos produtores mas que irão aumentar muito o rigor na certificação da rastreabilidade, a principal das quais é que será feito por via informática o controlo dos rendimentos/hectare das produções de uva branca e tinta separadamente.

Os produtores receberam em suas casas a habitual carta que lhes indica o potencial de produção. Para mais de 10.000 produtores, esta indica já separadamente o potencial de branco e tinto, conforme se encontra registado no Ministério da Agricultura. Ora, a validação dos rendimentos por hectare será feita tendo em conta precisamente estas áreas.

Esperamos em 2011 poder estender este controlo a todos os viticultores e iniciar o controlo, também informático das castas, as quais serão indicadas para cada produtor na carta anual.

Há também alguns produtores cuja DCP ficará pendente de actualização das suas áreas: trata-se de cerca de 150 produtores com mais de 5 hectares em produção mas cujos cadastros de vinha estavam desactualizados. Estes foram contactados individualmente.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Um pouco de Rioja no meio de nós !


Reunimos há algum tempo com os nossos colegas da Rioja e mais tarde da Ribeira del Duero para conhecermos o modo como estes acompanham a vindima para se assegurarem da rastreabilidade das uvas e mostos. São regiões diferentes da nossa, pelo que há métodos que podem resultar numa região mas não tão bem noutra.

Há cerca de semana e meia, estamos a aplicar na nossa região aquele que é o principal ( em alguns casos único ) meio de controle da rastreabilidade no terreno dos nossos congéneres espanhóis: equipas de controle a assistir à recepção de uvas em cada adega. Anualmente cada uma destas regiões contrata mais de uma centena de "vedores" que assentam arraiais em cada uma das adegas e ali ficam ao longo de toda a vindima registando as entradas, controlando a sua origem e a qualidade das uvas.

Os produtores mais pequenos não se dão conta, mas em todas as grandes adegas da região está por estes dias uma equipa da CVRVV acompanhando a recepção das uvas.

Mais do que em 2009, neste ano o Vinho Verde é destacadamente a região que melhor paga as uvas brancas em Portugal. A duas horas de viagem da nossa região é perfeitamente comum pagarem-se uvas a 20 cêntimos o quilo ou menos. Bem menos.

É por isso essencial que este vinhos seja de facto único no mundo assegurando que é elaborado a partir das melhores uvas produzidas no Minho.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

O cadastro vitícola dos Vinhos Verdes

O cadastro vitícola é uma ferramenta essencial para a certificação de origem de um vinho em qualquer região demarcada. No cadastro encontra-se a informação de base da estrutura produtiva: que área de vinha está plantada, onde se localiza, quais os proprietários e exploradores de cada vinha e informação muito detalhada como seja a identificação das castas de vinha que se encontram em produção em cada parcela.

É um instrumento essencial mas também complexo. Sabendo-se que nos Vinhos Verdes há mais de 25.000 produtores e mais de 250.000 parcelas de vinha, já se calcula a extensão da informação.

Após uma longa história sem sempre alegre (1), temos este ano uma óptima notícia para a região: o cadastro da CVRVV que servirá por base à validação das declarações de produção ( DCP ) desta vindima já se encontra inteiramente sincronizado com o do Ministério da Agricultura gerido pelo Instituto da Vinha e do Vinho. Quer isto dizer que o produtor se pode dirigir a qualquer momento aos serviços do Ministério para actualizar as suas fichas e os dados actualizados serão utilizados pela CVRVV a partir da manhã do dia seguinte.

Temos agora pela frente o desafio de actualizar em permanência o cadastro, certos de que os produtores deixam de ter de andar com papeis às costas. O cadastro utilizado para a certificação é baseado em 100% em dados do Ministério da Agricultura, aqui e ali complementados com dados da CVRVV. Cerca de metade dos produtores inscritos e respectivas áreas têm fichas muito actualizadas, feitas com base nas operações dos últimos cinco anos e confirmadas por fotografia aérea. Há porém um número ainda significativo de parcelas que estão registadas com base nas antigas fichas do Ministério que são documentos credíveis, mas cuja qualidade e rigor pode agora ser melhorada.

Gizamos pois, com os serviços regionais do Ministério ( DRAPN ) e o IVV um plano para a próxima actualização do cadastro. Até Novembro, serão actualizados os poucos produtores que faltavam com mais de 5 hectares - são cerca de 160, - e será dada uma atenção especial a alguns concelhos como Cinfães e Resende onde há muito trabalho de actualização por fazer. Após a vindima, teremos um ano para trabalhar, com o objectivo para 2011 de que todos os produtores com mais de 1 hectare tenham o cadastro actualizado.

Entretanto já este ano as cartas que habitualmente lhes indicam a área em produção cadastrada incluem também, para a grande maioria, a percentagem de uvas tintas e brancas. Confio que para o próximo ano possamos começar a tratar cada casta separadamente. É que, com este cadastro em funcionamento, gradualmente teremos o controle informatizado não só das cores mas também das castas em produção.

Falta muito para que o cadastro esteja a 100% e é certo que é um instrumento vivo, que evolui a cada dia, mas finalmente a luz já é forte ao fundo do túnel e o que nos falta é apenas tenacidade e algum tempo.

As próximas semanas vão ser de alguma pressão nos serviços da DRAPN, pois centenas de produtores irão pedir a actualização dos respectivos cadastros. Convém mesmo não deixar para a última hora !

(1) guardo para mim vários dos episódios que nos levaram a este feliz desfecho. Dezenas de reuniões, deslocações, cartas e mails. Episódios de desprezo pelos produtores, de desperdício de fundos públicos, de falta de solidariedade entre a administração central e a desconcentrada. Mas também de vivo empenho, não só da CVRVV mas também das equipas da DRAPN e do IVV para se se encontrassem soluções razoáveis. Guardo para mim, mas registei.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Vinho Verde, as vendas em Agosto

Clique na imagem para aumentar.

O mapa de vendas em Agosto não trás grandes novidades. No branco estamos praticamente nos valores de 2009, suportados pela exportação, que cresce bem, mas com o mercado nacional em ligeira regressão.

O tinto é um problema. Há dias dizia-me um produtor que "estamos a apanhar com a euforia de plantar tinto nos últimos anos", o que tem algo de verdade. Ao plantar, os viticultores estão a tomar uma decisão de longo prazo. É importante que o façam analisando os dados de mercado e perspectivando quais as uvas que o mercado procurará no futuro.

domingo, 12 de setembro de 2010

Vinho Verde: uma vindima com novas caras



À porta de uma nova vindima, é uma excelente notícia a chegada de dois enólogos de referência à nossa região: Carlos Lucas e João Portugal Ramos. Uma região faz-se de vinhas, de solos, de clima e de tecnologia. Mas sobretudo de gente. Temos excelentes técnicos na vinha, no vinho, na gestão e no marketing, mas a chegada de gente de fora - sobretudo os melhores - é muitíssimo boa. Por um lado testemunha a revolução silenciosa que o Vinho Verde está a viver e por outro lado trarão novas ideias, melhor conhecimento e mais competitividade. Nós seremos melhores por causa deles: são bem-vindos !

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

EVAG vista do céu



A Estação Vitivinícola «Amândio Galhano» é um centro de Experimentação e Investigação Vitivinícola criado pela C.V.R.V.V. em 1984.

Localizada em Arcos de Valdevez, em pleno coração do vale do Lima, ocupa uma propriedade também conhecida como Quinta de Campos de Lima na margem direita do Rio Lima, com uma área de 66 hectares. Criada com o objectivo de desenvolver a Vitivinicultura da Região, a Estação Vitivinícola é uma unidade experimental que através dos seus trabalhos pretende dar resposta aos problemas dos viticultores.

Para além do correspondente apoio aos estudos vitícolas, a Adega Experimental vem desenvolvendo estudos enológicos designadamente: estudo de leveduras, e estudo da influência da tecnologia na estabilidade da côr dos vinhos tintos.

Paralelamente à componente experimental, a EVAG desenvolve também a sua actividade no domínio da multiplicação vegetativa da videira com especial realce para a produção de videiras já enxertadas, segundo as técnicas mais modernas de produção do enxerto-pronto.

Fotos aéreas gentilmente cedidas pelo produtor Alfredo Borges de Macedo. Clique nas fotos para aumentar.

Vinhos, internet e envios


Muitas pessoas acha que os EUA são um país. Não são. É um vasto leque de tribos desavindas, unidos talvez pela memória da Marylin e as compras baratas na walmart. Em São Francisco, no interior do Arizona, ou em Manhattan vivem povos e culturas bem distintas.

Consequência disto é que os produtores norte americanos, sobretudo os mais pequenos não conseguem enviar pequenas encomendas de vinho directamente para os clientes dentro do país. Cada Estado reclama para si não só vastos poderes fiscais, mas também a regulamentação do trânsito e venda de bebidas alcoólicas. Os sites de venda online de vinho nos EUA incluem todos uma lista dos Estados para onde podem ou não despachar e os preços variam de Estado para Estado e função da carga fiscal. O problema está a ser discutido na Câmara dos representantes ( V. Wine Spectator- Junho pág 13 ) sem grande esperança de solução. Se já se questionou porque é que a Amazon, que já vende produtos gourmet não vende vinhos dentro dos EUA, aqui tem uma boa resposta.

Também no nosso país a venda de vinhos pela internet tem muito pouca expressão. Em primeiro lugar, há um problema prático da relação peso/custo no transporte. É mais fácil e mais económico despachar livros e roupa do que vinho. A embalagem é invariavelmente pesada e frágil. Mesmo não tendo números nielsen ou similares, fiz algumas consultas e concluo que as garrafeiras e os produtores vendem muito pouco por este canal. Mais interessante é a venda por internet feita pelas grandes superfícies como o Continente ou o El Corte Inglés. Neste caso, o cliente faz via internet uma série de compras e limita-se a adicionar mais uma ou duas garrafas sem especial incómodo ou custo. Aqui sim, vende-se algum vinho.

A venda entre países europeus tem exactamente os mesmos obstáculos que os nossos congéneres norte americanos. Apesar de estar em vigor a "livre circulação de pessoas, bens e serviços", não é fácil ter uma loja internet a enviar uma caixa para aqui e duas para ali. Neste caso, o problema do custo de transporte acresce ao da regulamentação fiscal e aduaneira. Se está a pensar criar uma garrafeira internet para vender vinhos portugueses para toda a europa, esqueça.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Vinhos e Facebook


Neste tempo em que ouvimos um pouco de tudo, um responsável de produção disse-me há tempos que era uma pessoas demasiado ocupada e não tinha tempo para ir à internet. É um direito dele. Não sei como é que ele se actualiza sobre os últimos artigos dedicados à tecnologia da produção de uva e vinho, mas é um direito dele. Não sei como é que ele comunica com quem está distante mas calculo que seja exclusivamente pelo maravilhoso invento do senhor Graham Bell e Meucci patenteado em 1870.

O tempo em que a internet revolucionou as nossas vidas porém já passou. A cada dia aparecem novos instrumentos, novas formas de comunicar. Já ninguém tem paciência para websites lindos com imagens lindas que demoram uma eternidade a carregar.

Poucos de nós nos damos conta de como o Facebook entrou sorrateira mas profundamente nas nossas vidas. Reencontrar velhos amigos, fazer novos, contactar directamente pessoas que achávamos inacessíveis passou a ser normal.

Para o negócio, o FB tem algo de único: é o instrumento ideal para o produtor de vinhos contactar directamente os seus clientes no outro lado do mundo. Directamente, pessoa a pessoa, o apreciador de um vinho pode, pelo FB saber das últimas novidades da adega e falar directamente com o enólogo. Nenhum outro meio tem hoje esta capacidade de comunicação e fidelização.

No dia em que escrevo este texto, estão activas no FB 517 milhões de pessoas, e o número cresce diariamente. Desengane-se se pensa que é um programa de teenagers ou de americanos. Veja em detalhe a posição de Portugal. No nosso país, o FB tem 2,6M de leitores e veja no gráfico em baixo como este número cresceu só este ano. Significa não só que 1/4 da nossa população está no facebook (!) mas também que 60% dos utilizadores de internet lá estão.


Utilizadores do Facebook em Portugal

Não é também um instrumento de teenagers, diferenciando-se aqui muito do Hi5 e do my Space. Veja no gráfico em baixo que é entre os 18 e os 44 anos que o FB tem mais presença.


Utilizadores do Facebook em Portugal - faixas etárias

Em mercados tecnológicamente avançados, como o Norte Americano, o número de utilizadores com dispositivos móveis iguala ou começa a ultrapassar os computadores tradicionais.

Um ponto para reflexão. Suponha que o caro leitor, produtor de vinhos decide não estar no Facebook. Muito bem. Na semana seguinte um Alemão, que gosta do seu vinho cria um grupo no FB dedicado à sua marca onde dezenas de pessoas de várias origens começam a dar opinião sobre os seus vinhos. Vc faz o que ? e se algumas forem negativas, Vc faz o que ? Já reparou que a sua decisão de estar fora do FB não valeu nada ?

Não sabemos como irá evoluir o FB nem esta aplicação é um milagre. Nem durará para sempre, claro. Mas é o que hoje se nos apresenta. O presente é este, não é outro.

Esta é pois uma nova realidade. Nem o Huxley sonhava com o admirável mundo novo em que vivemos.

Para conhecer as estatísticas de utilização do FB, clique aqui.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A Ecovia do Vinho Verde tinto !

O primeiro comboio em Amarante, 1909

Começa em Amarante uma das Ecovias mais bonitas da região, mesmo no centro, na antiga estação de caminho de ferro. A Ecovia do Tâmega seguirá a antiga linha de caminho de ferro desde esta cidade até ao Arco de Baúlhe. Serão 49 kms quando estiver pronta. Para já estão feitos mais de 10 e vale bem a pena ir conhecendo.

Antes de partir compre água: a que beber é a que vai levar !

Comece na estação, está degradada mas justifica algumas fotos. Para a esquerda, a linha até à Livração; à direita a Ecovia. Faça-se ao caminho.

Os primeiros metros são de terra e precisa de contornar obstáculos ao estacionamento dos carros. Atravessada a Nacional 15 por túnel, começa então a parte mais interessante. Asfaltada, a pista faz-se com todo o conforto de bicicleta. Pode até ir a pé a empurrar um carrinho de bebé que ele não acorda !

Túnel de Gatão, 150 mts, aprox. 1926

A velha linha tem um traçado muito bonito, ligeiramente sinuoso, gradualmente mais longe do centro urbano, embrenha-se em pequenas vinhas e bosques. Vai a a subir pouco a pouco desde Amarante até Gatão. Um bom local para parar. A velha estação é linda e merece uma recuperação ( podia ser a casa dos vinhos de Gatão ! ).

Não esquecer a velha torneira para abastecer de água as locomotivas a vapor. A linha foi usada por locomotivas a vapor até 1949. Após a abertura para Arco de Baúlhe, foram introduzidas locomotivas Diesel que permaneceriam até ao encerramento.


Mais adiante, a Junta de Freguesia de Gatão, ao lado de um tasquinho que serve um bom bacalhau e tinto. É o único local que vende bebidas no percurso e não é sofisticado por aí além....

Os primeiros comboios passaram por aqui em 1926 mas só iam até à Chapa. A partir de 1949 ficou aberta toda a linha até ao Arco de Baúlhe. Isto até 1 de Janeiro de 1990, ano e que a linha encerrou alegadamente por falta de passageiros.


Amarante é o local ideal para este percurso, Tem bons hotéis e excelente gastronomia, um centro histórico muito agradável. A Ecopista não é demasiado exigente, pode ser feita por qualquer ciclista amador e de todas as idades.

Fim do percurso actual após a "Chapa". Ainda falta para Arco de Baúlhe !


Nota: para conhecer outros percursos, clique em "Ecovias no Vinho Verde" à direita em baixo; para conhecer mais sobre a linha do Tâmega, clique aqui.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Retalho alimentar: a luz ao fim da crise ?


Os dados de Agosto do boletim Scantrends da Nielsen parecem finalmente consolidar boas notícias. Pelo terceiro período consecutivo, os bens de grande consumo crescem em facturação face ao período homólogo.

Crescem as marcas da distribuição e as marcas de primeiro preço ( 7,4% ) mas decrescem as marcas dos fabricantes ( - 1,8% ).

No caso das bebidas alcoólicas, as marcas da distribuição crescem de 10,8% para 11,4%. Neste segmento, as marcas da distribuição estão ainda longe da força que têm por exemplo nos congelados com 47,3%. Estão porém a crescer em todos os períodos. 2010 é nas bebidas, como em todos os produtos, o ano das marcas da distribuição e não o ano das marcas do produtor. Menos escolha pois para o cliente.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vindima: meteorologia


Pedi a vários colegas que me sugerissem páginas que usam para acompanhar a previsão meteorológica em véspera de vindima. Aqui ficam algumas sugestões:

http://www.windguru.cz/pt/

Site de surfistas, muito rigoroso, mas há que dar tolerância pois a previsão é para a costa.


http://www.meteo.pt/pt/

Do instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica


http://weather.yahoo.com/portugal/porto/porto-746203/;_ylt=An7lxs77AVQYo28AADd0QfiLYDIB?unit=c

Do yahoo, com extensão para 15 dias. O link é para o tempo no Porto: escolha uma cidade próxima de si.


http://tempo.sapo.pt/index.php

Fácil de utilizar e permite a pesquisa Concelho a concelho.


http://br.weather.com

http://www.tempoagora.com.br

Dois sites brasileiros de meteorologia


http://www.accuweather.com/pt/pt/porto/porto/quick-look.aspx

Clique em "próxima semana" para ter a previsão até quinze dias.