quarta-feira, 31 de março de 2010

50 anos de cooperativas


A propósito de um trabalho que me foi pedido, estive a ler o plano de fomento cooperativo e vários documentos que foram escritos há cinquenta anos. O aparecimento das cooperativas, fomentado pelo Estado Novo, fez uma enorme revolução na região, que hoje já não é recordada. Antes destas, uma miríade de produtores viviam entre anos de escassez e anos de fartura em que o vinho não valia nada. Os canais de comercialização estavam-lhes vedados. É curioso ler as lutas tremendas que se viveram para determinar se as cooperativas ficavam aqui ou ali, se eram x ou y. Aquilo que à época foram certamente debates acesos, hoje apenas podemos imaginar.

Veio isto a propósito de uma mensagem que recebi hoje pela net ( tudo se sabe ...) acerca da situação extremamente crítica de uma cooperativa com base no debate interno que esta realizou recentemente.

50 anos após a sua criação, não hesito em afirmar que o modelo cooperativo tem tudo para ser um modelo de sucesso. E há bons exemplos disso na região e no país. A Dinamarca é um exemplo europeu de cooperativismo agrícola liderante. E porém, tal como há 50 anos, precisamos de uma revolução. No caminho da profissionalização, do rigor, da competitividade empresarial.

E o mais difícil de tudo: os sócios das adegas precisam de perceber que (a) a adega é a empresa deles, não é um comprador externo - e retirar consequências disto e (b) que a pessoa mais importante no nosso negócio é o cliente, não somos nós.

Estes são os pontos mais difíceis. Bem sei que é mais fácil escrever do que fazer ...

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