quarta-feira, 17 de março de 2010

Vinho: sistema informático do IVV

Ontem, a corrida semanal para Lisboa. Reunião no Instituto da Vinha e do Vinho com todas as regiões demarcadas para análise e formação sobre o SIVV, o programa informático que congrega informação sobre o património vitícola do país, as produções, trânsitos e muito mais.

Importa começar por dizer que o SIVV se tornou numa ferramenta admirável. A quantidade e qualidade de informação que congrega e a forma intuitiva com que se relaciona com o utilizador são dignas de registo.

Hoje o país dispõe de uma base estatística excelente. Sabe-se quanta vinha há, onde está plantada e qual a sua produção histórica e potencial. Sabemos com rigor quem são as empresas que operam no sector dos vinhos. Sabe-se também muito sobre o vinho: onde está, para onde circula. Nenhuma outra área do agro alimentar tem um manancial de informação mínimamente comprável.

Há certamente pontos a melhorar. Curiosamente todos eles têm a ver com a filosofia de concepção e não são necessáriamente problemas técnicos:

  • o sistema precisa de "comunicar" melhor com as regiões. Na maior parte do país há um cadastro da vinha regional e um outro neste sistema central. Não faz sentido;
  • o sistema precisa de ser menos "ingénuo". Dado que se trata de um sistema informático do Estado, o programa não pode assistir impávido e sereno a que nele se pratiquem óbvios disparates legais. Por exemplo um produtor que declara a produção de 1 tonelada de uvas e, a partir destas, 2 mil litros de vinho. O programa permite isto... e muito mais. Há que desenvolver mecanismos de validação internos muito detalhados e quando ocorre uma situação destas, das duas uma: ou o programa não permite ou então permite mas emite de imediato uma mensagem ás entidades de fiscalização para que tomem o caso em mãos.
Tal como o ciclista na volta a Portugal a subir a Senhora da Graça, também este SIVV tem de pedalar muito, e rápido. Por si e pelo próprio IVV: poucos colegas se dão conta de quanto o IVV e o SIV dependem um do outro.

Desde o momento em que foi lançado, pairam sobre o SIV duas "sombras". É certo que o IFAP será o depositário do cadastro. Já o é de algum modo e será cada vez mais no futuro. Assim como não faz sentido existir um cadastro regional e um nacional, também não faz sentido que o IFAP tenha um cadastro agrícola nacional com um sistema informático e fotografia aérea de todo o continente e o IVV tenha um sistema paralelo só para a vinha.

A segunda é o Imposto sobre o álcool. Ao contrário da cerveja e das bebidas espirituosas, o vinho tem uma taxa zero neste importo. Taxa que não irá durar, adivinho eu. E no dia em que isso suceder, será o sistema informático das alfândegas que vai ditar as leis e não o do IVV. E não esquecer que estas têm um novo sistema a entrar em vigor no dia 1 de Abril A menos que a eficácia deste seja exemplar.


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