
Tenho vindo a alertar os colegas do sector do vinho para o elevadíssimo risco em que estamos, de ser aumentada a fiscalidade sobre o vinho. Se clicar à direita em "Fiscalidade" pode ler outro artigo, de Novembro de 2009 sobre o mesmo assunto.
O vinho paga em Portugal dois impostos: o IVA em 12% e a dita Taxa de Promoção ( que é efectivamente um imposto ) no valor de 0,0134€ ( 2$70 ) por litro. Esta taxa é paga ao Instituto da Vinha e do Vinho que faz reverter 30% deste valor de volta ao sector sob a forma de apoios ao investimento em vinhas e promoção. Os vinhos certificados pagam ainda o custo desta certificação que difere de região para região.
Justo é reconhecer que o sector não é maltratado neste campo. Em Portugal, o Imposto Especial de Consumo ( vulgo imposto sobre o álcool ) incide sobre outras bebidas, nomeadamente os destilados, o Porto e a cerveja mas não o vinho. E a nível europeu temos uma das taxas de IVA mais baixas, combinadas com a taxa zero de imposto sobre o álcool. A Espanha tem 0 de IEC mas 16% de IVA, a Itália também 0 de IEC e 20% de IVA e a França tem IEC e IVA.
Ora, como escrevi em 11/2009, aplicar uma taxa de imposto ao vinho é politicamente fácil. Perguntará alguém em público "mas então será que custa muito às empresas de vinhos suportar 5 cêntimos em litro, que diabo, o desemprego e a fome alastram e os vinhos não suportam 5 cêntimos em litro ?!" E a opinião publica concordará, claro que concordará. Ora, tendo em conta os dados do IVV de que o país consome anualmente quase 500M litros ( que me parecem excessivos, mas não questiono neste momento ), temos uma nova receita fiscal de 25M€. Na prática não será tanto pois haverá custos de cobrança pesados e fugas e constatarão que não consumimos realmente tanto vinho mas mesmo assim é uma receita com significado.
Vem isto a propósito de duas notícias publicadas hoje. Por um lado que o Governo Grego aumentou os impostos sobre o álcool. E mesmo há pouco, o seguinte texto que retiro do Jornal de Negócios: "O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), José António Barros, defendeu hoje um aumento do IVA e dos impostos sobre os produtos petrolíferos (ISP), o tabaco e o álcool e considerou que as portagens nas SCUT "não são oportunas, mas necessárias"."
Claramente vamos ter uma difícil batalha pela frente. Fazendo trabalho de casa, alguns argumentos a favor do sector económico do vinho Português:
Para ler as declarações em que o Presidente da AEP defende o aumento de impostos sobre o nosso sector, clique aqui.
O vinho paga em Portugal dois impostos: o IVA em 12% e a dita Taxa de Promoção ( que é efectivamente um imposto ) no valor de 0,0134€ ( 2$70 ) por litro. Esta taxa é paga ao Instituto da Vinha e do Vinho que faz reverter 30% deste valor de volta ao sector sob a forma de apoios ao investimento em vinhas e promoção. Os vinhos certificados pagam ainda o custo desta certificação que difere de região para região.
Justo é reconhecer que o sector não é maltratado neste campo. Em Portugal, o Imposto Especial de Consumo ( vulgo imposto sobre o álcool ) incide sobre outras bebidas, nomeadamente os destilados, o Porto e a cerveja mas não o vinho. E a nível europeu temos uma das taxas de IVA mais baixas, combinadas com a taxa zero de imposto sobre o álcool. A Espanha tem 0 de IEC mas 16% de IVA, a Itália também 0 de IEC e 20% de IVA e a França tem IEC e IVA.
Ora, como escrevi em 11/2009, aplicar uma taxa de imposto ao vinho é politicamente fácil. Perguntará alguém em público "mas então será que custa muito às empresas de vinhos suportar 5 cêntimos em litro, que diabo, o desemprego e a fome alastram e os vinhos não suportam 5 cêntimos em litro ?!" E a opinião publica concordará, claro que concordará. Ora, tendo em conta os dados do IVV de que o país consome anualmente quase 500M litros ( que me parecem excessivos, mas não questiono neste momento ), temos uma nova receita fiscal de 25M€. Na prática não será tanto pois haverá custos de cobrança pesados e fugas e constatarão que não consumimos realmente tanto vinho mas mesmo assim é uma receita com significado.
Vem isto a propósito de duas notícias publicadas hoje. Por um lado que o Governo Grego aumentou os impostos sobre o álcool. E mesmo há pouco, o seguinte texto que retiro do Jornal de Negócios: "O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), José António Barros, defendeu hoje um aumento do IVA e dos impostos sobre os produtos petrolíferos (ISP), o tabaco e o álcool e considerou que as portagens nas SCUT "não são oportunas, mas necessárias"."
Claramente vamos ter uma difícil batalha pela frente. Fazendo trabalho de casa, alguns argumentos a favor do sector económico do vinho Português:
- é dos raros sectores exportadores com uma elevadíssima taxa de incorporação nacional: a uva, a rolha, as garrafas, o cartão, os equipamentos industriais;
- é um dos raríssimos sectores a criar emprego, riqueza e a povoar o interior do país, desertificado por políticas de fomento erradas que concentram a população no eixo Braga-Setúbal;
- o vinho é um dos raríssimos sectores que em Portugal suporta o Estado, através da Taxa de Promoção que suporta o orçamento do Instituto da Vinha e do Vinho - as regiões financiam Lisboa;
- o vinho financiou a criação de uma rede nacional de delegações deste instituto, de que o Ministério das Finanças se apropriou e que se prepara para vender ( algumas para dar em troca de o aeroporto não ter sido na Ota, enfim... );
- o mesmo se tendo passado com o laboratório do IVV, um laboratório de ponta, financiado pelo sector e que foi transferido para a ASAE sem qualquer contrapartida, tendo aliás estado em mãos da ASAE durante largos meses em que era financiado ainda pelo nosso sector. Nada disto foi contabilizado.
Para ler as declarações em que o Presidente da AEP defende o aumento de impostos sobre o nosso sector, clique aqui.
2 comentários:
Não podia ser mais oportuno.
O orçamento de estado publicado a 28 de Abril, no seu artigo 130º, concede autorização legislativa ao Governo para aprovar o novo Código dos Impostos Especiais de Consumo.
A autorização legislativa é de 180 dias, mas o novo diploma já existirá em projecto.
Como é a taxa IVA para 2011?
Enviar um comentário