quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Vinhos e Facebook


Neste tempo em que ouvimos um pouco de tudo, um responsável de produção disse-me há tempos que era uma pessoas demasiado ocupada e não tinha tempo para ir à internet. É um direito dele. Não sei como é que ele se actualiza sobre os últimos artigos dedicados à tecnologia da produção de uva e vinho, mas é um direito dele. Não sei como é que ele comunica com quem está distante mas calculo que seja exclusivamente pelo maravilhoso invento do senhor Graham Bell e Meucci patenteado em 1870.

O tempo em que a internet revolucionou as nossas vidas porém já passou. A cada dia aparecem novos instrumentos, novas formas de comunicar. Já ninguém tem paciência para websites lindos com imagens lindas que demoram uma eternidade a carregar.

Poucos de nós nos damos conta de como o Facebook entrou sorrateira mas profundamente nas nossas vidas. Reencontrar velhos amigos, fazer novos, contactar directamente pessoas que achávamos inacessíveis passou a ser normal.

Para o negócio, o FB tem algo de único: é o instrumento ideal para o produtor de vinhos contactar directamente os seus clientes no outro lado do mundo. Directamente, pessoa a pessoa, o apreciador de um vinho pode, pelo FB saber das últimas novidades da adega e falar directamente com o enólogo. Nenhum outro meio tem hoje esta capacidade de comunicação e fidelização.

No dia em que escrevo este texto, estão activas no FB 517 milhões de pessoas, e o número cresce diariamente. Desengane-se se pensa que é um programa de teenagers ou de americanos. Veja em detalhe a posição de Portugal. No nosso país, o FB tem 2,6M de leitores e veja no gráfico em baixo como este número cresceu só este ano. Significa não só que 1/4 da nossa população está no facebook (!) mas também que 60% dos utilizadores de internet lá estão.


Utilizadores do Facebook em Portugal

Não é também um instrumento de teenagers, diferenciando-se aqui muito do Hi5 e do my Space. Veja no gráfico em baixo que é entre os 18 e os 44 anos que o FB tem mais presença.


Utilizadores do Facebook em Portugal - faixas etárias

Em mercados tecnológicamente avançados, como o Norte Americano, o número de utilizadores com dispositivos móveis iguala ou começa a ultrapassar os computadores tradicionais.

Um ponto para reflexão. Suponha que o caro leitor, produtor de vinhos decide não estar no Facebook. Muito bem. Na semana seguinte um Alemão, que gosta do seu vinho cria um grupo no FB dedicado à sua marca onde dezenas de pessoas de várias origens começam a dar opinião sobre os seus vinhos. Vc faz o que ? e se algumas forem negativas, Vc faz o que ? Já reparou que a sua decisão de estar fora do FB não valeu nada ?

Não sabemos como irá evoluir o FB nem esta aplicação é um milagre. Nem durará para sempre, claro. Mas é o que hoje se nos apresenta. O presente é este, não é outro.

Esta é pois uma nova realidade. Nem o Huxley sonhava com o admirável mundo novo em que vivemos.

Para conhecer as estatísticas de utilização do FB, clique aqui.

3 comentários:

Anónimo disse...

Meu caro, apercio o seu blogue. Digo-lhe até que passo por aqui com alguma regularidade.Não só porque o tema me interessa, mas também porque tenho em consideração muitas das suas aperciações, no entanto, permita-me expressar o meu desacordo com este artigo.Existem muitas outras formas de estarmos a par dos assuntos que nos rodeiam. Confesso que me faz especie pessoas que vivem agarradas a estas redes siciais. Deixo-lhe uma pergunta: não será mais fácil comunicar, isto é, ter tempo para falar com quem realmente nos interessa sem que para isso percisemos de nos expor através de uma rede social? não estará a nossa sociedade a ficar viciada em falar através das teclas? não será isto pernuncio de solidão abafada? Assustou-me a estatistica que apresentou.
Já me questionei porque não faço parte desse grupo. Sempre que penso porque não o faço, chego à conclusão que faço bem. Aqui fica um pensamento.

Manuel Pinheiro disse...

Bom dia caro anónimo e obrigado pelo comentário. A minha leitura é esta: uma coisa é a vida pessoal e outra a vida profissional. No que diz respeito ao comércio de vinhos, não tenho dúvida nenhuma que as redes sociais são um instrumento importante. E mais barato do que a publicidade tradicional. E em Portugal há quem faça este trabalho muito bem feito. Mas por exemplo é pena que não exista na net uma boa rede de viticólogos a partilhar experiências.

Já quanto à vida de cada um, concordo com a sua análise. Há até muitos textos recentes sobre a facilidade ingénua com que as pessoas colocam dados e fotos pessoais nas redes sociais.

Num caso como noutro, o que a mim me surpreende é a velocidade com que o nosso mundo está a mudar e objectivo do artigo foi precisamente alertar para esta mudança.

Anónimo disse...

Caro Manuel Pinheiro, tal como este outro anónimo disse, também eu sou um regular leitor do seu blogue... e também tenho alguma dificuldade em aceitar a "dependência" das redes sociais. Mas o que me intrigou foi a sua utilização da palavra "viticólogo".
O que é um viticólogo?
A pesquisa que fiz no dicionário Priberam on-line não deu nenhum resultado. Será uma nova palavra adoptada com o novo acordo ortográfico?