sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Vinhos, internet e envios


Muitas pessoas acha que os EUA são um país. Não são. É um vasto leque de tribos desavindas, unidos talvez pela memória da Marylin e as compras baratas na walmart. Em São Francisco, no interior do Arizona, ou em Manhattan vivem povos e culturas bem distintas.

Consequência disto é que os produtores norte americanos, sobretudo os mais pequenos não conseguem enviar pequenas encomendas de vinho directamente para os clientes dentro do país. Cada Estado reclama para si não só vastos poderes fiscais, mas também a regulamentação do trânsito e venda de bebidas alcoólicas. Os sites de venda online de vinho nos EUA incluem todos uma lista dos Estados para onde podem ou não despachar e os preços variam de Estado para Estado e função da carga fiscal. O problema está a ser discutido na Câmara dos representantes ( V. Wine Spectator- Junho pág 13 ) sem grande esperança de solução. Se já se questionou porque é que a Amazon, que já vende produtos gourmet não vende vinhos dentro dos EUA, aqui tem uma boa resposta.

Também no nosso país a venda de vinhos pela internet tem muito pouca expressão. Em primeiro lugar, há um problema prático da relação peso/custo no transporte. É mais fácil e mais económico despachar livros e roupa do que vinho. A embalagem é invariavelmente pesada e frágil. Mesmo não tendo números nielsen ou similares, fiz algumas consultas e concluo que as garrafeiras e os produtores vendem muito pouco por este canal. Mais interessante é a venda por internet feita pelas grandes superfícies como o Continente ou o El Corte Inglés. Neste caso, o cliente faz via internet uma série de compras e limita-se a adicionar mais uma ou duas garrafas sem especial incómodo ou custo. Aqui sim, vende-se algum vinho.

A venda entre países europeus tem exactamente os mesmos obstáculos que os nossos congéneres norte americanos. Apesar de estar em vigor a "livre circulação de pessoas, bens e serviços", não é fácil ter uma loja internet a enviar uma caixa para aqui e duas para ali. Neste caso, o problema do custo de transporte acresce ao da regulamentação fiscal e aduaneira. Se está a pensar criar uma garrafeira internet para vender vinhos portugueses para toda a europa, esqueça.

2 comentários:

Anónimo disse...

Sabe-me dizer onde posso consultar essa regulamentação fiscal?

Manuel Pinheiro disse...

Boa tarde, "anónimo". O envio de pacotes com vinho para a UE pode ser uma dor de cabeça. Duas sugestões:
a) consulte o código do IEC aqui ou informe-se na sua alfândega;
b) encontre uma empresa de transportes que lhe trate dos documentos. Certamente eles têm mais prática e já prestam esse serviço a outros colegas.