terça-feira, 5 de outubro de 2010

O cadastro vitícola dos Vinhos Verdes

O cadastro vitícola é uma ferramenta essencial para a certificação de origem de um vinho em qualquer região demarcada. No cadastro encontra-se a informação de base da estrutura produtiva: que área de vinha está plantada, onde se localiza, quais os proprietários e exploradores de cada vinha e informação muito detalhada como seja a identificação das castas de vinha que se encontram em produção em cada parcela.

É um instrumento essencial mas também complexo. Sabendo-se que nos Vinhos Verdes há mais de 25.000 produtores e mais de 250.000 parcelas de vinha, já se calcula a extensão da informação.

Após uma longa história sem sempre alegre (1), temos este ano uma óptima notícia para a região: o cadastro da CVRVV que servirá por base à validação das declarações de produção ( DCP ) desta vindima já se encontra inteiramente sincronizado com o do Ministério da Agricultura gerido pelo Instituto da Vinha e do Vinho. Quer isto dizer que o produtor se pode dirigir a qualquer momento aos serviços do Ministério para actualizar as suas fichas e os dados actualizados serão utilizados pela CVRVV a partir da manhã do dia seguinte.

Temos agora pela frente o desafio de actualizar em permanência o cadastro, certos de que os produtores deixam de ter de andar com papeis às costas. O cadastro utilizado para a certificação é baseado em 100% em dados do Ministério da Agricultura, aqui e ali complementados com dados da CVRVV. Cerca de metade dos produtores inscritos e respectivas áreas têm fichas muito actualizadas, feitas com base nas operações dos últimos cinco anos e confirmadas por fotografia aérea. Há porém um número ainda significativo de parcelas que estão registadas com base nas antigas fichas do Ministério que são documentos credíveis, mas cuja qualidade e rigor pode agora ser melhorada.

Gizamos pois, com os serviços regionais do Ministério ( DRAPN ) e o IVV um plano para a próxima actualização do cadastro. Até Novembro, serão actualizados os poucos produtores que faltavam com mais de 5 hectares - são cerca de 160, - e será dada uma atenção especial a alguns concelhos como Cinfães e Resende onde há muito trabalho de actualização por fazer. Após a vindima, teremos um ano para trabalhar, com o objectivo para 2011 de que todos os produtores com mais de 1 hectare tenham o cadastro actualizado.

Entretanto já este ano as cartas que habitualmente lhes indicam a área em produção cadastrada incluem também, para a grande maioria, a percentagem de uvas tintas e brancas. Confio que para o próximo ano possamos começar a tratar cada casta separadamente. É que, com este cadastro em funcionamento, gradualmente teremos o controle informatizado não só das cores mas também das castas em produção.

Falta muito para que o cadastro esteja a 100% e é certo que é um instrumento vivo, que evolui a cada dia, mas finalmente a luz já é forte ao fundo do túnel e o que nos falta é apenas tenacidade e algum tempo.

As próximas semanas vão ser de alguma pressão nos serviços da DRAPN, pois centenas de produtores irão pedir a actualização dos respectivos cadastros. Convém mesmo não deixar para a última hora !

(1) guardo para mim vários dos episódios que nos levaram a este feliz desfecho. Dezenas de reuniões, deslocações, cartas e mails. Episódios de desprezo pelos produtores, de desperdício de fundos públicos, de falta de solidariedade entre a administração central e a desconcentrada. Mas também de vivo empenho, não só da CVRVV mas também das equipas da DRAPN e do IVV para se se encontrassem soluções razoáveis. Guardo para mim, mas registei.

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