domingo, 17 de outubro de 2010

Os Vinhos Verdes e 2011: reflexão

Fiquei sem palavras quando vi uva branca em regiões nossas vizinhas a ser paga a 15, e a 17 cêntimos o quilo. às vezes a menos. Por mil dificuldades que tenhamos, o valor pago nos Vinhos Verdes, acima do dobro deste, é um conforto que nos dá a competitividade da região.

2011 apresenta-se claramente como o ano mais difícil da nossa geração. Alguns apontamentos do que se vai vendo e analisando:

1. O mercado nacional vai desvalorizar-se. Primeiro motivo, a baixa de poder de compra. Segundo, a força das grandes superfícies a esmagar os fornecedores já sem margem de manobra. São estes que vão suportar o aumento do IVA e são estes que vão ser encostados à parede para fazer promoções e descontos. De cada vez que um produtor recusar, outro se perfilará para vender mais barato. Terceiro, há regiões que estão com stocks muito elevados e dos quais se vão libertar à custa do preço. Não sendo aqui demasiado concreto, porém há outras regiões cujos tempos áureos se esfumam em stocks elevados, em investimentos calculados para crescimentos infindos e que, à falta de melhor, vão vender barato. 2011 será o ano do vinho de 1 Euro ?

2. A exportação vai ajudar-nos. Saibamos apenas ter cabeça. O Vinho Verde está num momento absolutamente ímpar nas exportações. Estamos a crescer há uma década em vários mercados e não me surpreenderia se em 2011 ou em 2012 o mais tardar, as exportações atingissem 20% das nossas vendas. Tenhamos porém juízo quanto aos preços. O Vinho Verde tem de ser "valorizado" no mercado e não "escoado" para o mercado. É importante recordar o que se passou no mercado Inglês nos anos 80. Mas claramente é a exportação que vai puxar pelas vendas nos próximos anos.

3 A redução do crédito será um problema. Ao contrário da política demagógica que se apraz em criticar os bancos, ter um sector financeiro sólido é essencial para o mercado. O crédito, o crédito facilitado e barato é uma ferramenta essencial para o empresário que gera riqueza e cria postos de trabalho. Sem crédito, teremos colegas que têm bons vinhos, boas marcas, bons clientes mas que não conseguem funcionar, do mesmo modo que um automóvel desportivo de nada serve, mesmo com o depósito cheio, se não tiver bateria ou óleo. O "aperto" do crédito será um dos problemas do ano. A ver como se resolve. Não há solução milagrosa, não.

E porém, vamos entrar em 2011 com grandes vinhos. É unânime a opinião de que esta vindima foi de óptima qualidade. Vamos a eles pois !

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