quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vinho Verde - mapas em Novembro

Aqui estão os mapas de Novembro, com o ano praticamente fechado, e agora com os valores da produção já quase finais.

Começando pelo mapa de existências para o qual chamo a especial atenção do leitor. Por deficiência técnica, o mapa de anterior estava incorrecto, estando este já corrigido.

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Este mapa conta já com todas as declarações de produção entregues até ao fim de Novembro, ou seja já com a praticamente a totalidade da produção. A disponibilidade de branco aumenta um pouco face ao ano anterior, mas sem grande reflexo. O aprovisionamento está pois garantido, com estabilidade de preço.

O tinto tem um comportamento curioso, este ano produziu-se pouco. Um dia escrevo um livro sobre isso.

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Como indicado anteriormente, passamos a separar as vendas por segmentos em dois gráficos. Em cima o branco, confirmando os dados anteriores: vamos fechar o ano ligeiramente abaixo do ano passado, praticamente nos valores de há dois anos. Esta estabilidade nas vendas precisa de ser interpretada, pois consegue-se com uma ligeira descida no mercado nacional, compensada com o maior volume de exportações. Em si uma boa tendência, mas não esquecer que a maior parte das empresas estão apenas no mercado nacional ou exportam muito pouco. Deste modo, a descida em Portugal, compensada com um aumento na exportação traduz-se inevitavelmente numa concentração de quota a favor das empresas exportadoras.

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Nos restantes segmentos, mantemos a descida no tinto, já identificada em mapas anteriores. Como se verifica no mapa de stocks ( e ver a produção em baixo ), não há um lago de tinto, mas há uma tendência clara no mercado, a requerer atenção. Sobem o rosado e o regional, sendo que o crescimento do rosado vem de longe, é bem sustentado e por isso muito interessante.

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Em cima, na tabela, os dados da produção de 2011, já praticamente finais e que têm como fonte as declarações de Colheita e Produção entregues até ao fim de Novembro.

Produzimos um pouco menos branco que no ano passado. Esta discrepância leva-nos a repensar o sistema de previsão de colheitas, que tem hoje por base um questionário feito a técnicos da região e que pode claramente beneficiar de alguma evolução já a aplicar para 2012. No tinto perdemos alguma produção, o que evitou que se formasse um stock excessivo. Em 2011 coincidiram duas evoluções: a depreciação do Verde tinto, já de há vários anos, e a apreciação do mesa tinto. Abriram-se pois oportunidades de negócio, havendo pelo menos dois operadores da região com alguma dimensão que comercializaram vinho de mesa tinto logo no início da vindima.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vinho Verde - Vendas em Outubro

Dado que a vendas de branco se distinguem tanto das restantes, passo a repartir os mapas. Passaremos pois, a partir deste mês, a analisar separadamente o mapa de branco e o mapa dos restantes segmentos.


Um por cento. Nem mais: um por cento. Contra ventos e marés, contra lamentos e profetas da desgraça, o Vinho Verde fecha o décimo mês do ano com uma descida acumulada de 1 por cento face a igual periodo do ano passado. Um pouco acima até do valor obtido em 2010.

É uma excelente notícia que nos surpreende a todos. Conforme veremos num próximo artigo, é a exportação que suporta este resultado, compensando a descida do mercado nacional. O Vinho Verde branco afirma-se pois como um segmento muitíssimo competitivo, o que nos dá muita confiança nos dias difíceis que vivemos.


As vendas do tinto são uma preocupação. Claramente o consumidor nacional está a afastar-se do Verde tinto. É evidente que estão a aparecer tintos interessantes e até fenómenos de exportação, como o indicado num artigo anterior, mas são volumes sem significado estatístico. Há um problema de fundo com as características do tinto e a sua adaptação ao gosto do cliente actual. Ou porventura da sua ligação com a gastronomia de hoje. ( estamos a fazer um trabalho de fundo quanto a este assunto, que oportunamente referirei ).

O rosado mantém a tendência de sempre. É pouco mas cresce. Todos os meses, todos os anos cresce um pouco mais.

Finalmente o regional, que aumenta as suas vendas em 400.000 litros. Fui estudar os mapas em detalhe. Este aumento está repartido em partes iguais pelo branco e tinto. Dentro de cada cor, o que cresce é o segmento do "não acondicionado" em detrimento dos engarrafados que decrescem. O que aumenta é pois o vinho que é vendido dentro da região, muito dele na restauração regional.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Vinho Verde - Stocks em Outubro

Estivemos bastante tempo sem dados de stocks e vendas. Voltaram ! este final de ano tem sido muito exigente, com várias novas aplicações informáticas a entrar em produção, nomeadamente a que faz a gestão das Declarações de Colheita e Produção. Voltamos pois a ter mapas.

Vejamos então o mapa  de stocks

Na análise do mapa, tenha em conta que o mês de Outubro é porventura o menos rigoroso do ano, pois incorpora já muitos mas não todos os manifestos. O stock é pois influenciado pelas quantidades já manifestadas até ao fim do mês.

A disponibilidade de branco é o dado que mais chama atenção, aumentando cerca de 28%. O tinto não aumenta, fruto sobretudo de várias desclassificações antecipando a vindima para a venda a granel para fora da região. A descida do preço do tinto tem aberto novas possibilidades de negócio que ocorreram antes da vindima ( e influenciam este gráfico ) e que ocorreram mais tarde e influenciarão outros mapas.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Noruega procura Vinho Verde tinto !

Não há vinho na nossa região mais típico do que o Vinho Verde tinto. E realmente nenhum outro desperta tantas paixões: é amado ou odiado.

Também por isso é o vinho mais difícil de colocar no mercado. O Vinho Verde branco é um vinho com uma personalidade própria e porém é um vinho internacional. Diga-me onde vai em viagem e eu digo-lhe quem vende Vinho Verde nesse país. Exportamos para mais de 80 mercados.

O tinto não. É um vinho que pede gastronomia. É um vinho mais regional e, curiosamente, mais sazonal que o branco. Mas muitas plantações tem sido feitas e aparecem novos tintos muitíssimo interessantes. A casta de vinha que mais se destaca é o "Vinhão", que os nossos vizinhos do Douro lá designam como "Sousão".

É por isso com grande alegria que vemos a Noruega a começar a importar Vinho Verde tinto. Para já uma pequena quantidade, alguns milhares de garrafas mas logo as veremos crescer, estou certo.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

No news is good news


A azáfama do dia a dia é o que é e por isso estou desde 8 de Setembro sem escrever. E já recebi meia dúzia de reclamações, aliás com razão, pois neste tempo atravessamos várias tempestades, aliás em muito boa forma.

Aproveito pois para colocar em dia alguns assuntos sobre os Vinhos Verdes.
  •  a vindima ofereceu-nos vinhos de excelente qualidade, que vamos começar a descobrir em breve. Há muita vinha nova, há cada vez melhor técnica na viticultura e na adega e por isso os vinhos estão a evoluir muito;
  • as quantidades vão estar muito próximas dos valores de 2010, talvez ligeiramente abaixo. Os varejos finais de vindima nos 50 maiores produtores indicam uma produção cerca de 4% abaixo da do ano passado. Depende pois da produção dos mais pequenos, mas tudo indica que teremos uma produção ligeiramente inferior a 2010, o que é positivo;
  • as vendas mantém a tendência do primeiro semestre, com uma descida ligeira no total de vendas, que se decompõe numa descida acentuada no mercado nacional contraposta por una subida nas exportações; os mapas no site da CVRVV não estão actualizados por uma limitação de capacidade de resposta que estamos a tentar resolver;
  • ainda estamos sem Director Regional de Agricultura. A DRAP Norte precisa urgentemnete de ter uma liderança fresca e com muita capacidade de trabalho. Espero que não voltemos às capelas "é do Douro ou é do Minho ?" e que seja possível encontrar uma equipa que se identifique com o Norte e não apenas com cada um dos seus componentes;
  • chegou a altura de os produtores fazerem a sua Declaração de Produção. Estamos a utilizar um programa informático novo para a gestão deste processo, o qual está a ter um arranque lento. É porém um projecto que muito acarinhamos pois vai permitir que, já muito em breve, os produtores passem a fazer as suas declarações directamente a partir de casa.
  • os Impostos é que nos pregaram uma bela partida. A proposta de orçamento de Estado apresentada na Assembleia da República não propõe alterações ao IVA nem ao IEC incidentes sobre os vinhos. Uma belíssima notícia a testemunhar que, contra ventos e marés, o governo foi sensível ao argumento deste sector em que a incorporação nacional é quase completa.
  • esta é a semana do Brasil no marketing. Estão cá vários jornalistas e importadores a visitar a região e, em simultâneo está uma equipa no Brasil a dar provas e a fazer apresentações dos nossos vinhos.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Estamos a fazer um grande investimento na informática que será gradualmente visível para a região dos Vinhos Verdes. As firmas e produtores que acedem ao sistema da CVRVV verão a partir de hoje já uma inovação: um novo módulo de ligação directa à nossa contabilidade permite a cada produtor consultar todo o histórico da sua relação financeira com a CVRVV, podendo conferir as contas e reimprimir documentos que tenham em falta.

Gradualmente serão lançados novos módulos, dos quais destaco um pela sua ambição e importância a possibilidade de os produtores fazerem a sua declaração de produção a partir do seu escritório, sem terem de se deslocar à CVRVV. Esta aplicação está em desenvolvimento final e testes e será disponibilizada já em 2011 apenas para um grupo piloto que a testará.

A boa gestão da informação é uma orientação central da CVRVV desde há muitos anos e ajudar-nos-á, ainda em 2012 a atingir o objectivo de permitir a um produtor que faça toda a campanha e o processo de certificação sem que tenha de se deslocar à CVRVV.

Caso o caro/a leitor seja utilizador no nosso sistema informático não esqueça pois de avisar a sua contabilidade que a partir de hoje podem conferir os movimentos financeiros directamente no site.

Um novo imposto nos vinhos ?

Tenho já como certo que a partir de Janeiro será cobrado o Imposto Especial de Consumo ( IEC ) sobre os vinhos. O IEC é um imposto de criação e estrutura europeia, que incide sobre os combustíveis, o álcool e o tabaco. A regulamentação europeia, muito detalhada, e uma série de ferramentas de trabalho fazem com que o Estado-membro tenha um poder de decisão limitado, que tem como ponto mais relevante a determinação da taxa a aplicar a cada produto. Mesmo assm, sem grande liberdade pois existem tarifas mínimas e há uma constante pressão de harmonização trans-europeia.

Deixando agora de lado o tabaco e os combustíveis, em Portugal o imposto incide sobre as bebidas alcoólicas com taxas diferenciadas tendo em conta precisamente o álcool presente. Para os chamados "vinhos tranquilos", a taxa é zero, ou seja, os produtores e cometrciantes estão sujeitos ao importo e cumprem alguns dos seus requisitos mas não lhes é debitado valor algum.

Já várias vezes aqui escrevi sobre este assunto e foi com surpresa que fui lendo cada Orçamento de Estado mantendo a taxa zero para os vinhos. Agradável surpresa. Nos últimos dias porém, duas conversas com pessoas diferentes mas ambos bem colocados dão-me conta de que o inevitável muito provavelmente sucederá, teremos IEC nos vinhos em 2012. Estão em discussão os valores.

O custo que o imposto vai trazer não será só por si a principal consequência, mas sim a alteração de procedimentos. Desde logo a necessidade de apresentar garantias bancárias para os entrepostos de armazenagem. Além disso, o rigor nos registos e na armazenagem de produtos. A partir do momento em que o vinho está sujeito a um imposto por litro, o imposto é suportado pelo produtor mesmo no caso de perdas em adegas, desde que excedam os limites da lei. Não tenho qualquer dúvida que a entrada do IEC nos vinhos significará uma "varridela" num número de empresas menos organizadas.

Para conhecer as taxas de IEC em todos os Estados-membros, clique aqui.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Vinho Verde: as vendas e o rosé

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Em cima o mapa de vendas até Julho. Os mesmos apontamentos dos meses anteriores: o branco suporta as vendas nas exportações ( que crescem bem, ver aqui ) pois o mercado nacional está recessivo. O tinto mantém os problemas estruturais que já se vêm manifestando.

A propósito da recessão no mercado do tinto, vários produtores têm vindo a lançar rosés aproveitando também a oportunidade que este segmento representa pois está a crescer. O Muralhas e o Casal Garcia rosé são na nossa região as marcas com mais presença no mercado.

O rosé representa ainda uma pequena parcela no mercado nacional de vinhos, menos de 10% em dados Nielsen. Está porém em crescimento e a CVRVV tem investido numa campanha autónoma de promoção do Vinho Verde rosado.

Veja em baixo alguns números. Se é certo que as vendas estão a crescer há vários anos, também não faz sentido que a crise do tinto leve a uma sobreprodução de rosado, transferindo o problema de um lado para o outro. A escolha é dos produtores. Nisto, como em tudo, haverá um meio termo. Mas aqui quem decide é o mercado.




terça-feira, 30 de agosto de 2011

Preparar a vindima no Vinho Verde

Aqui ficam alguns elementos para preparar a vindima nos Vinhos Verdes. Em cima o mapa de existências nos últimos três anos com data de 30 de Julho. Mais uma semana e teremos o de Agosto.

Para consultar a previsão de colheitas emitida pelo IVV para todo o país, clique aqui.

Para consultar o histórico de produções da nossa região, clique aqui.

Boa vindima !

terça-feira, 12 de julho de 2011

Vinho Verde:
stocks e vendas no primeiro semestre

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Estão fechados os números de Junho, podemos reflectir um pouco sobre os números já disponíveis. O stock de branco está um pouco acima do ano passado, cerca de 7 milhões de litros. Ainda não há previsões oficiais da colheita, mas os sinais iniciais de que seria muito abundante parecem esmorecer com algumas doenças que fizeram perder produção em zonas como o vale do Sousa. Não me parece razoável esperar que vamos ter uma abundância de vinho nem que o stock seja excessivo. E pode a região estar certa de que a aprendizagem feita nos últimos anos sobre o controlo da vindima será aplicada no programa de controlo deste ano.

O stock de tinto é o que é. Há um bom comportamento nas vendas de rosé mas realmente o tinto é um problema. Importa fazer chegar esta mensagem aos viticultores que, infelizmente, plantam muito por ondas. Estamos agora nas consequências da onda de que o vinho tinto "dava muito". A este propósito cito aqui uma reflexão de um membro do Conselho Geral que afirmava que a região está a plantar vinhas sem olhar ao que o mercado procura. Importa que o viticultor faça contas, ouça os técnicos e fale com os clientes antes de plantar. Uma boa meia hora a analisar os números do mercado e as tabelas de compra das principais empresas e adegas é tempo bem gasto. Repare por exemplo que ninguém está a premiar uvas acima de 12º. Para quê estruturar uma vinha para produzir um grau que o mercado não paga e prejudicar, por exemplo, a produção em quilos que - esta sim - o mercado paga ?

Passando então às vendas. Não é surpresa que estamos perante um período sui generis em que o mercado nacional está claramente recessivo e o mercado externo está em crescimento.
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O quadro acima traduz esta realidade: As vendas no branco estão consolidadas e têm uma descida sem grande significado. Escondem, é claro várias realidades: a que indiquei acima, o crescimento da exportação a suportar as vendas e uma segunda mais preocupante. É que, ao contrário do mercado nacional onde se encontram todos os 600 engarrafadores a concorrer com cada vez menos preço, na exportação está um número muito reduzido de empresas. Quer isto dizer que os macro-números de vendas do branco são estáveis pois há um pequeno número de empresas que cresce fora, enquanto a maioria perde vendas cá.

Para ler sobre as exportações de Vinho Verde, clique aqui.

As vendas do tinto são muito preocupantes. O tinto fechou-se ao longo dos anos num mercado regional e sazonal. As empresas praticamente não investem na comunicação do tinto. Estamos pois a perder em vários níveis: na recessão do mercado nacional ( pouco tinto se exporta ) e na inadaptação do nosso tinto ao gosto do consumidor urbano. Num futuro texto escreverei com calma sobre os dias difíceis por que passa a Adega de Castelo de Paiva mas pergunto, a propósito do tinto, como é possível todo um concelho convencer-se que o seu tinto tem um potencial de mercado fabuloso no futuro e dirigir todos os seus investimentos nesse sentido ?

O rosado é uma categoria interessante. Chegamos aos 690 mil litros no primeiro semestre, com o Muralhas e o Casal Garcia a liderar. O Vinho Verde é número 1 no branco e também nos rosés DOC em Portugal. Muito gostava que outras marcas grandes do rosé no nosso país adoptassem o Vinho Verde como a sua base de produto. Ando a trabalhar nesse sentido. Até ficar rouco ...

Preparemo-nos então para a vindima que já vem perto e, ao contrário do que dizem, não vai haver assim tanta uva.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vinho Verde: vendas até Maio

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As vendas até Maio, comparadas nos últimos três anos. Mantemos a tendência dos últimos meses. As vendas do branco estão sólidas, suportadas sobretudo pela exportação que cresce a bom ritmo ( ver aqui ) e compensando assim o mercado nacional em clara recessão.

O rosado continua a crescer muito bem embora, é certo, ainda represente pouco. Estamos nos 600.000 litros até Maio e há dois anos estávamos quase em metade disso. Bom sinal !

O tinto continua a ser um problema. Estremeço de cada vez que ouço alguém dizer que vai lançar um tinto que "é diferente dos outros". Se é certo que há exemplos de sucesso, de que o Afros tem tido o mais visível, a maioria dos produtores de Vinho Verde tinto não está a ter a vida facilitada.

domingo, 12 de junho de 2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um casal raro: 1964


Em 1964 o Casal Garcia e o Mateus rosé eram comunicados em conjunto: um casal raro. Este cartaz está à venda no ebay americano por 33,00 dólares. Para saber mais ( ou comprar ) clique aqui.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Vinho Verde: exportações até 31/12


Nos dias difíceis que todos os negócios atravessam, o nosso incluído, é reconfortante olhar para um gráfico destes e perceber que, pelo mundo fora, há muita gente que está a beber Vinho verde pela primeira vez. E repete !

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O mistério da multiplicação...


Correndo as estradas do nosso belo país para Norte e Sul, deparei-me nas últimas semanas com dezenas de locais à borda da estrada onde se anunciam as verdadeiras cerejas de Resende. Vi-as desde Melgaço até Coimbra. E vi-as em vendas de estrada, vi-as também na distribuição moderna e até uma lindas e caras numa loja gourmet.

Concluo pois que a capacidade de Resende para produzir cereja se compara apenas à capacidade de Modena para produzir vinagre: não há mini-mercado baratinho que não tenha um pacote plástico de vinagre balsâmico de Modena. Haverá obviamente por aí um pipeline que distribui o Vinagre por toda a Europa.
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Cada vez mais acredito na tradição europeia de oferecer ao cliente produtos "Certificados", que podem merecer a confiança do consumidor e que geram valor para quem os produz. O resto nem sequer é liberalismo. É apenas um comércio de rapina que nada semeia.

Há dias, numa interessante conferência promovida em Ponte de Lima pela Escola Superior Agrária do IPVC, um orador dos horto-frutícolas explicava precisamente isto: a protecção do cliente faz-se com produtos devidamente etiquetados, que cumpram as normas de higiene e segurança.

sábado, 28 de maio de 2011

Vinho Verde: stocks em Abril

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As existências em Abril são muito confortáveis. Precisamos de fazer um esforço para evitar que o preço à produção seja prejudicado na próxima vindima.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Vinho Verde: exportações fortes até março.

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Acabamos de receber os dados de exportação relativos ao primeiro trimestre de 2011. São dados muito sólidos que consubstanciam o crescimento na exportação de Vinhos Verdes. Exportamos no primeiro trimestre 3,2 milhões de litros, um aumento de 6% face a igual período em 2010. E, curiosamente, o aumento em valor é um pouco superior.

Os Estados Unidos afirmam-se como o nosso maior mercado, embora decrescendo um pouco o preço médio, porventura consequência do crescimento admirável das exportações que se dá naturalmente nas marcas de maior volume e que por isso nos diminuem os preços médios. Há também o efeito cambial a considerar.

O crescimento nas exportações de Vinho Verde não tem nada de contextual ou sazonal. Estamos a crescer desde 2000, todos os anos sem excepção e, neste primeiro trimestre, crescemos nos 7 principais mercados. É uma belíssima tendência que temos de alimentar. Em 2000, as exportações de Vinho Verde representavam 15% do nosso negócio. Quando fecharmos 2011, estaremos nos 30%.

Se os macro-números da exportação são excelentes, e sem igual no país, motivo de preocupação é que o número de empresas a exportar é ainda reduzido, sendo que a esmagadora maioria dos produtores estão dependentes do mercado nacional em mais de 90% das suas vendas. E mercado nacional está como está.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A TAP e o Vinho Verde
( ou melhor: a Ryanair e o Vinho Verde )

Encerramos o dossier TAP na CVRVV.

De há bastante tempo a este parte, temos vindo a tentar colocar o Vinho Verde no serviço regular da TAP. O nosso interesse não é comercial, mas sobretudo promocional. Havendo Vinho Verde a bordo, um produto que o cliente tem como único no mundo e por isso uma memória de Portugal para tantos emigrantes e turistas que nos visitam, estaríamos a promover a região e a sublinhar esta marca caracterizadora de Portugal.

Pensamos ainda que a presença do nosso vinho na TAP seria bem vinda pelos viajantes, porquanto um vinho que se exporta para 80 países e que está há dez anos a aumentar consecutivamente a aumentar as suas exportações seria, claro, apreciado pelos clientes da TAP.

E mais. Pensamos ( pensávamos … ) que sendo TAP como accionista o Estado Português, certamente teria como orientação estratégica da sua gestão funcionar como uma bandeira do país, do nosso bem receber, da nossa gastronomia e vinhos.

De facto a gente às vezes pensa cada disparate …

Os primeiros contactos com a companhia não nos levaram a lado algum senão ao repetido argumento de que os vinhos a servir a bordo são seleccionados por um painel técnico que é muito conhecedor e que decide livremente e à porta fechada quais os vinhos a servir.

E entretanto íamos falando com produtores de outras regiões, que nos explicavam como conseguiram ter os seus vinhos em linha…

Finalmente, há um par de meses, uma oportunidade de ouro que agarramos logo. Através de um Minhoto amigo, recebemos uma proposta promocional para o Vinho Verde na revista da TAP e na primeira classe ( durante algum tempo e para alguns destinos ). Não escondo ao caro leitor, que os valores propostos eram elevadíssimos. Mas era a oportunidade para morder e não largar.

E por isso, compatibilizadas as agendas lá fomos para Lisboa, sendo recebidos por um Vice Presidente da TAP. Deixo claro deste já ( antes que leia o resto ) que muito admiro a competente gestão que o Engº Fernando Pinto trouxe à TAP, salvando a empresa de uma derrocada repetidamente anunciada. E por isso recebi com especial expectativa a notícia de que a reunião decorreria com um Vice-Presidente da companhia, precisamente um Brasileiro da equipa directa do Engº Fernando Pinto.

Boa impressão logo ao início. O edifício e as salas da administração da TAP não são de um luxo oriental tão típico deste tipo de grandes empresas mas, pelo contrário, espaços limpíssimos mas com mobiliário e decoração bem antiquada, a testemunhar que os administradores poupam no acessório para investir no que consideram essencial.

Fomos recebidos pelo Vice-Presidente responsável por esta área ( como é habitual não cito nomes ), homem de negócios, afável, directo e objectivo. Assumimos uma posição muito positiva, não questionando o valor que nos era proposto mesmo que soubéssemos que, em publicidade, os valores de tabela estão muito longe de ser os valores finais. E o valor em causa era, asseguro, muito elevado.

E só contra-propusemos uma coisa: que o Vinho Verde fosse incluído no serviço regular da classe turística. Podia ser gradual, podia ser sazonal e até poderia ser só em algumas linhas. Mas a TAP se quer trabalhar com a CVRVV tem de fazer uma coisa muiito simples: servir Vinho Verde aos seus clientes.

Ou seja, nós pagaríamos a tal fortuna se eles pusessem o VV na mão das hospedeiras. Até nem era preciso a publicidade nem as degustações. Nós passávamos o cheque se eles colocassem o nosso vinho em linha. A marca que eles quisessem.

A resposta foi longa, com palavras escolhidas para que não levássemos a mal, mas a simples resposta é não. Não servem o VV no lugar do branco ( na turística o cliente tem a escolha de um branco e um tinto ), pois acham que há clientes que rejeitam o Vinho Verde e por isso não colocam em linha um produto que é rejeitado por alguns clientes. Não servem o VV em acrescento aos dois vinhos já em linha pois isso causaria um problema logístico. Numa palavra: não.

Gostam muito do Vinho Verde, estão disponíveis para fazer muitas acções com a CVRVV e os nossos produtores ( propuseram várias ) com uma excepção: servir os nossos vinhos na turística.

Notas finais.

1. Como se explica, ideologicamente que o Estado tenha uma companhia de aviação se não é para prestar serviço público ? se é para ser gerida de forma tecnocrática ( legítima, note-se ) como qualquer companhia com accionistas privados, então não faz sentido o Estado ter lá capital. Venda-se e rápido. Até nos poupam o nervoso miudinho quando os pilotos fazem greve em Agosto a exigir aumentos dos já elevados salários.

2. Durante este verão, se voar na Ryanair de/para Portugal, vai ter uma surpresa muito boa quando imprimir o cartão de embarque… E em breve a surpresa não estará só no talão de embarque…

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Rioja contra Rioja


Muito curioso o artigo na Decanter sobre o direito da província Argentina de La Rioja em colocar o seu nome nos seus vinhos, assim se derrotando judicialmente a pretensão de exclusividade da Rioja em Espanha.

Leia aqui.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Vinhos: campanha de fiscalização na estrada

As equipas da CVRVV estão de novo na estrada. Desde o início deste mês estamos a visitar os restaurantes da região, procurando aferir como se encontra apresentado e como é servido o Vinho Verde. É uma operação longa, que vai incluir centenas de estabelecimentos em quase 50 concelhos. Longa e exaustiva. Mas é essencial.

Uma das infracções que detectamos com mais frequência é a apresentação ao cliente de vinhos de mesa como se tratassem de Vinhos Verdes. Esta prática constitui crime p.p. pelo Dec-lei nº 213/2004 de 17 de Agosto. Quando detectam uma situação destas, as nossas brigadas elaboram um auto descritivo, apreendem e selam o produto e o processo segue para as autoridades públicas.

Apresentar ao cliente um vinho que não é Vinho Verde como se o fosse constitui pois uma violação da lei. Uma violação grave que é enquadrada pelo direito criminal. É também uma tremenda falta de lealdade para com o cliente. O cliente deve ser o cento da nossa atenção. Se pede Vinho Verde, é isso mesmo que lhe deve ser servido.

Para o restaurante, reconhecer o Vinho Verde é muito fácil: Vinho Verde é o vinho que se apresenta em vasilhame de vidro com fecho inviolável e que ostenta o selo de garantia emitido pela CVRVV. Tudo o resto não é Vinho Verde.

Aproveito para esclarecer aqui algumas dúvidas que nos são colocadas pelos restaurantes:

- não há Vinho Verde à pressão. O vinho que se apresenta no mercado em barris é facturado como vinho de mesa, o que é perfeitamente válido - não é porém Vinho Verde nem pode ser apresentado ao cliente como tal;
- é possível vender Vinho Verde a jarro ou a copo, desde que o vinho servido provenha de garrafas ou garrafões de Vinho Verde devidamente rotuladas e seladas;
- não é Vinho Verde o vinho comprado a produtores ou comerciantes na região, se não estiver devidamente rotulado e selado;
- se o restaurante adquire vinho de mesa a granel para engarrafar nas suas instalações, deve cumprir todos os requisitos legais para exercer a actividade de engarrafamento de vinhos. Não é fácil...

É importante que se perceba que a denominação de origem "Vinho Verde" não é de uso livre e a CVRVV não permitirá que tal suceda. Só os produtores da região que cumprem todos os requisitos de qualidade e legais a podem usar e só estes podem beneficiar comercialmente do valor da marca Vinho Verde.

É importante que se perceba também que não é verdadeiro o argumento de algumas empresas que afirmam junto dos restaurantes que lhe vendem vinho de mesa e não Vinho Verde para pouparem a taxa cobrada pela CVRVV. A taxa de Certificação cobrada pela CVRVV é de 3 cêntimos por litro ! O verdadeiro motivo não é pois este custo mas sim que esses vinhos de mesa não cumprem os requisitos legais e de qualidade que lhes permitiriam ostentar a denominação Vinho Verde. Ora estes requisitos representam custos pois claro.

O Vinho Verde é um produto genuíno do nosso país. Gera riqueza exportadora e postos de trabalho. Importa defender este património único do nosso país !

terça-feira, 12 de abril de 2011

Marketing de vinhos: pós graduação


Encontram-se abertas as inscrições para o terceiro cusro de Marketing de Vinhos, uma pós graduação leccionada pela Escola Superior Agrária de Ponte de Lima integrada no politécnico de Viana do Castelo. As aulas repartem-se entre a escola de Refóios no concelho de Ponte de Lima e o Palácio da Bolsa, no Porto. Para saber mais , clique aqui.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Vinho Verde: stocks em Março

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Os stocks em Março mantém a tendência desde a vindima e que possivelmente não se irá alterar no futuro próximo. Estamos com um stock confortável, não tão grande que justifique uma intervenção ( em 2003, ano da última destilação comunitária tínhamos mais de 150 milhões de litros em stock ) mas certamente também não permitirá uma recuperação do preço do granel no curto prazo.

domingo, 10 de abril de 2011

Vinho Verde: vendas em Março

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As vendas até Março, o primeiro trimestre.

No branco estamos a perder cerca de 600.000 litros. Uma parte é nos vasilhames de menor valor, que estão há anos em queda estrutural: perdemos 100.000 no garrafão de 5 litros e outro tanto na garrafa de litro. De Janeiro a Março, o garrafão representou um total de 100.000 litros. É um vasilhame a desaparecer passo a passo. A garrafa 0,75 representa 94% das nossas vendas. Neste segmento perdemos cerca de 370.000 litros, aproximadamente 4%. Não é mau, considerando o tempo que vivemos. Não esquecer que as exportações estão muito fortes, a crescer, pelo que isto revela uma perda bem superior a 4% no mercado nacional.

No tinto, que é quase todo vendido em Portugal, mantemos a tendência de 2010: há uma descida estrutural. É importante que os engarrafadores invistam na promoção do tinto. E nem eles nem nós o estamos a fazer. A inverter rápido...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Programa Vitis candidatura até 31/05


Estão abertas até ao próximo dia 31 de Maio as candidaturas para o financiamento de projectos de reconversão de vinha ao abrigo do programa Vitis.

Lá vamos nós...

Deixando de lado as questões da política nacional e europeia, é claro que o pacote de ajuda que Portugal vai receber terá como contrapartida o lançamento de medidas de reforma. Não tenho dúvida que, apesar da sua violenta dureza no curto prazo, muitas serão largamente positivas para a nossa economia.

Há porém áreas em que o sector dos vinhos tem de estar atento para se movimentar, discretamente ou em público, logo que e mostre necessário.

A Extinção do IVV é um assunto antigo. Importa referir que este instituto público é pago integralmente pelas taxas dos produtores, pelo que não pesa no OE. Pelo contrário, o IVV gera recursos para o Estado que tem vindo a transferir para as Finanças. A fusão dos Ministérios da agricultura com o ambiente ou com a economia ( propostas pelo PSD ) serão largamente prejudiciais, sobretudo na negociação europeia, sem que se vejam as poupanças. Acabar com um Ministério é uma bandeirola política para qualquer PM, mas o que gera custos obviamente é a estrutura e não o gabinete ministerial. Mais, não havendo um ministro específico, não vemos como se faria a reorganização do Ministério a partir de um ministro de outra área naturalmente fora do mundo que é a organização administrativa da agricultura. O aumento do IVA é uma preocupação constante. O vinho deve ter a taxa de IVA aplicada às refeições que acompanha. A imposição de um IEC sobre o vinho, algo que já mencionei em detalhe em textos anteriores, surge como altamente provável uma vez que a DGAIEC tem no terreno todos os mecanismos para a sua aplicação. É preocupante não só pelo custo directo mas ainda pelos custos administrativos. Embora aqui, confesso, a mão pesada da DGAIEC viria a ser saudável para algumas empresas que infelizmente ainda vivem entre nós.

Não me canso de sublinhar a importância do vinho para o país.

- É um sector que cria emprego longe da costa em dezenas de municípios onde não há outra fonte de riqueza de registar.
- É um sector com elevadíssima incorporação de produção nacional, mantendo uma rede de empresas produtoras, universidades, fabricantes de peças e equipamento, a cortiça, os rótulos, as caixas, enfim.
- É um sector fortemente exportador e esta vocação aumenta notoriamente a cada ano que passa;
- É um sector cuja competitividade assenta em empresas ( comerciais e cooperativas ) privadas e competitivas, um dos menos apoiados pela política agrícola da União Europeia.

Vamos pois ter um verão quente ( 36 anos depois ), em que o sector tem de estar unido, em que as associações deverão gerar entre si o trabalho de equipa que exigem aos políticos nacionais.

Votos sinceros de sucesso para todos os colegas do sector dos vinhos na tempestade que atravessamos. E não se esqueça de exportar, porque o mercado nacional...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Viticultura: custos de produção

A viticultura mnoderna é uma actividade empresarial que procura rentabilidade exactamente pelos mesmos padrões que o resto da actividade económica. No link seguinte encontra as apresentações feitas na EVAG no passado dia 31 num seminário dedicado ao tema da racionalização nos custos de produção: clique aqui.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Vinho: um difícil fim de ciclo

A imprensa tem noticiados nos últimos dias que o Ministério das Finanças retirou 9 milhões de euros do fundo do IVDP. Para quem não conhece a organização do vinho, importa dizer que as organizações de tutela não são financiadas pelo Orçamento de Estado. Neste caso o IVDP, instituto dos vinhos do Douro e Porto é financiado por taxas cobradas aos produtores e comerciantes do Douto. O IVDP não recebe transferências do OE, aliás tem contribuído em várias ocasiões para financiar acções dos sucessivos Ministros cuja utilidade para o Douro nem sempre é clara.

A esta luz, arrepia ver que os produtores e comerciantes do Douro contribuíram esta semana com 9 milhões de euros para o Estado. É um imposto: voluntário não foi de certeza. Foi imposto.

Não deixo de me questionar sobre o motivo pelo qual se constituiu tal fundo ( ao invés de investir na região ) e sobre o imenso silêncio em redor desta operação. Homenagem às firmes tomadas de posição da AEVP e Casa do Douro. Não estaria na altura de o Douro assumir o seu destino e deixar de se apoiar num instituto público ?
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Num texto anterior referi o património imobiliário do IVV, o Instituto da Vinha e do Vinho, mas um instituto público financiado pelas taxas cobradas aos produtores e comerciantes. Ando a falar deste património ( não sou o único ) há uma década. O seu desaparecimento, já praticamente consumado, é testemunho dos dias difíceis que vivemos. Mas é também uma homenagem à passividade do nosso sector.

Quem faz política fora do vinho acha muitas vezes que somos um sector politicamente forte e poderoso. E de facto brilhamos quando o Engº António Guterres quis lançar a taxa de alcoolemia e fomos capazes de nos unir e impedir essa iniciativa.

E hoje, seríamos capazes do mesmo ? quando, daqui a 2 meses o PSD vier a anunciar um IEC de 10 cêntimos sobre o vinho como reagiremos ?

quinta-feira, 17 de março de 2011

Vinho: os tolos e a touriga nacional

Este assunto é um disparate tão evidente que quem não é do negócio do vinho nem o entende, mas enfim, é assim.

Ao invés de promover as marcas portuguesas e as regiões demarcadas portuguesas, os tolos que têm dirigido a promoção dos vinhos portugueses no mundo decidiram que deviam gastar 270.000 euros a promover internacionalmente uma só casta portuguesa, a Touriga Nacional.

A VINIPORTUGAL, entidade que tem por fim a promoção dos vinhos portugueses no mundo, não promove os Vinhos Verdes o Douro ou o Alentejo. Porém, toda ufana organizou um belo congresso para anunciar ao mundo que passaria a promover esta casta. E mais, arranjaram umas malinhas e andam pelo mundo fora a fazer provas e apresentações dos tais vinhos de Touriga Nacional. Isto sem dizerem, é claro, que esta casta só tem um encepamento de aprox. 5% top total nacional, pelo que nunca será capaz de volumes interessantes. E com um ponto até divertido: é que uma das regiões que mais Touriga Nacional mais tem plantada é o Vinho Verde. Sim, o Vinho Verde tinto !

Infelizmente não percebem um princípio simples: só faz sentido alguém promover uma marca sua. Promover a sua marca, a sua região ou o seu país. Pelo contrário, promover uma casta significa investir na promoção de algo que irreversivelmente não é nosso. Como bem o sabem os produtores de Alvarinho, cada vez que Monção e Melgaço investem a promover o nome da casta, o benefício recai sobre todos os que a produzem, estejam eles no Douro ou no Tejo.

E porém os tais especialistas acharam que deviam investir em promover uma casta "portuguesa" no mundo.

Ora aqui está, em cima, o efeito prático mais do que previsível e evidente: um jornalista de referência aconselha o plantio desta casta em Bordéus. E porque não ?

Quando amanhã aparecerem vinhos de outros países com esta casta, que os portugueses se esforçaram em promover, perceberão o disparate.

Há momentos em que percebemos que o problema do nosso país não é a falta de recursos financeiros...

domingo, 13 de março de 2011

O património imobiliário do IVV


O Instituto da Vinha e do Vinho é o instituto público que tem a tutela genérica do sector vitivinícola. É uma casa com uma longa história que remonta aos anos 30 do século XX com a criação da Junta Nacional do Vinho. Muito vocacionado para prestar servidos ao sector, nomeadamente os de regulação do mercado através da compra e armazenagem de excedentes em anos de grande produção, a Junta foi constituíndo um vastíssimo património imobiliário um pouco por todo o país vinícola.

Trata-se sobretudo de instalações de armazenagem, por vezes de destilação, então construídas perto de caminho de ferro e rodovias principais mas que se encontram hoje, quase todas em valiosos terrenos nos centros urbanos das cidades e vilas onde foram instaladas.

A instalação mais emblemática é naturalmente a suas sede em Lisboa, constituída por um lindíssimo edifício Cassiano Branco anexo a um outro dos finais do século XIX sitos ao gaveto das ruas Rosa Araújo, Mouzinho da Silveira e Alexandre Herculano. (foto em cima)

Há depois uma extensa lista de terrenos e edifícios dos quais só conheço uma parte: armazéns nos centros urbanos da Mealhada, de Santarém, de Torres Vedras e Vila Nova de Gaia. Um museu do vinho em Alcobaça. Um armazém em Pinhel, outro em Valpaços. Uma pequena instalação em Águeda. Dois enormes armazéns no Carregado e no Bombarral. Outro em Leiria. Uma delegação em Chaves. Uma moradia em Lagoa na Nacional 125. Sem esquecer Almeirim, outra instalação no centro urbano.

Hoje o IVV não dá pleno uso a estas instalações, o que é natural. O Estado já não compra e armazena vinhos para os retirar do mercado. Hoje são operações financiadas pela UE e que se desenvolvem na esfera privada. Uma boa parte destas instalações tem por isso vindo a degradar-se muito, várias foram alvo de pequena criminalidade, tanto quanto sei num dos casos foi roubado bastante material. Algumas estão simplesmente desocupadas; outras albergam instituições do sector ou externas e estão a ser negociadas com Câmaras Municipais e outras entidades.

Não sei quantas destas estão hoje ainda nas mãos do IVV.

Ora, como bem se indica na placa colocada na sede do IVV em Lisboa, este é "Património da Vinicultura". É património que foi constituído em boa parte graças às taxas com que gerações e gerações de produtores contribuíram ao longo de décadas e é para estes que o património deve ser vocacionado.

Não é porém a isso que assistimos. Primeiro foi a o abandono, a degradação. Agora são as regras tolas da administração pública. Afinal o património foi pago pelos produtores e adquirido pelo IVV mas na verdade pertence ao Ministério das Finanças que o negociará e venderá como bem entender, eventualmente atribuindo uma verba simbólica ao IVV. Ou dando um "obrigadinho".

Porventura o mesmo obrigadinho que deram ao IVV quando este transferiu para a ASAE o seu laboratório, completamente equipado e que ainda teve de financiar durante quase um ano, período em que a ASAE já funcionava mas não tinha orçamento.

Sendo certo que o IVV não precisa deste património, o que faria sentido era constitui-lo num fundo imobiliário com gestão autónoma para rentabilizar da forma mais racional este activo e daí gerar um rendimento de longo prazo para o Instituto. Esta proposta não tem porém nem apoio no sector ( que anda politicamente adormecido ) nem cabimento no intrincado labirinto da legislação que regula o património público. Não nos admiremos pois se um dia destes tudo o que restar do património do IVV for a sede em Lisboa. E bom será se esta não for vendida para ser alugada de volta num "leaseback" hoje tão na moda e que chegou a ser anunciada por Santana Lopes enquanto PM.

Testemunho aqui que fui abordando o assunto com os sucessivos presidentes do IVV e todos se bateram pelo património. Admito que os governantes do Ministério tenham feito o mesmo face às Finanças.

Noto que isto não é um problema do PS nem do PSD. É da forma irracional como se gerem os bens públicos. É da falta de autonomia de um Instituto Público para gerir o seu património e para lhe dar a máxima rentabilidade ao serviço da comunidade. Um dia perguntei a um gestor publico de outra área porque é que ele tinha tantas casas espalhadas no terreno, todas a cair, e não as vendia. Ele explicou-me que não lhes podia fazer obras mas que também não queria levantar o assunto porque senão as finanças lembravam-se de vender aquilo tudo e o serviço dele ficava a ver navios.

Uma nota a título pessoal. Espero que quem ficou com todos os armários Estado Novo, lindos com portas de correr em ripas, trate bem deles. E quem ficou com uma máquina de escrever Underwood com teclas de porcelana que vi uma vez no armazém de Pinhel a estime...


( instalação de Pinhel )

( instalação no Bombarral )

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tabaco e bebidas alcoólicas vão aumentar


Já tinha escrito sobre isto em Maio de 2010 e agora confirma-se: um aumento extraordinário no IEC a ser anunciado hoje. A ver o que daí virá.

Leia o artigo desta manhã no Jornal de Negócios aqui.


Leia o meu artigo sobre fiscalidade aqui.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vinho Verde: vendas em Fevereiro

( clique na imagem para aumentar )

Também para mim foi uma boa surpresa ver as vendas de branco em bom ritmo. Tudo nos indica que seja o mercado externo com um óptimo comportamento. É um efeito muito positivo e não constitui surpresa mas coloca um problema pois as empresas que têm na exportação uma percentagem elevada das suas vendas são muito poucas.

No tinto, a tendência é a que temos vindo a conhecer. Aliás irónica pois nunca se fizeram Verdes tintos tão bons.

São só três meses, devemos pois ser prudentes na análise.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Vinho Verde: stocks em Fevereiro

( clique na imagem para aumentar )

Os stocks no fim de Fevereiro. Não será por falta de vinho que deixaremos de vender. Atenção aos gráficos de vendas que publicarei amanhã.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vinho Verde: exportações


Em breve publicarei aqui dados com muito detalhe sobre as nossas exportações 2010 cujos números temos já fechados. Por agora fica só este gráfico que acabo de fazer e me deixa bastante bem disposto !

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O IVDP-TV ?


Não tenho por hábito reflectir nesta página na evolução das demais regiões Portuguesas até para não correr o risco de ser mal entendido. Desejo a todas sucesso: o delas é o do país.

Quero porém, realmente, registar a minha surpresa com o modelo institucional que se encontrou para a certificação dos vinhos da Região de Távora e Varosa e Terras de Cister.

Para quem não conhece a região de Távora-Varosa, um nome diz muito: Murganheira. A página Infovini define-a deste modo: "A norte da região das Beiras e fazendo fronteira com a região do Douro, situa-se a Denominação de Origem Távora-Varosa. É uma região de pequena dimensão, todavia muito relevante na produção de espumantes. As castas brancas são as predominantes na região (Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio, Chardonnay). As castas tintas mais plantadas são a Touriga Francesa, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Pinot Noir. Apesar da produção da região ser liderada por espumantes, também são produzidos brancos frescos e tintos suaves."

Tornou-se evidente nos últimos anos que não se justificava a existência de uma entidade certificadora só para esta região, o que os produtores da região, de bom senso, aceitaram. Mais, tornou-se claro que a opção destes era que os seus vinhos fossem certificados pelo IVDP e não pela CVR ou CVR's a sul, nas Beiras. O que é legítimo.

Calculei pois ( a gente calcula cada coisa... ) que se encontrasse algum modo de o IVDP passar a certificar este vinho que lhe é externo. Isto porque o Varosa não é Douro, encontra-se fora do Douro, algo que ninguém contesta nem pretende alterar.

Ora o Decreto-lei nº 20/2011 de 8 de Fevereiro foi por um caminho totalmente diverso. Com efeito, vem alterar o Estatuto do IVDP consagrando neste a três novas funções:
  • certificar os vinhos da região demarcada
  • proteger os nomes “Távora-Varosa” e “Terras de Cister"
  • promover os produtos no mercado nacional e internacional.
E, para assegurar a representação dos produtores e comerciantes, cria no IVDP um novo Conselho Geral.

Não se trata pois de o IVDP prestar um serviço diverso do que presta aos produtores do Douro. A prestação de todos os serviços relativos à DO Távora Varosa passa a ser uma competência no coração do próprio instituto do mesmo modo que o são as restantes DO's.

Naturalmente, faz todo o sentido que os vinhos desta região sejam certificados por uma entidade pré existente. E percebe-se sem hesitação a opção pelo IVDP. Mas seria necessário dar, no Estatuto do IVDP a mesma dimensão de funções que este têm para o próprio Douro ? Aliás, para haver igualdade face a estas DO's, só faltam duas coisas: que os produtores do TV tenham lugar no conselho interprofissional do IVDP e não apenas na nova especializada e, finalmente, que o IVDP altere a sua designação.

O Decreto enxerta de modo tão sólido o TV no IVDP que cria situações interessantes de acompanhar no futuro. Quem vai determinar a taxa a cobrar aos novos vinhos ? o seu conselho ou o interprofissional do IVDP ? e já repararam que os produtores do TV têm um conselho próprio, onde vão determinar as suas regras e gerir a sua DO, mas os produtores do Moscatel do Douro, que é um DOC, ficam a ver navios ? é que o IVDP passa a ter três conselhos especializados, dois dos quais constituem o conselho interprofissional.

Imagino também os colegas do IVDP a fazerem contas para verem como vão dar corpo ao que a lei os obriga "promover os produtos no mercado nacional e internacional." ... bem como o custo que terá registar e proteger as novas DO's. "Terras de Cister" será registado no Uzbequistão ?

Só espero é que o site www.ivdp.pt não passe para www.ivdp.tv

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vinho Verde: stocks em Janeiro


( clique na imagem para aumentar )

Não vale a pena estar com rodeios, o stock está confortável. O branco parece excessivo mas importa notar isto: dos 61 milhões de litros, cerca de 40 estão já no comércio. No pequeno viticultor estão 8 milhões em 20.000 pessoas: não é económico ir busca-lo. Quer isto dizer que, das duas uma: ou o comércio está abastecido para a campanha; ou então se precisar de comprar não vai ter imenso onde. Não se justifica pois uma queda disparatada no preço do branco, salvo se as vendas ficarem bem aquém do esperado.

Não assim no tinto, onde temos um stock de 23 milhões para uma venda expectável de metade deste valor como DOC Vinho Verde. O mapa de desclassificações ( que não costumo incluir nesta página mas que está disponível em vinhoverde.pt ) vai certamente reflectir o escoamento de algum do tinto ao longo do ano. Importa que quem apoia os produtores nas reconversões de vinha atente bem nos números do stock de tintos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vinhos: aprender a vender nos EUA


No momento em que no nosso país os produtores se esgadanham para ver quem manda na promoção e quem come mais croquetes nas inaugurações de feiras, os nossos vizinhos apresentam esta página admirável de formação para vender vinho nos EUA. Merece meia hora de atenção e descarregar os documentos disponíveis.

Clique aqui.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vinhos Portugueses: transitos de uvas

( clique na imagem para aumentar )

Porque o trânsito de uvas entre regiões não é assunto que deva ser tratado à mesa do café, aqui deixo, sem mais comentários, o mapa oficial emitido pelo Instituto da Vinha e do Vinho que traduz os trânsitos de uva na última vindima.

Em cima o mapa resumo. O documento completo pode ser lido aqui.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vinho Verde: mercado EUA


Fechamos 2010 como um ano recorde nas exportações para os EUA. Estamos a crescer naquele mercado desde 2000. E crescemos em quantidade e em preços médios. Nos dados fechados a Novembro, estávamos com aumentos de 25% em quantidade e 34% em volume. O Vinho Verde representa mais de 50% dos vinhos Portugueses ( não licorosos ) exportados para os EUA. É indiscutivelmente um excelente resultado. Com dois bónus: um é que estamos definitivamente a sair da comunidade Portuguesa e portanto a entrar num mercado com um potencial fabuloso. O segundo é que não o estamos a fazer à custa de preço: vários vinhos vendidos bem acima da média estão a marcar pontos.

Aproveitei o fim da tarde de hoje para ir um pouco mais fundo e analisar em detalhe quem está presente naquele mercado e como. Infelizmente não posso divulgar os dados por marca, mas atente no gráfico em cima. Reflecte as exportações, em quota de volume, ordenadas por firma:

  • as duas principais firmas representam 70 % do negócio. Se juntarmos a terceira chegamos quase aos 80% !
  • há 34 empresas a exportar regularmente para os EUA ( algumas com várias marcas )
  • há vários Alvarinhos na lista. Curiosamente os EUA não só são o nosso maior mercado externo, mas são também quem compra melhores vinhos, ou mais caros pelo menos.
A concentração nas quotas de mercado é pois impressionante. E do mesmo modo a forma como temos nos EUA 2 grandes exportadores ( acima de 1M litros ) e depois um fosso imenso até ao terceiro ( 300.00 litros ).