terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Vinho Verde: que novas vinhas plantar ?


No período de uma semana, dois interessantes/preocupantes apontamentos sobre viticultura.

Ao preparar uma reunião que teremos dentro de dias com a Presidente do IVV, um dos apontamentos que nos chegou é do técnico superior de uma cooperativa, preocupado com a manutenção do Vitis após 2013, o que é muito importante. E de seguida outra preocupação: mesmo nos projectos colectivos, os viticultores são livres de plantar o que entendem. E quando plantam aquilo que, manifestamente, a cooperativa entende que são castas sem possibilidade de sucesso comercial ?

No Conselho Geral da passada semana uma outra intervenção, de um homem com uma carreira dedicada à produção, pergunta se estamos a plantar as vinhas que interessam face a uma conjuntura que mudou. Hoje as maturações já não são o problema central. Será que estamos a plantar vinhas vocacionadas para vinhos de nicho e que deixam para segundo plano a rentabilidade, da qual a produção por hectare é um elemento fundamental ?

Na vindima de 2010 continuamos na casa dos 5.000 quilogramas de uva produzidos por hectare. Isto quando se sabe que 1 hectare tem um custo de manutenção praticamente fixo quer produza mais ou menos e que as melhores vinhas da região andam consistentemente nos 10.000 quilogramas/hectare. O estudo Daniel Bessa/EGP feito para a ANCEVE em 2008 era muito claro sobre este ponto: a produtividade média das vinhas tem de aumentar, para garantir o rendimento do agricultor.

Vou tratar estatisticamente os dados de produção por hectare para os analisar e publicar aqui. em breve É claramente um ponto essencial da nossa política vitícola.

Nota: foto das vinhas de Gomariz, do site Boas Vinhas da CVRVV.

2 comentários:

Anónimo disse...

Bem curiosa esta preocupação primária, de saber qual a importância do "ovo ou da galinha ", que vai desaguar na inevitabilidade duma solução administrativa. limitativa da livre decisão.

Neste caso, e recorrendo à memória e aos excessos de 68, recorro-me de Cohn-Bendiit e recordarei " é proibido proibir "!

O mercado tende a ser cada vez mais sedento de novas produtos, novas embalagens, novos conceitos, novos paladares etc. etc. e também não caberá a ninguém o privilégio de reprimir essa evolução nem tampouco regulamentar as "boas escolhas".

Grandes "puristas" não hesitam a desqualificar um vinho rosé, pretendendo ignorar o seu sucesso comercial, galhofando com inúmeros conceitos "científicos".
Mas o que é inegável, é que o Mateus é um sucesso nas vendas há muitos anos.

Reflectir é saudável, mas partir para a busca de soluções com preconceitos aparentemente miraculosos poderão obter espontânea adesão, não me parece que seja o melhor caminho.

Com um abraço

Alfredo Borges de Macedo

Manuel Pinheiro disse...

Meu caro, VC é um homem de artilharia !

Eu não tenho preconceito contra coisa nenhuma. Não tenho contra o tinto, de que sou consumidor, e muito menos contra o rosado de que sou assíduo cliente.

O que eu compreendo são os dois argumentos que reproduzi e compreendo-os por isto. Explico.

Uma cooperativa que estabelece como objectivo estratégico dispor de mais branco ( pois percebe que o mercado do tinto está lotado ) organiza um projecto de reconversão das vinhas dos sócios e estes o que fazem ? plantam tinto ! o que pode fazer a gestão da cooperativa neste caso? certamente não vai violar a liberdade dos sócios em plantar o que querem na sua própria terra, mas como agir ?

Quanto ao outro comentário, também eu o entendo. Isto porque continuo a ver novas vinhas serem plantadas tendo por objectivo a produção de uvas de topo e não tendo por objectivo a rentabilidade da viticultura. Ora o que o viticultor precisa em primeiro ligar é de ser rentável e para isso claramente há que aumentar o rendimento/hectare. Ainda este ano ouvi não sei quantos produtores a gabarem-se da elevada maturação das suas uvas quando o comprador não lhes deu mais um cêntimo acima de 12% Não há aqui um desfasamento entre produção e mercado ? Não seria preferível aquele lavrador produzir mais 15 ou 20% a 11 graus do que menos quantidade com um álcool potencial que o mercado não paga ?

Bem haja pelo comentário. Aguardo a granada de volta !