segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O IVDP-TV ?


Não tenho por hábito reflectir nesta página na evolução das demais regiões Portuguesas até para não correr o risco de ser mal entendido. Desejo a todas sucesso: o delas é o do país.

Quero porém, realmente, registar a minha surpresa com o modelo institucional que se encontrou para a certificação dos vinhos da Região de Távora e Varosa e Terras de Cister.

Para quem não conhece a região de Távora-Varosa, um nome diz muito: Murganheira. A página Infovini define-a deste modo: "A norte da região das Beiras e fazendo fronteira com a região do Douro, situa-se a Denominação de Origem Távora-Varosa. É uma região de pequena dimensão, todavia muito relevante na produção de espumantes. As castas brancas são as predominantes na região (Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio, Chardonnay). As castas tintas mais plantadas são a Touriga Francesa, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Pinot Noir. Apesar da produção da região ser liderada por espumantes, também são produzidos brancos frescos e tintos suaves."

Tornou-se evidente nos últimos anos que não se justificava a existência de uma entidade certificadora só para esta região, o que os produtores da região, de bom senso, aceitaram. Mais, tornou-se claro que a opção destes era que os seus vinhos fossem certificados pelo IVDP e não pela CVR ou CVR's a sul, nas Beiras. O que é legítimo.

Calculei pois ( a gente calcula cada coisa... ) que se encontrasse algum modo de o IVDP passar a certificar este vinho que lhe é externo. Isto porque o Varosa não é Douro, encontra-se fora do Douro, algo que ninguém contesta nem pretende alterar.

Ora o Decreto-lei nº 20/2011 de 8 de Fevereiro foi por um caminho totalmente diverso. Com efeito, vem alterar o Estatuto do IVDP consagrando neste a três novas funções:
  • certificar os vinhos da região demarcada
  • proteger os nomes “Távora-Varosa” e “Terras de Cister"
  • promover os produtos no mercado nacional e internacional.
E, para assegurar a representação dos produtores e comerciantes, cria no IVDP um novo Conselho Geral.

Não se trata pois de o IVDP prestar um serviço diverso do que presta aos produtores do Douro. A prestação de todos os serviços relativos à DO Távora Varosa passa a ser uma competência no coração do próprio instituto do mesmo modo que o são as restantes DO's.

Naturalmente, faz todo o sentido que os vinhos desta região sejam certificados por uma entidade pré existente. E percebe-se sem hesitação a opção pelo IVDP. Mas seria necessário dar, no Estatuto do IVDP a mesma dimensão de funções que este têm para o próprio Douro ? Aliás, para haver igualdade face a estas DO's, só faltam duas coisas: que os produtores do TV tenham lugar no conselho interprofissional do IVDP e não apenas na nova especializada e, finalmente, que o IVDP altere a sua designação.

O Decreto enxerta de modo tão sólido o TV no IVDP que cria situações interessantes de acompanhar no futuro. Quem vai determinar a taxa a cobrar aos novos vinhos ? o seu conselho ou o interprofissional do IVDP ? e já repararam que os produtores do TV têm um conselho próprio, onde vão determinar as suas regras e gerir a sua DO, mas os produtores do Moscatel do Douro, que é um DOC, ficam a ver navios ? é que o IVDP passa a ter três conselhos especializados, dois dos quais constituem o conselho interprofissional.

Imagino também os colegas do IVDP a fazerem contas para verem como vão dar corpo ao que a lei os obriga "promover os produtos no mercado nacional e internacional." ... bem como o custo que terá registar e proteger as novas DO's. "Terras de Cister" será registado no Uzbequistão ?

Só espero é que o site www.ivdp.pt não passe para www.ivdp.tv

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