quinta-feira, 24 de março de 2011

Vinho: um difícil fim de ciclo

A imprensa tem noticiados nos últimos dias que o Ministério das Finanças retirou 9 milhões de euros do fundo do IVDP. Para quem não conhece a organização do vinho, importa dizer que as organizações de tutela não são financiadas pelo Orçamento de Estado. Neste caso o IVDP, instituto dos vinhos do Douro e Porto é financiado por taxas cobradas aos produtores e comerciantes do Douto. O IVDP não recebe transferências do OE, aliás tem contribuído em várias ocasiões para financiar acções dos sucessivos Ministros cuja utilidade para o Douro nem sempre é clara.

A esta luz, arrepia ver que os produtores e comerciantes do Douro contribuíram esta semana com 9 milhões de euros para o Estado. É um imposto: voluntário não foi de certeza. Foi imposto.

Não deixo de me questionar sobre o motivo pelo qual se constituiu tal fundo ( ao invés de investir na região ) e sobre o imenso silêncio em redor desta operação. Homenagem às firmes tomadas de posição da AEVP e Casa do Douro. Não estaria na altura de o Douro assumir o seu destino e deixar de se apoiar num instituto público ?
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Num texto anterior referi o património imobiliário do IVV, o Instituto da Vinha e do Vinho, mas um instituto público financiado pelas taxas cobradas aos produtores e comerciantes. Ando a falar deste património ( não sou o único ) há uma década. O seu desaparecimento, já praticamente consumado, é testemunho dos dias difíceis que vivemos. Mas é também uma homenagem à passividade do nosso sector.

Quem faz política fora do vinho acha muitas vezes que somos um sector politicamente forte e poderoso. E de facto brilhamos quando o Engº António Guterres quis lançar a taxa de alcoolemia e fomos capazes de nos unir e impedir essa iniciativa.

E hoje, seríamos capazes do mesmo ? quando, daqui a 2 meses o PSD vier a anunciar um IEC de 10 cêntimos sobre o vinho como reagiremos ?

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