quinta-feira, 7 de abril de 2011

Lá vamos nós...

Deixando de lado as questões da política nacional e europeia, é claro que o pacote de ajuda que Portugal vai receber terá como contrapartida o lançamento de medidas de reforma. Não tenho dúvida que, apesar da sua violenta dureza no curto prazo, muitas serão largamente positivas para a nossa economia.

Há porém áreas em que o sector dos vinhos tem de estar atento para se movimentar, discretamente ou em público, logo que e mostre necessário.

A Extinção do IVV é um assunto antigo. Importa referir que este instituto público é pago integralmente pelas taxas dos produtores, pelo que não pesa no OE. Pelo contrário, o IVV gera recursos para o Estado que tem vindo a transferir para as Finanças. A fusão dos Ministérios da agricultura com o ambiente ou com a economia ( propostas pelo PSD ) serão largamente prejudiciais, sobretudo na negociação europeia, sem que se vejam as poupanças. Acabar com um Ministério é uma bandeirola política para qualquer PM, mas o que gera custos obviamente é a estrutura e não o gabinete ministerial. Mais, não havendo um ministro específico, não vemos como se faria a reorganização do Ministério a partir de um ministro de outra área naturalmente fora do mundo que é a organização administrativa da agricultura. O aumento do IVA é uma preocupação constante. O vinho deve ter a taxa de IVA aplicada às refeições que acompanha. A imposição de um IEC sobre o vinho, algo que já mencionei em detalhe em textos anteriores, surge como altamente provável uma vez que a DGAIEC tem no terreno todos os mecanismos para a sua aplicação. É preocupante não só pelo custo directo mas ainda pelos custos administrativos. Embora aqui, confesso, a mão pesada da DGAIEC viria a ser saudável para algumas empresas que infelizmente ainda vivem entre nós.

Não me canso de sublinhar a importância do vinho para o país.

- É um sector que cria emprego longe da costa em dezenas de municípios onde não há outra fonte de riqueza de registar.
- É um sector com elevadíssima incorporação de produção nacional, mantendo uma rede de empresas produtoras, universidades, fabricantes de peças e equipamento, a cortiça, os rótulos, as caixas, enfim.
- É um sector fortemente exportador e esta vocação aumenta notoriamente a cada ano que passa;
- É um sector cuja competitividade assenta em empresas ( comerciais e cooperativas ) privadas e competitivas, um dos menos apoiados pela política agrícola da União Europeia.

Vamos pois ter um verão quente ( 36 anos depois ), em que o sector tem de estar unido, em que as associações deverão gerar entre si o trabalho de equipa que exigem aos políticos nacionais.

Votos sinceros de sucesso para todos os colegas do sector dos vinhos na tempestade que atravessamos. E não se esqueça de exportar, porque o mercado nacional...

1 comentário:

José Pedrosa disse...

Perfeitamente de acordo com a extinção do IVV.
Como é do conhecimento de todos, no sector da Vinha e do Vinho intervêm, neste momento, 5 entidades, senão vejamos. IVV, DRAP, IFAP, DGAIEC e as CVR,s, com competências e atribuições , por vezes mal definidas, repetitivas e com falta de conhecimento do modo funcionamento do negócio do vinho .
Na minha opinião deverão diminuir as funções do estado, no sector da vinha e do vinho e em contrapartida deverá ser atribuída à s CVR,s , mais funções, na mediada em que, são as CVR,s que sentem os problemas do sector.
Os viticultores portugueses,nos últimos anos têm realizado um esforço financeiro enorme, com a reestruturação dos seus vinhedos (VITIS), assim como, as empresas de transformação e comercialização na modernização das suas estruturas de produção e na conquista de novos mercados, com os objectivos de melhorar a qualidade dos vinhos produzidos e a competitividade das empresas, devem ser acarinhados e não castigados com mais impostos, seja o aumento do IVA ,seja a implementação do IEC.
Devemos estar atentos e se for necessário sair para a RUA, exigir mais de que nos representa,
José A. Pedrosa