segunda-feira, 23 de maio de 2011

A TAP e o Vinho Verde
( ou melhor: a Ryanair e o Vinho Verde )

Encerramos o dossier TAP na CVRVV.

De há bastante tempo a este parte, temos vindo a tentar colocar o Vinho Verde no serviço regular da TAP. O nosso interesse não é comercial, mas sobretudo promocional. Havendo Vinho Verde a bordo, um produto que o cliente tem como único no mundo e por isso uma memória de Portugal para tantos emigrantes e turistas que nos visitam, estaríamos a promover a região e a sublinhar esta marca caracterizadora de Portugal.

Pensamos ainda que a presença do nosso vinho na TAP seria bem vinda pelos viajantes, porquanto um vinho que se exporta para 80 países e que está há dez anos a aumentar consecutivamente a aumentar as suas exportações seria, claro, apreciado pelos clientes da TAP.

E mais. Pensamos ( pensávamos … ) que sendo TAP como accionista o Estado Português, certamente teria como orientação estratégica da sua gestão funcionar como uma bandeira do país, do nosso bem receber, da nossa gastronomia e vinhos.

De facto a gente às vezes pensa cada disparate …

Os primeiros contactos com a companhia não nos levaram a lado algum senão ao repetido argumento de que os vinhos a servir a bordo são seleccionados por um painel técnico que é muito conhecedor e que decide livremente e à porta fechada quais os vinhos a servir.

E entretanto íamos falando com produtores de outras regiões, que nos explicavam como conseguiram ter os seus vinhos em linha…

Finalmente, há um par de meses, uma oportunidade de ouro que agarramos logo. Através de um Minhoto amigo, recebemos uma proposta promocional para o Vinho Verde na revista da TAP e na primeira classe ( durante algum tempo e para alguns destinos ). Não escondo ao caro leitor, que os valores propostos eram elevadíssimos. Mas era a oportunidade para morder e não largar.

E por isso, compatibilizadas as agendas lá fomos para Lisboa, sendo recebidos por um Vice Presidente da TAP. Deixo claro deste já ( antes que leia o resto ) que muito admiro a competente gestão que o Engº Fernando Pinto trouxe à TAP, salvando a empresa de uma derrocada repetidamente anunciada. E por isso recebi com especial expectativa a notícia de que a reunião decorreria com um Vice-Presidente da companhia, precisamente um Brasileiro da equipa directa do Engº Fernando Pinto.

Boa impressão logo ao início. O edifício e as salas da administração da TAP não são de um luxo oriental tão típico deste tipo de grandes empresas mas, pelo contrário, espaços limpíssimos mas com mobiliário e decoração bem antiquada, a testemunhar que os administradores poupam no acessório para investir no que consideram essencial.

Fomos recebidos pelo Vice-Presidente responsável por esta área ( como é habitual não cito nomes ), homem de negócios, afável, directo e objectivo. Assumimos uma posição muito positiva, não questionando o valor que nos era proposto mesmo que soubéssemos que, em publicidade, os valores de tabela estão muito longe de ser os valores finais. E o valor em causa era, asseguro, muito elevado.

E só contra-propusemos uma coisa: que o Vinho Verde fosse incluído no serviço regular da classe turística. Podia ser gradual, podia ser sazonal e até poderia ser só em algumas linhas. Mas a TAP se quer trabalhar com a CVRVV tem de fazer uma coisa muiito simples: servir Vinho Verde aos seus clientes.

Ou seja, nós pagaríamos a tal fortuna se eles pusessem o VV na mão das hospedeiras. Até nem era preciso a publicidade nem as degustações. Nós passávamos o cheque se eles colocassem o nosso vinho em linha. A marca que eles quisessem.

A resposta foi longa, com palavras escolhidas para que não levássemos a mal, mas a simples resposta é não. Não servem o VV no lugar do branco ( na turística o cliente tem a escolha de um branco e um tinto ), pois acham que há clientes que rejeitam o Vinho Verde e por isso não colocam em linha um produto que é rejeitado por alguns clientes. Não servem o VV em acrescento aos dois vinhos já em linha pois isso causaria um problema logístico. Numa palavra: não.

Gostam muito do Vinho Verde, estão disponíveis para fazer muitas acções com a CVRVV e os nossos produtores ( propuseram várias ) com uma excepção: servir os nossos vinhos na turística.

Notas finais.

1. Como se explica, ideologicamente que o Estado tenha uma companhia de aviação se não é para prestar serviço público ? se é para ser gerida de forma tecnocrática ( legítima, note-se ) como qualquer companhia com accionistas privados, então não faz sentido o Estado ter lá capital. Venda-se e rápido. Até nos poupam o nervoso miudinho quando os pilotos fazem greve em Agosto a exigir aumentos dos já elevados salários.

2. Durante este verão, se voar na Ryanair de/para Portugal, vai ter uma surpresa muito boa quando imprimir o cartão de embarque… E em breve a surpresa não estará só no talão de embarque…

1 comentário:

Paulo Matos Graça Ramos disse...

Estou de acordo, é um bom argumento para privatizar a TAP.
Foi pena não considerarem o Regional Minho ou Alvarinho, que podem ultrapassar as rejeições e preconceitos apresentadas em relação ao Vinho Verde (é uma região com vários produtos mas apresenta no seu nome apenas um deles...).
Já agora quais os fundamentos de tal rejeição? Um estudo feito pela TAP, ou o Administrador ligou o achómetro?
De qualquer forma esta rejeição existe, e deve ser analisada com cuidado, para que a comunicação da CVRVV possa ajudar a ultrapassar a mesma.