terça-feira, 12 de julho de 2011

Vinho Verde:
stocks e vendas no primeiro semestre

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Estão fechados os números de Junho, podemos reflectir um pouco sobre os números já disponíveis. O stock de branco está um pouco acima do ano passado, cerca de 7 milhões de litros. Ainda não há previsões oficiais da colheita, mas os sinais iniciais de que seria muito abundante parecem esmorecer com algumas doenças que fizeram perder produção em zonas como o vale do Sousa. Não me parece razoável esperar que vamos ter uma abundância de vinho nem que o stock seja excessivo. E pode a região estar certa de que a aprendizagem feita nos últimos anos sobre o controlo da vindima será aplicada no programa de controlo deste ano.

O stock de tinto é o que é. Há um bom comportamento nas vendas de rosé mas realmente o tinto é um problema. Importa fazer chegar esta mensagem aos viticultores que, infelizmente, plantam muito por ondas. Estamos agora nas consequências da onda de que o vinho tinto "dava muito". A este propósito cito aqui uma reflexão de um membro do Conselho Geral que afirmava que a região está a plantar vinhas sem olhar ao que o mercado procura. Importa que o viticultor faça contas, ouça os técnicos e fale com os clientes antes de plantar. Uma boa meia hora a analisar os números do mercado e as tabelas de compra das principais empresas e adegas é tempo bem gasto. Repare por exemplo que ninguém está a premiar uvas acima de 12º. Para quê estruturar uma vinha para produzir um grau que o mercado não paga e prejudicar, por exemplo, a produção em quilos que - esta sim - o mercado paga ?

Passando então às vendas. Não é surpresa que estamos perante um período sui generis em que o mercado nacional está claramente recessivo e o mercado externo está em crescimento.
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O quadro acima traduz esta realidade: As vendas no branco estão consolidadas e têm uma descida sem grande significado. Escondem, é claro várias realidades: a que indiquei acima, o crescimento da exportação a suportar as vendas e uma segunda mais preocupante. É que, ao contrário do mercado nacional onde se encontram todos os 600 engarrafadores a concorrer com cada vez menos preço, na exportação está um número muito reduzido de empresas. Quer isto dizer que os macro-números de vendas do branco são estáveis pois há um pequeno número de empresas que cresce fora, enquanto a maioria perde vendas cá.

Para ler sobre as exportações de Vinho Verde, clique aqui.

As vendas do tinto são muito preocupantes. O tinto fechou-se ao longo dos anos num mercado regional e sazonal. As empresas praticamente não investem na comunicação do tinto. Estamos pois a perder em vários níveis: na recessão do mercado nacional ( pouco tinto se exporta ) e na inadaptação do nosso tinto ao gosto do consumidor urbano. Num futuro texto escreverei com calma sobre os dias difíceis por que passa a Adega de Castelo de Paiva mas pergunto, a propósito do tinto, como é possível todo um concelho convencer-se que o seu tinto tem um potencial de mercado fabuloso no futuro e dirigir todos os seus investimentos nesse sentido ?

O rosado é uma categoria interessante. Chegamos aos 690 mil litros no primeiro semestre, com o Muralhas e o Casal Garcia a liderar. O Vinho Verde é número 1 no branco e também nos rosés DOC em Portugal. Muito gostava que outras marcas grandes do rosé no nosso país adoptassem o Vinho Verde como a sua base de produto. Ando a trabalhar nesse sentido. Até ficar rouco ...

Preparemo-nos então para a vindima que já vem perto e, ao contrário do que dizem, não vai haver assim tanta uva.

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