sábado, 18 de fevereiro de 2012

Vinho Verde: o cadastro da vinha

Ponto da situação no cadastro da vinha, um dossier a que nos temos dedicado muito nos últimos anos e que começa a apresentar resultados.

O cadastro da vinha é um ficheiro central para qualquer região demarcada. Contém toda a informação sobre a estrutura produtiva da uva, as explorações e parcelas, o que lá se encontra plantado, quem são os titulares e os exploradores da vinha. É a partir desta base de dados que se controla a rastreabilidade do vinho, podendo assim o cliente ter a certeza que uma garrafa de vinho corresponde efectivamente às uvas produzidas naquela região.

O cadastro da vinha nos Vinhos Verdes é gerido pelo SIVV, o programa informático do Instituto da Vinha e do Vinho, sobre o qual trabalham diariamente os técnicos da Direcção Regional de Agricultura, a entidade pública que se relaciona directamente com os produtor e que faz a actualização dos dados, nomeadamente quando há arranque de vinha, novas plantações, alterações de área, etc.

O problema do cadastro é simples: ele nunca está acabado. Nos 22.000 viticultores da região ( mais de 100.000 parcelas de vinha ) há sempre quem esteja a nascer ou a desaparecer, há novas vinhas, há transferências de locais.

Todos estes 22.000 viticultores ( ou exploradores ) operam em vinhas legalizadas com os respectivos direitos de plantação suportados em documentos emitidos pelo Ministério da Agricultura, que se encontram informatizados na CVRVV. Aproximadamente 11.000 ( os maiores, representando 60% da área ) estão já incluídos com elevado nível de rigor no cadastro central do SIVV. Os restantes estão a ser actualizados gradualmente, num projecto comum destas três entidades, a CVRVV, a DRAPNorte e o IVV. Esta actualização tem sido orientada por opções estratégicas comuns privilegiando os viticultores de maior dimensão e alguns concelhos que requerem maior atenção. Por exemplo Resende viu o seu cadastro completamente actualizado em 2010 e 2011, uma operação que aumentou significativamente o seu rigor, tendo reduzido a área de vinha.

Numa região vitícola como a nossa em que a uva tem um prémio face ao preço da uva circunvizinha, a manutenção de um cadastro em permanente actualização é essencial para garantir a rastreabilidade. Não tanto para as autoridades ou sequer para o cliente mas em primeiro lugar para o produtor, o produtor da região, que deve ser o beneficiário único do prémio que as uvas obtém no mercado. Investir no cadastro é pois uma obrigação de política pública para o Estado Português.

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