quinta-feira, 26 de julho de 2012

Vinho Verde: cadastro da vinha em dia !


Quantos viticultores há numa região demarcada, que área de vinha tê e o que se encontra plantado nessas vinhas ? A pergunta é óbvia, aparentemente simples, mas a resposta é uma enorme dor de cabeça.

Desde sempre ouvi dizer que o Cadastro da Vinha é um problema, que está desactualizado, em suma, que ninguém se entende. Nas restantes regiões a situação não é melhor. Há regiões onde aparentemente há uma "aproximação de cadastro", há outras onde há um cadastro da CVR que é diferente do cadastro do MAMAOT. Escassos são os bons exemplos.

Dispor de um cadastro actualizado é essencial. Sem ele, simplesmente não a controlo da origem. Com ele, já há um ponto de partida.

O nosso tem passado por todas as peripécias. Poupo o leitor aos episódios até porque há coisas que só convém escrever alguns anos depois.

É com grande satisfação que escrevo que faremos a próxima vindima com o cadastro em dia. As últimas semanas têm sido de trabalho intenso, numa articulação ( isto sim, posso escrever porque é bom ) exemplar entre o IFAP, o IVV, a DRAPN e a CVRVV que permitiu garantir que até à vindima estarão chamados ao cadastro todos os viticultores da região, mesmo muitos de dimensão diminuta. Todas as suas fichas foram atualizadas pela DRAPNorte e a informação é partilhada com as várias entidades a partir do programa SIVV do IVV.

Justo é dizer que esta articulação foi pessoalmente coordenada pelo Sec. Estado José Diogo Albuquerque, a quem muito do resultado se deve.

Números então: vamos para a vindima com pouco acima de 20.000 viticultores ( 18.875 hoje, mas ainda mais serão actualizados ) e uma área aproximada de 17 mil hectares. É menos do que o número a que estávamos habituados mas tem uma vantagem única: é o valor real ! Há concelhos onde a actualização das áreas reduziu para metade a área de vinha. Não se perdeu produção, é claro; ganhou-se foi rigor.

A área que temos é mais do que suficiente. Se estivéssemos a produzir no limite legal de 10.666 kgs por hectare, teríamos uma produção de mais de 130 milhões de litros. Na prática andamos perto de metade disso. O desafio não é pois ter mais vinha mas sim produzir mais e melhor ( em simultâneo ), para sustentar a região e dar rentabilidade à viticultura. Por isso é essencial que haja controlo da vindima, que haja um pagamento justo à produção, que haja seguro de colheita, que as adegas e vinificadores possam pagar a tempo.

Vem ai a vindima. Nos próximos dias teremos a revisão oficial de colheita. mas a julgar pelos dados de cadastro, já vou pensando que vai ser uma vindima curta.

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