terça-feira, 9 de outubro de 2012

Notas da vindima III: mau tempo e menos vinho

Imagem: José Serpa Pimentel

O S. Pedro decidiu mesmo participar na vindima com chuva. Hoje muito forte em vários pontos da região.

Apontamentos:

  • há menos vinho por cá, há menos vinho em Espanha, em França e em Itália. Claramente é um ano de escassez generalizada;
  • o balanço que fizemos na sexta-feira indica que a baixa ocorre em todos os vinificadors e adegas, embora com níveis diferentes;
  •  ao contrário de 88, neste ano o mercado difícilmente aceitará aumentos generalziados de preço. Certo é que os "Verdes" de menor preço terão de ser corrigidos, mas as marcas d emaor volume vão ter muita dificuldade em fazer repercutir o custo do produto na garrafa;
  • começam a notar-se as vinhas vitimadas pela Fravescência Dourada a fazer falta. Na semana passada reunimos com o S.E. da Agricultura e este foi um dos principais temas tratados; ontem conversei longamente com a presidente da Adega de Ponte de Lima que está muito preocupada e ocupada com este assunto;
  • ainda há vindima para fazer em vários pontos. A vindima começou tarde e muitas adegas vão ficar abertas até à segunda metade do mês.
É preciso ter a cabeça fria. Esta não é a primeira nem será a última vez que a região tem escassez. E sobretudo não atirar números para o ar. Há dias uma produtora dizia-me que estamos com uma baixa de 90%. Não estamos. Nem nada que se pareça. Na EVAG, a quebra foi na ordem dos 30%, com uma quebra de 13% nos tintos.

Seja como for, tenho como claro que precisamos de ter um significativo movimento de plantio, aroveitando o vitis e seu sucessor. Precisamos de plantar por várias razões:
  • porque há abandono,
  • porque há flavescência dourada
  • porque é preciso, diria é urgente, aumentar a produção por hectare dos viticultores para garantir a sua subsistência e assim o futuro da região.
Uma reflexão quanto ao vitis é a necessidade de as novas vinhas serem vocacionadas com vista a um unico e simples fim: a rentabilidade do produtor. Continuamos a ver produtores e associações estruturarem as novas vinhas para oferecerem uvas que o mercado não procura, por vezes sacrificando a produção para obter maturações que os clientes não procuram. Há que repensar estas vinhas. Não haverá vitis generosopara sempre e temos de o aproveitar.

3 comentários:

josé pedrosa disse...

Se o problema da flavescência dourada não for atacado com o vigor e a urgência que o problema exige, corremos o risco que nos próximas 5 a 10 anos mais de 5o% do vinha d região está infectada.
Relembro aos leitores que a empresa que represento arrancou cerca de 46 ha de vinha, entre 2008/2011, motivado pela flavescência dourada.
Queria chamar atenção para o problema da vinha abandonada, terá que o governo que tomar uma posição bem firme nestes casos,

José Pedrosa disse...

Na continuação do meu comentário anterior, chamo à atenção dos leitores deste blog para a circular nº 15 dos Serviços Agricola da Divisão de Sanidade e Controlo Agroalimentar da DRAPN, datado de 29 do corrente.
Este problema é mesmo sério!!!
VAMOS ACORDAR?Amanhã será tarde.

Anónimo disse...

Na continuação do meu comentário anterior, chamo à atenção dos leitores deste blog para a circular nº 15 dos Serviços Agricola da Divisão de Sanidade e Controlo Agroalimentar da DRAPN, datado de 29 do corrente.~
Este problema é mesmo bem sério!
Vamos acordar,senão um dia será tarde.