quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Vinhos, carros e medalhas

Quanto eu era novo ( eu sei já foi no outro século... ), havia um carrinho que era o Renault 5 GTL. Era um pequeno carro urbano, muito económico, oferecia uma otima relação qualidade/preço, era feito cá e foi um sucesso de vendas.


Por ser económico e de perfil urbano, era necessáriamente pouco espaçoso e pouco potente. Porém era designado como "GTL", as abreviaturas de Grande Turismo Luxo. Na verdade não era nada disto. Estas designações começaram a ser usadas no início do século em carros que de facto as justificavam mas foram sendo cada vez mais desvalorizadas pelo seu uso indiscriminado. Quando chegaram ao R5 dos anos 70/80, GTL já não significava nada, não tinham nenhum valor de mercado. Hoje cairam em desuso e as marcas optaram aliás por uma estratégia mais inteligente: registam em seu nome a totalidade da designação de cada modelo e assim protegem a sua pripriedade intelectual. Não espere entrar num stand e encontrar no futuro nenhum modelo "GTL".

Vem esta lenga lenga a propósito das medalhas que encontramos nas garrafas de vinhos. Diz uma colega nossa que um vinho ou é decente ou então precisa de medalhas para se afirmar. Admito que seja assim, não estou a ver o Petrus a ostentar no rótulo uma medalha de prata obtida no concurso de vinhos da Mairie de Pomerol...

Porém há clientes que de facto, e na dúvida, preferem uma garrafa que ostente uma rodinha dourada e há produtores que, podendo, aplicam medalhas em todos os seus vinhos.

Para evitar que começassem a aparecer medalhas a torto e a direito em todas as garrafas, a legislação cominitária começou por determinar que apenas alguns concursos idóneos poderiam atribuir medalhas aplicáveis no rótulo. Publicou-se a lista anual destes concursos.

Calculo que tenha havido um burburinho tal em Bruxelas, que a UE revogou esta legislação. Hoje a legislação comunitária permite que qualquer vinho aplique uma medalha obtida num concurso de amigos feito no sábado ao fim da tarde.

É justo dizer que a legislação nacional ainda obriga a requisitos mas aqui levantam-se dois problemas:

- por um lado, muito portuguêsmente, o índice de cumprimento é baixíssimo. Basta uma rápida olhada pelo limear de um supermercado para se perceber que há medalhas de todas as origens. Há concursos, há revistas, há provas que são feitas com o rótulo à vista e há até medalhas que aparecem nos rótulos mas não tem nada a ver com o produto que está na garrafa mas sim com a actividade genérica da empresa produtora;

- por outro, é justo dizer que a legislação também não é feliz. Permite que se crie uma imensidão de concursos de vinhos em Portugal mas impede a colocação de uma medalha de um vinho premiado pela Revista de Vinhos ou pontuado pelo Wine Advocate.

Muito à nossa maneira ( andamos nisto há 850 anos ), resolveu-se o assunto de forma simples: a lei estabelece tudo o que entende, mas não é cumprida. É uma coisa muito típica nossa: dá-se voz aos que exigem legislação rigorosa publicando tudo o que pedem e dá-se liberdade aos que exigem não haver regras pelo método de não aplicar a lei. Nem discuto, pois é um método de sucesso, fica toda a gente feliz.

Claramente se fossemos uma terra de bom senso, o assunto tinha uma de duas soluções:
  • ou o sector quer estas regras e então o Estado faria com que elas fossem cumpridas;
  • ou o sector quer outras regras e então mudava-se a lei e o Estado faria com que a nova lei fosse cumprida.
Como não somos, estamos nisto...

Nota: o uso de "light" nos rótulos ( hoje proibido ) fica para próximo texto. Vou ali e já venho.






terça-feira, 15 de outubro de 2013

Orçamento de Estado 2014

Notas de uma leitura rápida da proposta de OE na perspectiva das bebidas alcoolicas:

IEC:
  • Artigo 74º, 2 "A taxa do imposto aplicável aos produtos intermédios é de € 68,68/hl."
  • Artigo 76º, 2 "A taxa do imposto aplicável às bebidas espirituosas é de € 1 251,72/hl."

IVA:
  •   não parecem existir alterações, seja quanto à taxa aplicada aos vinhos seja quanto à restauração.

Faça uma leitura atenta. Clique aqui para descarregar pdf, ficheiro que deve abrir com o Adobe Acrobat,

domingo, 13 de outubro de 2013

Vindima Amarante


Já passa vinho em Amarante. Foto de Eduardo Teixeira Pinto partihada no Facebook de Old Portugal.

EDUARDO DA COSTA TEIXEIRA PINTO nasceu na freguesia de S. Gonçalo, Amarante, em 1933.

Começou a tirar as suas primeiras fotografias profissionais em 1950, tornando-se expositor desde 1953 em vários salões de fotografia nos cinco continentes. 


 

sábado, 12 de outubro de 2013

Vindimas - mais apontamentos

Estive na estrada nos últimos dois dias, vi muita vindima, falei com muitos produtores e acompanhei as equipas da CVRVV que garantem a certificação das uvas sem olhar a horários.

Mais alguns apontamentos ( ver tb texto anterior ):

  • hoje vai ser um dia grande de vindima por todo o lado, até porque nos próximos dias teremos alguma chuva;
  • no total da região, atingimos ontem o valor final de 2012 pelo que o que for entregue a partir de agora contará acima de 2012;
  • no vale do Sousa ainda há bastante por vindimar, embora a próxima semana deva já ser mais calma; e quanto mais se atrasar a vindima mais nos expomos ao risco da chuva;
  • já começaram a fechas as primeiras adegas e empresas com a vindima terminada;
  • no Minho está praticamente fechada a vindima do Alvarinho e confirma-se uma produção substancial;
  • as autoridades policiais estão a fazer controlos de peso e documentação das viaturas, sobretudo no vale do Sousa. É uma obrigação sua, claramente, mas gera uma preocupação pois bem sabemos como os transportes de uva são pressionados pelo tempo e pela necessidade de rentabilizar as viagens; não esquecer que o peso das viaturas não é só um requisito legal, é uma necessidade de segurança para quem as conduz e quem partilha a estrada;
  • a inspecção de trabalho tem feito acções de visita às vinhas para controlar a situação laboral dos vindimadores. É também uma obrigação sua. Importa ter em conta os requisitos quanto à celebração de contratos e quanto aos seguros de acidentes de trabalho.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Vindimas - apontamentos

Venda tradicional de uvas em Resende. Foto: fiscais da CVRVV
Ainda há muito para vindimar , mas a maior parte já está nas adegas. Temos tido 18 colegas a tempo inteiro na região controlando a qualidade e a origem das uvas, num trabalho hercúleo que apresenta sem dúvida os seus resultados. Alguns apontamentos:

  • continuaremos com tempo seco nos próximos dias, condições ideais para a vindima;
  • as uvas são em geral de boa qualidade, embora se tenha reduzido ligeiramente o grau nas chuvas da semana passada, porventura em troco de uma quantidade um pouco maior;
  • mantemos a previsão de colheitas que apontava para um aumento de 15% face a 2012. O aumento de produção será muitíssimo significativo no vale do Minho, onde há bastante Alvarinho e menos notorio no vale do Sousa; o vale do Lima está também com produções bem superiores às de 2012.

sábado, 28 de setembro de 2013

O €uro em debate !

Francisco Ferreira do Amaral




105 anos após a demarcação da região dos Vinhos Verdes por Francisco Ferreira do Amaral, a CVRVV foi ontem visitada pelo seu bisneto, João Ferreira do Amaral, economista, docente universitário, que nos ajudou a reflectir sobre o presente e futuro do nosso país.


Perante uma plateia cheia não só com produtores mas também com colegas de outras regiões e um grupo proveninente do Crédito Agrícola e da CA Seguros, Ferreira do Amaral fez um duro diagnóstico do país, com especial referência às deficiências da nossa competitividade ecvonómica, ao problema da dúvida pública e da dúvida externa. Referência ainda ao processo de construção europeia, particularmente ao projecto da moeda única.

Finalmente foi feita a análise a três cenários possíveis de evolução, sendo estes o actualmente em curso de "desvalorização competitiva" preconizada pela Troika e executado pelo Governo, o de um ajustamento mais moderado preconizado pelo Partido Socialista e um terceiro através da utilização de uma moeda própria como instrumento para recuperar competitividade exportadora.

A tese apresentada suscutou várias questões e comentários da plateia, que nos levaram a conversar até às oito da noite, hora em que não deixamos sair o orador sem antes olhe fazermos a oferta de um pé de vinha, para que tenha em sua casa e recorde esta passagem pelos Vinhos Verdes.

João Ferreira do Amaral

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Conferência na CVRVV: 27/09


Concluindo o programa de comemoração dos 105 anos da Demarcação da Região, vamos reflectir sobre o presente e o futuro do país.

Convidado para lançar o debate é João Ferreira do Amaral, Doutorado, economista e docente universitário no ISEG. Recentemente tem sido a principal voz advogado a saída de Portugal do €uro como etapa essencial para a recuperação económica do país.

Venha ouvi-lo à CVRVV. Na próxima sexta-feira 27 pelas 17:45 na Casa do Vinho Verde. Inscrições para ssecretariado@vinhoverde.pt


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

"Comida" - teatro na CVRVV

Estreia hoje e ficará na CVRVV até 13 de Outubro a peça "Comida" um inédito de Valter Hugo Mãe, interpretado pelo Teatro Bruto e encenado por Ana Luena. É a segunda vez que recebemos o Teatro Bruto na CVRVV e é um especial gosto ver que o Palacete Silva Monteiro ( sede da CVRVV ) regressa à vocação de apoio à cultura que o seu fundador sempre acarinhou.

Sessões de quarta a domingo pelas 22:00 horas. Reservas de bilhetes: 226077200 ou susana@vinhoverde.pt Bilhetes: 7,00 Eur



“Penso agora que os portugueses são muito fracos a definir prioridades porque, quando o fazem, põem o coração à frente, a esperteza saloia a seguir, e a razão no fim. Somos tristes e macabros. Acreditamos em tudo, como os ingénuos, e os ingénuos são os mais perigosos cidadãos. Não conspiram e não sabem conspirar; quando decidem, não percebem o que está em jogo e erram com facilidade. Um ingénuo no poder é uma oportunidade séria para destruir tudo. Destroem tudo como bestas grotescas em lugares de vidro.”





quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Na Borgonha: o comércio versus as quintas ?


Belíssimo artigo no New York Times sobre como há uma nova geração de comerciantes de vinhos de sucesso na Borgonha que contribuem para a imagem de qualidade e criação de valor na região.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Regras nos EUA

Um caso muto interessante. Vezes demais ouvimos colegas falar das regras de produção no novo mundo sem realmente as conhecerem e anunciam tudo como um paraíso de liberdade de simplicidade e de rentabilidade.

Naturalmente nada disso é bem assim.

Neste caso retratado pelo Wine Spectator, o produtor Caymus Vineyards aceitou pagar uma multa de 1 milhão de dólares à autarquia de Napa por ter produzido num ano 830.000 caixas ( de 12 ) quando o seu licenciamento só lhe permitia produzir 42.000. Aparentemente o licenciamento de produção naquele Estado relaciona as regras aplicáveis com a produção verificada ou a verificar.

Interessante de ler. Clique aqui.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Um jantar fabuloso, 18 de Setembro


No programa de comemorações dos 105 anos de Demarcação da Região, esta é a iniciativa mais gulosa !

5 Chefs vão dar o seu melhor para este jantar.

Inscreva-se aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Vindima: uvas EVAG


Foram hoje atribuídas as uvas da Estação Vitivinícola Amândio Galhano, como habitual mediante concurso aberto a todos os interessados.

Deram entrada seis propostas, duas para a compra dos brancos e quatro para a compra da totalidade das uvas. Os preços propostos andaram entre os 40 centimos e os 70 centimos ( para o Alvarinho neste caso ), sendo que a venda foi feita à proposta que apresentava o melhor valor global: 50 centimos para as tintas e 55 centimos para as brancas.

Boa vindima !

105 anos da demarcação - 18 de Setembro


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Preparar a vindima: os stocks

Clique na imagem para aumentar

O mapa de stocks vem na linha do que vínhamos verificando nos ultimos meses. Entramos na vindima com um stock bastante baixo, fruto de duas campanhas reduzidas e das vendas que estão bastante robustas.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Ecovia do Tâmega


Uma das etiquetas à direita dá-lhe acesso aos textos que fui fazendo sobre as ecovias que atravessam a nossa região.

O automóvel não é a única nem necessáriamente a melhor forma de conhecer o Minho e o Douro Litoral. A região é atravessada por várias ecovias onde pode caminhar ou pedalar em grande segurança e conforto além, naturalmente do Caminho de Santiago que inclui vários traçados, todos confinando em Valença.

Há dias tive a oportunidade de fazer pela segunda vez a Ecovia do Tâmega, deste Amarante até já muito próximo do seu fim em Arco de Baúlhe.

Inicialmente a ecovia tinha 9kms entre Amarante e a Chapa, cujo texto publiquei aqui. O percurso tem agora mais de 40 kms, todos muito confortáveis, bem pavimentados ( com excepção de 3kms em saibro em muito bom estado ).

Aconselho vivamente quem goste de pedalar a fazer este percurso. O ideal é fazer o sentido Amarante-norte que é a subir e regressar pela mesma via com menos esforço.

Se começar de Amarante, pode pernoitar em Basto onde há várias casas de turismo de habitação e bons restaurantes. A Casa de Canedo e, mais a norte, a Casa da Tojeira estão ambas próximas da pista. Pode também visitar Celorico e Mondim de Basto dado que a Ecovia passa bem no centro de cada uma destas vilas.

Ao longo do percurso não há muitos locais de abastecimento. Leve água. Saindo de Amarante, encontra um cafezinho ao lado da estação de Gatão ( que está recuperada, linda ) e depois só a 1 km de Celorico tem um café esplanada. A partir daí tem vários pontos de abastecimento no centro de Celorico, de Mondim, de Canedo e lá em cima no Arco de Baúlhe.

Além dos eucaliptos... o percurso atravessa uma linda paisagem florestal e de vinha. Atravessando Gatão encontra as vinhas do seu famoso tinto. Mais a norte começa a aparecer muito branco. As casas agricolas são pequenas com várias culturas em seu redor. Impressionante é a Sra da Graça ( na foto, com as vinhas da Aveleda ) e o Tâmega em fundo.

Na zona de Basto esqueça as zurrapas sem rótulo e prove os bons vinhos da região cujas vinhas atravessou: o Quinta da Raza, o Dom Diogo, o Santa Cristina, o Soutelos ( cuja adega se encontra à direita após Mondim ), Casa da Tojeira e o Aveleda cuja adega mãe está longe mas que muito beneficia com as uvas excelentes que aqui produz.

E já agora veja o filme que a Câmara de Celorico preparou.

 

domingo, 1 de setembro de 2013

Telegraph: Vinho Verde a region transformed !


"Vinho Verde is a region transformed. Previously known for its spritz and vapid, often unpleasantly acidic whites, it is now home to some of Portugal’s best wines."

Que belíssimo artigo sobre o Soalheiro, o Quinta de Azevedo e o Quinta da Raza.

Leia mais aqui.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Stocks em Julho


É a chuva que não aparece, é a obrigação de os produtores facturarem as uvas e os stocks são aquilo que se vê. Não vai ser a vindima mais fácil de sempre...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Formação: preparar a vindima 6/9





Realiza-se no dia 6 de Setembro, sexta-feira, uma acção de formação sobre as regras que devem respeitar na Vindima.



Nesta acção serão tratados temas como:

  • Regras a cumprir nos trânsitos durante a vindima – uvas, mosto e vinho;
  • Regras de recepção de uvas e seu controlo;
  • Regras de emissão dos talões de uvas;
  • Rendimento por hectare
  • Utilização do MCR
  • Vinhos de casta – abertura de contas correntes e sua rastreabilidade com o cadastro;
  • Regras a cumprir no preenchimento do anexo II;
  • Explicação do funcionamento da plataforma de certificação das uvas.
  • Preenchimento da DCP



Na formação daremos especial atenção ao preenchimento da DCP (Declaração de Colheita e Produção), pelo que é de todo o interesse que a pessoa responsável por este serviço esteja presente. 

Este ano finalmente abrimos a todos os viticultores a possibilidade de fazerem a DCP via internet a partir de sua casa ou empresa.


Pode consultar o folheto informativo da acção e efectuar a respectiva inscrição – caso ainda não o tenha feito – em http://www.vinhoverde.pt/academia/formulario/



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terça-feira, 20 de agosto de 2013

As provas cegas

Um artigo divertido no Buzzfeed sobre os "especialistas" e as provas cegas. Serve de entretém mas não nos deixemos enganar. O cliente é quem manda, e o cliente não faz provas cegas. Vê o rótulo, a marca, o preço. Muitas vezes escolhe o vinho pela marca ou pelo preço indiferente ao que lá vier.

E até há jornalistas que se recusam a fazer provas cegas não há ? ...

Mas vale a pena ler o artigo. Clique aqui.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Silly season: festas do nosso verão




O país, e neste caso o Minho, enche-se de festas populares no verão. Muitas são festas da gastronomia de vinhos, divertidas e realmente muito populares que apelam igualmente à população local, aos emigrantes em férias e a milhares de forasteiros que aproveitam as férias para conhecer novas terras e beneficiar do melhor da sua gastronomia.Na CVRVV já nos habituamos a que estas festas são tão boas quanto más e que dão sempre dores de cabeça.

É da nossa cultura acharmos ( somos assim... ) que há momentos em que as leis não são para aplicar. São momentos de paz em que achamos que o conceito de tolerância inclui permitir que alguém viole uma ou mais leis desde que seja "só um bocadinho" ou estacionar em cima do passeio a causar uma fila monumental desde que seja "só 5 minutos".

A venda de vinho nas feiras de verão é mesmo assim. Vender vinho engarrafado sem rotulagem é normalíssimo e nem as autoridades nem os organizadores se parecem incomodar. Facturas não há, guias de trânsito nunca houve e, se alguém chegar a casa com uma dor de barriga, "deve ter sido do sol".

Vem isto a propósito de um artigo delicioso que li no JN de 11/98 a pág. 20. O artigo refere a feira Medieval de Santa Maria da feira um evento que, sou testemunha, é impressionante quanto ao numero de pessoas que movimenta e o volume de negócios que gera.

O foco do extenso artigo é uma inovação: "Chamoa", a "Bebida do Amor" que um comerciante da restauração produz e vende naquele evento. Vende, e vende bem, pois este ano vendeu já 10.000 copos a 1,5 euros cada !

Então o que é a Chamoa ? bem, é "uma bebida composta por vinho e amoras que está a fazer furor". Tem um "sabor adocicado e amargo enaltecido com amora silvestre, produzido com as mesmas castas que são usadas no Vinho do Porto". Muito bem, gostei do toque de prestígio.

Andam por aí os políticos à procura da retoma mas não precisam de procurar mais. A "Chamoa" dá o exemplo. Diz o artigo que já aderiram à "Chamoa" 14 comerciantes e à entrada de cada estabelecimento encontra-se um cartaz de "grande formato" que contextualiza o efeito da bebida. "Diz-se que quem beber Chamoa beija como se fosse a primeira vez e ama como se não houvesse amanha".

Cá temos portanto. Tolos são os produtores de vinho, que têm de se inscrever não sei onde, de pagar taxas, de cumprir normas disto e daquilo e aos quais a lei proíbe expressamente fazerem publicidade com referência aos efeitos benéficos do vinho. Bastaria participarem nas festas de verão, esse guetos de liberdade, onde tudo é permitido. Até que chegue o Outono.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Vamos ao que interessa !

Sem perder tempo vamos ao que interessa:

o caro leitor sabe apontar o Tennesee no mapa dos EUA ?

Ora aponte lá !


Muito bem, já percebi que fez batota e foi ao google maps ver a resposta !

Mesmo assim pode clicar aqui e ler o que o Benito Wine Blog de Memphis Tennessee acha dos Vinhos Verdes Quinta de Gomariz e Quinta da Raza !


domingo, 4 de agosto de 2013

Le Vinho Verde au Québec !

Não é frequente e por isso ainda mais nos alegra este excelente artigo da Adréanne Chevalier do Métro Montreal.

O artigo vem a propósito do programa Passeport Vinho Verde organizado pela CVRVV com a nossa agência RF Binder que está a promover provas de Vinho Verde em duas dezenas de restaurantes naquela cidade.

Leia mais aqui, e saiba tudo sobre a promoção do Vinho Verde no Canadá aqui.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Certificados de origem... ou da treta ?

Os Certificados de Origem são documentos muito importantes. Qualquer vinho que siga de cá para um país fora da UE vai acompanhado por um documento destes que atesta que o vinho é Português.

Têm pois importância a dois níveis. Burocrática pois é o documento indispensável para desalfandegar mercadoria no porto de destino. Comercial pois a origem do produto é, naturalmente um dos factores que definem a sua valorização: independentemente do que está dentro da garrafa, um vinho de Portugal tem um valor e um vinho da Roménia outro.

Os dois motivos e sobretudo o segundo recomendariam pois que Portugal gerisse com muito rigor a emissão de certificados de origem. Portugal tem vindo a investir milhões na promoção dos seus vinhos pelo mundo e constituiu aliás uma associação, a Viniportugal fortemente capacitada precisamente para este fim. Ora, se esta promoção tem o efeito, e claramente tem, de gerar oportunidades de negócio para os vinhos Portugueses, então parece simples que temos de ser muito zelosos no momento de emitir certificados de exportação que atestem que um vinho é nacional.

Infelizmente não se passa nada disto, no que diz respeito aos vinhos sem indicação geográfica.

Porque Portugal é um país com uma forte componente de exportação, a emissão de certificados de origem passou a ser um negócio para associações empresariais que o transformaram num mero documento declarativo informatizado: o exportador declara que um produto é nacional, e a associação limita-se a colocar um carimbo em cima e cobrar uma taxa. A sempre eterna taxazinha.

Consultando as páginas internet das associações empresariais que emitem estes documentos verifico que é claramente assumido que o certificado é um documento emitido pelo exportador em que este atesta a origem do produto. Note bem: emitido pelo exportador em que ESTE atesta a origem do produto. Para a emissão do certificado, solicita-se apenas cópia da factura.

Ou seja, não há qualquer dificuldade para um exportador em documentar como nacional um vinho que importou de outro país a granel e engarrafou cá. Basta emitir a factura mencionando as caixas/garrafas, a marca, cor grau etc do vinho, mas omitir a sua origem real.

E está a andar, assim se faz vinho nacional para efeito de exportação.

Lado a lado com isto, os produtores que fazem vinho numa região demarcada estão sujeitos a um intenso e custoso controlo. O Instituto dos Vinhos do Douro e Porto ou a CVR dos Vinhos Verdes por exemplo só emitem um documento desde logo a empresas que se encontrem legalmente inscritas para a actividade de produção/venda deste bem alimentar. Depois verificam se as quantidades correspondem à produção real, se o vinho corresponde a um boletim de análise específico, etc etc etc.

Ou seja, as empresas organizadas que cumprem a lei acabam por ter custos superiores aos daquelas de vão de escada que se limitam a fazer volumes a baixo preço.

Andamos há anos a protestar contra isto mas não há modo de se emendar.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

The Wall St. Journal: Vinho Verde the ultimate hot-weather wine


Um excelente artigo no Wall Steet Journal, apenas semanas depois de outros igualmente muito bons no New York Times, na CNN, na Bloomberg.

Leia o artigo completo aqui.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ena, tanta gente !


Desde 2008 que mantenho esta página, às vezes escrevendo com maior assiduidade, às vezes nem por isso. É sobre Vinho Verde. Só. Mas nunca há provas, é mesmo a seco ! Hoje faço uma excepção para publicar um artigo sobre a própria página. O motivo é simples: atingiu os 50.000 leitores.

Comecei por escrever textos numa outra plataforma, depois passando para o Blogger e mais recentemente com exportação automática para o Facebook numa página com o mesmo nome.

Muito obrigado a si que vem lendo estes textos que escrevo com gosto.

Curiosamente, apesar de o número de leitores vir a aumentar, o texto mais lido não é de agora. É um texto de 2010 sobre vinho e impostos. Mostra bem como é importante a questão fiscal.

As ligações, vulgo links, trazem muitos leitores. Neste caso dos impostos, o artigo teve uma ligação num blog da área tributária, o que trouxe muitas leituras.


Um efeito muito curioso é o da página Facebook para onde os artigos são exportados. Há artigos que são partilhados de A para B e que portanto acabam por ser lidos, ainda que parcialmente, por mais gente.

Escrever uma página destas é um exercício de liberdade de expressão. Uma vez disseram-me mais ou menos isto "não tenho como certo que um presidente de uma região tenha o direito de tornar esses textos públicos".

Eu contraporia: mal está quem não tem uma visão estratégica ou que não seja capaz de ultrapassar as bocas de café e colocar as suas ideias preto no branco.

Obrigado pela sua visita e leitura. Amanha há mais !

domingo, 21 de julho de 2013

O Verde tinto

Não há produto da região mais difícil do que entender o Verde tinto. Possivelmente por não ser um só produto mas um conjunto. Há um enólogo da região que tem uma frase curiosa: "o Verde tinto não tem preço - ou é tão bom que ninguém discute o preço ou tão mau que ninguém o compra.". E se é verdade que há tintos fabulosos que atingem preços elevadíssimos no mercado regional, temos porém um enorme lastro desigual que leva por exemplo a que o último artigo na CNN muito elogioso para os brancos, se refira ao tinto como "tastes like battery acid".

Leio sempre com muita prudência alguns exemplos de tintos "inovadores" que aparecem com parangonas na imprensa pois em geral são quantidades ínfimas que podem cair bem neste ou naquele jornalista mas que não têm qualquer efeito estatisticamente relevante.

A produção de tinto vai continuar a descer pois as reconversões estão a ser feitas esmagadoramente para branco e a produção crescente de rosado está a absorver mais uva.

O quadro seguinte mostra-nos a evolução das vendas de tinto nos útimos anos no periodo do primeiro semestre. As linhas representam os varios tipos de vasilhame.

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Como em tudo o que diz respeito ao tinto, também o quadro não é fácil de analisar.

Alguns apontamentos:
  • as vendas de tinto que este ano aumentam-no fazem-no à custa da garrafa de litro e do garrafão e não da 0,75. 
  • o tinto tem um mercado regional e de baixo preço com significado que é precisamente o que é servido pela garrafa de litro e pelo garrafão;
  • não há qualquer sinal consistente de inversão de queda nas vendas de tinto engarrafado.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Vendas no fim do semestre

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Mantemos no branco a tendência dos meses anteriores: recuperamos as perdas do ano passado, à custa da exportação ( ver textos anteriores ) e estamos mesmo acima de 2011. Não sendo um ano fabuloso, é porém um bom ano de vendas, vendo o contexto económico em que estamos.

Os bons números da exportação escondem uma realidade: é que muitas empresas não exportam e são estas que estão a ter dias mais difíceis.

Em resumo, o branco encerra o semestre com bons números. Haja vindima e a retoma económica.

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Nos restantes segmentos vemos o cenário que já se vinha desenhando: o rosado cresce de forma muito sustentada, bem como o loureiro. O alvarinho não tem a vida fácil.

Para vermos melhor o que se passa com o tinto, estou a elaborar um quadro última década que publicarei aqui nos próximos dias.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Stocks no fim do semestre


Sem surpresa fechamos o semestre com um stock baixo. Baixo no branco e baixo no mosto branco. Repito aqui, com a ajuda do quadro seguinte, uma explicação que deixei antes sobre o stock de branco. É que, alguns colegas, ao verem registados mais de 30 milhões de litros de branco perguntam como é que não se conseguem abastecer a preços competitivos no mercado de granel.

A explicação é simples em duas linhas:
  • porque a região é grande e 30M litros repartidos por 22.000 pessoas dá muito pouco;
  • porque uma boa parte do vinho já está colocado em colegas engarrafadores e não na produção.
 Veja o quadro seguinte.

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Temos pois que práticamente todo o vinho está já nas Adegas Cooperativas e nos Armazenistas Vinificadores. Ora estes, uns e outros, precisam dele para as suas marcas, pelo que não venderão tão facilmente. O único vinho que se encontra no mercado são 3,6M que estão nos produtores individuais. Mas tenha em conta que este vinho está repartido por milhares de produtores, sendo que as quantidades que é económicamente razoável ir levantar não são muitas.

Precisamos pois de uma boa vindima pois as vendas estão a dar bons sinais na exportação.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Direitos de plantação: antecipar o futuro

Vamos ter, a partir de 2016, novas regras para a plantação de vinhas. Cito de seguida, praticamente a 100%, um documento do IVV esclarecedor sobre o acordo a que se chegou em Bruxelas. 
  • "Manutenção do atual sistema de direitos de plantação da Vinha até final de 2015;
  • Substituição, a partir de 2016, dos atuais direitos de plantação por um novo mecanismo de gestão, mais dinâmico, designado por autorizações de plantação (qualquer viticultor que pretenda instalar uma vinha terá obrigatoriamente de possuir esta autorização);
  • Este novo sistema entrará em vigor em 01 de Janeiro de 2016, prolongando-se até 2030, com um crescimento máximo anual de autorizações correspondente a 1% da área total de vinha instalada;
  • O prazo de validade de uma autorização de plantação não utilizada será, no máximo, de 3 anos. Estes novos títulos não são transacionáveis;
  • O IVV deverá emitir as autorizações a todos os viticultores detentores de áreas de vinha instaladas, que o solicitem (a solicitação é de cariz obrigatório);
  • Os direitos não utilizados (atuais direitos em carteira) e que sejam ainda válidos a 31/12/2015, serão, a pedido do viticultor, convertidos em autorizações de plantação."
Há pontos ainda a esclarecer, por exemplo:
  • como se determinará em Portugal qual o aumento de área permitido, sabendo-se que a área pode aumentar até 1% ao ano ?
  • haverá um valor de aumento nacional ou valores regionais ?
  • se houver mais pedidos de licenças em área superior à disponível para distribuir em cada ano, como será feita a repartição.
Note, repito o indicado acima, que os direitos deixam de poder ser transaccionados a partir de 2015 e os direitos em carteira nessa data podem ser convertidos em autorizações mas não se esqueça de o pedir ao IVV.

Claramente o objevctivo da nossa região seria:

  • quanto à area, dar a maior possibilidade aos viticultores de colocarem as suas vinhas, ou seja, estabelecer o limite de plantação mais alto possível;
  • havendo rateio ter uma política pública de "dimensão crítica da exploração" contribuindo para o aumento da área média e não a distribuição de micro áreas por um infindo número de produtores.
 É ainda cedo, 2015 parece distante mas há que ir preparando.

terça-feira, 16 de julho de 2013

CNN: Vinho Verde - summer's coolest wine



Excelente artigo no CNN eatocracy sobre Vinho Verde.

Temos vindo a ter artigos muito bons na comunicação social Norte Americana e sobretudo em publicações cada vez mais de referência. Ha duas semanas no NYT e agora na CNN. Leia aqui,

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Análise das exportações

A vinda a Portugal do Snr. Jesus Zorrilla, responsável da Comissão europeia pelos vinhos levou-nos a estudar em detalhe uma série de assuntos para lhe apresentar. Retiro para este texto uma análise de alguns pontos da exportação. Os dados de base para os gráficos estão no site da CVRVV mas se não os encontrar, contacte-me e enviarei por correio electrónico.


O primeiro número é o volume de exportações, expresso no gráfico em cima quanto à última década. Creio que o gráfico é claríssimo, dispensa grande comentário. Em 2012 exportamos 18,5 milhões de litros, valor que tem vindo a aumentar muito consistentemente desde 2000. Nestes últimos 12 anos só houve um ano em que não aumentamos: 2003.

Poder-se-ia argumentar que o aumento se dá à custa de baixas de preços. Vamos a uma nova tabela, também da mesma fonte o INE/Intrastat.



Ora o que vemos aqui é que o preço FOB se tem mantido consistentemente acima dos 2,00€/litro, tendo aliás aumentado ligeiramente nos últimos anos. Estes dados são calculados pelo INE e por vezes questionados pelos produtores. A verdade porém é que, mesmo sendo verdade que possam de algum modo sobreestimar o preço médio, tendo em conta que temos uma série já longa de uma década, podemos analisar a tendência. E o que esta nos diz é que o crecimento de vendas não está a ser feito à custa de baixas de preço.
Se os preços são baixos ou altos já é outro ponto, que aliás vale a pena debater. O que aqui se indica é que o aumento de vendas está a ser feito sem que haja sacrifício do preço.

No quadro seguinte analisamos os mercados para onde estamos a exportar. Uma observação inicial, interessante é que já não estamos claramente a exportar só para os Portugueses, algo que constituia uma limitação histórica nossa nossa.


Os ESTADOS UNIDOS afirmam-se claramente como o nosso maior mercado, com taxas de crescimento excelentes e consistentes. Temos cada vez maior notoriedade neste mercado, há cada vez mais artigos de imprensa positivos quanto ao Vinho Verde. Estamos também a sair passo a passo da comunidade portuguesa. Na CVRVV recebemos continuamente pedidos de novos importadores. É também o mercado onde investimos mais na promoção da DO: nos EUA temos uma representação permanente em NY com uma das principais agências do país, que aliás trabalha com os Vinhos Verdes e os vinhos da Alemanha. Diria que nos EUA a roda está em funcionamento e os volumes vão crescer no futuro previsível. Precisamos é de trabalhar o valor. Há colegas a colocar vinhos a preços "demasiado competitivos" que retiram valor a toda a categoria. Ora precisamos é de criar valor e não apenas volume.

A ALEMANHA continua com uma economia forte, é um grande importador de vinhos de todo o mundo e sempre consumiu muito Verde, seja pela comunidade Portuguesa seja pelos próprios Germânicos. É um país de grandes supermercados, o que coloca pressão no preço. Estamos todos a investir muito na promoção do Verde naquele país. E os números justificam-no.

A FRANÇA é aquele automóvel que anda sem gasóleo: nem nós nem os produtores investem naquele mercado valores consideráveis na promoção e porém os resultados são excelentes. Duas observações aqui. Por um lado, a França nega o mito da "morte dos emigrantes". Com frequencia se diz que os emirantes são uns velhinhos que vão morrer todos e depois ninguém vai consumir produtor Portugueses nesses mercados. É um disparate, é ver os números. A comunidade Portuguesa, bem como a luso-descendente em França, consome. Note que a "nova emigração" não é aqui um factor a considerar pois a França não é um destino típico. Claro que em França há um segundo factor que escapa à estatística que é o mercado paralelo. É registado como importado em França vinho que efectivamente vai para aquele país mas que depois pode seguir para outros ( Belgica Lxemburgo ) ou até regressar cá, para arbitrar diferenças de pvp nos diversos países.

O CANADÁ é um outro mercado onde estamos a crescer de forma muito consistente, um país organizado, onde sempre tivemos uma presença graças á nossa comunidade e onde há uma grande cultura do vinho.

Para analisar estruturalmente estes crescimentos, a tabela em baixo demonstra a evolução dos nossos 10 mercados principais ( de hoje ) ao longo do periodo de 1992 a 2012. Um periodo muito longo portanto, que nos dá números sólidos. Para diluir efeitos sazonais, considerei a evolução entre os dois primeiros e os dois últimos anos do período. Para todos estes mercados exportamos mais de 500.000 litros,pelo que os efeitos de um negócio particular não desvirtuam os resultados. Os números são em % face ao início do periodo.


Os EUA e o Canadá são sem dúvida os destinos que melhor se comportaram no período. Crescem muito e de forma consistente ( veja a tabela de base no site da CVRVV ). O Brasil cresce mas é um mercado onde todos temos a noção de que ainda não entramos a sério. Talvez a imagem do VV, demasiado ligada ao emigrante português não seja fácil de corrigir. O facto de o Brasil ser um mercado para onde se vende Verde tinto só sublinha este argumento. Estamos agora mesmo a fazer uma feira de VV no Pão de Açúcar e vamos a ver que negócios gera para futuro.

O REINO UNIDO é um mercado que questiono cada vez mais. Questiono aliás se não é um desperdício o que investimos em promoção naquele país e se não seria de bom senso aplicar esse mesmo valor onde os ganhos marginais sejam maiores. Pessoalmente gosto imenso do RU, vou lá com frequencia, ali tenho amigos e família até. Mas em termos de negócio do VV o RU é um bluff. Históricamente, culturalmente, todos nós portugueses temos uma genética admiração pela "Inglaterra". Não sabemos bem porquê, mas temos. Depois, no vinho, há o argumento de que o RU é a montra do mundo, pelo que estar em inglarerra significa abrir portas para todo o lado. Sinceramente, vejo cada vez menos factos que sustentem este argumento. Em Ingalerra andamos nós e os produtores a gastar fortunas, num mercado que pouco mais quer do que preço.

Ao longo da última década não se passava um ano em que não aparecesse um político que não apontasse a ESPANHA como o grande destino das exportações. A extinta DRAEDM  (organismo Regional do Min Agricultura ) todos os anos fazia uma peregrinação para a "muito importante" feira de Silleda na Galiza, que iria abrir fabulosas portas de negócio. E sempre que um Ministro ia a Espanha lá nos apontava aquele mercado do nosso futuro. Felizmente ninguém lhes deu ouvidos. Apontamento para futuro: quem decide onde se investe e para onde se exporta é o cliente de lá que compra ( ou não ) e não os bitaites dos políticos.

Um último ponto quanto ao oriente. A CVRVV tem recursos muito limitados para a promoção, pelo que a nossa opção estratégica é de investir fortemente e de forma consistente no tempo em poucos mercados. Ora os mercados onde podemos obter ganhos marginais mais interesantes são aqueles onde já temos um pé. Esta é aliás uma otima fronteira entre a CVR e a Viniportugal. Para um produtor queira queira rabalhar um mercado como a China, aí aconselhamos claramente que use os serviços daquela associação. Na China, Portugal é pequeno e o VV mais pequeno ainda. As CVR's devem operar em mercados específicos de cada DO e ser fortes nestes. Pelo contrário, a Viniportugal pode e deve ter uma vião global e além disso ser forte nos mercados onde o país ainda está a semear.

Em resumo, os últimos 20 anos, mas sobretudo os últimos 8 tem proporcionado à Região uma verdadeira revolução no que ao mercado diz respeito. Claramente estamos a fazer melhores vinhos, estamos a trabalhar melhor a sua comercialização e os mercados estão a responder de forma muito positiva.

Ao longo destes anos ouvimos muito disparate, geralmente de gente que não está no negócio. Não me esqueço de uma reunião com especialistas que nos indicava que deveríamos abandonar as castas da região e plantar Gewürztraminer e Chardonnay. E uma apresentação ( aliás no Conselho Geral da Região ) que nos indicava que a marca Vinho Verde estava esgotada e deveríamos criar uma nova. Ainda na semana passada ouvi um disparate parecido.

A verdade é que a marca está fortíssima, está a atrair novos investidores e clientes. Saibamos ser serenos, trilhar o nosso próprio caminho fazer vinhos diferenciados, gerar valor e ser profissionais.

E beber ! sim, porque isto não vai a lado nenhum se os maiores fans do Vinho Verde não formos nós !