quarta-feira, 15 de maio de 2013

Sobre o Alvarinho

Dos mapas de vendas até Abril que publiquei esta semana, estive a segregar os dados do Alvarinho. Com está a evoluir o Alvarinho DOC face ao regional ? e o que podemos esperar do regional tendo em contav as grandes plantações de Alvarinho que se estão a fazer no centro da região ?

Fica em baixo o mapa como mote de reflexão. Em tempo publicarei a minha análise.


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3 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia,
Uma situação sempre discutida mas continuamos sem conclusões «oficiais».
Para se tirar algumas conclusões objectivas deste quadro teríamos de ter acesso a preços médios de venda e volumes disponibilizados no Mercado nas duas categorias e quais os stocks no final do ano.De referir que num modo geral é problemático os preços baixos praticados por vários Agentes Económicos que pressionam toda a categoria Vinho Verde em diversos Países, e não estou a falar de qualquer casta específica. Um dos exemplos actuais é uma marca com grande notoriedade e implementação no Mercado estar a USD $3,99 nos EUA quando a categoria Vinho Verde luta por poder ultrapassar a barreira psicológica dos $9,99. Espero que não seja para isso que a CVRVV investe tanto neste Mercado em termos de promoção.
Em relação ao caso em particular do Alvarinho, o proteccionismo de uma Sub-Região faz com que haja uma maior pressão no preço do Regional que é a categoria mais recente e funciona como «challenger». A conjuntura económica actual e o notório aumento qualitativo destes vinhos parece-me estarem a ajudar ao ganho de quota de Mercado, situação que se pode tornar irreversível caso consigam fidelizar o consumidor, aliás não entendo que uma Sub-Região que se foca numa casta especifica e num estilo próprio se agarre ao nome comum de toda Região tomando-o como seu e não à sua especificidade que a distingue das demais que é o próprio nome da sua Sub-Região, características próprias locais e a pretensa origem da casta Alvarinho. Aliás a alteração do nome por bairrismos de Monção para Monção e Melgaço só complica a vida em termos de promoção e internacionalização desta marca. Em Lisboa ninguém sabe onde fica Monção, Melgaço saberão Suecos sequer pronunciar o nome?
Com o aumento de produção, competitividade e qualidade dos Regionais Minho (que deveriam ser, dentro de certas regras de controlo, Vinho Verde) parece-me que os DOC já estão a baixar preços e vendas, aparecendo nas prateleiras abaixo do preço que atribuímos habitualmente a um Alvarinho dos Vinhos Verdes.
(continua)

Anónimo disse...

(continuação)
Há que dizer que temos de apostar nas nossas marcas, não depender apenas das castas ou de proteccionismos. A marca comum Vinho Verde só teria a ganhar se os melhores brancos produzidos com as nossas castas dentro das características que distinguem esta Região das demais mantivessem a Denominação de Origem. Toda a Região ganharia maior notoriedade, visibilidade e assim poderíamos vender mais ou a melhor preço.
O que uma Região deve combater é o que pior se produz nessa mesma Região e nunca os bons produtos que ajudam a todos na comercialização dos vinhos. Todas as DOC do mundo têm melhores ou piores vinhos mas são os melhores vinhos que permitem criar a confiança e preferência do consumidor, este sim o operador mais importante nesta cadeia. Uma CVR deve lutar para criar condições para que os Viticultores, Produtores e Comerciantes criem valor de uma forma consistente e sustentável.
Defender interesses particulares no final prejudica todos, incluindo quem hoje lucra com protecionismos ou políticas egoístas e agressivas de preço que visam destruir o Mercado a pequenos operadores. De lembrar que foram também pequenos operadores que permitiram a notoriedade de determinadas Regiões Vitivinicolas pois estes ajudam aumentar a visibilidade e a diversidade de uma Região produzindo em certos casos vinhos únicos e singulares com alto valor agregado, vejam o exemplo do crescimento e notoriedade dos Douro DOC baseado no trabalho de grandes casas tradicionais como a Ramos Pinto e Casa Ferreirinha mas fundamentalmente de novos pequenos Produtores como a Qta. Do Cotto, Crasto, Vallado, Vale Meão, etc.
Temos uma Região que produz alguns dos bons vinhos brancos do mundo e não estamos a conseguir passar esta mensagem nem será passada se nos focarmos apenas no volume e no preço baixo.
Muito provavelmente os Alvarinhos estavam artificialmente sobrevalorizados e o consumidor está aos poucos a ter a possibilidade de experimentar novos Alvarinhos, do Minho (?), Alentejo, Brasil, etc. Será sempre o consumidor a atribuir o valor ao produto. No caso dos de Monção e Melgaço haverá Produtores que conseguirão vender mais ou a melhor preço que alguns do Lima ou Basto, mas pessoalmente acredito que haverá muitos que preferirão ao mesmo preço comprar um Alvarinho não «Vinho Verde» seja o que isto fôr…
Uma Região tão ampla como a nossa permite fazer diferentes Loureiros, Arintos, Avessos, etc. que são identificativos da Sub-Região onde estão implantados mas todos de brilhante qualidade. Porque é que na nossa casta Alvarinho não poderá ser assim? Será que o mesmo Regional Minho Alvarinho se puder ter a identificação de Vinho Verde DOC não poderá vender no mesmo segmento de preço dos de Monção e Melgaço e em alguns casos obter a preferência do consumidor? Se é manifesta a qualidade superior dos de MM o Mercado não identificaria em pouco tempo? Qual o receio de uma concorrência directa e justa?
Independentemente da questão Alvarinho, há que estudar mecanismos, seja de controlo de qualidade e outros, para evitar que os vinhos certificados pela CVRVV e que utilizam esta marca comum que é o Vinho Verde e Vinho Regional Minho actuem de forma a destruir todo um investimento em promoção com o intuito de transformar esta Região numa Região produtora de vinhos indiferenciados, baseados no grande volume de 6 ou 7 marcas de preço muito baixo. A esses preços teremos de abandonar a produção de uvas de qualidade porque não é suportável economicamente para os Viticultores e para alimentar essas grande marcas passaremos, no limite e ironicamente, a ser uns grande importadores de uvas e granel de pseudo-Vinho Verde de Pegões, Espanha, ou de onde tiver de ser. Situação que não acredito que ninguém de boa-fé nesta Região pretende.
Este são algumas questões e pensamentos em relação à problemática dos Vinhos Verdes e dos Vinhos Verdes Alvarinhos em particular.
Abraço a todos,
Luís

Manuel Pinheiro disse...

Muito obrigado pelo seu comentário que tem vários pontos a merecer uma reflexão cuidada. Leia p.f., em complemento a isto, o texto que vou publicar na sexta-feira sobre o lote "Loureiro-Alvarinho".