sexta-feira, 17 de maio de 2013

Tudo muda no regional Minho ?

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Ainda a propósito dos dados do Alvarinho publicados há dois dias, aqui deixo um outro, complementar: a evolução de vendas de IG Minho em garrafa 0,75.

Desde o lançamento, o IG minho branco tem sido uma categoria com números pouco expressivos e que combina dois perfís de vinho vocacionados para segmentos opostos: aqueles que lançam como IG Minho a sua gama de entrada qualidade discreta e com preços hiper competitivos e por outro lado aqueles que lançam aqui vinhos inovadores que procuram explorar o melhor da região, sem se deterem com as regras de produção de Vinho Verde que, naturalmente, obrigam a manter valores de tipicidade seja no encepamento, seja no produto final.

Estamos a assistir agora a duas mudanças em simultâneo.

Por um lado reduzem-se os "entrada de gama" pois o aumento de preço do vinho de mesa faz com que não haja sentido em vender regionais abaixo deste valor. Esta mudança é gradual.

Bastante mais significativa é a alteração na garrafa 0,75 branco. É que neste segmento estão a entrar alguns dos grandes produtores de Vinho Verde que aproveitam para inscrever aqui os seus vinhos de lote com Alvarinho, designação que não podem usar para Vinho Verde por estarem fora de Monção- Melgaço. Neste gráfico encontramos também estes vinhos. Não confundir com os regionais monocasta Alvarinho ou Loureiro que são contabilizados separadamente. O que se encontra aqui cada vez mais são aqueles vinhos com lote de Alvarinho em que o produtor entende que a designação Alvarinho tem mais valor de mercado do que a de Vinho Verde, pelo que prefere incluir a primeira no rótulo e vender o Vinho como Regional Minho.

Não tenho dúvida de que é uma tendência que se vai desenvolver muito substancialmente nos próximos anos e que hoje ja é incorporada por empresas como a Gomariz, Vercoope, a Quinta da Lixa, a Quinta da Aveleda, a Quinta da Raza só para citar alguns exemplos.

É hoje claro que as castas com maior relevo comercial na região são o Alvarinho e o Loureiro. E porém legislação atual impede que um lote "Alvarinho-Loureiro" seja Vinho Verde, obriga o produtor a rotula-lo como IG Minho. Não interessa se foi produzido em Monção-Melgaço, em Ribeira de Pena ou em Felgueiras. É tão simples como isto: quem fizer vinho com as nossas duas castas mais populares  e com maior valor de mercado está impedido de o vender como Vinho Verde. É como se os Ferraris fossem proibidos de ser vermelhos ou como se no Algarve fosse proibido ir à praia.

Há algum motivo pelo qual um produtor de Cambados possa fazer um Albariño-Loureiro e ter a DO Rias Baixas e um produtor do lado de cá da fronteira não possa ter DO ?

Valorizar a uva e dar instrumentos de competitividade às cooperativas e empresas significa obrigatóriamente que precisamos de nos questionar se esta proibição de fazer Vinho Verde Alvarinho Loureiro faz algum sentido.

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