quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Silly season: festas do nosso verão




O país, e neste caso o Minho, enche-se de festas populares no verão. Muitas são festas da gastronomia de vinhos, divertidas e realmente muito populares que apelam igualmente à população local, aos emigrantes em férias e a milhares de forasteiros que aproveitam as férias para conhecer novas terras e beneficiar do melhor da sua gastronomia.Na CVRVV já nos habituamos a que estas festas são tão boas quanto más e que dão sempre dores de cabeça.

É da nossa cultura acharmos ( somos assim... ) que há momentos em que as leis não são para aplicar. São momentos de paz em que achamos que o conceito de tolerância inclui permitir que alguém viole uma ou mais leis desde que seja "só um bocadinho" ou estacionar em cima do passeio a causar uma fila monumental desde que seja "só 5 minutos".

A venda de vinho nas feiras de verão é mesmo assim. Vender vinho engarrafado sem rotulagem é normalíssimo e nem as autoridades nem os organizadores se parecem incomodar. Facturas não há, guias de trânsito nunca houve e, se alguém chegar a casa com uma dor de barriga, "deve ter sido do sol".

Vem isto a propósito de um artigo delicioso que li no JN de 11/98 a pág. 20. O artigo refere a feira Medieval de Santa Maria da feira um evento que, sou testemunha, é impressionante quanto ao numero de pessoas que movimenta e o volume de negócios que gera.

O foco do extenso artigo é uma inovação: "Chamoa", a "Bebida do Amor" que um comerciante da restauração produz e vende naquele evento. Vende, e vende bem, pois este ano vendeu já 10.000 copos a 1,5 euros cada !

Então o que é a Chamoa ? bem, é "uma bebida composta por vinho e amoras que está a fazer furor". Tem um "sabor adocicado e amargo enaltecido com amora silvestre, produzido com as mesmas castas que são usadas no Vinho do Porto". Muito bem, gostei do toque de prestígio.

Andam por aí os políticos à procura da retoma mas não precisam de procurar mais. A "Chamoa" dá o exemplo. Diz o artigo que já aderiram à "Chamoa" 14 comerciantes e à entrada de cada estabelecimento encontra-se um cartaz de "grande formato" que contextualiza o efeito da bebida. "Diz-se que quem beber Chamoa beija como se fosse a primeira vez e ama como se não houvesse amanha".

Cá temos portanto. Tolos são os produtores de vinho, que têm de se inscrever não sei onde, de pagar taxas, de cumprir normas disto e daquilo e aos quais a lei proíbe expressamente fazerem publicidade com referência aos efeitos benéficos do vinho. Bastaria participarem nas festas de verão, esse guetos de liberdade, onde tudo é permitido. Até que chegue o Outono.

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