quarta-feira, 5 de março de 2014

Análise dos stocks

A propósito de uma reunião de viticultores a decorrer esta tarde estive a analisar com alguma calma os stocks nos últimos anos influenciado até pelas notícias recorrentes de que não há vinho disponível no mercado de granel. Não vou reproduzir os mapas de vendas, que encontra em textos anteriores.



As existências estão de facto mais baixas a 31/01, sobretudo tendo em comparação os últimos dois anos. Note porém que se considerar o branco e o mosto branco como uma só unidade, as existências são bastante estáveis, aliás a tendência deste periodo é de crescimento e não de decréscimo.

Para tentar perceber melhor esta queixa de falta de produto fui analisar, para o branco, a diferença entre stocks e vendas.

O gráfico é um pouco manhoso ( leia-o com tolerância ) mas ajuda-nos a aprofundar um pouco mais. A azul encontra o stock a 31/01 dos brancos, com a soma aritmética do vinho branco e do mosto branco presente nas adegas. A vermelho a venda de branco que se realizou nesse mesmo ano civil. Para 2014 estimei uma venda que seja 5% superior à de 2013. É um objectivo que não será fácil de alcançar e que por isso agrava a análise. O mapa permite-nos pois determinar se a 31/01 temos ou não stock suficiente para o ano.


Como é fácil de ver, este problema é recente mas não é novo. Veja que em 2008 a diferença entre o vinho disponível e o que se vendeu ao longo do ano é bem menor. É certo que este ano estamos perante um stock mais baixo que o de 2013 e esperamos vendas maiores. staremos na situaçao de 2009 mas ainda não na de 2008.

Tenhamos pois serenidade, não há um lago de vinho branco mas também não faltará sem se vai apreciar desparatadamente.

No quadro seguinte a evolução dos restantes produtos. Não surpreendem as evoluções. O Minho está a descolar no stock e está a descolar nas vendas. Já vimos em mapas anteriores. A menos que haja alterações nas regras do Alvarinho, vamos continuar a ver o Minho aumentar em volumes de vendas, sobretudo nos lotes Alvarinho-Loureiro e Trajadura. Algum deste vinho será excesso de rendimento por hectare mas não é significativo.



Quanto ao rosado, o que vemos é a evolução esperada, face ao crescente volume de vendas. A região, além de estar a reconverter tinto para branco, está a produzir mais rosado e menos tinto com as uvas de que dispõe.

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