quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Maria Herminia Paes


Quando a região celebrou o centenário da demarcação, em 2008, fizemos uma cerimónia bonita no Castelo de Guimarães com a presença do Ministro da Agricultura e foram atribuídas algumas medalhas de mérito a pessoas que contribuíram de forma excepcional para o desenvolvimento da Região.

A Senhora D. Hermínia Paes foi um destes premiados. Já com uma saúde difícil, foi trazida ao evento no qual participou com alegria. Não voltei a ter o gosto de a ver.

Não é preciso fazer estudos de mercado para determinar que o Palácio da Brejoeira é uma marca admirável, uma referência que se construiu com décadas de consistência em vinhos de qualidade ímpar, Mais, é um exemplo histórico da aplicação na nossa região do conceito de "Chateaux" com uma valorização excepcional dos seus vinhos, Ainda hoje, basta abrir uma carta de um restaurante,

Como já escrevi em textos anteriores, o desaparecimento dos melhores deixa-nos a responsabilidade de conhecer, cumprir e continuar a sua obra.

Maria Hermínia Paes, 97 anos, Dezembro 2015.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Vinho Verde: as vendas até Novembro

Está o ano praticamente feito. Temos sempre um pico de vendas no Natal e é certo que no hemisfério sul é verão, mas as grandes linhas do ano estão determinadas.

As vendas de branco progridem exactamente como se esperava. Começamos o ano em cheio, com vendas mito fortes no primeiro semestre mas depois estas foram-se desvanecendo fruto de um factor que é nosso, a escassez de stock. Certo é que os preços médios foram subindo, compensando esta baixa de vendas. Não publico aqui dados desta valorização, os quais foram divulgados em estudos privados, bem como na habitual sessão da Nielsen organizada pela CAP em Novembro.

Uma referência a esta reunião anual promovida pela CAP e pela APED que conta com apresentações a cago da Nielsen e dos compradores da distribuição. Sempre com a sala cheia mas geralmente com poucos produtores da nossa região.


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No branco, 0,2% não é um crescimento anémico. Pelo contrário, é a venda de tudo o que estava em stock.

O tinto não teve um comportamento tão bom. As vendas estão curtas há vários anos e este ano voltaram a cair. Não é um problema porque o stock também é baixo ( ver texto anterior ) mas estamos a perder negócio. Curiosamente há novidades a aparecer, seja em vinhos inovadores ( Aphros, Soalheiro, Anselmo por exemplo ), seja em vinhos tradicionais com forte capaciade comercial como é o caso do Vinhão de Monção, a sair em breve. Mas serão, uns e outros, capazes de inverter esta tendência ? tenho dúvidas.


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Boas notícias, aliás optimas notícias são as que temos dos segmentos de castas, Alvarinho e Loureiro, ambas crescendo solidamente pelo terceiro ano consecutivo. No final do ano faremos um balanço mais consubstanciado mas claramente são as castas ( e não as sub-regiões ) que estão a constituir o segmento de valor na região.


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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Vinho Verde: vindima e stocks a 30/11

A 3 de Out, no fim da vindima, uvas optimas a entrar em Ponte de Lima

Como é habitual, procuro apresentar os dados no Conselho Geral da CVRVV antes de os publicar aqui, motivo único pelo qual o resultado da vindima demorou um pouco a ser publicado.

Tivemos uma vindima com uma qualidade fabulosa. Disse-me alguém nessa altura com um sorriso: "as uvas são tão boas que espero que os enólogos não as estraguem ". Realmente, quem se lembra dos últimos dois anos com as uvas a chegarem às adegas no meio de chuva, e num estado muito aquém do desejado, 2015 marca a diferença.


Fonte CVRVV; valores em litros

O quadro acima traduz as produções dos últimos anos. Na última linha, o aumento percentual. A produção global aumentou este ano 27% face ao ano anterior. Até o tinto aumentou um pouco quando se previa uma descida. Note que as percentagens são diferentes em cada produto.

Em baixo o quadro das existências. Ao contrário do habitual, não considerei três anos mas sim seis, que nos dá uma ideia mais estruturada. Como é habitual, separei o branco e o mosto branco, mas devem ser considerados em conjunto para conhecer a oferta de branco que finalmente chegará às prateleiras.


Diria que temos um stock confortável. Não há um excedente e temos de ter em conta como será a próxima vindima mas finalmente saímos da situação de escassez que nos levou à vindima. Neste contexto, não se justificam ( digo eu ) grandes variações na cotação do granel. Como verá no artigo seguinte, as vendas estão sólidas, precisamos deste vinho.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Vinho Verde no ar !

Na prova internacional 24 horas de fronteira, havia concorrentes que partiam para a frente e outros que partiam para cima !


domingo, 29 de novembro de 2015

Alfredo Borges de Macedo


As regiões vinícolas realmente não dependem do vinho mas sim das pessoas. Por isso são cultura e humanidade.

em memória do Alfredo Borges de Macedo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Exportações até Agosto

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Dados do INE/Intrastat. São provisórios e por isso a analisar com cautela. O INE introduz correcções ao longo do tempo. Da experiência que temos, os dados de volumes são muito robustos, mais do que os valores, que terão correcções mais profundas.

Em termos globais,a tendência é positiva, crescemos em volume, 8% mas sobretudo em valor, 14%.

Os mercados  porém comportam-se de forma distinta. Muito bem nos EUA onde continuamos a crescer, mais em valor. menos bem na Alemanha, onde os números são sempre influenciados pelos contratos dos grandes hipermercados. Menos bem no Brasil e Angola, onde a macro economia aterrou.

Quanto à França, só tenho um comentário. Quando entrei nos vinhos em 1992, era vox populi que o mercado Francês ia acabar na segunda feira seguinte porque os emigrantes iam acabar e os filhos nunca comprariam vinho português. Os factos falam por si. Pode ser um mercado de preço, com uma distribuição difícil, sempre "torpedeado" por negócios paralelos mas é, continuará a ser um mercado muito forte.

Nota: as tabelas em que baseio os artigos estão sempre disponíveis na página internet da CVRVV mas se lhe faltar algum dado,não hesite em me contactar directamente.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Vinho Verde: vendas até Setembro

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Finda que está a vindima, um ponto da situação nas vendas. O branco comporta-se exactamente como se anunciava.Teve um início de ano bastante forte mas foi nivelando em quantidades fruto da escassez de oferta. Vamos fechar o ano com melhores preços mas sem aumentos de volume, até possivelmente com uma ligeira redução.

Os dados mais recentes da Nielsen indicam que estamos há três anos a melhorar ligeiramente nos preços médios no mercado nacional. Um bom sinal. Saibamos em 2016 aproveitar a vindima que tivemos para manter valor e aumentar os volumes.

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O tinto e o rosado não brilham. Os problemas do tinto são antigos. Lançamos nesta vindima um projecto de investigação com vários produtores para identificarmos novas vias para o tinto. Vamos a ver os resultados.

Em paralelo, sei que vários produtores de referência vão lançar tintos inovadores esta vindima. É um optimo sinal que nos pode apontar novos rumos.

O rosado parece ter encontrado um patamar em 2015. Estranho. Temos de analisar. O potencial é enorme mas o consumidor, sobretudo o nacional, tem um errado preconceito contra os rosados.

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Grande ano das castas. Nem há comentário a fazer, os números já dizem tudo. Grande ano. A posicionar-se acima do vinho de lote ( a locomotiva do negócio ) as castas afirmam-se como o segmento de valor. Bem mais do que as sub-regiões aliás pois as castas têm realmente personalidade enquanto as subregiões, sendo embora úteis para explicar a região, são comercialmente irrelevantes na maior parte dos casos. Um assunto a ponderar.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Stocks, vendas e preços


No fim dos jogos há sempre quem diga que sabia do resultado desde o início. E na vindima deste ano será o mesmo, vai aparecer sempre quem diga que sempre soube que ia haver muito mais uva.

A verdade porém é que a vindima foi bem mais generosa do que muitos esperávamos e, naturalmente há que gerir tendo em conta as realidades que mudam todos os dias e não com cenários estáticos.

Não se justifica pois uma enorme apreensão que vejo em alguns colegas com uma suposta escassez e inflação no mercado de granel. Passo a explicar.

( refiro os brancos e tenho em conta médias dos últimos 4 anos ). 

A região vende anualmente algo próximo de 48 milhões de litros, a que acrescem uns 6 aproximadamente que é o que se perde sobretudo em desclassificações e um pouco também em correcções de contas,varejos, etc.

Temos pois que a nossa necessidade de abastecimento é de 54 milhões de litros ano, já fazendo a conta com tolerância. Ora este ano vamos ter 62/63 milhões de branco - pelo menos - a que acrescem 20 milhões de branco que estavam em stock à boca da vindima.

Ora face a isto, falta vinho onde ?

A vindima de 2016 não foi fácil para a região por vários motivos. E porém é uma vindima cheia de boas notícias: temos uvas fabulosas que nos vão dar grandes vinhos, remuneramos bem estas uvas, temos capacidade de resposta em stock para aumentar as vendas.

Dediquemo-nos pois ao que verdadeiramente interessa; valorizar a região e os vinhos, impulsionar a viticultura e falar para o cliente. Sobretudo falar para o cliente, pois que este será um ano em que teremos excelentes vinhos para lhe propor.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Vindima: já para lá de meio

O CALENDÁRIO

A ultima sexta e sábado foram muito fortes nas entregas de uvas nas adegas. A imagem em baixo é a expressão gráfica das entregas de branco. Ontem ainda foi um bom dia, aliás melhor do que oito dias antes, o que nos indica que esta semana ainda teremos entregas muito interessantes. Diria menos do que há duas semanas.

Entregas de branco - clique na imagem para aumentar

PREVISÃO DE COLHEITA

A previsão dos técnicos, um aumento de 15% face ao ano passado, é globalmente correcta. Estou convencido que ficaremos um pouco além disto. A aplicação destes 15% apontava para 58M de litros de branco e ficaremos bem mais próximos dos 60, valor que nos permite repor o stock da região em valores mais razoáveis. Teremos pois condições de estabilidade nos preços, uma correcta remuneração da produção e capacidade para crescer.

A QUALIDADE

Mesmo nesta altura, em fim de vindima de brancos, continuamos a ver uva de muito boa qualidade. Foi sem dúvida um excelente ano de otima matéria prima.

O CONTROLO

Salvo este ou aquele caso excepcional, tem sido uma vindima serena com ótima articulação entre as acções de controlo público, nomeadamente da ASAE e privado com o plano da CVRVV a ser executado exactamente como previsto. Uma novidade, este ano os auditores do IPAQ acompanharam as acções de controlo.

Tendo em conta o plano de controlo da CVRVV, uma questão que nos é colocada por vários produtores é a de saber que alterações teremos nesta a partir de 6 de Outubro como se indicava no cronograma. Ora, sem prejuízo de melhor decisão da Comissão Executiva, não vejo neste momento motivos para alterar um procedimento que se está a mostrar eficaz e que funciona de forma serena em toda a região.

Precisamos é de acabar a vindima, fazer bons vinhos e leva-los ao cliente !

domingo, 27 de setembro de 2015

Coisas que realmente interessam

Sendo que este blog é uma chatice cinzentona de números e conceitos da treta,finalmente algo de útil: a reportagem fotográfica com a Ana Viriato no Monverde Wine Experience Hotel, um dos locais mais fabulosos da Rota dos Vinhos Verdes, aberto há poucos meses em Amarante.






Fotos de: https://www.facebook.com/whatsupolharamoda

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Vindima 2015 em curso

Foto do Egídio Santos que,... anda por aí a vindimar imagens.
Como é habitual, farei na segunda um balanço semanal da vindima com base nos fechos de sábado. Porém tenho andado muito pela região, falado com muita gente boa e daqui retiro vários apontamentos:


  • QUALIDADE - estamos a ter excelentes uvas por toda a região. Incomparáveis com o que se recebeu no ano passado. Há matéria prima para se fazerem grandes vinhos. 2015 pode ser um ano para recordar pela qualidade dos vinhos;
  • QUANTIDADE - Estamos claramente acima do ano passado. Chegaremos ao aumento previsto de 15% e até um pouco mais. Muito mau seria ter vinho a mais: a região precisa de estabilidade, de evoluções serenas e não se sobressaltos de preços seja em que sentido for. Ao contrário do sul da região, onde há mais uva do que o esperado, em MM há mais do que no ano passado mas não foi a enchente que se esperava;
  • AGENDA - os mapas de recolha diária que temos permitem acompanhar de perto a evolução das entregas a cada dia. Esta está a ser a semana mais forte de entregas até agora. Admito que a próxima semana ainda tenha alguma força e, a partir de 5/10 se diminua muito, faltando depois algum tinto e Espadeiro. Em Monção Melgaço já há adegas terminadas e a entrega de branco termina quase toda este fim de semana.
  • PREÇOS - como sabemos a vindima é uma operação em duas partes: 10% consiste em colher uvas e vinifica-las e 90% consiste em falatório. Temos pois de descontar alguns dos valores elevadíssimos da uva que alguns falam, ex. 60 cêntimos, Infelizmente não há instrumentos de acompanhamento rigorosos mas eu diria, numa análise necessariamente empírica, que há uma valorização face ao ano passado, que é genérico o pagamento acima dos 40 cêntimos mas que, apesar de haver muita gente a pagar 45 e 50, a média da região se situará perto dos 45, se tanto. Seja como for, é uma valorização com várias consequências:
    • a produção tem de se mobilizar para investir mais. O VV é a região que melhor paga as uvas brancas em Portugal;
    • as marcas e empresas que se situam na entrada de gama vão ter um ano dificílimo com margens muito esmagadas; é natural que haja alguma valorização na prateleira;
    • a CVRVV não se pode eximir desta evolução e tem de acompanhar mais de perto as marcas com preços mais baixos para garantir que estas cumprem com rigor os procedimentos previstos na lei.
Segunda-feira publico números. Vemo-nos por aí. Boa vindima.

sábado, 19 de setembro de 2015

A vindima a pleno gás !

Ontem fiz mais de 600 kms na região e vizinhos, a ver dezenas de vinhas e vindimas. Há muita uva por vindimar e toda a que está a ser recebida é muito boa.

Problemas, há por todo o lado, o equipamento que avaria, as filas de espera para entregar, mas é esta a rotina de quem faz vindimas. As equipas de controle da CVRVV acompanham todo o processo noite e dia, muitos colegas já habituados a ir algumas horas a casa pelas 4 ou cinco manha.

Hoje está a ser um dia muito forte em toda a região.Pelos dados que fomos recebendo, fecharemos o dia já além dos 20 milhões de litros de mosto branco, ou seja estamos exactamente  meio do que se vindimou no ano passado. E ainda há muita uva para colher. As coisas correm, em geral melhor do que esperávamos.

Em baixo a imagem gráfica do volume de entregas diárias nos centros de vinificação que acompanhamos.Nota-se bem o efeito do último domingo, depois a chuva e a segunda metade da semana sempre a crescer.

Continua a ser cedo para o lavar dos cesto, mas não é arriscado afirmar que vamos ter bem mais vinho do que no ano passado.


terça-feira, 15 de setembro de 2015

Tempo de chuva, contas da vindima

Entregas diárias


Uma palavra de serenidade aos produtores.  Início de vindima é sempre tempo de grande agitação no mercado, fala-se de números, há sempre tensão no ar.

Hoje, dia de chuva, a vindima está mais calma, vamos olhar para alguns dados objectivos.

Como indiquei num texto anterior, o acompanhamento diário da vindima permite-nos ter, e publicar, os dados que indicam com bom rigor qual o resultado final. A produção directamente acompanhada pela CVRVV representa, fiz agora as contas, 78% da produção de branco da região.

Ora, o mapa de hoje indica que chegamos aos 10 milhões de litros de mosto branco, isto numa altura em que ainda quase tudo está por vindimar. No ano passado, o nosso mapa de controlo indicava 40 milhões no fecho da vindima. Tudo indica pois que, salvo desastre climatérico vamos rapidamente chegar ao número do ano passado e ultrapassa-lo com algum conforto.

Serenos pois, que ainda há muito para vindimar. Vamos ter um excelente ano de qualidade e uma vindima bem mais generosa em quantidade do que a de 2014.

Vendas até Agosto

Análise das vendas acumuladas até Agosto nos últimos três anos.

O primeiro gráfico refere-se ao branco sem casta. Conforme previsto, o aumento vem-se diluindo ao longo do ano. Era fabuloso no primeiro semestre e vai-se tornando mais discreto a partir daí. É simples, não há stock para grandes movimentos nos segmentos de entrada. Mais abaixo ver os gráficos e Loureiro e Alvarinho para complementar a análise.

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O segundo gráfico mostra-nos os vinhos com cor. Mantém as tendências dos últimos meses e confirma-se que o rosado parece ter encontrado um tecto, o que não é boa notícia. Não há que esperar nada de novo no final do ano, uma vez que o rosado é claramente um produto de tempo quente. Vamos a ver como se comporta no próximo ano.


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O terceiro gráfico é, quanto a mim o mais interessante e revela bem a enorme mas discreta revolução que a Região está a fazer. Estes são os segmentos de valor. Note que o gráfico só inclui os vinhos 100% de cada uma das castas indicadas. Não encontra aqui os Loureiro/Trajadura, os  Alvarinho/Trajadura que estão ou nos brancos gerais ( gráfico 1 acima ) ou nos IG branco ( linha escura deste gráfico).


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Se o comportamento do Alvarinho é optimo, o do Loureiro é admirável. A região está a estruturar a oferta de forma muito clara com os vinhos de lote no segmento de entrada e os vinhos de casta nos segmentos de valor. A boa notícia é que estes crescem mais que os primeiros, pelo que o valor do negócio está a aumentar.

O próximo texto será sobre os dados Nielsen do mercado nacional e verá como esta análise se confirma com mais números na frente.

domingo, 13 de setembro de 2015

Vinho Verde: stocks no fim de Agosto

Sem grandes comentários pois estamos em vindima e não há tempo para leituras, aqui ficam os stocks de Agosto.


Uma observação apenas: curioso como os stocks diminuem mas o stock de mosto branco se aguenta impassível. Fui buscar  mapa do mês anterior e concluí o seguinte:

  • de branco, o stock baixou em 3,2M de litros
  • de mosto branco, o stock baixou em 210.000 litros.

Há que se esteja a proteger ? Tire as suas conclusões !

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Acompanhar a vindima na internet

Este ano, os dados aritméticos da vindima vão poder ser acompanhados por todos os interessados, em tempo real na página internet da CVRVV através do endereço: www.vinhoverde.pt

O sistema está ainda em fase final de montagem e teste mas já lhe deixo aqui uma antecipação do que, a partir da próxima semana poderá ver.

Ao longo da vindima, a CVRVV acompanha diariamente os 50 maiores centros de vinificação, os quais representam cerca de 85% do vinho branco produzido na região. Destas unidades recolhemos informação diária dos volumes recebidos e produzidos de cada tipo de vinho.

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Estes valores passarão a estar disponíveis na internet para que todos os interessados possam acompanhar a evolução da vinificação.

O mapa que se publica acima é já um primeiro teste e refere-se a mosto branco. os valores são acumulados, Neste momento estão já vinificados pouco mais de 3 milhões de litros de mosto branco, o qual tem sido acompanhado pelas nossas brigadas. É ainda pouco, mas esta semana já temos várias unidades abertas e, a partir da próxima segunda-feira dia 14 estará a região praticamente toda a vinificar.

Primeiros apontamentos;


  • no que diz respeito a quantidades, mantemos a previsão feita oportunamente pela CVRVV com base nos inquéritos a 50 técnicos da região: esperemos um aumento próximo dos 15% no branco e uma ligeira queda no tinto. Mais adiante, este sistema vai-nos permitir perceber se esta previsão se confirma;
  • no que diz respeito a datas, é claro que estamos muito adiantados face a 2014 e face a 2013. É uma vindima mais cedo;
  • este sistema não recolhe dados qualitativos das uvas. Ontem fiz uma volta por vários centros de vinificação e o que constatei, bem como o que ouvi vai muito no mesmo sentido - estamos perante um ano de excelentes uvas. E bem merecemos.
Boa vindima !


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Embaixador dos EUA vindima no Vinho Verde

Engana-se, e muito, quem pensar que Robert Sherman, o embaixador dos EUA no nosso país é um diplomata formal e distante. Pelo contrário. Cheio de energia e interesse, atravessou o país para estar nos Arcos de Valdevez hoje bem cedo, dispensou o café e liderou o grupo de convidados para abrir a vindima nos Vinhos Verdes.

Os EUA são o nosso primeiro mercado de exportação, tendo demonstrado um crescimento fabuloso na última década, período em que aumentamos em mais de 4 vezes as vendas para aquele destino.

Justifica-se por isso plenamente que tenhamos convidado o Embaixador dos EUA, Robert Sherman para abrir formalmente a vindima da Região, a nossa 107ª vindima desde a demarcação em 1908.

Esta vindima, que contou com a presença de mais de 50 produtores, empresários e dirigentes cooperativos foi também o momento certo para analisarmos o potencial do Vinho Verde no EUA, tendo-se feito uma ligação em vídeo com a Benson, a nossa agência com sede em Nova Iorque que apresentou o plano de promoção de Vinho Verde para os próximos meses, incluindo provas em Seattle e Miami.

Vendo o vale do Lima, território do Loureiro e do Vinhão

Da esq para a direita, Alfredo Rezende da APUVE, Manuel Cardoso, Director Regional de Agricultura, Robert Sherman, Pedro Pessoa e Costa do AICEP e eu a apresentar a região.

Carla Cunha, Directora de Mkt da CVRVV apresenta o trabalho que vimos realizando no mercado dos EUA. À esquerda, Bernardo Frazão, da equipa da embaixada, um apoiante desta visita desde o primeiro momento.

O corte dos primeiros cachos. À direita João Garrido, responsável da EVAG.

O embaixador Americano está satisfeito com o resultado. Pedro Pessoa e Costa, director do AICEP examina as uvas. Em segundo plano, o Presidente do IVV, Frederico Falcão.

A caminho da adega

O grupo alargou-se a caminho da adega com o António Luís Cerdeira a explicar o processo de vinificação

Esmagando algumas uvas para amostra. À direita António Luís Cerdeira, explicando.

Provando o mosto num equipamento de micro-vinificações usado para o desenvolvimento de experiências

Ao almoço provaram-se os vinhos de 2014 com a gastronomia regional. Fiz uma breve apresentação da região

Robert Sherman numa intervenção que foi cumprimentada por todos os presentes. Homenageou os produtores pelos resultados conseguidos e lançou otimas pistas para o desenvolvimento do negócio dos vinhos entre os dois países.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Começa a vindima

Primeiro foi um, depois outro, na semana passada já abriu uma empresa grande, hoje abre outra e na próxima segunda-feira 7 abrem várias. A vindima vem de sul para norte e está a chegar ao Minho !

As previsões de colheita, já as publiquei em texto anterior, são de que teremos um pouco mais de branco, cerca de 10 a 15% e um pouco menos de tinto, cerca de 5%. Porém a evolução do clima foi muito boa e 2015 vai ser um excelente ano de qualidade. Bons Vinhos Verdes se anunciam !

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

As contas correntes de vinho

Conversa interessante ontem com um produtor que, em preparação da vindima, está a estudar as estatísticas que a CVRVV publica sobre os vinhos e que detectou uma discrepância: é que a produção anual tem sido ligeiramente inferior às vendas mas isso não significa que o stock transitado va aumentando a cada ano.

Pergunta-se então o que acontece a esse excesso ? é eliminado das contas ?

A CVRVV mantém um registo informatizado com as contas correntes de todos os vinhos aptos a DO Vinho Verde e IG Minho. Os produtores e engarrafadores tem acesso às contas individuais através do programa INETSIV e o público em geral tem acesso às estatísticas consolidadas que a CVRVV publica mensamente.

O funcionamento das contas correntes é muito simples e tem por base processo aritméticos também eles simples. Nenhum vinho desaparece, como é evidente. Todos os movimentos a crédito e débito das contas estão fundamentados e documentados e aliás previsto em lei, regulamentos e no manual de qualidade.

O que se passa, e explica esta diferença detectada pelo produtor é o que se demonstra no quadro seguinte, relativo ao ano civil de 2014.



Temos pois que, ao longo do ano, saíram dos saldos de VinhoVerde nada menos de 17 milhões de litros. Uma parte significativa foi desclassificação para IG Minho, geralmente a pedido do produtor. Mas também há desclassificações para "vinho de mesa" e o auto-consumo. Nunca esquecer que a região tem aproximadamente 20.000 produtores e cada um poderia reservar para autoconsumo até mil litros. O facto de só termos 7 milhões de litros que "escapam" para este destino não é nada mau.

Face ao stock limitado que temos, não creio porém que a análise destes números ou a intervenção sobre as suas causas nos resolva a vida. O único que creio que se movimentará nos próximos anos é o da dessclassificação para IG. Esta tenderá a dininuir à medida em que a legislação sobre Alvariho for sendo aplicada pois muito do que temos aqui é Alvarinho e Loureiro. Mas não só, é claro, pelo que nem este número descerá para zero.

O nosso desafio de fundo é outro: precisamos de mais investimento na vinha.

E que tal se começarmos a sensibilizar os produtores de milho para avaliarem a produção intensiva de uva como uma alternativa rentável ?

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Eu não vou votar no PCP... mas devia.



Neste blog nunca escrevi sobre partidos. Hoje faço-o e verá que se justifica.

Eu não vou votar no PCP.

Porém hoje recebi um mail do PCP que me levou a escrever este texto. O PCP envia-nos um relatório de todas as acções que tomou no que à agricultura diz respeito na última legislatura. É o único partido que o faz.

Se o meu caro leitor ou leitora falar com os responsáveis de qualquer associação sectorial, verá que a esmagadora maioria lhe diz que o PCP é o partido que mais interage com as associações em Portugal. Seja com sindicatos, associações empresariais, regionais, nacionais, a regra é sempre a mesma: o PCP é o partido que mais informação partilha.

Só aqui na CVRVV ( e presumo nas restantes regiões ) recebemos ao longo da última legislatura dezenas de mails do PCP no Parlamento e do PCP no Parlamento Europeu dando-nos informação da sua actividade quanto à agricultura, colocando-nos questões, enviando-nos documentos. Nós não pedimos nada, é inciativa do partido. E não é iniciativa oca, não é spam. Por mais de uma vez nós respondemos e o nosso parecer foi lido e incorporado nos documentos.

Hoje enviaram o relatório de tudo o que fizeram na legislatura no sector agrícola.

Não se passa uma legislatura em que os deputados do PCP no norte ou o sector agrícola não nos peça uma reunião.  Nesta legislatura, o PCP, o PS e o CDS pediram-nos reuniões.

Não é que nós não tenhamos contactos com todos os partidos, claro que temos e cultivamo-los. Porém a diferença ( e não é pouca ) é que nos restantes partidos temos de ser nós a estabelecer uma rede de contactos e esta invariavelmente tem por base o elemento pessoal, este deputado abre e responde aos mails, aquele atende sempre o telefone, o outro gosta muito do sector do vinho, etc etc. 

No PCP há uma visão estratégica da instituição que obviamente mantém uma boa base de dados e tem uma política de comunicação permanente. Esta permanência é importantíssima.

Há dias, ao ler sobre o processo manhoso de elaboração de listas, descobri que três dos deputados que mais sabem sobre a nossa região e que mais acompanharam o dossier Alvarinho não estão candidatos: Eduardo Teixeira PSD, Jorge Fão PS e Altino Bessa CDS. Enfim é a opção destes partidos. Tenho dos três a melhor avaliação, sendo indiferente de concordei ou discordei de cada um deles nesse caso em concreto. Afirmo que a região fica a perder bons deputados.

Porque diabo é que os grupos parlamentares dos restantes partidos não estabelecem procedimentos de comunicação constante e formal que permita construir dossiers, uma rede de comunicação ? Acham-se importantes, calculo. Não estaria num bom momento para mudar a forma como se faz a política, reduzindo a enorme distância que vai do eleitor até aos importantes senhores do poder?

Tudo isto me irrita precisamente pelo motivo indicado no início do texto: é que eu não sou eleitor do PCP.

Mas que dá vontade ...

sábado, 15 de agosto de 2015

Stocks em Julho

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Mais cedo que nos anos anteriores, começou a vindima na nossa região. Esta semana, as brigadas de controlo da CVRVV assistiram já à vindima e vinificação de Alvarinho. São os primeiros, é certo, o grosso da vindima virá de meio de Setembro até 5/10.

Para melhor análise de detalhe, alarguei o mapa de stocks deste mês a seis anos. Não farei comentário, julgo que o mapa é expressivo.

A este propósito, muito felizes as declarações do Presidente do IVV, Frederico Falcão esta semana quando questionado pela comunicação social sobre o efeito do aumento de produção no preço da uva, Diz ele que não antecipa uma baixa porquanto o país irá repor stocks que estão muito baixos.


domingo, 9 de agosto de 2015

Quinta da Lixa vence a Volta !




Grande vitória da W52 Quinta da Lixa na Volta a Portugal. Pelo terceiro ano vemos esta marca da referência do Vinho Verde a liderar a Volta.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Previsões de colheita 2015

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Aqui fica a previsão de vindima publicada pelo IVV para o continente com base nos dados recolhidos pelas regiões.

Para a nossa região, a previsão da CVRVV feita por inquérito a 50 técnicos da região é no sentido de um aumento de 15% no branco e uma perda de 5% no tinto.

Graficamente para quem não tenha paciência de ver os números:

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Para ler o relatório completo do IVV, clicar aqui.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Green Wine que me faz arrancar os cabelos.


Se há coisa que me irrita são os sites e iniciativas, geralmente na mão de gente que não é do negócio do vinho, e que se referem ao Vinho Verde como Green Wine.

Passo a explicar.


1. É um erro jurídico
As Denominações de Origem não se traduzem. Se traduz Vinho Verde por Green Wine, então traduz Alentejo por Beyond the Tagus e Dão por Give ? Está a perceber o disparate ? E Bordeaux, Vc traduz para português como Borda de Água ?

Pelo contrário Vinho do Porto e Port Wine são assim, e bem, pois a Denominação de Origem é também protegida na língua inglesa. Se designamos o Vinho Verde por este seu nome, estamos dentro de um campo que tem uma enorme protecção jurídica; se, pelo contrário o designamos por Green Wine, essa é uma expressão que não está protegida, pelo que levamos o consumidor outros produtos sem que ele se aperceba do erro.

2. É um erro de comunicação
É desnecessário. O Vinho Verde é conhecido no mundo precisamente por esta designação em língua portuguesa. Não é preciso estar a traduzir, aliás confunde. Temos de reforçar a notoriedade da marca Vinho Verde e não multiplicar as designações vin vert, green wine, vini verdi,etc etc

3. É enganar o consumidor
"Green wine" é mundialmente a expressão utilizada para aquilo que em Portugal chamamos o Vinho Biológico ( seja lá o que isso for e aqui não discuto ). Ora, de entre os Vinhos Verdes, alguns são biológicos mas a maioria não é.

Resumindo, quando explicar a um estrangeiro em língua inglesa o que é o Vinho Verde, use a seguinte expressão: Vinho Verde. Explique que é um produto único no mundo, com uma enorme influência marítima, fale das nossas castas, dos vales dos rios, explique que já se fazia aqui vinho no tempo dos romanos mas - por favor - esqueça lá o green wine.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A vindima ainda vem longe

Não recomendo que o leitor acredite no título. A vindima é amanha. Encaro-a com alguma preocupação. O ano vitícola correu bem, pelo menos melhor do que 2014 mas não chove.

As previsões de vindima, com base num inquérito respondido por meia centena de técnicos de toda a região apontam para um aumento de 15% face ao ano passado no branco e uma descida de 5% no tinto.

Se for assim, não é mau. 15% a mais permite repor os stocks e aumentar um tudo nada pois as vendas também aumentaram.

Tenho ouvido o preço do granel muito sólido e não me parece que haja espaço de descida.

A ver vamos. Os problemas estruturais de abastecimento só se resolvem com as grandes empresas e as adegas a intervirem fortemente na viticultura.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Stocks e vendas em Junho

Aqui ficam os dados mais recentes, relativos ao fecho de Junho.

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As existências são o que sabemos: baixas. Aliás estão a decorrer poucos trânsitos. O vinho que está na produção individual é muito pouco: 1 M de branco e 1,5M de tinto. Parece muito mas é residual pois estão repartidos por milhares de produtores, uma gota aqui, outra ali.

Não impede que daqui até à vindima se façam negócios mas serão. no seu todo. de pequeno volume.



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As vendas de branco estão muito robustas. Note que o gráfico distorce, beneficia o aumento, mas o algarismo é exacto, são 8,3% de aumento. É um valor excelente e não podia ser maior porque o stock é o que é. Começamos o ano com aumentos maiores, estão-se a diluir e vamos manter este rumo. Certamente terminaremos o ano com aumentos inferiores a estes 8,3%


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As vendas de tinto e rosado não estão famosas. O tinto está a perder mercado. É certo que o stock é baixo, mas esta perda inverte uma tendência que era interessante, até surpreendente.

No rosado não é fácil explicar. Este segmento vem crescendo sustentadamente há longos anos. Cresce a produção, o stock e a venda. Este ano porém parece ter encontrado um patamar. O verão nos dirá se é um fenómeno passageiro ou se realmente tivemos mais expectativa do que o mercado oferecia.


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Neste mapa, dos segmentos de maior valor, vemos as tendências que já se vinham afirmando em meses anteriores. Nada de novo portanto.

Os mapas que tem em cima foram apresentados ao Conselho Geral da CVRVV esta semana. Uma das preocupações que tenho afirmado, e que a região tem de assumir, é que este momento de escassez tem de ter resposta numa valorização do vinho e da uva que incentivem a novos investimentos em viticultura.

Num próximo texto escreverei sobre o controlo da vindima, um elemento importante para induzir esta valorização que tem de acontecer, mesmo sendo um ano de ligeiro aumento de produção.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Alvarinho: nova legislação ( cont )

Na sequência do texto de ontem,relativo à publicação da nova legislação para a DO Vinho Verde, foi hoje publicado o texto relativo à Indicação geográfica Minho.

Pode lê-lo clicando aqui.

Fca assim concluído o processo legislativo nacional, faltando apenas uma deliberação do Conselho Geral da CVRVV que será adoptada muito em breve.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Alvarinho: nova legislação





Já o escrevi e aqui recordo: o Alvarinho é um assunto tão cheio de emoções à flor da pele, que o melhor contributo que posso dar é o da serenidade, motivo único pelo qual não fui publicando aqui textos sobre o processo de debate desde que ele se iniciou.

E também não o farei agora.

Este texto tem pois uma função meramente informativa. Um dia virá o tempo de publicar os muitos apontamentos sobre este assunto.


Conforme deliberação do Conselho Geral, o Governo está a publicar a legislação que vem alterar o enquadramento legal da produção e rotulagem de Vinho Verde com a menção da casta Alvarinho no rótulo.

Dado que a União Europeia tem um forte poder legislativo nesta matéria, foi necessário ao Governo definir um modelo legislativo que fosse aceitável à luz da legislação comunitária, tanto mais que corria na Comissão Europeia uma queixa apresentada por um produtor da região reclamando a abertura total e imediata.

A legislação será pois repartida em três documentos:

  • acaba de ser publicada a Portaria número 152/2015 de 16 de Maio que vem alterar o regulamento de produção e comércio da DO Vinho Verde; 
  •  dentro de dias será publicado documento equivalente para a Indicação Geográfica Minho; 
  •  algumas matérias que não puderam ser vertidas em legislação, serão propostas para deliberação do Conselho Geral, a qual será vinculativa e reconhecida como tal pelo Ministério da Agricultura. A reunião do Conselho para este fim será convocada dentro de dias.
 Para consultar a Portaria hoje publicada, clique aqui.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Vinho Verde: vendas em Abril


Comecemos então pelo branco, o segmento que representa 85% do negócio da região. Aumentamos 15% dos primeiros quatro meses do ano. Como verá num texto próximo, é um aumento sobretudo na exportação mas também alguma coisa no mercado nacional. São, objectivamente, notícias boas. São óptimas aliás. O problema é que este aumento não é sustentável no tempo. Tenhamos bom senso: não há 15% de stock acima do ano passado. Se começamos o ano de forma excelente, o mais natural é que este aumento se vá diluir gradualmente no segundo semestre e, tudo correndo bem, fecharemos com bons números, certamente acima de 2014 mas bem abaixo deste apetitosos 15%.




As vendas dos segmentos de casta branco estão muito fortes. Este é o caminho certo: estamos a valorizar o produto, reforçando mais  os segmentos de valor, as castas, do que o grosso do pelotão. O aumento dos Alvarinhos, DO e IG é algo que vimos em todo o 2014 e agora se reforça. É curioso que este aumento foi contemporâneo da "polémica Alvarinho". Já o escrevi, no meu entender esta polémica acabou por reforçar a notoriedade do produto e assim o impulsionar comercialmente.

Referência muito forte para o Loureiro. É comercialmente a nossa casta numero um e está a brilhar. Neste quadro vemos a evolução das vendas do monocasta loureiro que é impressionante: mais 31%. Não vemos aqui mas é igualmente impressionante o comportamento dos lotes com Loureiro, seja no Do, seja no IG. O Loureiro está a afirmar-se como um campeão de vendas.

Referência menos boa apenas para o IG Minho, fruto creio de um problema comercial localizado que esperamos ver resolvido. Oportunamente voltaremos a isto.



Por fim, mas não menos importante , o quadro com os vinhos de côr, o tinto e o rosado. O tinto volta a descer. 2014 não correu mal mas o tinto tem um problema de baixa estrutural, que este ano se agrava. Esta evolução ainda é mais clara confrontando o tinto com  rosado, este que é um jovem campeão do Vinho Verde e que parece ainda estar longe de atingir um tecto. Por este caminho, o único tecto é mesmo a disponibilidade de matéria prima.