segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Vinho Verde: stocks a 31/12

Embora com alguns dias de atraso, creio que vale a pena analisar em detalhe os stocks a 31 de Dezembro. Aproveitei pois para expandir a análise aos últimos cinco anos.

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Uma primeira leitura que salta logo à vista é que há cada vez menos branco em stock. Note que não basta analisar a linha verde, pois há que lhe somar o mosto branco, na linha azul. Seja como for, a situação não é de facto famosa. Em baixo, uma tabela que fiz para facilitar a leitura e que nos permite comparar o stock de branco + mosto a 31/12 de cada ano e as vendas de cada ano de VV Branco+Alvarinho+Loureiro. Em ambos os casos ano civil, valores em litros. A terceira linha é o cálculo da taxa de cobertura. A tabela não é de rigor absoluto pois o stock a 31/12 de cada ano é para ser usado no ano seguinte e haveria que considerar as desclassificações para IG. Seja como for já nos dá uma boa ideia de tendência.,


E a tendência é clara. No início do periodo, o stock excede em 77% as necessidades e no fim já só excede em 35%. Para agravar, note que o stock conta sempre com vinho que está repartido na produção em pequenos armazéns que não é economicamente razoável ir buscar.




Já agora um segundo efeito muito curioso, que já mencionei num texto anterior e que se pode ver no mapa seguinte. É que o antigo mercado de granel que existia na pequena produção está a esgotar-se.


Ou seja: assim como há uma enorme concentração no destino do granel, hoje com dois compradores que têm uma quota de mercado enorme, há também uma crescente concentração na produção. Neste momento quem queira adquirir 300 ou 400.000 litros só tem 5/6 fornecedores possíveis. Aquele enorme manancial de granel que havia na produção e que motivava várias empresas para que andassem a "levantar vinho na produção" hoje tem muito pouco significado.

É evidente que várias causas concorreram para que se chegasse a este cenário de escassez, não vale a pena lamentar agora,os tempos são outros e também o são os instrumentos técnicos e legais.

Para futuro atrevo-me a tirar três apontamentos:
  • o primeiro é que o aprovisionamento de matéria prima não é garantido, pelo que qualquer empresa tem de o considerar como um ponto estratégico e tem de ter respostas para assegurar o aprovisionamento necessário para os seus projectos comerciais; acabou o tempo de quem se dedique ao mercado de engarrafados, confiante que encontrará sempre a matéria prima necessária a bom preço; isto é mau para a região pois dificulta a nossa capacidade para captar engarrafadores de fora que se iteressem no Vinho Verde. mas é o que é;
  • segundo é que há pouco e cada vez menos espaço para modelos de negócio de baixo preço. O granel de VV branco é o mais caro do país e bem mais caro do que o granel branco de mesa. Isto seria optimo se vendessemos o branco mais caro do país, mas não vendemos. Os projectos com marcas de base de gama têm e terão cada vez mais dificuldade;
  • o terceiro é a evolução do importante sector cooperativo da região. É que temos algumas cooperativas com instalações excelentes mas com um volume de matéria prima muito aquém do possível. E, como sabemos, as cooperativas sofrem nos anos grandes, porque recebem toda a matéria prima e sofrem nos anos curtos, pois escapam-se as uvas.
O mapa de socks a 31/12 motiva pois bastante preocupação. Relaxe, o próximo texto será sobre o mapa de vendas e esse é uma sequência de otimas notícias !

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