quinta-feira, 27 de agosto de 2015

As contas correntes de vinho

Conversa interessante ontem com um produtor que, em preparação da vindima, está a estudar as estatísticas que a CVRVV publica sobre os vinhos e que detectou uma discrepância: é que a produção anual tem sido ligeiramente inferior às vendas mas isso não significa que o stock transitado va aumentando a cada ano.

Pergunta-se então o que acontece a esse excesso ? é eliminado das contas ?

A CVRVV mantém um registo informatizado com as contas correntes de todos os vinhos aptos a DO Vinho Verde e IG Minho. Os produtores e engarrafadores tem acesso às contas individuais através do programa INETSIV e o público em geral tem acesso às estatísticas consolidadas que a CVRVV publica mensamente.

O funcionamento das contas correntes é muito simples e tem por base processo aritméticos também eles simples. Nenhum vinho desaparece, como é evidente. Todos os movimentos a crédito e débito das contas estão fundamentados e documentados e aliás previsto em lei, regulamentos e no manual de qualidade.

O que se passa, e explica esta diferença detectada pelo produtor é o que se demonstra no quadro seguinte, relativo ao ano civil de 2014.



Temos pois que, ao longo do ano, saíram dos saldos de VinhoVerde nada menos de 17 milhões de litros. Uma parte significativa foi desclassificação para IG Minho, geralmente a pedido do produtor. Mas também há desclassificações para "vinho de mesa" e o auto-consumo. Nunca esquecer que a região tem aproximadamente 20.000 produtores e cada um poderia reservar para autoconsumo até mil litros. O facto de só termos 7 milhões de litros que "escapam" para este destino não é nada mau.

Face ao stock limitado que temos, não creio porém que a análise destes números ou a intervenção sobre as suas causas nos resolva a vida. O único que creio que se movimentará nos próximos anos é o da dessclassificação para IG. Esta tenderá a dininuir à medida em que a legislação sobre Alvariho for sendo aplicada pois muito do que temos aqui é Alvarinho e Loureiro. Mas não só, é claro, pelo que nem este número descerá para zero.

O nosso desafio de fundo é outro: precisamos de mais investimento na vinha.

E que tal se começarmos a sensibilizar os produtores de milho para avaliarem a produção intensiva de uva como uma alternativa rentável ?

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