terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Green Wine que me faz arrancar os cabelos.


Se há coisa que me irrita são os sites e iniciativas, geralmente na mão de gente que não é do negócio do vinho, e que se referem ao Vinho Verde como Green Wine.

Passo a explicar.


1. É um erro jurídico
As Denominações de Origem não se traduzem. Se traduz Vinho Verde por Green Wine, então traduz Alentejo por Beyond the Tagus e Dão por Give ? Está a perceber o disparate ? E Bordeaux, Vc traduz para português como Borda de Água ?

Pelo contrário Vinho do Porto e Port Wine são assim, e bem, pois a Denominação de Origem é também protegida na língua inglesa. Se designamos o Vinho Verde por este seu nome, estamos dentro de um campo que tem uma enorme protecção jurídica; se, pelo contrário o designamos por Green Wine, essa é uma expressão que não está protegida, pelo que levamos o consumidor outros produtos sem que ele se aperceba do erro.

2. É um erro de comunicação
É desnecessário. O Vinho Verde é conhecido no mundo precisamente por esta designação em língua portuguesa. Não é preciso estar a traduzir, aliás confunde. Temos de reforçar a notoriedade da marca Vinho Verde e não multiplicar as designações vin vert, green wine, vini verdi,etc etc

3. É enganar o consumidor
"Green wine" é mundialmente a expressão utilizada para aquilo que em Portugal chamamos o Vinho Biológico ( seja lá o que isso for e aqui não discuto ). Ora, de entre os Vinhos Verdes, alguns são biológicos mas a maioria não é.

Resumindo, quando explicar a um estrangeiro em língua inglesa o que é o Vinho Verde, use a seguinte expressão: Vinho Verde. Explique que é um produto único no mundo, com uma enorme influência marítima, fale das nossas castas, dos vales dos rios, explique que já se fazia aqui vinho no tempo dos romanos mas - por favor - esqueça lá o green wine.

1 comentário:

Francisco Borba disse...

Apoiado Manuel Pinheiro . Eu é que ja não posso arrancar mais cabelo porque já sou careca mas subscrevo inteiramente !!!