quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

As vendas no fecho do ano ( II ): tinto e rosado

Clique na imagem para aumentar

Elaborei este mapa com dados de uma década para dispormos de uma visão estrutural mais clara porque o que ele nos revela são duas tendências de fundo.

Por um lado o surgimento e afirmação do rosado. É um produto muito sazonal, que se vende sobretudo em vasilhame 0,75. Neste momento representa cerca de 5% do negócio do Vinho Verde. Tem potencial de crescimento embora certamente limitado pela quota do rosado no mercado global de vinhos que é limitada e em Portugal ainda mais o é. Porém temos feito excelentes rosados, são apreciados e premiados e a produção tem vindo a aumentar, pelo que a ligeiríssima baixa de 2015 pode ser apenas temporária.

Não assim com o tinto. Já aqui escrevi sobre isto. O tinto tem um problema sério de relacionamento com o cliente. Diria até de definição do produto. Lado a lado temos produtos muito tradicionais com experiências novas. E, mesmo estas, vão em dois rumos: por um lado os Vinhão e por outro lado vinhos completamente "fora da caixa" como os Pardusco e Aphros.

Esta descida de vendas do tinto só não é um problema maior porque a produção tem descido, as renovações de vinha estão a ser feitas intensamente para branco e assim o mercado tem encontrado novos equilíbrios.

Não acho que a região deva desistir do tinto. Seria um erro concentrar toda a nossa força comercial num só produto. Devemos dar força ao branco mas também acompanha-lo de outras categorias que nos sirvam de refúgio. Mais, o tinto é, no mercado mundial, tipicamente o vinho melhor remunerado. Não devemos estar fora desse negócio. E mais, o tinto foi tradicionalmente o nosso vinho número 1: não devemos desperdiçar essa herança.

Porém relançar o tinto significa definir um rumo, alinhar a enologia e alinhar a comunicação. 

Sem comentários: