terça-feira, 17 de maio de 2016

Casta Azal, grande vencedora em concurso nacional de vinhos

Foto: Magnum Wine Club

Ao contrário do que é habitual, não pude estar na passada sexta-feira na entrega de prémios do concurso nacional de vinhos, promovido pela Viniportugal. Foi um sucesso, no cenário fabuloso do Bussaco. Como é natural, fui sabendo pela internet dos premiados, que felicito.

Destaco aqui, pela surpresa e pela satisfação que me dá, o prémio "Melhor Varietal Branco do ano" atribuído ao Quinta de Linhares Azal 2015.

Por todas as razões. O Enólogo, António Sousa, é em exemplo de trabalho e descrição com a sabedoria de fazer amigos onde quer que esteja e de saber apresentar grande vinhos.  A administradora da firma, Ana Ribeiro é uma lutadora que tem trabalhado sem cessar para criar valor nesta empresa e numa outra que tem no Douro. A qualidade do trabalho aqui feito foi premiada repetidamente nas ultimas semanas, não apenas neste concurso nem neste vinho.

E pelo Azal.

O Azal foi durante muito tempo uma casta maldita. Uma casta que produzia vinhos... verdes. Lembro-me de, nos anos 90, ir a uma assembleia da Cooperativa de Felgueiras na qual um sócio reclamava por ter um Azal de 6 graus que a adega não valorizava. Era assim muito do azal. De tal modo que as reconversões de vinha foram sendo feitas para outras castas, o loureiro, a trajadura, o alvarinho, até o fernão pires. Fugia-se do azal.

Porém, ao longo da última década tanta coisa vem mudando. Hoje temos 860 hectares de azal cadastrado ( é a sexta casta com maior área cadastrada ), o que não é enorme mas é interessante pois este azal cadastrado é sobretudo proveniente de novas vinhas. Haverá, no vale do Sousa, muito mais azal não cadastrado , em vinhas tradicionais, que aparece sobretudo nos lotes de branco.

Estas novas vinhas de azal começam a produzir excelentes vinhos. O acto de este ter sido o varietal branco do ano em Portugal, sendo uma surpresa, é também um incentivo.

A nossa região optou muito claramente por desenvolver os vinhos entro daquilo que são as nossas castas tradicionais. O loureiro ( 3.000 hectares ) e o arinto ( 2.000 hectares ) são as que oferecem maior potencial de produção neste momento, mas o azal e várias outras podem bem contribuir para a diversidade, para o valor e para a personalidade única dos vinhos que queremos que sejam o Vinho Verde do futuro.



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