domingo, 26 de junho de 2016

4 ideias sobre Brexit e o Vinho Verde


Pediram-me para escrever um artigo para um jornal sobre as vantagens e inconvenientes do Brexit e dei comigo a pensar se haverá vantagem alguma. Na melhor das hipóteses, se o euro se desvalorizar ganharemos alguma competitividade em países terceiros...

Aparte a excitação de políticos e teóricos que se entusiasmam sempre com cenários catastróficos, as empresas, a criação de emprego e - concretamente - as pessoas normais, desenvolvem com sucesso a sua vida em condições de alguma estabilidade e previsibilidade.

Nenhuma das duas caracteriza, infelizmente, os dias que vivemos.

Para o negócio do vinho, não faz sentido analisar o Brexit só por si, uma vez que este terá consequências nas economias mundiais.

Não tendo a veleidade de dominar o assunto e menos ainda de antever o futuro, aqui deixo algumas notas:


  • a questão cambial - a descida da libra, alguma descida do euro e uma possível valorização correspondente do dólar a ter em conta. A instabilidade cambial é um problema, é preciso gerar defesas pois pode fechar um mercado de um momento para outro; é certo que alguma desvalorização do euro nos pode ajudar em países terceiros;
  • o mercado Britânico - mesmo que saia da UE, o Reino Unido permanecerá no acordo "Espaço Económico Europeu" pelo que não é de esperar que apareçam barreiras administrativas significativas como novas regras de rotulagem ou vinificação. Tal como estão hoje por exemplo a Noruega e a Islândia. Porém é claro que a economia Britânica vai passar dias difíceis, a desvalorização da libra vai acarretar uma maior inflacção. Não é de esperar pois um crescimento do negócio a retalho, isto na melhor da hipóteses. E não esquecer que os nossos produtos chegarão lá mais caros.
  • o calendário -  desvalorização da libra e o efeito nos mercados começa já. A saída, em concreto da UE ( se acontecer ) é um processo longo de meses ou anos que acarreta negociações complexas de dezenas de dossiers;
  • o resto - aqui a análise de cada um vale o mesmo que as demais. Eu não estou nada optimista, estou convencido que este processo terá ondas de choque políticas em vários Estados e económicas a nível mundial. Temos de nos preparar para dias ainda mais difíceis. Ser cada vez mais profissionais, escutar o cliente, inovar, fazer bem, valorizar as marcas, conter custos em absolutamente todo o processo produtivo e diversificar mercados. Ter clientes em Portugal e fora, no Euro e fora deste, no hemisfério norte e sul. Quando maior a repartição, melhor se poderá gerir o risco. Já agora, ter sempre presente que a generosa política agrícola da UE não vai durar ara sempre.

Vamos a ver o que nos trará o futuro. Estejamos de olhos bem abertos e de cabeça fria para tomarmos boas decisões.

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