terça-feira, 12 de julho de 2016

O Vitis nos Vinhos Verdes

Muito interessantes alguns dados sobre o Vitis na nossa região, que consultei e aqui partilho com alguns apontamentos. Em cima, no gráfico, a área reconvertida a cada ano, em hectares, Vimos em crescendo, sendo que a candidatura de 2015, acima de mil hectares, foi a maior do período.

Neste período de sete anos, estamos a reconverter 813 hectares/ano. É um bom número. Para aferir a área de vinha da região, temos dois métodos: a área cadastrada ou a área indicada nas DCP's. A segunda, necessariamente bem inferior à primeira, é mais fiável. Contemos pois com 15.800 hectares de vinha mencionados nas DCP's do ano passado. Sendo assim, os 813 significam que estamos a reconverter 5% ao ano, ou seja, renovamos a vinha em 20 anos.

É um número que nos deve confortar e que sublinha a ideia que tenho cada vez mais de que a crise da nossa viticultura já passou o momento pior e de que precisamos é de perseverar na constante valorização da uva e do apoio com o objectivo de melhorar as produtividades. Mas claramente a nossa viticultura está no rumo certo.

A região recebeu um apoio ligeiramente superior a 55 milhões de euros, sendo que o apoio médio é de 9,8 mil euros por hectare.

Estou convencido, mas isso seria outra conversa, é que se não fosse este apoio, teríamos uma baixíssima taxa de reconversão e estaríamos confrontados com um monumental problema de aprovisionamento. Aproveitemos pois - intensamente - o Vitis enquanto existe sem nos iludirmos que ele se manterá com esta simplicidade e generosidade para sempre.

Por fim um dado curioso: a nossa área média de candidatura e de 1,18 hectares.  Note, não quer dizer que cada produtor explore 1,18 hectares mas sim a área média da reconversão, sendo certo que a esmagadora maioria dos candidatos têm outras vinhas em simultâneo e estão a reconverter uma parte em cada candidatura. Isto preocupa-me porém pois há no sector a ideia de que as candidaturas futuras devem privilegiar as maiores áreas, por exemplo áreas acima de 3 hectares, Ora no mapa nacional só duas regiões, o Alentejo e Setúbal, têm áreas médias de candidatura acima dos 3 hectares. Diria pois que a haver algum objectivo de política pública, este deve se o de favorecer o aumento da área médias da exploração para valores que assegurem alguma viabilidade e não concentrar os apoios em algumas candidaturas que manifestamente já têm mais do que essa dimensão assegurada.

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