segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Vendas e exportações em Outubro

Como é habitual, em Outubro não publico o mapa de stocks porque este é influenciado pelas Declarações de Produção que estavam a entrar à data da sua elaboração. Aproveito pois para fazer a análise das vendas gerais e do mapa de exportações que entretanto nos chegou.

AS VENDAS: NACIONAL + EXPORTAÇÃO

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Excelente o mapa de vendas no branco. Note que este não representa todo o branco. Trata-se do branco, deduzido do Alvarinho e Loureiro que aparecem no mapa separado, em baixo. O gráfico é mais generoso do que o aumento real mas este é, sem favor, excelente, registando um aumento de 6,4%. As vendas de Vinho Verde branco estão muito sólidas. Assim o contexto económico nos ajude e nada impede que mantenhamos o mesmo caminho em 2017. Como verá no mapa mais adiante, é sobretudo a exportação que impulsiona estas vendas, estando o mercado nacional praticamente estagnado,


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As vendas de tinto são o que vimos conhecendo, sem que se sustenha a linha de perda de vendas já identificada em mapas anteriores. Fui analisar os vasilhames e é relevante notar que a garrafa 0,75 tem as vendas estabilizadas. Perde 14.000 litros num negócio de 3 milhões, o que é irrelevante. As perdas estão pois concentradas nos outros vasilhames, sobretudo na garrafa de litro e no garrafão de 5 litros que perdem quase metade das vendas num só ano. São pois, pelo menos, sinais de algum conforto: o que estamos a perder são os segmentos de menor valor que se destinavam a consumo diário e não os casta "vinhão", os quais têm uma procura que eu diria ( sem base estatística ) crescente.

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Muito bonitos estes dados dos Alvarinho e dos Loureiro. Admito que se tivéssemos dados dos lotes Loureiro-Alvarinho, ainda seriam mais expressivos. Este é claramente o segundo segmento da Região. Acima dos vinhos de lote, os vinhos de casta proporcionam maior exclusividade e maior valorização. São essenciais na valorização da própria região e cada vez mais há matéria prima para os produzir.

O MERCADO EXTERNO

Os dados publicados acima referem-se a vinho colocado no mercado independentemente do destino. Têm como fonte a gestão de informação da CVRVV. Os que publico de seguida são os relativos à expedição para a UE e à exportação. Têm como fonte o Intrastat.

Apontamentos:

  • estamos com 48 milhões de euros exportados para mais de 100 mercados, um aumento de 8% em relação ao período homólogo;
  • o preço médio registado é de 2,3 euros/litro, com uma ligeira descida sobretudo impulsionada pelo mercado alemão, de longe aquele onde temos um preço menos interessante;
  • os nossos principais mercados comportam-se de forma mito positiva, com especial relevo nos EUA e Alemanha, nossos principais mercados, ambos com crescimento assinalável;
  • do top 10, apenas a Suiça e a Bélgica perdem vendas,



Dito isto, não esqueça que estão abertas as inscrçoes para as firmas qu queiram participar no programa de marketng a CVRVV ara 2017. Para conhecer este plano clique aqui.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Brasil: o tolo proteccionismo


Todos os dias faço isto: assino uma série de certificados de origem de Vinho Verde a exportar para o Brasil.Os certificados são indispensáveis para a mercadoria ser desalfandegada no destino. Assinar um certificado é um gosto: em cada um, estão centenas de horas de quem cultivou a vinha, de quem fez o vinho, de quem foi ao Brasil tratar de o vender, sabe-se lá com que dificuldades até ao dia em que fechou cada um daqueles negócios.

Comecemos então pelas boas notícias. Cada certificado de exportação corresponde a, no mínimo uma palete, e geralmente várias, ou um contentor, Ou mais. Em 2015 exportamos 3 milhões de euros para o Brasil e em 2016 já íamos em 1,6 milhões em Julho, o que quer dizer que vamos ultrapassar o valor do ano passado. O Brasil está agora a entrar no tempo quente.

Isto são portanto boas notícias. É um mercado importante e o Vinho Verde está lá em força.

E agora: o resto.

As autoridades do Brasil querem dificultar as importações. Já perceberam que hoje isso não se pode fazer proibindo-as ou impondo quotas ou com tarifas alfandegárias. Vai daí encontraram um lindo esquema: para serem desalfandegados, os vinhos têm de ser acompanhados de um certificado de origem assinado à mão, a azul. Repito, à mão e a azul.

Um colega meu de outra região fez a experiência: assinou a preto. Resultado, o importador não conseguiu desalfadegar até que essa região enviasse uma certidão assinada à mão e a azul a confirmar que os documentos assinados a preto eram originais.

É o único país do mundo que pede tal coisa. E andamos nisto...