terça-feira, 9 de maio de 2017

Stocks e vendas em Abril

Aqui temos os mapas para analisar o fecho de Abril. Nas existências, nada de novo. Vou recebendo notícia de que há pouco vinho mas não vejo motivo de preocupação e menos ainda de inflação. Em nosso redor, vizinhos em Espanha e França foram brutalmente penalizados com geadas violentas; não cá.


Clique na imagem para aumentar

Por cá, ainda há muitas semanas até à vindima, mas a nascença é, em geral, bastante boa e nada nos indica que este stock tenha de responder a uma colheita baixa. Sendo assim é um stock perfeitamente correcto. ( isto não nega, é certo, que temos andado muito no fio da navalha, ou seja, se houvesse uma geada brutal estaríamos confrontados com um problema sério )

Menos animadoras são as notícias do segundo quadro, as vendas de branco. O primeiro trimestre foi correndo bem mas agora fraquejamos um pouco.

Clique na imagem para aumentar

Importa porém ler o quadro de cima em articulação com o de baixo. É certo que, nos quatro primeiros meses do ano, perdemos 77 mil litros no branco. Porém fomos ganhar 110 mil nas castas que são, naturalmente o segmento de maior valor. O saldo é pois positivo no branco+castas.

Assim, face a igual período do ano passado, estamos a perder 5% nos lotes  e a ganhar 3% no Alvarinho, 13% no Loureiro, a perder 10% no Alvarinho-Trajadura e a ganhar 54% no Alvarinho Loureiro.

Nunca esquecer, na leitura dos lotes, que o Alvarinho-Trajadura e o Alvarinho-Loureiro são ambos muito influenciados por uma marca dominante em cada uma destas categorias.


Clique na imagem para aumentar

Por último o tinto e rosado. O mapa parece replicar, até aumentar o dos meses anteriores. O rosado segue de vento em popa, o tinto decresce no lote e cresce no vinhão.

Clique na imagem para aumentar

Em resumo. A época alta está a chegar, ainda há muito ano para fazer. Estes primeiros quatro meses do ano parecem apontar num sentido interessante, estamos a desenvolver os brancos de maior valor ( as castas )  e a consolidar muito bem o rosado, um produto ainda jovem. O tinto, claramente em duas vias distintas: o Vinhão a afirmar-se como uma "marca" reconhecida pelo cliente e o lote de tinto claramente a perder mercado estruturalmente.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Vinho Verde: Japão à vista !

Temos vindo a trabalhar o mercado do Japão e vários produtores associaram-se à CVRVV neste projecto. O Japão é interessante por ser um mercado de valor. O consumo per capita é baixo ( inferior a 5 litros/ano ) , embora a crescer. Porém o consumidor Japonês é muito conhecedor e procura produtos de qualidade. Isso interessa-nos. Estamos "em quantidade" em mercados como a Alemanha ou os EUA e precisamos de encontrar mercados que valorizem as castas e vinhos mais específicos.

É um mercado culturalmente muito diferente dos ocidentais e é preciso perceber os Japoneses, perceber a sua forma de trabalhar e perceber o seu tempo. Porém é um país muito organizado, onde as práticas comerciais são muito regulares e onde o respeito pelas marcas é total, algo que nem sempre se encontra na Ásia.

Clique na imagem para aumentar

O quadro acima mostra a nossa evolução recente. O mercado ainda é pequeno mas estamos claramente no caminho certo.

Esta semana, uma vez mais, 30 empresas foram com a CVRVV e com o apoio técnico da Opal a Tóquio apresentar os seus vinhos. Uma presença em várias frentes: na feira Wine and Gourmet, numa prova para especialistas e importadores e em vários eventos privados organizados por  vários produtores, que assim maximizaram o efeito desta longa viagem.

Roubadas aos próprios, aqui partilho algumas fotos desta semana de trabalho com o Vinho Verde em cheio no mercado do Japão. Fotos da Carla Cunha ( CVRVV ) e do Gonçalo Furtado ( Opal )

Curso de prova, uma participação atenta e pontual !

Produtores e clientes: momento chave.
Master Class dos Vinho Verde Young Projects:
os protagonistas lá ao fundo no centro.
O senhor da direita vai provar um vinho feito
a 10.900 Kms dali: justifica-se o ar sério !

Deixo para o fim esta foto, com alguma deselegância para com a privacidade a que todos temos direito, mas porque me orgulha particularmente.

Temos bons vinhos, é certo e estamos a fazer tudo para os melhorar a  cada dia. Mas está a aparecer na região uma nova geração de gente, seja na viticultura, na enologia e no comércio, seja nos privados ou nas cooperativas. É uma geração com forte preparação técnica, que tem o mundo aberto na cabeça, que é competitiva, que é inovadora e que dedica mais tempo a fazer ( e a fazer em equipa ) do que nos tradicional corte e cose.

Este é o nosso #dreamteam e com uma equipa destas, tenho a impressão que isto é só o começo...





Um interessante estudo sobre o mercado Japonês aqui.

E outro aqui.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Stocks e vendas em Março: há novidades !

Março fechado, já temos três meses de vendas acumuladas para podermos aferir um pouco do ano.
E que ano promete ser !

Mas comecemos pelo mais sereno: os stocks.

Clique na imagem para aumentar


Nada de novo aqui: há vinho. O stock permite encarar o ano com serenidade e, salvo se a próxima vindima trouxer novidade, encarar uma estabilidade de preços nos mercados de uva e de granel.

As vendas de branco ( quadro em baixo ) estão muito compostas e recuperamos uma ligeira perda que tínhamos tido no início do ano passado. 8% de aumento é um optimo resultado: sem que o mapa nos permita afirmar onde estamos a crescer, é natural que este crescimento esteja sobretudo nos mercados externos. Em breve teremos dados do INE sobre exportações e aí comprovaremos.

Clique na imagem para aumentar

Muito bons, aliás excelentes, são os resultados das categorias de maior valor, as castas, no mapa seguinte.

Estamos com um forte crescimento em todos os produtos. Não é só crescimento mas a intensidade com que este decorre. Comparado com igual período em 2016 estamos 8% acima no Alvarinho, 28% no Loureiro, 60% no Loureiro-Alvarinho e 21% no Trajadura-Alvarinho.


Clique na imagem para aumentar

Claro que isto são números de início de ano. Não espero, nem espere o leitor, que isto se vá prolongar nos mesmos termos nos próximos trimestres.

No que diz respeito aos lotes de castas, uma observação para ajudar a leitura. O lote Trajadura-Alvarinho é naturalmente liderado pelo Muralhas, que é uma grande parte dos números deste segmento. Quanto ao lote Loureiro-Alvarinho duas observações: a primeira é que era um lote impedido pela lei até ao acordo Alvarinho. Está portanto a dar os primeiros passos. A segunda é que, tal como no caso anterior, há aqui uma marca muito forte que é o Quinta da Aveleda. Porém este segmento, Loureiro-Alvarinho tem muitas novas marcas a aparecer, mais do que o Trajadura Alvarinho.

O mapa seguinte tem algo de histórico: o rosado ultrapassa claramente as vendas de tinto. Mesmo juntando o Vinhão ao tinto geral, a soma é ultrapassada pelo rosado.

A ponderar.



Clique na imagem para aumentar


E é isto, as vendas e stocks em Março.

Boa semana !

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O que vale o vinhão ?

A partir deste mês, temos os mapas enriquecidos com dois novos segmentos: um no tinto, o vinhão e dois no branco, os lotes Loureiro-Alvarinho e Trajadura Alvarinho. Passarão a estar integrados nos mapas mensais.


Clique na imagem para aumentar
Como antecipação, trago aqui o mapa do tinto e rosado. Trata-se do mapa que foi publicado aqui há dias mas, nesta nova formulação, o Vinhão é destacado do tinto de lote.

Quanto vale então o vinhão ? nos dois primeiros meses, 141.000 litros. Vamos acompanhando ao longo do ano, nomeadamente para percebermos de a sazonalidade do tinto é igual à do vinhão. Para já, num contexto de perda de mercado no tinto, o Vinhão comporta-se muito bem, E é uma quantidade muito significativa no total.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Braga 12/04: prova de Vinho Verde e Gastronomia

Queijos, chocolates e sabores de marisco e caril harmonizam com os vinhos da Região numa prova conduzida pelo enólogo Luís Cerdeira. Venha provar connosco !



domingo, 12 de março de 2017

Vinho Verde: stocks e vendas em Fevereiro

Estou há bastante tempo sem escrever, foi tempo de alívio para os leitores. Volto com os mapas de Fevereiro e com o aviso que aqui coloco todos os anos: vendas de dois meses têm pouco significado, é preciso lê-las com prudência.

Clique na imagem para aumentar

Dependendo do lado em que cada leitor sempre se encontra, o mapa de existências tem sempre um de dois significados: ou não há vinho e por isso o preço deve subir; ou há um mar de vinho e por isso aquele deve descer.

Ora, como é bom de ver numa análise serena, nem é uma coisa nem outra. Temos o vinho de que precisamos, sem excessos.

É aliás bom que assim seja. A região não pode perder valor, sob pena de desincentivar a viticultura. E tem de fazer subidas responsáveis, sob pena de colocar o mercado em causa.


Clique na imagem para aumentar

Bonito, está o mapa de vendas de branco. Recordo porém o que escrevi acima: são vendas de dois meses. Já é muito vinho, 6M de litros, mas ainda bastante influenciável por algum negócio de volume. Esperemos até Abril para termos uma ideia mais sólida de como está o mercado.

Clique na imagem para aumentar

Não é a primeira vez que isto acontece mas nem por isso deixa de surpreender: estamos a vender mais rosado do que branco. Vamos a ver nos próximos meses.


Clique na imagem para aumentar

Belas vendas do Loureiro mas também do alvarinho, ambos há vários anos com um claro rumo de crescimento. Estamos a tentar ter dados das vendas dos vinhos de duas castas pois, admito que os lotes Trajadura Alvarinho e Loureiro-Alvarinho estejam também muito fortes.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Vinho Verde: exportações

De tempos a tempos aparece nas reuniões algum doutor enfarpelado a dizer que a estratégia de internacionalização do Vinho Verde está completamente errada e é preciso mudar tudo. Depois olho para estes números e encolho os ombros porque a resposta fica dispensada.


Clique na imagem para aumentar

Nota: são números que estou a trabalhar para um artigo que mais adiante aqui colocarei. O preço médio é praticamente estável em toda a série. Sobe um tudo nada.

domingo, 1 de janeiro de 2017

2017

É das regras da aceitabilidade nas redes sociais que se devem publicar fotos de gatinhos fofos ou fotos pessoais que bradam sucesso e beleza. "Não vou por aí"

O dia acordou fresco mas de sol ameno, já caminhei um pouco.

Ao contrário do que aqui escrevi em anos anteriores,  encaro o próximo ano com muita apreensão.

No país, certo que que a estabilidade política é um activo, não vejo porém que o governo tenha, no actual apoio parlamentar, o apoio de que precisará para tomar as medidas difíceis que serão inevitáveis e que hoje metade do país desconhece e a outra metade nega. O problema do financiamento externo é brutal, está por resolver e não se vislumbra solução fácil. O crescimento económico não apareceu em 2016 e não vai aparecer em 2017. Vale-nos o turismo que está muito forte e que assim continuará, beneficiado é certo pelo temor de viajar para fora da Europa. A menos que Portugal seja também atingido.

No plano externo, haverá alguma certeza? Como vai ser a presidência Trump? O Fillon ganha em França? Passaremos a ter dois governo de direita nos dois grandes europeus. O que mudará na UE em consequência?  Em Março começam formalmente as negociações do Brexit. E o BCE reduzirá mesmo a compra de dívida como previsto? A ser assim como se financiará o nosso país?

Normalmente escrevo os textos desta página e penso um pouco antes de publicar.

Não neste. Sai em bruto, directo do instinto.

Antecipo que 2017 vai ser um ano duro. Preparemo-nos para ele como quem sai de casa em dia de temporal. Trabalhemos com afinco, façamos uma gestão prudente, reduzamos a exposição ao risco.  E nunca percamos a ambição de fazer mais e melhor.

Bom ano!