terça-feira, 25 de julho de 2017

Fecho do semestre: stocks e vendas

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Alguns números antes de férias e antes da previsão de vindima que virá na próxima semana.

Stock de brancos. É uma vindima serena. Estamos acima de 2016 no vinho e abaixo no mosto mas o stock total de branco ( vinho+mosto ) é praticamente igual a 2016, quase 1% acima. Idem para o tinto, um stock ligeiramente inferior. Aqui confrontado, como veremos adiante, com vendas pouco famosas. O stock de rosado é um pouco superior mas as vendas também o são.

Voltando ainda ao branco, onde está o stock ? quase todo em engarrafadores. Apenas 980.000 litros estão na produção o que, a repartir por mais de 5.000 pessoas dá valores irrisórios per capita.



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As vendas de branco mantém-se muito consistentes, tendo aumentado em todos os mapas. Nada de especial a notar aqui, salvo que a inclinação do gráfico faz parecer um aumento enorme. Não é, são 2,5% mas é um bom valor.


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O mapa de "vinhos de cor" no fecho do primeiro semestre confirma as indicações dos meses anteriores: o rosado já descolou do tinto e faz um percursos fabuloso. No tinto, o que cresce é o Vinhão. O tinto de lote continua a desanimar.

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Mês após mês leio este quadro sempre com o mesmo prazer. Aqui estão os nosso vinhos de maior valor e estamos a crescer em todos estes. Tendo o branco de lote um volume gigante e uma enorme inércia no preço, a valorização da região virá pelo desenvolvimento destes segmentos do que pelo aumento do preço médio do lote. E os resultados são muito bons.

NOTA: dentro de dias publico a previsão de colheita e a 10 de Agosto os stocks no fecho de Julho, para falarmos da vindima que se aproxima.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O fim da Vinexpo ?

Gillaume Déglise, director da Vinexpo. Foto: Marion Sepeau Ivaldi.


Não fui à Vinexpo em Bordéus, aliás já lá não vou há alguns anos. Este ano estive quase para ir, aliás em amável articulação com a Viniportugal mas não foi possível porque, sinceramente, me apareceram compromissos em cima da hora.

O problema da Vinexpo é precisamente esse. Nenhum compromisso seria mais importante do que ir à Prowein. Já quanto à Vinexpo...

Quando vim para a CVRVV ( eu sei, foi no tempo dos dinossauros ), ir à Vinexpo era obrigatório. Tínhamos lá uma grande presenças de empresas. A CVRVV na altura fazia a Vinexpo, a Vinitaly, Londres e a Vinordic. A Vinexpo era, ao tempo - A feira - e era, além disso, uma tradição com a longa viagem de carro pontuada por uma paragem em Espanha para uma refeição deliciosa de cordero com tempranillo. Bordéus estava sempre cheia como um ovo, tudo caríssimo e um calor a que ninguém ficava alheio.

Leio no site da Vitisphére que Guillaume Déglise, o director geral da Vinexpo anunciou que a organização do evento está a ponderar mudar de data. Faz bem. É claro que é um pouco tolo anunciar que está a pensar. Ou muda e anuncia um novo impulso ou então mantém tudo na mesma, Mas ok, pensar já é um passo...

A data é um problema sim. Estava lá em 2003, ano de um calor tremendo em que o ar condicionado não funcionou, os transportes eram uma miséria. O pavilhão do "novo mundo" estava impraticável com o calor e os Australianos anunciaram que não mais lá iriam. O Senhor Déglise aponta a questão do clima e os transportes, outro problema central.

Tenho porém imensas dúvidas que Bordéus vá a tempo. Ontem em conversa com colegas do sector e com o Presidente da Viniportugal, concluímos que a presença Portuguesa na Vinexpo é de cerca de 1/4 da que temos na Prowein. E continuam a chover pedidos de mais empresas interessadas na Prowein.

Tenho porém imensas dúvidas que Bordéus vá a tempo para recuperar a posição de relevância que em tempos teve e perdeu. Tal como a Vinitaly aliás

A luta entre os dois eventos, de Bordéus e Düsseldorf, é muito curiosa pelo que demonstra das duas culturas em causa. Tenho imenso carinho pelos Franceses e visito aquele país sempre com satisfação, mas visitar Bordéus e a Vinexpo é uma banho na cultura "Franco-française" que marca tanta coisa naquele país. Gastaram 81M€ na Cité du Vin, na Vinexpo há "services Vip" de tudo e mais alguma coisa, tudo é apresentado de forma impecável mas depois falta o básico. A infraestrutura dos pavilhões, a cidade, os transportes.

A Prowein em Düsseldorf é o oposto. Até hoje não sabia quem era o organizador da Vinexpo. Vi-o na foto que está em cima. Com o responsável da Prowein, já reuni diversas vezes. Com ele e com o responsável do centro de exposições, a Messe Düsseldorf. São pessoas normais, de trabalho, com as quais se resolvem questões olhos nos olhos. O metro de Düsseldorf não é bonito ( e a porcaria das portas travam quando vai cheio... ) mas leva os visitantes e clientes directamente de toda a cidade até dentro do pavilhão. Quem dera a Düsseldorf ter um tram tão bonito como o de Bordéus. Quem dera a Bordéus ( ou ao Porto e a Lisboa já agora ) ter um metro que levasse os visitantes até dentro do pavilhão de exposições. Os Chateaux Franceses são lindos sim, mas Düsseldorf tem um aeroporto próximo com ligações directas a todo o mundo. E depois a Alemanha é um fabuloso importador de vinhos e é uma placa giratória para os países vizinhos.

Demorou imenso tempo até que a Prowein se assumisse como a maior feira europeia. Há nisto muita inércia porque um comprador é incentivado a ir a uma feira, não por ter lá alguns bons produtores ( se fosse para isso visitava-os ) mas sim por saber que em dois dias de trabalho pode marcar ali uma infinidade de reuniões. O mesmo se passa com o produtor: vai à feira, não para encontrar um importador, mas porque sabe que a feira é um ponto de encontro cheio de clientes. A inércia que fez demorar esta liderança é a mesma que a defenderá. Tenho para mim que Bordéus só sobreviverá se mudar tudo e, mesmo assim, terá de lutar muito. A presença massiva de expositores Franceses a cada ano na Prowein é a melhor demonstração da liderança desta.

Para saber mais, leia o artigo da Vitisphére aqui.


Nota: dizem-me que o Tram já vai até ao pavilhão da Vinexpo. Este ano não: avariou por causa do calor que faz todos os anos naquela cidade.

Nota II: não é assunto deste Blog, mas ter construído o metro do Porto há meia dúzia de anos sem uma ligação directa da cidade à Exponor e desta ao aeroporto foi um golpe de génio...

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Vinho Verde em Nova Iorque

Há pouco mais de um ano, tomamos a decisão de abandonar gradualmente as provas anuais que realizamos nos mercados principais, provas estas que eram vocacionadas para o "trade", e substituí-las por provas dedicadas ao consumidor final. A tese é que há mercados onde a região já tem uma vasta rede de importadores, pelo que a prioridade tem de evoluir: de conquistar importações para ajudar a gerar tráfego e notoriedade para a marca directamente no cliente final.

Naturalmente foi uma mudança com algum risco. Saímos da zona de conforto de pequenos espaços para zonas maiores onde os vinhos são directamente apresentados ao consumidor final que reage com o melhor entende.

Há algumas semanas tivemos o evento do Brasil, o Vinho Verde Wine Fest Rio que correu surpreendentemente bem. Não tendo número limitado de entradas, estas excederam tudo o previsto.

Este fim de semana tive a oportunidade de acompanhar o evento similar realizado nos EUA. Este país é o nosso maior mercado de exportação, tem vindo a crescer muito consistentemente e já temos dezenas de marcas importadas e distribuídas.

Weylin é a antiga sede do Williamsburg Savings Bank, data de 1875

Com o cenário fabuloso do Weylin, um edifício que foi a sede do Williamsburg Savings Bank em Brooklyn, o Vinho Verde Wine Experience NYC é um evento para o público que junta 21 produtores de Vinho Verde, uma variada oferta de gastronomia ( inc gelados de Vinho Verde ! ) e mesas de formação , master classes e outras curiosidades.

Os visitantes no decorrer do evento

Naturalmente, sendo a primeira vez, a equipa estava toda apreensiva com a performance da agência com que trabalhamos nos EUA. Apreensão que se confortou quando, dois dias antes do evento, soubemos que os bilhetes ( 45 USD cada ) estavam todos vendidos.

Ainda assim estávamos apreensivos. Isto é até ao exacto momento em que o evento começou e aí a apreensão transformou-se em azáfama. Não foi só o número de visitantes, até porque esse era limitado naturalmente pelo espaço, mas ainda pelo seu perfil. Era sobretudo gente jovem, naturalmente com a cultura urbana e cosmopolita de NYC, de todas as origens e etnias. faziam imensas perguntas, não conheciam as castas, queriam saber mais. A maior parte estava lá pelo vinho, nunca visitou portugal e não tinha luso descendentes.

O antigo cofre do banco foi um estúdio de fotografia. Longas filas !

Os produtores, vários dos quais na abertura tinham a natural apreensão da incerteza, de saber se estavam bem posicionados no espaço, se o ciente reagiria bem, foram surpreendidos ao ponto de alguns terem dado provas exactamente até o vinho acabar. Alguns ainda trouxeram mais.

Equipas da TVI e do Dinheiro Vivo entrevistam os produtores

21 produtores e importadores que tiveram a coragem de arriscar com a CVRVV num evento inovador, sem garantias de sucesso, para além da credibilidade da região, da CVRVV e dos nossos parceiros nos EUA.

Um dos vários stands de gastronomia

Foi cansado, mas com imensa satisfação que ontem chamei um Uber e voltei ao hotel: o Vinho Verde já tem dimensão para fazer um evento próprio, sofisticado e de sucesso em NY, O caminho faz-se caminhando. Estamos a fazê-lo !


Fotos: C Cunha.



terça-feira, 9 de maio de 2017

Stocks e vendas em Abril

Aqui temos os mapas para analisar o fecho de Abril. Nas existências, nada de novo. Vou recebendo notícia de que há pouco vinho mas não vejo motivo de preocupação e menos ainda de inflação. Em nosso redor, vizinhos em Espanha e França foram brutalmente penalizados com geadas violentas; não cá.


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Por cá, ainda há muitas semanas até à vindima, mas a nascença é, em geral, bastante boa e nada nos indica que este stock tenha de responder a uma colheita baixa. Sendo assim é um stock perfeitamente correcto. ( isto não nega, é certo, que temos andado muito no fio da navalha, ou seja, se houvesse uma geada brutal estaríamos confrontados com um problema sério )

Menos animadoras são as notícias do segundo quadro, as vendas de branco. O primeiro trimestre foi correndo bem mas agora fraquejamos um pouco.

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Importa porém ler o quadro de cima em articulação com o de baixo. É certo que, nos quatro primeiros meses do ano, perdemos 77 mil litros no branco. Porém fomos ganhar 110 mil nas castas que são, naturalmente o segmento de maior valor. O saldo é pois positivo no branco+castas.

Assim, face a igual período do ano passado, estamos a perder 5% nos lotes  e a ganhar 3% no Alvarinho, 13% no Loureiro, a perder 10% no Alvarinho-Trajadura e a ganhar 54% no Alvarinho Loureiro.

Nunca esquecer, na leitura dos lotes, que o Alvarinho-Trajadura e o Alvarinho-Loureiro são ambos muito influenciados por uma marca dominante em cada uma destas categorias.


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Por último o tinto e rosado. O mapa parece replicar, até aumentar o dos meses anteriores. O rosado segue de vento em popa, o tinto decresce no lote e cresce no vinhão.

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Em resumo. A época alta está a chegar, ainda há muito ano para fazer. Estes primeiros quatro meses do ano parecem apontar num sentido interessante, estamos a desenvolver os brancos de maior valor ( as castas )  e a consolidar muito bem o rosado, um produto ainda jovem. O tinto, claramente em duas vias distintas: o Vinhão a afirmar-se como uma "marca" reconhecida pelo cliente e o lote de tinto claramente a perder mercado estruturalmente.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Vinho Verde: Japão à vista !

Temos vindo a trabalhar o mercado do Japão e vários produtores associaram-se à CVRVV neste projecto. O Japão é interessante por ser um mercado de valor. O consumo per capita é baixo ( inferior a 5 litros/ano ) , embora a crescer. Porém o consumidor Japonês é muito conhecedor e procura produtos de qualidade. Isso interessa-nos. Estamos "em quantidade" em mercados como a Alemanha ou os EUA e precisamos de encontrar mercados que valorizem as castas e vinhos mais específicos.

É um mercado culturalmente muito diferente dos ocidentais e é preciso perceber os Japoneses, perceber a sua forma de trabalhar e perceber o seu tempo. Porém é um país muito organizado, onde as práticas comerciais são muito regulares e onde o respeito pelas marcas é total, algo que nem sempre se encontra na Ásia.

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O quadro acima mostra a nossa evolução recente. O mercado ainda é pequeno mas estamos claramente no caminho certo.

Esta semana, uma vez mais, 30 empresas foram com a CVRVV e com o apoio técnico da Opal a Tóquio apresentar os seus vinhos. Uma presença em várias frentes: na feira Wine and Gourmet, numa prova para especialistas e importadores e em vários eventos privados organizados por  vários produtores, que assim maximizaram o efeito desta longa viagem.

Roubadas aos próprios, aqui partilho algumas fotos desta semana de trabalho com o Vinho Verde em cheio no mercado do Japão. Fotos da Carla Cunha ( CVRVV ) e do Gonçalo Furtado ( Opal )

Curso de prova, uma participação atenta e pontual !

Produtores e clientes: momento chave.
Master Class dos Vinho Verde Young Projects:
os protagonistas lá ao fundo no centro.
O senhor da direita vai provar um vinho feito
a 10.900 Kms dali: justifica-se o ar sério !

Deixo para o fim esta foto, com alguma deselegância para com a privacidade a que todos temos direito, mas porque me orgulha particularmente.

Temos bons vinhos, é certo e estamos a fazer tudo para os melhorar a  cada dia. Mas está a aparecer na região uma nova geração de gente, seja na viticultura, na enologia e no comércio, seja nos privados ou nas cooperativas. É uma geração com forte preparação técnica, que tem o mundo aberto na cabeça, que é competitiva, que é inovadora e que dedica mais tempo a fazer ( e a fazer em equipa ) do que nos tradicional corte e cose.

Este é o nosso #dreamteam e com uma equipa destas, tenho a impressão que isto é só o começo...





Um interessante estudo sobre o mercado Japonês aqui.

E outro aqui.


segunda-feira, 10 de abril de 2017

Stocks e vendas em Março: há novidades !

Março fechado, já temos três meses de vendas acumuladas para podermos aferir um pouco do ano.
E que ano promete ser !

Mas comecemos pelo mais sereno: os stocks.

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Nada de novo aqui: há vinho. O stock permite encarar o ano com serenidade e, salvo se a próxima vindima trouxer novidade, encarar uma estabilidade de preços nos mercados de uva e de granel.

As vendas de branco ( quadro em baixo ) estão muito compostas e recuperamos uma ligeira perda que tínhamos tido no início do ano passado. 8% de aumento é um optimo resultado: sem que o mapa nos permita afirmar onde estamos a crescer, é natural que este crescimento esteja sobretudo nos mercados externos. Em breve teremos dados do INE sobre exportações e aí comprovaremos.

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Muito bons, aliás excelentes, são os resultados das categorias de maior valor, as castas, no mapa seguinte.

Estamos com um forte crescimento em todos os produtos. Não é só crescimento mas a intensidade com que este decorre. Comparado com igual período em 2016 estamos 8% acima no Alvarinho, 28% no Loureiro, 60% no Loureiro-Alvarinho e 21% no Trajadura-Alvarinho.


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Claro que isto são números de início de ano. Não espero, nem espere o leitor, que isto se vá prolongar nos mesmos termos nos próximos trimestres.

No que diz respeito aos lotes de castas, uma observação para ajudar a leitura. O lote Trajadura-Alvarinho é naturalmente liderado pelo Muralhas, que é uma grande parte dos números deste segmento. Quanto ao lote Loureiro-Alvarinho duas observações: a primeira é que era um lote impedido pela lei até ao acordo Alvarinho. Está portanto a dar os primeiros passos. A segunda é que, tal como no caso anterior, há aqui uma marca muito forte que é o Quinta da Aveleda. Porém este segmento, Loureiro-Alvarinho tem muitas novas marcas a aparecer, mais do que o Trajadura Alvarinho.

O mapa seguinte tem algo de histórico: o rosado ultrapassa claramente as vendas de tinto. Mesmo juntando o Vinhão ao tinto geral, a soma é ultrapassada pelo rosado.

A ponderar.



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E é isto, as vendas e stocks em Março.

Boa semana !

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O que vale o vinhão ?

A partir deste mês, temos os mapas enriquecidos com dois novos segmentos: um no tinto, o vinhão e dois no branco, os lotes Loureiro-Alvarinho e Trajadura Alvarinho. Passarão a estar integrados nos mapas mensais.


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Como antecipação, trago aqui o mapa do tinto e rosado. Trata-se do mapa que foi publicado aqui há dias mas, nesta nova formulação, o Vinhão é destacado do tinto de lote.

Quanto vale então o vinhão ? nos dois primeiros meses, 141.000 litros. Vamos acompanhando ao longo do ano, nomeadamente para percebermos de a sazonalidade do tinto é igual à do vinhão. Para já, num contexto de perda de mercado no tinto, o Vinhão comporta-se muito bem, E é uma quantidade muito significativa no total.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Braga 12/04: prova de Vinho Verde e Gastronomia

Queijos, chocolates e sabores de marisco e caril harmonizam com os vinhos da Região numa prova conduzida pelo enólogo Luís Cerdeira. Venha provar connosco !



domingo, 12 de março de 2017

Vinho Verde: stocks e vendas em Fevereiro

Estou há bastante tempo sem escrever, foi tempo de alívio para os leitores. Volto com os mapas de Fevereiro e com o aviso que aqui coloco todos os anos: vendas de dois meses têm pouco significado, é preciso lê-las com prudência.

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Dependendo do lado em que cada leitor sempre se encontra, o mapa de existências tem sempre um de dois significados: ou não há vinho e por isso o preço deve subir; ou há um mar de vinho e por isso aquele deve descer.

Ora, como é bom de ver numa análise serena, nem é uma coisa nem outra. Temos o vinho de que precisamos, sem excessos.

É aliás bom que assim seja. A região não pode perder valor, sob pena de desincentivar a viticultura. E tem de fazer subidas responsáveis, sob pena de colocar o mercado em causa.


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Bonito, está o mapa de vendas de branco. Recordo porém o que escrevi acima: são vendas de dois meses. Já é muito vinho, 6M de litros, mas ainda bastante influenciável por algum negócio de volume. Esperemos até Abril para termos uma ideia mais sólida de como está o mercado.

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Não é a primeira vez que isto acontece mas nem por isso deixa de surpreender: estamos a vender mais rosado do que branco. Vamos a ver nos próximos meses.


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Belas vendas do Loureiro mas também do alvarinho, ambos há vários anos com um claro rumo de crescimento. Estamos a tentar ter dados das vendas dos vinhos de duas castas pois, admito que os lotes Trajadura Alvarinho e Loureiro-Alvarinho estejam também muito fortes.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Vinho Verde: exportações

De tempos a tempos aparece nas reuniões algum doutor enfarpelado a dizer que a estratégia de internacionalização do Vinho Verde está completamente errada e é preciso mudar tudo. Depois olho para estes números e encolho os ombros porque a resposta fica dispensada.


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Nota: são números que estou a trabalhar para um artigo que mais adiante aqui colocarei. O preço médio é praticamente estável em toda a série. Sobe um tudo nada.

domingo, 1 de janeiro de 2017

2017

É das regras da aceitabilidade nas redes sociais que se devem publicar fotos de gatinhos fofos ou fotos pessoais que bradam sucesso e beleza. "Não vou por aí"

O dia acordou fresco mas de sol ameno, já caminhei um pouco.

Ao contrário do que aqui escrevi em anos anteriores,  encaro o próximo ano com muita apreensão.

No país, certo que que a estabilidade política é um activo, não vejo porém que o governo tenha, no actual apoio parlamentar, o apoio de que precisará para tomar as medidas difíceis que serão inevitáveis e que hoje metade do país desconhece e a outra metade nega. O problema do financiamento externo é brutal, está por resolver e não se vislumbra solução fácil. O crescimento económico não apareceu em 2016 e não vai aparecer em 2017. Vale-nos o turismo que está muito forte e que assim continuará, beneficiado é certo pelo temor de viajar para fora da Europa. A menos que Portugal seja também atingido.

No plano externo, haverá alguma certeza? Como vai ser a presidência Trump? O Fillon ganha em França? Passaremos a ter dois governo de direita nos dois grandes europeus. O que mudará na UE em consequência?  Em Março começam formalmente as negociações do Brexit. E o BCE reduzirá mesmo a compra de dívida como previsto? A ser assim como se financiará o nosso país?

Normalmente escrevo os textos desta página e penso um pouco antes de publicar.

Não neste. Sai em bruto, directo do instinto.

Antecipo que 2017 vai ser um ano duro. Preparemo-nos para ele como quem sai de casa em dia de temporal. Trabalhemos com afinco, façamos uma gestão prudente, reduzamos a exposição ao risco.  E nunca percamos a ambição de fazer mais e melhor.

Bom ano!