terça-feira, 24 de outubro de 2017

Vinho Verde: a revolução faz-se tranquila

Como é natural, somos todos sensíveis aos factos que presenciamos, aquilo que vemos na frente, que vivemos de forma marcante. Importa porém ir mais longe na análise. A propósito de um debate sobre preços na região ( tenho um rascunho sobre isto que um dia publico e que vai ser polémico... ), fui avaliar as vendas deste mês e registei um facto curioso. Ora veja.


Clique na imagem para aumentar

Muito compostas as vendas no fecho de Setembro. O branco de lote, que é o nosso maior negócio cresce 2,75% em volume. É positivo, embora não seja surpresa.

Em baixo os "segmentos de valor". Aqui sim, temos um comportamento excelente, aliás em linha com o que se vinha verificando há meses. Não é uma moda, é uma linha estrutural. Estamos a crescer nas castas e crescemos bem mais do que no lote.


Clique na imagem para aumentar

Quer isto dizer que crescemos na totalidade mas sobretudo nos segmentos de maior valor.

A propósito da tal questão do preço, fui avaliar qual o peso destas categorias no total das nossas vendas de branco e cheguei ao quadro que tem em baixo.


Clique na imagem para aumentar

Ora o que este quadro os diz é que estas categorias já representam uma parte significativa do negócio ( 17% ) mas, sobretudo, que demonstram um crescimento muito robusto, certamente acima da média. Ou seja, não sendo fácil aumentar muito o preço do lote, a região está a valorizar-se vendendo mais loureiros, alvarinhos e trajaduras que, naturalmente têm um preço médio superior.

Julgo que a estratégia de valor da região passa por percebermos que é importante lutar pela valorização do Vinho Verde mas ter o bom senso de aceitar que esta será inevitavelmente lenta. Não se valoriza da noite para o dia um produto que vende mais de 60 milhões de litros de branco. Pelo contrário, as castas e as sub-regiões estão apenas a começar e têm imenso potencial. Estes serão os nossos segmentos genéricos de valor: o Vinho Verde da casta X ou Y e o Vinho Verde da Sub-região X ou Y. Cruzados, é claro com as marcas dos produtores e a valorização que o cliente dê a cada marca.

Para as castas, o caminho do Alvarinho e do Loureiro está começado. Outras aparecerão. O Azal, o Avesso certamente. 

Sem comentários: