sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Exportações até Outubro

Após um início de ano menos famoso, as exportações evoluíram muito bem e parece-me já claro que fecharmos o ano com números muito bons.

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O quadro tem a informação detalhada, mas aqui ficam algumas ideias que sobressaem:

  • no geral bem, estamos com crescimentos de 8% em volume e valor, embora isto implique que não estamos a aumentar em preços médios;
  • recuperamos finalmente muito bem nos EUA, após um início de ano muito hesitante; fracote porém em preços médios; pelo acompanhamento que fazemos, não está a verificar-se uma baixa de preços; o que se passa é que quem cresce são os vinhos mais competitivos, as marcas grandes, e o crescimento dos segmentos de valor é bastante curto;
  • bem, muito bem na França;
  • excelente no Brasil, andamos há vários anos a crescer de forma muito robusta;
  • fraca a Polónia.

Estou convencido que os dados finais do ano não hão de divergir muito disto. Fecha-se um ano muito bom em volume mas não tão confortável em preços médios, cujo crescimento é o objectivo de todos, produtores e CVR.

Para 2019 vamos ter novidades...

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Francisco Toscano Rico na CVR Lisboa




A eleição do Engº Francisco Toscano Rico, - por unanimidade - para presidir à CVR Lisboa encerra um animado período de renovação da equipa das instituições no sector, que nos trouxe alterações no IVV, no IVDP, na CVRBI e agora na CVRL.

Devo dizer que é uma excelente escolha. Conheci o Francisco quando estava no GPP mas, mais proximamente, quando esteve no IVV. Trabalhei de perto com ele em vários assuntos, sobretudo na renovação da lei 212/2004 e no dossier Alvarinho.

É um gestor muito metódico, conhecedor da política comunitária, com capacidade de diálogo e visão estratégica. Creio que nunca esteve no sector privado mas rapidamente se adaptará, nomeadamente à liberdade de gestão e a avaliação por objectivos que este encerra.

Foram semanas de mudança mas sei que o sector fica mais forte.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Os stocks pós vindima

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Divulguei há dias o resultado da vindima e aqui fica o mapa de stocks a  30 de Novembro já com a vindima adicionada às existências. Tanto falatório na vindima e afinal tudo é tão simples: as vendas estão robustas, a produção foi baixa, logo o stock desce.

No branco estamos com uma existência próxima dos 96 milhões de litros. É inferior à do ano passado mas folgada para o ano comercial que nos espera. Houve quem criticasse o controlo que fizemos a partir de Maio do ano passado mas mal. O stock vinha alto e era preciso manter rigor. Defendo que o mesmo deve ocorrer este ano.

Onde está este vinho? o segundo mapa ajuda-nos a perceber.



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Está fundamentalmente nas adegas e sociedades comerciais engarrafadoras. Na produção muito pouco. Também algum nos designados "produtores-engarrafadores" ou seja as "quintas".

Isto sucede porque cada vez mais os produtores, e bem, entregam as suas uvas, ao invés de fazerem vinho em casa. O mercado de "vinho na produção" tem vindo a diminuir e hoje, bem vistas as coisas, é insignificante: recorde que os 3,9 M litros de branco estão repartidos por quase dez mil produtores, cada um com um pequeno stock.

Temos pois tudo pronto para o ano de 2019. Há condições para respondermos à procura, talvez cm uma ligeiro ganho de valor.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Vinho + álcool + impostos



Escrevo esta página desde 2008. Procuro, naturalmente, ser credível no que escrevo. Nomeadamente evito andar a berrar "há lobo" sem motivo.

Em 2011 escrevi um artigo sobre a previsível aplicação ao vinho do Imposto sobre o Álcool no futuro. O artigo pode ser lido aqui. Não ocorreu até hoje, felizmente, Em 2016 voltei a escrever sobre o assunto, num artigo que pode ser lido aqui e que está no top de leituras de sempre deste blog com cerca de 2900 visitas porque foi partilhado em vários fóruns ligados ao fisco. Felizmente não aconteceu.

Não aconteceu mas, obviamente vai acontecer, é fatal como o destino

Recentemente, a Viniportugal promoveu um interessantíssimo debate sobre as questões do vinho e saúde em Coimbra, integrado no forum anual Wines of Portugal e um dos oradores mais marcantes foi o Dr. Manuel Cardoso, responsável pelo SICAD - Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências. Importa esclarecer que o vinho, como todas as bebidas alcoólicas são consideradas uma droga lícita e portanto sob atenção e intervenção prática desta entidade.

A intervenção do Dr Manuel Cardoso impressionou-me por três motivos. Em primeiro lugar pelos números dos efeitos do álcool no nosso país. Em segundo pela visão que tem de álcool e seu malefícios sem distinção do produto de origem. É o vinho ? as cervejas, os destilados ? para o orador é tudo álcool e igualmente tratado. Em terceiro, pela resposta que deu a uma pergunta que lhe coloquei: confirmou que o seu departamento do Ministério da Saúde está a estudar duas vias alternativas para reduzir o consumo de vinho: a imposição do Imposto sobre o Alcool ( IABA ) ou a imposição de um preço mínimo de venda, à semelhança aliás do que recentemente foi aplicado na Irlanda e na Escócia ( 5,00€ ).

Não carece de explicar porque é que a aplicação de qualquer destas propostas seria um desastre.

Esta perseguição do vinho leva-me ao assunto conexo: a defesa do consumo com moderação. Cada vez mais, nas minhas intervenções em público sublinho de forma mais dura a necessidade absoluta de o sector combater o abuso no consumo. De promover o vinho como um produto de cultura, com imenso para descobrir e por isso incompatível com o abuso.

Porém, não estou nada convencido que o sector dos vinhos esteja sensível para com esta questão. A forma como vejo ser tolerado o abuso em eventos promovidos por quem mais responsabilidade deveria ter é um bom exemplo.

Não se avizinham dias fáceis no que a este assunto diz respeito.

Nota: veja o powerpoint do orador do SICAD aqui.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Douro Verde: um problema sem solução ?

Foto: 1000 Curvas Fb 20/10

A designação "Douro Verde" tem sido usada para identificar a região que é simultâneamente parte dos Vinhos Verdes mas ribeirinha ao Douro, sobretudo o concelho de Baião. Aquilo a que antigamente se chamava a "zona de transição."

O uso do nome do rio na produção  turística foi ( creio ) lançado pela associação Dolmén e  faz todo o sentido. Desde logo porque Douro é uma marca forte e sobretudo fortíssima na vertente turística. Depois porque concelhos como Cinfães, Castelo de Paiva, Baião e Resende não são ribeirinhos ao Sado ou ao Zêzere. São ribeirinhos ao Douro. E é preciso fazer um esforço enorme para não se reparar que o rio está ali.

Não surpreende pois que tenha surgido a designação Douro Verde. Uma pesquisa no site no Instituto Nacional da propriedade industrial revela várias marcas incluindo "Douro Verde" das quais destaco a 473036 "Douro Verde Paisagens Milenares" registada em nome da Dolmen e "Douro Verde Vintners" ( registo em apreciação ).

Curiosamente nenhuma é simplesmente "Douro Verde". Das pesquisas que fiz, a marca "Douro Verde" não se encontra registada no INPI apenas nesta expressão mais simples. Na internet, o endereço douroverde.com abre a página da firma Transdouro, um operador turístico e o endereço douroverde.pt está registado, com titular confidencial mas não leva a página alguma. Sou capaz de adivinhar quem o registou...

O problema do "Douro Verde" não é porém o da promoção turística mas sim o dos vinhos. É que os produtores de vinhos daquela região pretendem usar a expressão na sua rotulagem e publicidade e estão impedidos por lei. Bem sabemos que o rio é assim que se chama, mas "Douro" é também a designação de uma DO. Ora, seja a legislação comunitária, seja a nacional proíbem expressamente o uso da designação de uma DO, neste caso Douro, em produtos que não cumpram o caderno de especificação dessa DO.

Temos portanto que os produtores de vinho nestes Concelhos pretendem usar a expressão Douro Verde e muitos estão já a usa-la na promoção turística das suas propriedades mas não a podem usar nos rótulos dos vinhos e sua publicidade.

Estou em crer que, sendo estas as balizas da questão, a solução está mesmo aqui. Douro Verde é assunto que alimentará dezenas de conversas de copo na mão mas que se resumirá sempre nisto: uma questão sem solução. E portanto está resolvida.

sábado, 1 de dezembro de 2018

A propósito do Rodolfo

Foto: FB RBQ

Rodolfo Baldaia de Queirós acaba de ser eleito para presidir à região vitivinícola da Beira Interior. Conheço o Rodolfo e o seu trabalho - sou parcial já sei - mas não hesito em afirmar que dificilmente se poderia ter feito melhor escolha. O Rodolfo tem um profundo conhecimento da Região que abraçou na vida pessoal e profissional, é um profissional sólido e dedicado e tem a necessária imparcialidade para dirigir o processo de certificação com credibilidade. Sucede aliás a um presidente admirável, João Carvalho ( Quinta dos Termos ), com visão e sentido de serviço e a quem a região muito deve. Porém a região tem de crescer e ganha agora velocidade. A Beira Interior é uma região com vinhos interessantíssimos mas com um reconhecimento do mercado que tem ainda imenso para se afirmar.

Quando entrei para este mundo das regiões demarcadas, nos anos 90, a maior parte das CVR's era dirigida por quadros do Ministério da Agricultura ou profissionais de proximidade ao poder político. Isto não é uma crítica ao seu trabalho, pois todos eles deram o seu melhor e vários foram grandes presidentes. Apenas refiro a origem das nomeações. Gente como Tomás Correia, Virgílio Dantas, Carvalho Ghira, Marcílio Gomes dos Santos, Clara Roque do Vale, Monteiro Simões foram essenciais para que as regiões dessem os primeiros passos, muitas delas em instalações do IVV.

Eram raras as excepções, uma delas a CVRVV. Eu fui "nomeado" ( na altura era assim ) representante do Estado pelo então Secretário de Estado Luís Medeiros Vieira ( sim, é o mesmo hoje ) no âmbito de um acordo celebrado entre as cooperativas e o comércio da Região que garantiu três presidências, as do Engº Gaspar Castro Pacheco, Dr José Emílio Pedreira Moreira e a minha. Independentemente das simpatias políticas de cada um, o que se passou é que a Região garantiu alguma autonomia na proposta de um nome que o governo da altura aceitaria.

Acabados os representantes do Estado em 2004 as regiões foram oscilando, primeiro no modelo de eleger produtores de referência, evoluindo recentemente, para a eleição de gestores profissionais, O Alentejo levou esta orientação mais longe: já fez duas escolhas por um processo de recrutamento típico do sector privado e o nome final foi votado em Conselho Geral.

Esta é, claramente, a tendência que se reforça a cada dia. Bem vistas as coisas, hoje mais de metade das CVR's são geridas por profissionais que não estão ligados a empresas e que respondem por objectivos de gestão. Incluo a CVR Dão que, apesar de ter uma Comissão Executiva de empresários, passou a ter um director geral profissional com poderes significativos.

Há uns tempos, escrevia por aí um produtor que os presidentes de CVR's deveriam ser pessoas que saibam podar. Talvez. A mim nunca me pediram que podasse, o que faria com gosto. O que me parece essencial em quem dirige uma entidade que faz certificação, promoção e fomento é que saiba fazer isto mesmo. Que tenha uma visão estratégica da região, que se relacione com quem pode apoiar a região, que facilite o debate interprofissipnal que perceba o contexto da UE que esteja atento aos problemas fiscais, ao dossier álcool, à evolução da técnica e que escute os mercados e os produtores. Diria que isso é mais urgente do que podar. Por último, as normas de certificação a que as CVR's se submetem são hoje taxativas: se o presidente de uma CVR for ele mesmo um produtor, está legalmente impedido de dirigir o  processo de certificação. Assunto pois esclarecido.

O Rodolfo corresponde exactamente ao perfil de um quadro muito bem formado e cuja objectividade de gestão está assegurada. Tem tudo para ter sucesso.

Curioso ou significativo é que, no ano em que entrei para o sector, o Presidente do IVDP ( à data IVP ) era um académico de prestígio da UTAD, Fermando Bianchi de Aguiar. Esta semana a nomeação do novo presidente do IVDP recaiu num colega com o mesmo perfil.

Algumas palavras, já que de memórias se trata, para recordar  nome de Gente Grande com quem tive o gosto de conviver e que não voltaremos a ver.

Armando Pimentel , que dirigiu o IVP em condições de saúde muito exigentes e com quem tive o gosto de, em Paris, fazer uma representação dos vinhos Portugueses junto dos colegas da UE.

Álvaro Marques de Figueiredo, histórico presidente da CVR Dão, líder de pulso que ia connosco a Lisboa reclamar com o então Ministro Arlindo Marques da Cunha, já não sei a que propósito. O Álvaro Figueiredo trazia sempre consigo um enorme molho de chaves ( deviam ser a de casa dele, calculo ) mas quando as discussões eram difíceis, punha-as em cima da mexa e exclamava "deixo já aqui as chaves da CVR". Geralmente corria bem. Nunca o vi regressar sem as chaves !

Virgílio Dantas, homem delicioso mas dotado de um feitio impossível, era natural da nossa região, de Lanhelas-Caminha, mas viveu sempre em Lisboa. Presidiu à CVR Cartaxo, que deu origem à hoje CVRTejo. Quadro do IVV ( e antes da Junta Nacional do Vinho ) era licenciado em Direito e Engenharia Agronómica. Foi absolutamente essencial no dossier vinho da adesão de Portugal à UE. Era meticuloso ao limite, o que levava à exasperação dos colegas. Um bem disposto porém. Tenho boa memória dele.

Tomás Correia. Convivi pouco com ele. Julgo que presidiu à então CVR Alenquer, Arruda e Torres, mesmo numa altura em que eu me iniciava na ANDOVI.

Marcílio Gomes dos Santos era assessor do Secretário de Estado da Agricultura e Presidente da CVR Península de Setúbal. Convivi pouco com ele porque a CVRPS não era membro da ANDOVI. Lembro um homem muito sereno, conhecedor dos dossiers.

Nelson Heitor, também presidente da CVRPS e por muitos recordado como o homem do PROAGRI, um programa essencial de apoio aos agricultores nos anos 90. Casado com uma Monçanense ( se a memória não me falha ) era apreciador de Verde tinto !

O Rodolfo, que motivou este artigo, não conviveu com nenhum destes Homens. É de um novo tempo e ainda bem.

Preparem-se, os vinhos da Beira Interior vão dar que falar !

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Vinho Verde: exportações a Setembro



Com base no mapa do INE/Intrastat, aqui fica a análise das exportações e expedições até Setembro, comparadas com igual período do ano passado:


  • temos registadas exportações para 102 países;
  • núm. 1 os EUA com 11M€ ( estável )
  • núm. 2 Alemanha com 10,8M€ ( + 3% )
  • núm. 3 França com5,2M€ ( + 13% )
  • núm. 4 Brasil com 4,6M€ ( + 48% )
  • núm. 5 Canadá com3,5M€ ( + 15% )
No geral, chegamos a Setembro com 53 milhões de euros, um aumento de 10% face a igual período de 2017.

Curiosidade, o nosso mercado 102, o último é o Benin com... 1 litro. O preço médio anda nos 2,3 €/litro, aumenta muito ligeiramente desde 2017.

Esta semana temos duas dezenas de produtores no Brasil a participar no Vinho Verde Wine Fest Rio e São Paulo.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Bernardo Gouveia preside ao IVV


Já se falava do nome há algum tempo, já se comentava que constava da lista de selecção que o Governo tinha em cima da mesa e a Revista de Vinhos acaba de confirmar a sua nomeação para a presidência do IVV, Instituto da Vinha e do Vinho.

Bernardo Gouveia não é um desconhecido no sector. Recentemente presidia à CVR Lisboa, tendo trabalhado em várias empresas do sector, como a Companhia das Quintas, a Bacalhoa, a Adega Cooperativa do Redondo. Foi ainda dirigente da ANCEVE.

Quando for empossado, Bernardo Gouveia sucederá a um dos presidentes mais marcantes do IVV, Frederico Falcão, unanimemente reconhecido como um dos melhores mandatos que o sector ali viu exercidos. Sucederá ainda à presidência em substituição de Francisco Toscano Rico ( Vice Presidente ) um profissional sólido e valorizado pelo sector.

No dia em que entrar na lindíssima sede do IVV, sita à Rua Mouzinho da Silveira em Lisboa, Bernardo Gouveia encontrará muitos dossiers pousados em cima da mesa:

  • a REFORMA DA LEI QUADRO do sector, um diploma cuja renovação se arrasta há anos e cujo texto final se encontra já no Governo. O sector está exausto de discussões infindáveis sobre este assunto, que se arrastaram por demasiado tempo e não produziram fruto algum. E porém a reforma é necessária e urgente;
  • a NEGOCIAÇÃO EM BRUXELAS, sendo que neste quadro comunitário o sector esgotou as verbas do programa vitis antes do tempo. É essencial não só garantir apoios mas, em paralelo, assegurar que estes são bem geridos;
  • combater a FUGA ÁS TAXAS no vinho de mesa, um mal genético do sistema de pagamento por guia que foi introduzindo sem que se montasse um eficaz sistema de controlo. As auditorias que o IVV vai fazendo invariavelmente identificam situações de fuga.
  • avançar no CONTROLO INFORMÁTICO, nomeadamente impondo o cadastro nacional da vinha para todas as regiões de certificação e sendo consequente. Como é possível que haja produtores sem cadastro que façam DCP ou recebam apoios ?! como é possível que haja produtores com um cadastro ínfimo que declaram produções gigantescas ?!
  • dialogar com CVR's e VINIPORTUGAL, entendendo umas e outras como partes essenciais de uma equipa comum que deve trabalhar de forma harmónica;
  • valorizar o CONSELHO CONSULTIVO, órgão que reúne todas as associações do sector e que não só tem competência técnica mas é o apoio essencial para o sucesso do exercício do mandato.
  • valorizar a comissão da marca WINES OF PORTUGAL que reúne Viniportugal e CVR's e que coordena as acções das várias entidades em torno do objectivo comum.

E finalmente fazer o MILAGRE que é gerir uma instituição pública, onde terá de pedir licença à finanças sempre que consumir um copo de água, onde terá de preencher 624 impressos e requerimentos sempre que lhe passar pela cabeça pregar um quadro na parede do escritório e onde, nunca esquecer, de cada vez que tiver um orçamento para gerir, verá que lhe é cativada uma boa parte das verbas lá inscritas.

Não deixa de ser verdade, e isto é o que o pode animar no fim do dia, que o IVV tem uma excelente equipa de profissionais, é um instituto acarinhado pelo sector e aliás considerado como uma boa escola dentro da administração pública.

O sucesso do Bernardo será o nosso.

Nota: leia o artigo da Revista de Vinhos aqui:
http://www.revistadevinhos.pt/noticias/bernardo-gouvea-e-o-novo-presidente-do-ivv

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Os números da vindima

Está fechada a entrega das Declarações de Colheita e Produção, pelo que podemos já começar a analisar os números da vindima de 2018. O facto de a CVRVV receber directamente as DCP's dos produtores e de estar ligada informaticamente com o cadastro do Ministério da Agricultura, caso pioneiro a nível nacional,  dá-nos esta excelente possibilidade de conhecer os números da vindima no momento exacto em que fecham os balcões.

Antes de começar , apenas um alerta: os números podem ter ligeiras reduções, fruto das acções de controlo que estamos a realizar e têm por base o mapa de 16/11. Não incluem pois alguns retardatários, sobretudo pequenos produtores. Quer isto dizer que os números finais a apurar a 31/12 podem ter, terão decerto, pequenas diferenças.

OS GRANDES NÚMEROS

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De forma simplificada, os grandes números são estes:

  • 16.170 produtores
  • branco + mosto, 59,6M litros, uma perda de 20% face ao ano passado
  • tinto + mosto, 9,3M litros, uma perda de 30% face ao ano passado
  • rosado + mosto 3,7M litros, uma perda de 31% face ao ano passado.
  • no geral, 72,7M litros, perdemos 22% face a 2017.
Ficamos pois muitíssimo perto da previsão de colheita que nos indicava um resultado final ligeiramente acima de 2016. Recordo que a previsão de colheita da região é feita por inquérito a mais de 50 técnicos de produtores, sociedades comerciais e cooperativas.

Face à preocupação de alguns colegas quanto às perdas, importa aqui sublinhar o seguinte: 2017 foi uma colheita menos boa na medida em que nos deu uma quantidade excessiva. Se tivéssemos em 2018 a mesma produção, seria péssimo, estaríamos perante um problema de desvalorização da matéria prima.

A segunda e última observação. Conheço, não podendo divulgar, os dados de cada entidade. Devo dizer que a perda face a 2017 foi absolutamente transversal. Sendo que o boato é a espécie que melhor floresce na vindima, ouvi dizer que fulano e sicrano tinham aumentado a produção num ano de menos uvas. Não é verdade, Os aumentos face a 2017 foram muitíssimo esporádicos, sem significado no geral e sempre bem fundamentados por circunstâncias  que não deixavam dúvidas, por exemplo vinhas novas em produção ou alguém que nunca tinha comprado uvas e passou a comprar.  NENHUM dos operadores com significado deixou de perder 18 a 20% face a 2017. A perda é, repito, transversal. ( ver em baixo o caso de Monção ).

Vejamos agora com algum detalhe cada tipo de vinho e outros dados.

O BRANCO

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No branco + mosto banco produzimos 59,6 milhões de litros. É interessante notar que os dois segmentos são distintos: no branco tivemos uma perda inferior a 20% face ao ano passado mas no mosto branco tivemos 40%. Em 2017 tínhamos produzido uma quantidade muito grande de mosto, como forma de armazenamento de um stock excessivo e este ano o mercado corrige-se.

Seja como for, julgo que tudo aponta para um ano muito sereno. As vendas de branco em 2017 foram de 51 milhões de litros. este ano estarão uns 5% acima disso e a produção é de 59,6 milhões. Temos ainda um stock que é confortável. Podemos pois ter um bom ano de vendas com estabilidade de preços ou uma ligeira valorização o que é bom sinal para o negócio.

Duas reflexões estratégicas que me parecem importantes:

  • a primeira é que, fruto do trabalho admirável de todos, com o apoio dos programas vitis, estancamos e invertemos a fuga de vinha que decorreu na década de 2000. Conforme pode ver acima, as produções aumentam estruturalmente. Se fossemos ver mais em detalhe, concluiríamos que o que verdadeiramente aumenta é a produtividade média, porquanto a área de vinha,essa não tem aumentado; são vinhas novas, muito produtivas, com áreas médias grandes a substituir milhares de pequenas leiras que são abandonadas; e ainda há muita vinha nova que se encontra nos 4 primeiros anos de produção;
  • o segundo é que há mais uva branca estruturalmente, sim, mas ela não aparece no mercado. Isto porque hoje em dia, a ligação entre o viticultor e o seu cliente "preferencial" é muito mais elevada. Quem planta já tem uma ideia de quem será o seu cliente, a cooperativa ou uma empresa, e relaciona-se com esta ao longo do ano. A quantidade de uvas "sem dono" que estão no mercado não está pois a aumentar. Quem procura uvas tem de ter esta nova realidade presente, tem de se aproximar da produção e tem de preparar a vindima nos doze meses do ano.

O TINTO

Há menos tinto, 9,3 milhões de litros, para uma venda anual de 4 milhões no ano passado. Admito porém que não se verifique excedente. Há sempre algum tinto que segue como vinho de mesa para outras regiões/países e é o vinho que tipicamente será vendido à porta por muitos agricultores.

Ao contrário do branco, em que afirmei acima que estamos numa fase estruturalmente ascendente de produção, no tinto sucede o exacto oposto: produz-se cada vez menos e não há praticamente vinhas novas a entrar em produção.

O ROSADO

Entre vinho e mosto, produzimos 3,7 milhões de litros para uma venda anual próxima dos quatro milhões. Admito que algum tinto com pouca cor possa vir a ser classificado como rosado e assim corrigir esta escassez.

AS REGIÕES DENTRO DA REGIÃO

Monção e Melgaço foram claramente a sub-região que melhor se comportou, com perdas totais inferiores a 10% face ao ano passado. A sub-região representa cerca de 13,5% da produção de vinho da região. Em uvas representaria um pouco mais porquanto envia uva para o resto da região.

Muito bem Ponte de Lima, com uma perda muito baixa, 13% face ao ano passado.

Num próximo texto farei a comparação entre concelhos que produziram uvas e concelhos que produziram vinho para analisarmos os trânsitos de uvas.

EM CONCLUSÃO

Foto: rádio Alto Minho


Já sabíamos que as uvas de 2018 são de excelente qualidade. O preço manteve-se, em alguns casos subiu um tudo nada. A produção foi média, um pouco ais curta do que 2017.

Na primeira semana de Dezembro publico os stocks já com a nova vindima incorporada.

Julgo que foi uma vindima que nos dá excelentes condições de encarar com muita confiança o ano que que perspectiva. Assim a economia ajuda ( não estou tão confiante ) e podemos ter um belíssimo resultado.

Bons vinhos e boas vendas !

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Vendas a Outubro

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Dentro de dias publicaremos os dados da vindima 2018. Não vou, por isso, indicar vindima ou stocks mas apenas as vendas, neste texto.

O branco comporta-se muito bem. Vamos fechar o ano com bons resultados, recuperando assim de um primeiro trimestre que não foi famoso.


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No tinto e rosado, mantemos a tendência de sempre. Já o escrevi e repito: o que faz com que não tenhamos um "lago" de tinto é que por um lado estamos a usar essa matéria prima para rosado e por outro a produção de tinto está a descer. Não nos admiremos se um dia nos faltarem estas uvas.

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Optimos dados mais uma vez nos vinhos de casta, E optimos em toda a linha. É aqui que se está a forjar o crescimento de valor da região. No final do ano faremos constas mas, é já claro, a quota dos vinhos de casta no total da região cresce, o que é muito bom.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Vendas até Setembro

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A análise das vendas acumuladas a Setembro, não revela novidades face às tendências que tínhamos identificado nos meses anteriores.

O branco cresce ligeiramente. O gráfico é generoso mas o aumento real é de 1,3%. Neste mapa só analisamos a origem, não o destino, mas sabemos por comparação com os mapas de exportação publicados em outros artigos que este crescimento é suportado na exportação.


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Nos vinhos cor, agrava-se a queda do tinto mas o crescimento do rosado já não é tão pronunciado. Dois apontamentos:
  • temos de alterar a oferta e a forma como comunicamos o tinto; escreverei sobre isso em breve;
  • um dia destes vamos pagar as uvas de tinto ( quanto mais não seja, para o rosé ), mais caras do que as de branco. Já escrevi sobre isto num dos textos anteriores e cada vez mais me convenço disso. Até porque quase não há novas vinhas de tinto, o que nos indica que a queda de produção se vai manter.
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Os segmentos de castas continuam a crescer de forma admirável. Já escrevi antes:a valorização da região não se fará pela valorização do Vinho Verde genérico mas sim pela valorização de segmentos acima deste como sejam as castas e, numa segunda fase as sub-regiões.

Nesta valorização, é com particular agrado que vejo a forma como a sub-região de Monção e Melgaço se está a comportar. Face a tanta gente que anunciou o fim do mundo quando o acordo Alvarinho foi assinado, o sucesso de vendas da região prova exactamente o oposto. Monção e Melgaço estão a construir o estatuto que nenhum outra sub-região em Portugal tem ou terá no futuro próximo. E isso é optimo.

Hoje com o JN: turismo no Vinho Verde !


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Pequenos métodos que ajudam



Os produtores de vinho estão naturalmente pressionados com o trabalho e, como qualquer pessoa, fazem escolhas de prioridade. A produção de vinhos de qualidade a preço competitivo e a sua colocação no mercado de forma valorizada são geralmente o que fica na frente.

Depois há os trabalhos "chatos", as papeladas, aquelas coisas que parece que só existem para atrapalhar.

Ora, o vinho é um produto alimentar e algumas dessas tarefas que parecem perda de tempo, passaram a ser centrais ao negócio. Questões como a rastreabilidade do produto e a certificação de qualidade nas empresas passaram a ser essenciais para quem vende para a distribuição moderna e sobretudo para a exportação.

No que diz respeito ao relacionamento com a CVR, alguns apontamentos que muito podem facilitar a vida do operador:

  • mantenha um registo de stocks rigoroso e actualizado; faça verificações periódicas e contabilize as perdas de transfegas, engarrafamentos e outras operações;
  • quando levanta selos de garantia, recorde que estes são numerados e, através desse número, rastreados ao boletim de análise e lote correspondente. Colocar selos de um lote noutro é hoje detectado muito facilmente com um smartphone e é bem provável que um cliente seu o detecte;
  • a aprovação de rótulos não tem custo específico, está incluída no custo da taxa de certificação; não deixe para a última hora, vendo-se obrigado a suportar com isso um custo desnecessário
  • e leia as circulares da CVR. Não enviadas todas as sextas-feiras de manhã. Leia !



quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Terminada a vindima, inscrever a produção !


Como é habitual todos os anos, está a acabar a vindima e chega a altura de declarar a produção e inscreve-la para certificação ou DO ou IG.

Breves lembranças aos produtores da nossa região:

  • se é viticultor, pode fazer a DCP directamente em casa com a palavra chave que lhe foi enviada; tendo dificuldade pode, pode exemplo, pedir a quem lhe faz habitualmente a declaração de IRS para que lhe faça a DCP; após preenchimento dos campos recebe uma referência Multibanco para que liquide o custo;
  • se é engarrafador, deve fazer a sua DCP com o/a gestor de conta no Porto. Para evitar filas marque com antecedência.

FAÇA A DCP EM OUTUBRO !
NOVEMBRO = FILA DE ESPERA

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Dimensão e rentabilidade no vinho

A associação norte americana de economistas do vinho publica estudos e imagens com muito interesse. Aqui um gráfico que nos mostra a rentabilidade por hectare e tamanho das empresas/adegas na UE. A fonte é o Ministério da Agricultura Alemão.

Na Bulgária as explorações são enormes e pouco rentáveis; no Luxemburgo o oposto. Portugal aparece pequeno e pouco rentável...



quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Vindima: já se lavam alguns cestos

A chuva que chegou não é muita mas anuncia o fim da vindima. Ainda há algum tinto para receber, muito pouco branco e Espadeiro no vale do Sousa. Podemos por isso fazer um primeiro balanço.

Foto: Adega de Monção


QUALIDADE

Em toda a região as uvas estão optimas, estado sanitário impecável, excelentes maturações. Dizia há dias um produtor de referência que este será o grande ano do Loureiro. Vamos a ver. Certo é que os enólogos têm matéria prima muito boa para valorizar.

PREÇOS

A CVRVV não acompanha preços e portanto esta é a minha apreciação pessoal e empírica resultante das muitas conversas que fui tendo ao longo da vindima. Parece-me claro que há uma ligeira valorização um pouco por toda a região. É precisamente isso o que se pretende. Já o escrevi aqui e repito: é um erro querer que os preços variem muito conforme as produções são altas ou baixa. No ano passado tivemos uma grande produção e os preços não desceram; este ano temos uma produção mais curta e os preço sobem um pouco.

AS QUANTIDADES - BRANCO

Vamos ficar entre a produção de 2016 e a de 2017. Tenho visto algum desapontamento por a vindima ter perdas face a 2017. É um erro. Se este ano tivéssemos a mesma produção do no passado, estaríamos confrontados com uma enorme desvalorização da uva e do granel e até com um problem ade armazenamento do vinho. Não esquecer aquilo que vivemos em 2003: vinho em excesso é um problema e o sector cooperativo é o primeiro a sofrer, afundado que fica com um stock de que não necessita.

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A média de produção de branco, num horizonte de 5 anos é de 57 milhões de litros; a média de venda é de aproximadamente 51 milhões de litros. Este ano ficaremos nos 59/60, um optimo número portanto.

Quase diria que, em quantidade é a vindima ideal. Temos vinho, temos stock mas não temos um desafogo tal que desvalorize o produto.

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Por fim importa distinguir o caso específico de Monção e Melgaço. Aqui a produção foi muito próxima da de 2017. Este ano estaremos uns 8 a 9% abaixo de 2017.

AS QUANTIDADES - TINTO

O tinto vai ter um mau resultado. Previa-se uma quebra de 30% face ao ano passado e será isso pelo menos. O contexto do tinto tem de ser visto de forma diferente do banco: não é um problema deste ano. No branco, temos muita vinha nova que vai entrar em produção nos próximos anos. A curva descendente de produção dos anos 90 e do início de 2000 já foi claramente invertida. Podemos ter anos melhores ou piores mas, como se vê no gráfico acima, a produção de branco aumenta estruturalmente.

Entrega de uva tinta 2018/2016 - Clique na imagem para aumentar


No tinto ocorre o oposto. Este ano a produção é curta mas nada nos indica que seja muito boa nos próximos anos por dois factores: o tinto é sobretudo produzido por viticultores mais pequenos possivelmente mais velhos; não há reconversão significativa para tinto. Ou seja, enquanto no branco já se fez a inversão da tendência de perda de capacidade produtiva, no tinto ainda estamos em plano descendente. E isto quando o rosado precisa de matéria prima.

Ainda havemos de pagar as uvas tintas mais caras do que a branca...

A SAÍDA DE UVAS PARA ESPANHA

Sempre houve alguma circulação de uvas para a Espanha e, em especial para a Galiza. Este ano mais, de forma mais organizada e algumas alvo de apreensão pelo que ganharam visibilidade.

Esclareça-se desde já que a venda de uvas para Espanha é inteiramente legal. O viticultor emite um documento de trânsito e vende-as para onde entender. Certo é que, ao emitir o documento, a CVRVV reduz o seu potencial de produção na proporção exacta da quantidade que vender.

A nossa acção de controlo, bem como a da ASAE incidem pois muito fortemente sobre a regularidade dos trânsitos. Foram precisamente estas irregularidades que deram origem a várias apreensões de cargas num total de 50 toneladas.

Não esquecer porém que a saída de uvas para Espanha não pode ser só analisada à luz da legalidade, Tem de o ser também à luz do mercado. Quando se pagam valores muito altos ( chega-me a informação de 70 cêntimos /kg ), isto tem de fazer a região perceber que a concorrência não está só no ponto de venda mas também no abastecimento. A região tem de ser competitiva a remunerar as uvas. E não só. É cada vez mais premente a necessidade de as adegas e compradores estabelecerem uma relação sólida e próxima com os respectivos viticultores, trocando informação e apoio ao longo do ano, alinhando estratégias e não apenas no habitual contacto em Julho e Outubro.

NOTA POSTERIOR: um produtor contactou-me indicando a saída para Espanha de uva de muito fraca qualidade e com preço de 45 a 55 cêntimos/quilograma.


Mosto de Arinto, na Casa de Oleiros. Foto: Manuela Camizão

sábado, 29 de setembro de 2018

O exemplo de França

A França é, no vinho, exemplo de muita coisa. E, como é natural é exemplo de algumas práticas ou realidades muito boas e outras nem tanto. Porque trabalho no vinho há quase duas décadas, já me habituei porém às ideias feitas de que tudo em França é maravilhoso.

A este propósito, dois gráficos muito interessantes publicados pela Associação Americana de Economistas do Vinho, relativos ao número de produtores Franceses. Mudanças de fundo estão em curso com uma redução fortíssima, seja do número de produtores, seja ainda do número de "amadores" do vinho, que produzem para consumo próprio.

Em França, como por cá, os mais pequenos lutam com dificuldades enormes.






quarta-feira, 26 de setembro de 2018

As calorias na rotulagem: é para hoje.


Há coisas que não lembram ao diabo. Estava aqui a preparar um artigo sobre calorias e lembrava-me que escrevi um outro há alguns anos. Fui pesquisar e é verdade: há exactamente dez anos e poucos dias escrevi um artigo a indicar que a obrigatoriedade de mencionar as calorias na rotulagem estava a entrar em vigor nos EUA e viria para a Europa.

Pois, chegou.

A regulamentação da rotulagem está a ser discutida em Bruxelas e vai mudar muito em breve. A ideia é passar a dar mais informação ao consumidor naquilo que à segurança diz respeito: calorias, alergéneos, componentes. Pela informação que recolhi, podemos ter diferentes modalidades: alguma informação ficará no rótulo ( como texto ou símbolo ) e outra poderá ou deverá ser colocada no site do produtor. Certo é que os rótulos passarão a ter mais informação e, este aumento, será feito muito possivelmente através da introdução das calorias.

Mantenho o que escrevi há dez anos, o consumidor vai dar-se conta do conteúdo calórico de alguns vinhos e não vai ser bonito.

Este processo foi debatido no Conselho Consultivo do IVV porquanto este Instituto acompanha em Bruxelas as negociações do dossier.

Aqui ficam algumas leituras complementares:

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Em vindima: apontamentos

Foto: Adega de Monção
Breves apontamentos:


  • ninguém se queixa do estado sanitário. Temos realmente uvas lindas a chegar às adegas um pouco por toda a região. Podemos estar perante um ano de grandes vinhos;
  • calendário: esta semana a região está toda a vindimar. Diria que até à primeira semana de Outubro vamos estar em pleno e logo veremos;
  • quantidade: claramente menos que 2017 como se previa. Talvez próxima da vindima de 2016. Julgo que no fim desta semana já poderemos fazer uma avaliação mais robusta; quem afirmava que as uvas iam sobrar tem de refazer as contas;
  • Boa vindima !

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Exportações Junho

Breve análise do mapa de exportações acumuladas a Junho, comparadas com igual período do ano anterior. A fonte é o INE/Intrastat. Como é habitual, note que estes mapas parcelares são bastante rigorosos quanto aos volumes mas menos quanto aos valores, dado que é geralmente corrigido ao longo do tempo.

Com esta advertência, aqui ficam algumas ideias:


  • exportamos para 112 mercados que é, da memória que tenho, a maior lista de sempre;
  • as vendas aumentam 5% em valor e 4% em volume
  • optimos resultados no Brasil, Reino Unido, Canadá, Suécia, Espanha, Dinamarca
  • menos bom em Alemanha e EUA, Polónia. Sobretudo os dois primeiros a merecer especial atenção porque são os nossos maiores mercados. Ou seja estamos a diversificar, o que é optimo mas a perder nestes locais de referência onde temos um imenso potencial de crescimento.
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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Seguro de colheita e vindima

Fizeram-me uma pergunta curiosa: "quem teve sinistro na vinha comprovado pelos peritos mantém  limite de rendimento por hectare original ?"

Obviamente que não nem tal faria sentido. Se um produtor tem um rendimento por hectare de X e viu 30% da sua produção afectada por um sinistro, terá o seu limite para DO reduzido na exacta percentagem desse sinistro.

Faria sentido der se outro modo ? Então teve sinistro e perdeu colheita ou não perdeu ?

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

110 Anos de Vinho Verde


O Senhor Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, é o convidado de honra da comemoração conjunta dos 110 anos da Demarcação dos Vinhos Verdes e do Dão.

As duas regiões foram demarcadas pela Carta de Lei datada de 18 de Setembro de 1908, muito embora o cultivo da vinha fosse secular em ambos os territórios. As comemorações da demarcação incluem vários actos a decorrer nas duas regiões mas têm como primeiro acto este jantar de gala.

Caso se queira juntar a nós para comemorar com o Professor Marcelo rebelo de Sousa os 110 anos das regiões, clique aqui.


domingo, 9 de setembro de 2018

Preparar a vindima: stocks e previsão

Abriram esta semana as primeiras adegas, sobretudo uva para espumante. Poucas estarão em funcionamento na próxima semana. Pelo que me vou apercebendo, será a partir de segunda 17 que teremos um número mais significativo de adegas abertas. E estaremos por Outubro dentro a vindimar. Ao menos que não chova.

O stock à boca da vindima é bastante confortável. O stock de branco adicionado ao mosto branco é de 49 milhões de litros, quase 30% acima do que tínhamos à boca da vindima no ano passado.

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Este valor, que induz alguma serenidade, é contraposto pela previsão de colheita. O efeito combinado do míldio e outros problemas ao longo do ano, agravado recentemente pela insolação ( já vamos em 1600 participações de sinistro, número quase final ) , levou a CVRVV a fazer uma nova previsão de colheita.

Após análise das 92 respostas de técnicos da região, o resultado é, por comparação a 2017:

  • baixa de 20% no branco;
  • baixa de 30% no tinto.
Tendo em conta alguns textos que se vão lendo por aí, recordo que a previsão de colheita da CVRVV é feita por questionário aos técnicos das empresas e adegas da região. É feita pela região.

Há uma noção geral de que vamos ter uma colheita desigual. Há produtores com péssimos resultado, seja pelo míldio, seja mais recentemente nas vinhas novas por efeito da insolação da insolação. Estes terão um prejuízo grande. Do lado oposto há efectivamente vinhas optimas. No processo de avaliação dos pedidos de aumento de rendimento, as nossas brigadas andam pela região, aplicam um método pré definido de contagem de cachos, fotografam vinhas e, sem dúvida alguma, há produtores com muito boa vindima em perspectiva.



Como se vê no quadro acima, 2017 foi um ano generoso. Estamos a beneficiar de novas vinhas, mais produtivas e, no ano passado, combinaram-se vários factores positivos. Em boa verdade, se em 2018 tivéssemos a mesma produção de 2017, haveria uma significativa desvalorização da uva. Este será pois um ano próximo de 2016, talvez um pouco acima desse.

Um assunto que naturalmente se debate muito nesta altura de pré-vindima é o do preço da uva. Espera-se a saída das tabelas principais e, como é habitual, especula-se muito.

É perfeitamente natural que possa haver alguma valorização. Veja-se por exemplo que, no concurso de venda de uvas da EVAG: em 2017 não tivemos concorrentes na primeira chamada. Este ano tivemos vários e com preço superiores, fechamos a venda a 48 cêntimos para toda a produção.

Sendo que é importante que a viticultura seja remunerada um pouco melhor a cada ano, importa recordar que em 2017, um ano claramente de grande produção, não houve descida de preços. Cada um fará a sua análise, é certo, mas eu diria que alguma estabilidade de preços, com melhorias graduais, é preferível, do que termos uma enorme amplitude com preços a subir e a descer imenso conforme as produções de cada ano.

O sistema de controlo que aplicaremos em 2018 será muito próximo do aplicado no ano passado, tendo por base os "fiscais residentes" que acompanham os principais centros de vinificação ao longo de toda a produção e equipas móveis que cobrem os restantes locais, bem como os trânsitos de uvas, mosto e vinho. Se necessário, a partir dos locais de recepção de uva as equipas irão à vinha confirmar a vindima.

O sistema de registo por tablets das uvas entradas nos principais centros estará a funcionar em mais locais e - importante - foram extintos os talões de uvas em papel. os centros de vinificação terão portanto de fazer a emissão informatizada dos talões seja em sistemas próprios, seja em sistema que a CVRVV disponibiliza.

Boa vindima e vamos a ver se o S Pedro ajuda, porque estaremos a vindimar até tarde em Outubro



segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Previsão de colheita


Desde a última previsão de colheita, datada de Julho, a região experimentou condições meteorológicas fora do normal, pelo que é necessário fazer uma nova previsão de colheita.
Solicitamos pois a colaboração das empresas e técnicos da região na elaboração da previsão de produção para a campanha vitivinícola 2018/2019.
Introduza a sua previsão aqui. Use a palavra chave normal de acesso ao INETSIV
A recolha fecha a 4/9 e os dados agregados serão divulgados nos dia seguintes.
Obrigado e boa vindima !

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Preparar a vindima: stocks e previsão

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Estamos a um mês da vindima, talvez um pouco menos. Conforme se pode ver no mapa em cima, o stock está confortável, mesmo que conjugado com os mapas de vendas que publicarei dentro de dias. No branco, que é sempre o de maior relevo, a disponibilidade de vinho adicionado ao mosto branco é de 12M de litros acima do ano passado. Quer isto dizer que, mesmo no cenário provável de uma baixa de produção, não estamos perante um problema de escassez. Haja bom senso e os preços ficarão estáveis ou subirão um tudo nada.

A propósito deste stock, importa referir que mais de três quartos se encontra nos armazenistas engarrafadores ( classificação que incorpora a Vercoope e Viniverde ). Na produção individual estão menos de dois milhões de litros e nos produtores-engarrafadores cerca de dois milhões. Significa pois que poucos serão os movimentos de grandes quantidades nesta fase pré vindima. O vinho já está no destino para engarrafar.

Temos mantido na CVRVV um acompanhamento muito próximo de todos os trânsitos de branco, acção que se manterá nos futuro previsível.

Uma questão interessante que se tem levantado ultimamente é a da previsão de colheita. Na nossa região, a previsão é feita por inquérito aos técnicos da região, os quais indicam os locais onde prestam assistência e as perdas/ganhos previstos face à colheita anterior. Este ano tivemos mais de uma centena de respostas e a previsão indicava uma pequena perda face a 2017. A verificação do escaldão e a evolução natural da vinha vão ser revelados numa nova previsão que será aberta no fim de Agosto, mais em cima da vindima.


terça-feira, 14 de agosto de 2018

Seguro de colheitas protege Vinho Verde

foto: João Pereira

O escaldão é um dos sinistros previstos na apólice de seguro de colheita da Região dos Vinhos Verdes contratada pela CVRVV com o Crédito Agrícola Seguros. Os viticultores que foram atingidos pelo escaldão verificado nos primeiros dias de Agosto devem participar o sinistro dentro de trinta dias. A participação segurá para a equipa de peritos que visitará o local e determinará o valor das perdas.

Para os viticultores que tenham acesso ao INETSIV, sistema internet do Vinho Verde, a participação pode ser feita on-line sem custo.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Três anos de acordo Alvarinho


Tenho no computador uma imensa pasta "Alvarinho" na qual fui guardando tudo o que se referia ao acordo. Contém 450 ficheiros, 36 sub-pastas e mais de 400MB de informação.

Agora que se comemoram três anos desde a data em que o acordo foi assinado, fui rever aquela documentação, centenas de fotos, documentos. tanta coisa, tanta história que um dia hei-de por em ordem.

Adiando as questões políticas e as polémicas que sempre aqueceram este debate e que nunca abordei nesta página, proponho aqui uma breve análise de dados disponíveis.

(nota: usarei MM como abreviatura de Monção e Melgaço )

RECORDEMOS O QUE SE ACORDOU

O acordo assinado no início de 2015 tem 9 pontos que aqui simplifico para rápida leitura:

  • foi criado um selo de garantia específico para os vinhos da sub-região de Monção e Melgaço;
  • foi permitido que se pudessem fazer lotes de Alvarinho com outras castas, abrindo aos produtores de MM a possibilidade de comprarem a sul ( por ex. Loureiro ou Trajadura ) e aos restantes a possibilidade de comprarem Alvarinho em MM. 
  • estabeleceu-se que a designação da casta Alvarinho só poderia ser usada em lotes onde esta estivesse com um mínimo de 30%
  • estabeleceu-se que se manteria a exclusividade de Monção e Melgaço na produção de Vinho Verde Alvarinho até 2021 no mínimo;
  • foi lançado um plano de investimento de 3M€ para afirmação da marca"Monção e Melgaço, a origem do Alvarinho" exclusiva para os vinhos desta sub-região.
O acordo deu origem a nova legislação e ao lançamento do plano de investimentos.

OS RECEIOS

Não menosprezo a boa fé de quem, à data, alterava para os riscos. Sendo que o maior de todos seria o de haver um plantio generalizado de Alvarinho na região, assim diluindo a oferta de Monção e Melgaço e fazendo baixar o preço.

No fundo este era um medo estranho pois subjacente a ele estava a ideia de que, em mercado aberto, os produtores de Monção Melgaço não teriam músculo comercial ou não teriam vinhos capazes de concorrer. Argumentos incompreensíveis pois a sub-região tem empresas fortes e vinhos admiráveis.

Clique na imagem para aumentar. valores em litros.


O QUE JÁ SABEMOS

Três anos não são uma vida mas já é tempo suficiente para fazermos uma primeira observação. E o que registamos é o seguinte:

  • está em uso generalizado o selo de garantia criado para a sub-região; é a única sub-região em Portugal com um selo próprio;
  • mantém-se muito forte a viticultura em Monção e Melgaço, aliás com novos planos de investimento. A Adega de Monção, por exemplo, acaba de contratar um plano de mais de 300.000,00 euros de renovação da vinha e vários outros produtores estão a investir, Não há qualquer sinal de crise na viticultura motivado por alterações no mercado;
  • o plantio de Alvarinho fora da sub-região mantém-se em níveis baixíssimos. Nas novas vinhas há sempre um pouco de Alvarinho mas a esmagadora maioria da área é Loureiro e Arinto. E é assim por uma razão simples que é a produtividade. Confrontada com um problema de escassez na oferta, a região a sul de Monção e Melgaço está a investir em produtividade e não na especificidade que lhe oferece o alvarinho;
  • a permissão dos lotes de Alvarinho com outras castas teve efeitos muito interessantes. desde logo o aparecimento de novos vinhos que antes estavam impedidos: o Loureiro-Alvarinho mas também o Avesso Alvarinho. E depois a origem destes vinhos. É que há vários produtores em MM a comprar intensamente Loureiro e Trajadura a sul, do mesmo modo que há a sul quem vá comprar Alvarinho em MM. Fenómeno curioso: há produtores de MM a comprar alvarinho a sul...( para usar sem sub-região, claro ).
  • a obrigatoriedade de um lote mínimo de 30% veio substituir a regra antiga em que era possível mencionar a designação da casta tendo apenas 1% no lote. Gerou negócio e valorizou a casta;
  • não há qualquer sinal de baixa de preços no ponto de venda, embora se note aqui - e carece de reflexão - que são operadores da sub-região que colocam no mercado os Alvarinhos de preço mais competitivo;
  • e o mercado deu sinais absolutamente surpreendentes:
    • o Vinho Verde Alvarinho ( exclusivo de Monção Melgaço ) aumenta as vendas em 32% 
    • o lote Alvarinho Trajadura aumenta 17%
    • o lote Alvarinho Loureiro começa do zero e representa já 1 milhão de litros/ano.
  • a campanha promocional está em curso e apresenta resultados. É gerida pela CVRVV mediante interacção permanente com os produtores. As primeiras revistas começam a considerar MM como uma categoria autónoma do Vinho Verde. Gradualmente veremos isso acontecer noutros canais.

EM CONCLUSÃO

Como escrevi acima, três anos é só o início. Porem os dados de que dispomos, os dados objectivos, são no sentido de que se estão a desenvolver negócios muito estáveis, com um potencial de crescimento fabuloso e, surpresa, quem está a liderar estes negócios no Alvarinho é Monção e Melgaço.

Admito que não é preciso fazer muito esforço para se perceber que as grandes linhas de evolução se estão a definir: o Alvarinho Trajadura é solidamente património comercial da sub-região; idem claramente para o Alvarinho 100%; pelo contrário, no Loureiro-Alvarinho estou convencido que veremos propostas cada vez mais competitivas a aparecer no resto da região.

Vamos acompanhando, em diálogo com os produtores, fazendo todas as adaptações que se mostrem necessárias.

Foram três anos surpreendentes, Venham os próximos !