sábado, 29 de setembro de 2018

O exemplo de França

A França é, no vinho, exemplo de muita coisa. E, como é natural é exemplo de algumas práticas ou realidades muito boas e outras nem tanto. Porque trabalho no vinho há quase duas décadas, já me habituei porém às ideias feitas de que tudo em França é maravilhoso.

A este propósito, dois gráficos muito interessantes publicados pela Associação Americana de Economistas do Vinho, relativos ao número de produtores Franceses. Mudanças de fundo estão em curso com uma redução fortíssima, seja do número de produtores, seja ainda do número de "amadores" do vinho, que produzem para consumo próprio.

Em França, como por cá, os mais pequenos lutam com dificuldades enormes.






quarta-feira, 26 de setembro de 2018

As calorias na rotulagem: é para hoje.


Há coisas que não lembram ao diabo. Estava aqui a preparar um artigo sobre calorias e lembrava-me que escrevi um outro há alguns anos. Fui pesquisar e é verdade: há exactamente dez anos e poucos dias escrevi um artigo a indicar que a obrigatoriedade de mencionar as calorias na rotulagem estava a entrar em vigor nos EUA e viria para a Europa.

Pois, chegou.

A regulamentação da rotulagem está a ser discutida em Bruxelas e vai mudar muito em breve. A ideia é passar a dar mais informação ao consumidor naquilo que à segurança diz respeito: calorias, alergéneos, componentes. Pela informação que recolhi, podemos ter diferentes modalidades: alguma informação ficará no rótulo ( como texto ou símbolo ) e outra poderá ou deverá ser colocada no site do produtor. Certo é que os rótulos passarão a ter mais informação e, este aumento, será feito muito possivelmente através da introdução das calorias.

Mantenho o que escrevi há dez anos, o consumidor vai dar-se conta do conteúdo calórico de alguns vinhos e não vai ser bonito.

Este processo foi debatido no Conselho Consultivo do IVV porquanto este Instituto acompanha em Bruxelas as negociações do dossier.

Aqui ficam algumas leituras complementares:

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Em vindima: apontamentos

Foto: Adega de Monção
Breves apontamentos:


  • ninguém se queixa do estado sanitário. Temos realmente uvas lindas a chegar às adegas um pouco por toda a região. Podemos estar perante um ano de grandes vinhos;
  • calendário: esta semana a região está toda a vindimar. Diria que até à primeira semana de Outubro vamos estar em pleno e logo veremos;
  • quantidade: claramente menos que 2017 como se previa. Talvez próxima da vindima de 2016. Julgo que no fim desta semana já poderemos fazer uma avaliação mais robusta; quem afirmava que as uvas iam sobrar tem de refazer as contas;
  • Boa vindima !

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Exportações Junho

Breve análise do mapa de exportações acumuladas a Junho, comparadas com igual período do ano anterior. A fonte é o INE/Intrastat. Como é habitual, note que estes mapas parcelares são bastante rigorosos quanto aos volumes mas menos quanto aos valores, dado que é geralmente corrigido ao longo do tempo.

Com esta advertência, aqui ficam algumas ideias:


  • exportamos para 112 mercados que é, da memória que tenho, a maior lista de sempre;
  • as vendas aumentam 5% em valor e 4% em volume
  • optimos resultados no Brasil, Reino Unido, Canadá, Suécia, Espanha, Dinamarca
  • menos bom em Alemanha e EUA, Polónia. Sobretudo os dois primeiros a merecer especial atenção porque são os nossos maiores mercados. Ou seja estamos a diversificar, o que é optimo mas a perder nestes locais de referência onde temos um imenso potencial de crescimento.
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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Seguro de colheita e vindima

Fizeram-me uma pergunta curiosa: "quem teve sinistro na vinha comprovado pelos peritos mantém  limite de rendimento por hectare original ?"

Obviamente que não nem tal faria sentido. Se um produtor tem um rendimento por hectare de X e viu 30% da sua produção afectada por um sinistro, terá o seu limite para DO reduzido na exacta percentagem desse sinistro.

Faria sentido der se outro modo ? Então teve sinistro e perdeu colheita ou não perdeu ?

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

110 Anos de Vinho Verde


O Senhor Presidente da República, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, é o convidado de honra da comemoração conjunta dos 110 anos da Demarcação dos Vinhos Verdes e do Dão.

As duas regiões foram demarcadas pela Carta de Lei datada de 18 de Setembro de 1908, muito embora o cultivo da vinha fosse secular em ambos os territórios. As comemorações da demarcação incluem vários actos a decorrer nas duas regiões mas têm como primeiro acto este jantar de gala.

Caso se queira juntar a nós para comemorar com o Professor Marcelo rebelo de Sousa os 110 anos das regiões, clique aqui.


domingo, 9 de setembro de 2018

Preparar a vindima: stocks e previsão

Abriram esta semana as primeiras adegas, sobretudo uva para espumante. Poucas estarão em funcionamento na próxima semana. Pelo que me vou apercebendo, será a partir de segunda 17 que teremos um número mais significativo de adegas abertas. E estaremos por Outubro dentro a vindimar. Ao menos que não chova.

O stock à boca da vindima é bastante confortável. O stock de branco adicionado ao mosto branco é de 49 milhões de litros, quase 30% acima do que tínhamos à boca da vindima no ano passado.

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Este valor, que induz alguma serenidade, é contraposto pela previsão de colheita. O efeito combinado do míldio e outros problemas ao longo do ano, agravado recentemente pela insolação ( já vamos em 1600 participações de sinistro, número quase final ) , levou a CVRVV a fazer uma nova previsão de colheita.

Após análise das 92 respostas de técnicos da região, o resultado é, por comparação a 2017:

  • baixa de 20% no branco;
  • baixa de 30% no tinto.
Tendo em conta alguns textos que se vão lendo por aí, recordo que a previsão de colheita da CVRVV é feita por questionário aos técnicos das empresas e adegas da região. É feita pela região.

Há uma noção geral de que vamos ter uma colheita desigual. Há produtores com péssimos resultado, seja pelo míldio, seja mais recentemente nas vinhas novas por efeito da insolação da insolação. Estes terão um prejuízo grande. Do lado oposto há efectivamente vinhas optimas. No processo de avaliação dos pedidos de aumento de rendimento, as nossas brigadas andam pela região, aplicam um método pré definido de contagem de cachos, fotografam vinhas e, sem dúvida alguma, há produtores com muito boa vindima em perspectiva.



Como se vê no quadro acima, 2017 foi um ano generoso. Estamos a beneficiar de novas vinhas, mais produtivas e, no ano passado, combinaram-se vários factores positivos. Em boa verdade, se em 2018 tivéssemos a mesma produção de 2017, haveria uma significativa desvalorização da uva. Este será pois um ano próximo de 2016, talvez um pouco acima desse.

Um assunto que naturalmente se debate muito nesta altura de pré-vindima é o do preço da uva. Espera-se a saída das tabelas principais e, como é habitual, especula-se muito.

É perfeitamente natural que possa haver alguma valorização. Veja-se por exemplo que, no concurso de venda de uvas da EVAG: em 2017 não tivemos concorrentes na primeira chamada. Este ano tivemos vários e com preço superiores, fechamos a venda a 48 cêntimos para toda a produção.

Sendo que é importante que a viticultura seja remunerada um pouco melhor a cada ano, importa recordar que em 2017, um ano claramente de grande produção, não houve descida de preços. Cada um fará a sua análise, é certo, mas eu diria que alguma estabilidade de preços, com melhorias graduais, é preferível, do que termos uma enorme amplitude com preços a subir e a descer imenso conforme as produções de cada ano.

O sistema de controlo que aplicaremos em 2018 será muito próximo do aplicado no ano passado, tendo por base os "fiscais residentes" que acompanham os principais centros de vinificação ao longo de toda a produção e equipas móveis que cobrem os restantes locais, bem como os trânsitos de uvas, mosto e vinho. Se necessário, a partir dos locais de recepção de uva as equipas irão à vinha confirmar a vindima.

O sistema de registo por tablets das uvas entradas nos principais centros estará a funcionar em mais locais e - importante - foram extintos os talões de uvas em papel. os centros de vinificação terão portanto de fazer a emissão informatizada dos talões seja em sistemas próprios, seja em sistema que a CVRVV disponibiliza.

Boa vindima e vamos a ver se o S Pedro ajuda, porque estaremos a vindimar até tarde em Outubro