domingo, 9 de setembro de 2018

Preparar a vindima: stocks e previsão

Abriram esta semana as primeiras adegas, sobretudo uva para espumante. Poucas estarão em funcionamento na próxima semana. Pelo que me vou apercebendo, será a partir de segunda 17 que teremos um número mais significativo de adegas abertas. E estaremos por Outubro dentro a vindimar. Ao menos que não chova.

O stock à boca da vindima é bastante confortável. O stock de branco adicionado ao mosto branco é de 49 milhões de litros, quase 30% acima do que tínhamos à boca da vindima no ano passado.

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Este valor, que induz alguma serenidade, é contraposto pela previsão de colheita. O efeito combinado do míldio e outros problemas ao longo do ano, agravado recentemente pela insolação ( já vamos em 1600 participações de sinistro, número quase final ) , levou a CVRVV a fazer uma nova previsão de colheita.

Após análise das 92 respostas de técnicos da região, o resultado é, por comparação a 2017:

  • baixa de 20% no branco;
  • baixa de 30% no tinto.
Tendo em conta alguns textos que se vão lendo por aí, recordo que a previsão de colheita da CVRVV é feita por questionário aos técnicos das empresas e adegas da região. É feita pela região.

Há uma noção geral de que vamos ter uma colheita desigual. Há produtores com péssimos resultado, seja pelo míldio, seja mais recentemente nas vinhas novas por efeito da insolação da insolação. Estes terão um prejuízo grande. Do lado oposto há efectivamente vinhas optimas. No processo de avaliação dos pedidos de aumento de rendimento, as nossas brigadas andam pela região, aplicam um método pré definido de contagem de cachos, fotografam vinhas e, sem dúvida alguma, há produtores com muito boa vindima em perspectiva.



Como se vê no quadro acima, 2017 foi um ano generoso. Estamos a beneficiar de novas vinhas, mais produtivas e, no ano passado, combinaram-se vários factores positivos. Em boa verdade, se em 2018 tivéssemos a mesma produção de 2017, haveria uma significativa desvalorização da uva. Este será pois um ano próximo de 2016, talvez um pouco acima desse.

Um assunto que naturalmente se debate muito nesta altura de pré-vindima é o do preço da uva. Espera-se a saída das tabelas principais e, como é habitual, especula-se muito.

É perfeitamente natural que possa haver alguma valorização. Veja-se por exemplo que, no concurso de venda de uvas da EVAG: em 2017 não tivemos concorrentes na primeira chamada. Este ano tivemos vários e com preço superiores, fechamos a venda a 48 cêntimos para toda a produção.

Sendo que é importante que a viticultura seja remunerada um pouco melhor a cada ano, importa recordar que em 2017, um ano claramente de grande produção, não houve descida de preços. Cada um fará a sua análise, é certo, mas eu diria que alguma estabilidade de preços, com melhorias graduais, é preferível, do que termos uma enorme amplitude com preços a subir e a descer imenso conforme as produções de cada ano.

O sistema de controlo que aplicaremos em 2018 será muito próximo do aplicado no ano passado, tendo por base os "fiscais residentes" que acompanham os principais centros de vinificação ao longo de toda a produção e equipas móveis que cobrem os restantes locais, bem como os trânsitos de uvas, mosto e vinho. Se necessário, a partir dos locais de recepção de uva as equipas irão à vinha confirmar a vindima.

O sistema de registo por tablets das uvas entradas nos principais centros estará a funcionar em mais locais e - importante - foram extintos os talões de uvas em papel. os centros de vinificação terão portanto de fazer a emissão informatizada dos talões seja em sistemas próprios, seja em sistema que a CVRVV disponibiliza.

Boa vindima e vamos a ver se o S Pedro ajuda, porque estaremos a vindimar até tarde em Outubro



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