quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Vindima: já se lavam alguns cestos

A chuva que chegou não é muita mas anuncia o fim da vindima. Ainda há algum tinto para receber, muito pouco branco e Espadeiro no vale do Sousa. Podemos por isso fazer um primeiro balanço.

Foto: Adega de Monção


QUALIDADE

Em toda a região as uvas estão optimas, estado sanitário impecável, excelentes maturações. Dizia há dias um produtor de referência que este será o grande ano do Loureiro. Vamos a ver. Certo é que os enólogos têm matéria prima muito boa para valorizar.

PREÇOS

A CVRVV não acompanha preços e portanto esta é a minha apreciação pessoal e empírica resultante das muitas conversas que fui tendo ao longo da vindima. Parece-me claro que há uma ligeira valorização um pouco por toda a região. É precisamente isso o que se pretende. Já o escrevi aqui e repito: é um erro querer que os preços variem muito conforme as produções são altas ou baixa. No ano passado tivemos uma grande produção e os preços não desceram; este ano temos uma produção mais curta e os preço sobem um pouco.

AS QUANTIDADES - BRANCO

Vamos ficar entre a produção de 2016 e a de 2017. Tenho visto algum desapontamento por a vindima ter perdas face a 2017. É um erro. Se este ano tivéssemos a mesma produção do no passado, estaríamos confrontados com uma enorme desvalorização da uva e do granel e até com um problem ade armazenamento do vinho. Não esquecer aquilo que vivemos em 2003: vinho em excesso é um problema e o sector cooperativo é o primeiro a sofrer, afundado que fica com um stock de que não necessita.

Clique na imagem para aumentar


A média de produção de branco, num horizonte de 5 anos é de 57 milhões de litros; a média de venda é de aproximadamente 51 milhões de litros. Este ano ficaremos nos 59/60, um optimo número portanto.

Quase diria que, em quantidade é a vindima ideal. Temos vinho, temos stock mas não temos um desafogo tal que desvalorize o produto.

Clique na imagem para aumentar


Por fim importa distinguir o caso específico de Monção e Melgaço. Aqui a produção foi muito próxima da de 2017. Este ano estaremos uns 8 a 9% abaixo de 2017.

AS QUANTIDADES - TINTO

O tinto vai ter um mau resultado. Previa-se uma quebra de 30% face ao ano passado e será isso pelo menos. O contexto do tinto tem de ser visto de forma diferente do banco: não é um problema deste ano. No branco, temos muita vinha nova que vai entrar em produção nos próximos anos. A curva descendente de produção dos anos 90 e do início de 2000 já foi claramente invertida. Podemos ter anos melhores ou piores mas, como se vê no gráfico acima, a produção de branco aumenta estruturalmente.

Entrega de uva tinta 2018/2016 - Clique na imagem para aumentar


No tinto ocorre o oposto. Este ano a produção é curta mas nada nos indica que seja muito boa nos próximos anos por dois factores: o tinto é sobretudo produzido por viticultores mais pequenos possivelmente mais velhos; não há reconversão significativa para tinto. Ou seja, enquanto no branco já se fez a inversão da tendência de perda de capacidade produtiva, no tinto ainda estamos em plano descendente. E isto quando o rosado precisa de matéria prima.

Ainda havemos de pagar as uvas tintas mais caras do que a branca...

A SAÍDA DE UVAS PARA ESPANHA

Sempre houve alguma circulação de uvas para a Espanha e, em especial para a Galiza. Este ano mais, de forma mais organizada e algumas alvo de apreensão pelo que ganharam visibilidade.

Esclareça-se desde já que a venda de uvas para Espanha é inteiramente legal. O viticultor emite um documento de trânsito e vende-as para onde entender. Certo é que, ao emitir o documento, a CVRVV reduz o seu potencial de produção na proporção exacta da quantidade que vender.

A nossa acção de controlo, bem como a da ASAE incidem pois muito fortemente sobre a regularidade dos trânsitos. Foram precisamente estas irregularidades que deram origem a várias apreensões de cargas num total de 50 toneladas.

Não esquecer porém que a saída de uvas para Espanha não pode ser só analisada à luz da legalidade, Tem de o ser também à luz do mercado. Quando se pagam valores muito altos ( chega-me a informação de 70 cêntimos /kg ), isto tem de fazer a região perceber que a concorrência não está só no ponto de venda mas também no abastecimento. A região tem de ser competitiva a remunerar as uvas. E não só. É cada vez mais premente a necessidade de as adegas e compradores estabelecerem uma relação sólida e próxima com os respectivos viticultores, trocando informação e apoio ao longo do ano, alinhando estratégias e não apenas no habitual contacto em Julho e Outubro.

NOTA POSTERIOR: um produtor contactou-me indicando a saída para Espanha de uva de muito fraca qualidade e com preço de 45 a 55 cêntimos/quilograma.


Mosto de Arinto, na Casa de Oleiros. Foto: Manuela Camizão

Sem comentários: