sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Vinho Verde: exportações a Setembro



Com base no mapa do INE/Intrastat, aqui fica a análise das exportações e expedições até Setembro, comparadas com igual período do ano passado:


  • temos registadas exportações para 102 países;
  • núm. 1 os EUA com 11M€ ( estável )
  • núm. 2 Alemanha com 10,8M€ ( + 3% )
  • núm. 3 França com5,2M€ ( + 13% )
  • núm. 4 Brasil com 4,6M€ ( + 48% )
  • núm. 5 Canadá com3,5M€ ( + 15% )
No geral, chegamos a Setembro com 53 milhões de euros, um aumento de 10% face a igual período de 2017.

Curiosidade, o nosso mercado 102, o último é o Benin com... 1 litro. O preço médio anda nos 2,3 €/litro, aumenta muito ligeiramente desde 2017.

Esta semana temos duas dezenas de produtores no Brasil a participar no Vinho Verde Wine Fest Rio e São Paulo.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Bernardo Gouveia preside ao IVV


Já se falava do nome há algum tempo, já se comentava que constava da lista de selecção que o Governo tinha em cima da mesa e a Revista de Vinhos acaba de confirmar a sua nomeação para a presidência do IVV, Instituto da Vinha e do Vinho.

Bernardo Gouveia não é um desconhecido no sector. Recentemente presidia à CVR Lisboa, tendo trabalhado em várias empresas do sector, como a Companhia das Quintas, a Bacalhoa, a Adega Cooperativa do Redondo. Foi ainda dirigente da ANCEVE.

Quando for empossado, Bernardo Gouveia sucederá a um dos presidentes mais marcantes do IVV, Frederico Falcão, unanimemente reconhecido como um dos melhores mandatos que o sector ali viu exercidos. Sucederá ainda à presidência em substituição de Francisco Toscano Rico ( Vice Presidente ) um profissional sólido e valorizado pelo sector.

No dia em que entrar na lindíssima sede do IVV, sita à Rua Mouzinho da Silveira em Lisboa, Bernardo Gouveia encontrará muitos dossiers pousados em cima da mesa:

  • a REFORMA DA LEI QUADRO do sector, um diploma cuja renovação se arrasta há anos e cujo texto final se encontra já no Governo. O sector está exausto de discussões infindáveis sobre este assunto, que se arrastaram por demasiado tempo e não produziram fruto algum. E porém a reforma é necessária e urgente;
  • a NEGOCIAÇÃO EM BRUXELAS, sendo que neste quadro comunitário o sector esgotou as verbas do programa vitis antes do tempo. É essencial não só garantir apoios mas, em paralelo, assegurar que estes são bem geridos;
  • combater a FUGA ÁS TAXAS no vinho de mesa, um mal genético do sistema de pagamento por guia que foi introduzindo sem que se montasse um eficaz sistema de controlo. As auditorias que o IVV vai fazendo invariavelmente identificam situações de fuga.
  • avançar no CONTROLO INFORMÁTICO, nomeadamente impondo o cadastro nacional da vinha para todas as regiões de certificação e sendo consequente. Como é possível que haja produtores sem cadastro que façam DCP ou recebam apoios ?! como é possível que haja produtores com um cadastro ínfimo que declaram produções gigantescas ?!
  • dialogar com CVR's e VINIPORTUGAL, entendendo umas e outras como partes essenciais de uma equipa comum que deve trabalhar de forma harmónica;
  • valorizar o CONSELHO CONSULTIVO, órgão que reúne todas as associações do sector e que não só tem competência técnica mas é o apoio essencial para o sucesso do exercício do mandato.
  • valorizar a comissão da marca WINES OF PORTUGAL que reúne Viniportugal e CVR's e que coordena as acções das várias entidades em torno do objectivo comum.

E finalmente fazer o MILAGRE que é gerir uma instituição pública, onde terá de pedir licença à finanças sempre que consumir um copo de água, onde terá de preencher 624 impressos e requerimentos sempre que lhe passar pela cabeça pregar um quadro na parede do escritório e onde, nunca esquecer, de cada vez que tiver um orçamento para gerir, verá que lhe é cativada uma boa parte das verbas lá inscritas.

Não deixa de ser verdade, e isto é o que o pode animar no fim do dia, que o IVV tem uma excelente equipa de profissionais, é um instituto acarinhado pelo sector e aliás considerado como uma boa escola dentro da administração pública.

O sucesso do Bernardo será o nosso.

Nota: leia o artigo da Revista de Vinhos aqui:
http://www.revistadevinhos.pt/noticias/bernardo-gouvea-e-o-novo-presidente-do-ivv

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Os números da vindima

Está fechada a entrega das Declarações de Colheita e Produção, pelo que podemos já começar a analisar os números da vindima de 2018. O facto de a CVRVV receber directamente as DCP's dos produtores e de estar ligada informaticamente com o cadastro do Ministério da Agricultura, caso pioneiro a nível nacional,  dá-nos esta excelente possibilidade de conhecer os números da vindima no momento exacto em que fecham os balcões.

Antes de começar , apenas um alerta: os números podem ter ligeiras reduções, fruto das acções de controlo que estamos a realizar e têm por base o mapa de 16/11. Não incluem pois alguns retardatários, sobretudo pequenos produtores. Quer isto dizer que os números finais a apurar a 31/12 podem ter, terão decerto, pequenas diferenças.

OS GRANDES NÚMEROS

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De forma simplificada, os grandes números são estes:

  • 16.170 produtores
  • branco + mosto, 59,6M litros, uma perda de 20% face ao ano passado
  • tinto + mosto, 9,3M litros, uma perda de 30% face ao ano passado
  • rosado + mosto 3,7M litros, uma perda de 31% face ao ano passado.
  • no geral, 72,7M litros, perdemos 22% face a 2017.
Ficamos pois muitíssimo perto da previsão de colheita que nos indicava um resultado final ligeiramente acima de 2016. Recordo que a previsão de colheita da região é feita por inquérito a mais de 50 técnicos de produtores, sociedades comerciais e cooperativas.

Face à preocupação de alguns colegas quanto às perdas, importa aqui sublinhar o seguinte: 2017 foi uma colheita menos boa na medida em que nos deu uma quantidade excessiva. Se tivéssemos em 2018 a mesma produção, seria péssimo, estaríamos perante um problema de desvalorização da matéria prima.

A segunda e última observação. Conheço, não podendo divulgar, os dados de cada entidade. Devo dizer que a perda face a 2017 foi absolutamente transversal. Sendo que o boato é a espécie que melhor floresce na vindima, ouvi dizer que fulano e sicrano tinham aumentado a produção num ano de menos uvas. Não é verdade, Os aumentos face a 2017 foram muitíssimo esporádicos, sem significado no geral e sempre bem fundamentados por circunstâncias  que não deixavam dúvidas, por exemplo vinhas novas em produção ou alguém que nunca tinha comprado uvas e passou a comprar.  NENHUM dos operadores com significado deixou de perder 18 a 20% face a 2017. A perda é, repito, transversal. ( ver em baixo o caso de Monção ).

Vejamos agora com algum detalhe cada tipo de vinho e outros dados.

O BRANCO

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No branco + mosto banco produzimos 59,6 milhões de litros. É interessante notar que os dois segmentos são distintos: no branco tivemos uma perda inferior a 20% face ao ano passado mas no mosto branco tivemos 40%. Em 2017 tínhamos produzido uma quantidade muito grande de mosto, como forma de armazenamento de um stock excessivo e este ano o mercado corrige-se.

Seja como for, julgo que tudo aponta para um ano muito sereno. As vendas de branco em 2017 foram de 51 milhões de litros. este ano estarão uns 5% acima disso e a produção é de 59,6 milhões. Temos ainda um stock que é confortável. Podemos pois ter um bom ano de vendas com estabilidade de preços ou uma ligeira valorização o que é bom sinal para o negócio.

Duas reflexões estratégicas que me parecem importantes:

  • a primeira é que, fruto do trabalho admirável de todos, com o apoio dos programas vitis, estancamos e invertemos a fuga de vinha que decorreu na década de 2000. Conforme pode ver acima, as produções aumentam estruturalmente. Se fossemos ver mais em detalhe, concluiríamos que o que verdadeiramente aumenta é a produtividade média, porquanto a área de vinha,essa não tem aumentado; são vinhas novas, muito produtivas, com áreas médias grandes a substituir milhares de pequenas leiras que são abandonadas; e ainda há muita vinha nova que se encontra nos 4 primeiros anos de produção;
  • o segundo é que há mais uva branca estruturalmente, sim, mas ela não aparece no mercado. Isto porque hoje em dia, a ligação entre o viticultor e o seu cliente "preferencial" é muito mais elevada. Quem planta já tem uma ideia de quem será o seu cliente, a cooperativa ou uma empresa, e relaciona-se com esta ao longo do ano. A quantidade de uvas "sem dono" que estão no mercado não está pois a aumentar. Quem procura uvas tem de ter esta nova realidade presente, tem de se aproximar da produção e tem de preparar a vindima nos doze meses do ano.

O TINTO

Há menos tinto, 9,3 milhões de litros, para uma venda anual de 4 milhões no ano passado. Admito porém que não se verifique excedente. Há sempre algum tinto que segue como vinho de mesa para outras regiões/países e é o vinho que tipicamente será vendido à porta por muitos agricultores.

Ao contrário do branco, em que afirmei acima que estamos numa fase estruturalmente ascendente de produção, no tinto sucede o exacto oposto: produz-se cada vez menos e não há praticamente vinhas novas a entrar em produção.

O ROSADO

Entre vinho e mosto, produzimos 3,7 milhões de litros para uma venda anual próxima dos quatro milhões. Admito que algum tinto com pouca cor possa vir a ser classificado como rosado e assim corrigir esta escassez.

AS REGIÕES DENTRO DA REGIÃO

Monção e Melgaço foram claramente a sub-região que melhor se comportou, com perdas totais inferiores a 10% face ao ano passado. A sub-região representa cerca de 13,5% da produção de vinho da região. Em uvas representaria um pouco mais porquanto envia uva para o resto da região.

Muito bem Ponte de Lima, com uma perda muito baixa, 13% face ao ano passado.

Num próximo texto farei a comparação entre concelhos que produziram uvas e concelhos que produziram vinho para analisarmos os trânsitos de uvas.

EM CONCLUSÃO

Foto: rádio Alto Minho


Já sabíamos que as uvas de 2018 são de excelente qualidade. O preço manteve-se, em alguns casos subiu um tudo nada. A produção foi média, um pouco ais curta do que 2017.

Na primeira semana de Dezembro publico os stocks já com a nova vindima incorporada.

Julgo que foi uma vindima que nos dá excelentes condições de encarar com muita confiança o ano que que perspectiva. Assim a economia ajuda ( não estou tão confiante ) e podemos ter um belíssimo resultado.

Bons vinhos e boas vendas !

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Vendas a Outubro

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Dentro de dias publicaremos os dados da vindima 2018. Não vou, por isso, indicar vindima ou stocks mas apenas as vendas, neste texto.

O branco comporta-se muito bem. Vamos fechar o ano com bons resultados, recuperando assim de um primeiro trimestre que não foi famoso.


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No tinto e rosado, mantemos a tendência de sempre. Já o escrevi e repito: o que faz com que não tenhamos um "lago" de tinto é que por um lado estamos a usar essa matéria prima para rosado e por outro a produção de tinto está a descer. Não nos admiremos se um dia nos faltarem estas uvas.

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Optimos dados mais uma vez nos vinhos de casta, E optimos em toda a linha. É aqui que se está a forjar o crescimento de valor da região. No final do ano faremos constas mas, é já claro, a quota dos vinhos de casta no total da região cresce, o que é muito bom.